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sábado, 4 de dezembro de 2021

 

Como é dito: “A natureza última da mente é clara luz”. A consciência tem muitos níveis e, embora os níveis mais ordinários sejam afetados por forças corruptoras, o nível mais sutil permanece livre de negatividades grosseiras. No Vajrayana (um dos principais ramos do Budismo), esse nível sutil de consciência é chamado de mente de clara luz. As ilusões e aflições emocionais assim como a mente dualista de certo e errado, amor e ódio etc., estão associadas apenas com os níveis grosseiros de consciência. No momento, estamos totalmente absorvidos na interação desses estados grosseiros, então devemos começar nossa prática trabalhando com eles. Isso significa conscientemente encorajar o amor sobre o ódio, a paciência no lugar da raiva, liberdade emocional em vez de apego, bondade por cima da violência e tudo mais. Fazer isso traz paz imediata e acalma a mente, possibilitando assim a meditação mais elevada. Logo, como o apego a um eu e aos fenômenos como coisas verdadeiramente existentes é a causa de toda a vasta gama de estados distorcidos da mente, a pessoa cultiva a sabedoria que elimina esse apego ao ego. Superar o apego ao ego é superar toda a multidão de distorções mentais.

 

XIV Dalai Lama

terça-feira, 29 de agosto de 2017

O foco excessivo em si mesmo


Se enfatizo muito o eu, começo a pensar que sou especial de alguma forma, e assim chegam a ansiedade e o nervosismo. Esse foco excessivo em si mesmo também é muito ruim para a saúde. Muito medo e desconfiança, muito foco em si mesmo levam ao estresse e elevam a pressão arterial. A sua visão se torna estreita, e até mesmo um problema pequeno parece desproporcional e insuportável.


Dalai Lama
(em “Contentamento”)



segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Imunidade mental


Imunidade mental nada mais é do que aprender a evitar as emoções destrutivas e desenvolver emoções positivas. Primeiro, temos que compreender a mente... existem tantos estados de espíritos diferentes... os diversos tipos de pensamentos e emoções que experimentamos diariamente. Alguns desses pensamentos e emoções são prejudiciais, até mesmo tóxicos, ao passo que outros são saudáveis e curativos. Os primeiros perturbam a nossa mente, provocando muita dor mental. Os últimos trazem um verdadeiro contentamento.

Quando compreendemos essa realidade, é muito mais fácil lidar com a mente e tomar medidas preventivas. É assim que desenvolvemos a imunidade mental.


Dalai Lama
(em “Contentamento”)



quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Dalai Lama: compaixão e força


Enquanto eu me acomodava ao lado do Dalai Lama, sentia na sua postura e na sua linguagem corporal o poder de um líder. Eu me lembrava da firmeza e do carinho com que segurara a minha mão na primeira vez que nos vimos. Sua bondade não diminuía em nada o seu poder, um lembrete valioso de que a compaixão é uma característica de força, não de fraqueza, um ponto no qual eles insistiram no decorrer de nossas conversas.

Quando o Dalai Lama o cumprimenta, ele pega a sua mão e a acaricia carinhosamente, como um avô talvez. Ele olha nos seus olhos e sente profundamente o que você está sentindo, e toca a sua testa com a dele. Seja qual for o sentimento no seu coração e refletido na expressão do seu rosto, seja euforia ou aflição, ela espelha a expressão do próprio rosto. Mas quando ele se encontra com outra pessoa, essas emoções se foram e ele está completamente disponível para o próximo encontro e o próximo momento. Talvez seja isso que chamam de estar totalmente no presente, disponível a cada instante e para cada pessoa com quem nos encontramos, livres de lembranças do passado que remoemos, nem atraídos pelas preocupações com o futuro.


Dalai Lama
(em “Contentamento”)



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Isso é um dia significativo


Assim que acordo, eu me lembro do ensinamento do Buda: a importância da bondade e da compaixão, desejando algo de bom para os outros ou, pelo menos, a diminuição do seu sofrimento. Então eu me lembro que tudo está inter-relacionado, o ensinamento da interdependência. Dessa forma, eu defino a minha intenção para o dia: que este dia deve ser significativo. Significativo quer dizer, se possível, servir e ajudar os outros. Se não for possível, então, pelo menos, não prejudicar os outros. Isso é um dia significativo.


Dalai Lama
(em “Contentamento”)


domingo, 20 de agosto de 2017

Mais compaixão, menos estresse


O Dalai Lama com frequência diz que ter mais compaixão pode fazer com que nos sintamos menos estressados. O truque, como no caso da felicidade, parece ser ficarmos livres do estresse do julgamento e das preocupações em relação a nós mesmos. Ficamos mais leves quando tiramos o foco de nossos próprios interesses – e do peso que costuma vir com eles – e nos voltamos para os outros. Os causadores de estresse podem continuar existindo, mas deixarão de nos afetar tanto. Isso porque o que torna nossa resposta normal ao estresse tão intensa é a forma como ele pesa e parece nos engolir. A compaixão, por outro lado, nos deixa mais leves. Sentimos que nossa  carga individual diminui um pouco, a colocamos em perspectiva e percebemos que não estamos sozinhos.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Contentamento antes do café


“Mas o que é essa felicidade mental, o prazer mental sobre o qual Vossa Santidade vem falando nas últimas 24 horas?”

“Um senso genuíno de amor e afeição”, respondeu o Dalai Lama.

“Vossa Santidade acorda com esse contentamento?”, perguntei. “Mesmo antes do café?”

“Se você desenvolve um forte senso de preocupação pelo bem-estar de todos os seres sencientes e, em particular, todos os seres humanos, isso fará você feliz de manhã, mesmo antes do café.

Esse é o valor da compaixão, de ter sentimentos compassivos para com os outros. Veja bem, até mesmo com dez ou trinta minutos de meditação sobre compaixão e bondade para com os outros, você logo vai perceber seus efeitos durante todo o dia.  Essa é a forma como matemos uma mente calma e em estado de contentamento.”


Dalai Lama
(em “Contentamento”)



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Dia do nascimento


Cada dia é uma oportunidade para começar de novo. Cada dia é o dia do nascimento.


Dalai Lama e Desmond Tutu
(em “Contentamento”)



quarta-feira, 19 de julho de 2017

O Dalai Lama e seu propósito de vida


Em minha vida, experiencei muitas alegrias e tristezas e enfrentei muitas dificuldades. Mas, quando penso sobre os tempos difíceis, posso ver que sempre houve uma coisa que me deu esperança, fossem quais fossem as circunstâncias. Em meu coração, o motivo principal para eu sentir que minha vida humana teve um propósito e valeu a pena é tê-la baseado no desejo de ajudar os outros. É algo que eu sei que definitivamente mostrou-se útil ao longo de minha vida. Quando me deparei com dificuldades, essa atitude me deu coragem e a sensação de que a esperança jamais está perdida e de que a provação é manejável e vale a pena passar por ela. E isso me trouxe um tipo de satisfação por meio do qual sou capaz de encontrar, de modo bastante natural, um pequeno grau de relaxamento – paz mental e felicidade também. Sem dúvida, isso contribuiu para o meu bem-estar físico.


14º Dalai Lama
(em “Mente em Conforto e Sossego”)



terça-feira, 9 de maio de 2017

Rir diante das dificuldades


Tenho me deparado com muitas dificuldades ao longo da minha vida... mas eu sempre dou risada, e minha risada é contagiosa. Claro que existem problemas, mas pensar apenas no aspecto negativo não ajuda a encontrar soluções e destrói a paz de espírito. Essa atitude vem de mim, de minha prática.
  

Dalai Lama



domingo, 23 de abril de 2017

Todos os dias


Todos os dias quando acordo, penso “Eu sou afortunado por estar vivo, por ter uma preciosa vida humana e por isso não irei desperdiçá-la. Usarei todas as minhas energias para desenvolver-me, para expandir meu coração em direção aos outros, para alcançar a iluminação e assim poder beneficiar todos os seres. Terei sempre pensamentos gentis sobre as outras pessoas, não sentirei raiva ou terei pensamentos negativos a respeito delas. Farei o máximo que puder em benefício de todos.”


Dalai Lama


segunda-feira, 3 de abril de 2017

Dalai Lama: Possa eu tornar-me...



Possa eu tornar-me em todos os momentos, agora e para sempre,
Um protetor para aqueles sem proteção,
Um guia para aqueles que perderam seu caminho,
Um navio para aqueles com oceanos a cruzar,
Uma ponte para aqueles com rios a atravessar,
Um santuário para aqueles em perigo,
Uma lâmpada para aqueles sem luz,
Um lugar de refúgio para quem não tem abrigo,
E um servo para todos que precisam.


Dalai Lama
(retirado do Facebook)


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A felicidade do outro





Desde 1989 tenho a honra de servir de intérprete francês ao Dalai Lama, que tem por hábito dizer “Minha religião é a bondade” e cuja quintessência do ensinamento é: “Todo ser, mesmo hostil, teme como eu o sofrimento e busca a felicidade. Esta reflexão leva a nos sentir profundamente mobilizados pela felicidade do outro, amigo ou inimigo. É a base da compaixão autêntica. Buscar a felicidade permanecendo indiferente aos outros é um erro trágico”.

Há alguns anos, quando me preparava para partir em retiro nas montanhas do Nepal, solicitei ao Dalai Lama alguns conselhos e ele me respondeu: “No início medite sobre a compaixão, no meio medite sobre a compaixão, no fim medite sobre a compaixão.”

Matthieu Ricard
(em “A Revolução do Altruísmo”)


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quando nos protegemos do sofrimento





Quando nos protegemos do sofrimento, achamos que estamos sendo bondosos conosco mesmo. A verdade é que apenas nos tornamos mais amedrontados, endurecidos e alienados. Percebemos a nós mesmos como separados do todo. Essa separação transforma-se em uma espécie de prisão- uma prisão que nos encerra em nossas próprias esperanças e medos, que nos leva a nos importarmos apenas com aqueles que estão mais próximos. O curioso é que, antes de mais nada, estamos tentando nos proteger do desconforto e, com isso, sofremos. Já quando não nos fechamos e permitimos que a dor toque nosso coração, descobrimos nossa afinidade com todos os seres. Sua Santidade, o Dalai Lama, descreve dois tipos de pessoas egoístas: as sábias e as tolas. As tolas pensam apenas em si mesmas, o que resulta em confusão e dor. As sábias acreditam que estar ali, apoiando os outros, é a melhor coisas que podem fazer por si mesmas. Como resultado, sentem alegria.

Pema Chodron
(em”Quando Tudo se Desfaz”)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Aprender com os erros e prosseguir no caminho



No livro A Arte da Felicidade, Howard Cutler perguntou ao Dalai Lama se havia feito alguma coisa na vida da qual se arrependia, ou lamentasse. Ele disse que sim, e contou a história de um monge idoso que o procurou um dia e lhe falou que gostaria de realizar uma prática de alto nível budista. O Dalai Lama, sem refletir, disse ao homem idoso que essa prática seria muito difícil de fazer e talvez fosse mais apropriada para alguém mais jovem, porque, tradicionalmente, era uma prática que deveria começar na adolescência. Depois, soube que o monge se suicidara para renascer em um corpo mais jovem, a fim de realizar melhor a prática.

Cutler ficou atônito. Ele perguntou ao Dalai Lama como havia conseguido lidar com esse arrependimento. Também perguntou como se libertara dele. O Dalai Lama fez uma longa pausa e refletiu profundamente. Depois disse: “Eu não me libertei desse sentimento. Ainda está presente”. E continuou: “Embora esse sentimento de arrependimento ainda esteja presente, não está associado a um sentimento de opressão ou um motivo para eu recuar”.

Fiquei muito comovida com essas palavras. Temos a ideia errônea de que ou nos arrependemos ou nos livramos da culpa. Trungpa Rinpoche disse que devíamos guardar a tristeza da vida em nosso coração, mas sem esquecer a beleza do mundo e a maravilha de estar vivo. Então, chegará um momento em que seremos capazes de sentir o coração dilacerado pelos nossos sofrimentos e os de outras pessoas, sem nos deprimirmos. O Dalai Lama disse ainda que a atitude de se deprimir ou de se retrair por causa de arrependimentos não beneficia ninguém e, por isso, aprendeu com seus erros e prosseguiu em seu caminho fazendo todo o possível para ajudar os outros. Creio que podemos dizer que ele é um grande professor porque enfrenta seus desafios. Ele não passa pela vida imune, sem tristeza ou remorso. Porém, ele não transforma esses sentimentos no que chamamos “culpa” ou a vergonha que nos deprime e nos faz sentir impotentes em relação a nós mesmos e aos outros.

Pema Chodron
(em "O Salto: Um Novo Caminho Para Enfrentar as Dificuldades")



quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Responsabilidade comum

  O universo no qual habitamos e experimentamos resulta de um carma coletivo comum. Da mesma maneira, os lugares no qual viveremos em futuros renascimentos resultará do carma que compartilharemos com outros seres vivendo lá. As ações de cada um de nós, humanos ou não-humanos, contribuem para o mundo no qual vivemos. Todos temos uma responsabilidade comum para com o nosso mundo e estamos conectados com tudo que existe nele.
 
Dalai Lama
 

terça-feira, 19 de novembro de 2013

O sábio que brinca

(O líder espiritual tibetano Dalai Lama brinca com seu spray nasal ao ser questionado por jornalistas sobre a gripe A (H1N1), durante entrevista coletiva em Lausanne, Suíça, em 2009)

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Tolerância


Um dia o Dalai Lama recebeu uma visita de um monge vindo do Tibete, depois de este ter passado 25 anos em campos de trabalho forçado chineses. Os seus torturadores tinham-no levado ao limite da sua vida várias vezes.

O Dalai Lama falou durante bastante tempo com o monge, tendo ficado comovido por o encontrar tão sereno, depois de passar por tanto sofrimento. Perguntou-lhe ainda se ele alguma vez tinha tido medo.

O monge respondeu:

“Tive frequentemente medo de começar a odiar os meus torturadores, pois se tal tivesse acontecido, teria começado a destruir-me a mim próprio.“