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segunda-feira, 15 de junho de 2026

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O barco navega nas marolas escuras.

As que ficam para trás, clareiam.

O sol está lá.


eu (01.09.2025)

Morro verde à frente, pequeno.

Morro escuro atrás, grande. 

O voo do pássaro rabisca os dois.


eu (01.09.2025)

Muitas nuvens.

Cinzas, muitos.

Entre elas, uma nuvem branca.


eu (01.09.2025)

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Amigos, gostaria de compartilhar com vocês como me sinto agora, dois dias após a passagem de nosso querido Thay. Não sou de compartilhar muita coisa a meu respeito, até porque não me considero especial a ponto de ter que dividir publicamente com frequência o que sinto, penso e acredito. Mas nesse momento falarei de mim apenas para chegar a quem realmente importa: nosso amado Thay.


Há dias vinha como que presentindo que sua passagem estava próxima. Por favor, não me refiro a premonição, ou algum tipo de percepção especial. Apenas a forte sensação de que meu mestre amado ia partir.  Foi como se meu espírito estivesse sendo preparado para o que, eu sabia, estava prestes a acontecer.


Quando soube da passagem de Thay na noite de sexta feira, eu estava já recolhido, pronto para retomar a leitura que sempre faço antes de dormir. Quando soube da notícia não pude evitar as lágrimas (lágrimas essas que voltam agora, quando compartilho isso com vocês), e nem tentei evitá-las. Meu mestre, a pessoa mais doce que já vi, o ser mais íntegro que conheci, aquele que por diversas vezes me consolou, esclareceu e orientou nos momentos difíceis, e que me encantou, exemplificou, instruiu, esclareceu e maravilhou com sua doçura, poesias e, principalmente, exemplo, havia partido.


Por favor, entendam, e isso precisa ficar muito claro: não foi apenas "uma grande alma" que partiu. Um Buda esteve entre nós, um homem que personificou tudo aquilo que às vezes as notícias do dia a dia insistem em tentar nos fazer desacreditar: a força da doçura sobre a grosseria; o poder da compaixão sobre o egoísmo; a poesia que existe para quem tem olhos para ver, e não se perde na feiúra de algumas paisagens. Repito: nós tivemos a grande fortuna de ter conhecido um Buda!


Naquela noite não consegui ler, nada, nem mesmo algum trecho de um livro de Thay. Apenas chorei em silêncio, e também em silêncio decidi, naquele momento e com certeza inabalável, que a partir dali eu seria o aluno dedicado como jamais fui, por mais que tenha praticado. Decidi isso por mim, decidi em honra de Thay, e decidi por compaixão a todos aqueles a quem eu puder de alguma forma ser útil. E desde então como que uma clareza, uma atenção plena sem esforço, uma gratidão e compaixão e sentimento de unidade com tudi e todos está presente em mim. Essa é mais uma das maravilhas de nosso Thay: ser capaz de transformar, de dar força, mesmo depois de sua passagem. Sei que outros discípulos ao redor do mundo sentiram o mesmo, como que energizados e revigorados e fortes em suas práticas, em honra a nosso mestre querido.


E por isso, digo aqui que se alguém um dia puder ver em mim leveza, compaixão, doçura, e talvez alguma sabedoria... Se algum dia algumas dessas qualidades manifestarem-se em mim, eu possa afirmar com humildade,  saudade e, acima de tudo, gratidão:  " Por favor, acredite, o mérito não é meu, mas de meu mestre, o mais suave, doce e forte que viveu em nossa era:  Thich Nhat Hanh."


🙏eu (23.01.2024)

sábado, 31 de agosto de 2024

Nesse mundo de saberes, 

                      como é libertador não saber!

Nesse mundo de certezas,

                       como é livre saber que elas são                               ilusórias.

      Sou livre e me prendo,

                        deixo-me enganar

                                       pelos meus impulsos,

                                       meus hábitos,

                                       meus enganos.

       Preciso dar o salto.

                         O salto daqui

                                       para aqui mesmo

                                       que é lugar-nenhum.



eu

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Minha mente rebelde,

                          agitada,

                            iludida,

             adere-se à tudo que surge.

Ela não sabe que é livre.

Ou sabe, mas não dá o salto

                 que a libertaria dessa gaiola imaginária,  e que é 

                  sem portas

                  sem grades

                  sem gaiola.



eu

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Nada fazer 

          e assim realizar tudo.

Não fazer nem o não-fazer

           apenas surgir e desaparecer 

           a cada momento.


           Quem surge e quem desaparece?




eu

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

O estado desperto é o estado real. Vivemos artificialmente quando imersos em nossas ilusões, padrões, ideias fixas, crenças, condicionamentos.


eu (23.08.2023)

terça-feira, 19 de setembro de 2023

Pensei: "Tudo está se iluminando todo o tempo..."

Mas isso é um engano. Tudo é iluminação o tempo todo.

Melhor: Há somente iluminação.


Sou capaz de enxergar isso a cada momento?


eu (05.09.2023)

sábado, 19 de novembro de 2022

Qualquer prática visando o despertar é ilusão.

Tentar "não-agir" é ilusão.
Tentar escapar da ilusão é ilusão.
Acreditar em "realidade" e "ilusão" é ilusão.
Nada realmente é, por isso qualquer conceito que se cria, é ilusão.
Se tentamos definir esse "nada", é ilusão.

Não há nada a fazer. E nenhum "não-fazer".

Tentar "apenas existir" é ilusão.
Qualquer ideia que se tenha acerca do vazio é ilusão.
Apegar-se a qualquer ensinamento é ilusão.
Mas tentar manter-se desapegado também é ilusão.

Nada a fazer, não ir a lugar nenhum.


eu

sábado, 2 de abril de 2022

 

Se tentar capturar a Verdade, ela escorrerá por entre seus dedos. Se tentar defini-la, catalogá-la, ela será como uma nuvem que se desfaz de ti e tornará a surgir ali, numa forma diferente. Se sua atenção plena tiver algum objetivo, mesmo que seja o de buscar a verdade, verá que o que chamamos de agora também não pode ser encontrado. O agora também não existe. 

Nascer e morrer a cada momento, num movimento tão sutil que, ao fim, não haja um eu que nasça ou morra.

 

eu

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

 

Em abril de 2020 experimentei (não ‘eu’, pois não havia um ‘eu’ experimentando) a ausência de identificação com o ego e o corpo como descrita pelos sábios. ‘Eu’ não fazia alguma coisa; havia apenas o fazer. ‘Eu’ não era testemunha dos fatos; havia apenas o testemunhar do que ocorria. Eu e tudo o mais éramos um.

Tudo era curiosamente... cômico. Testemunhando assim, do alto, com amplitude, havia a percepção da tolice daquilo tudo. Nada, pois mais sério que parecesse, realmente o era.

Esse estado durou poucos dias (dois? três?) e há uma profunda gratidão por tê-lo vivido, mas também (o meu ‘eu’ sente) melancolia por não o sentir agora, pelo véu de ilusões que permiti cobri-lo.

Devo evocar essa lembrança a cada manhã, antes de iniciar o dia. Antes de meditar. A lembrança do que é ser tudo. E não ser nada. De ver do alto da montanha a relatividade e a pequenez de tudo aquilo que julgamos achar tão importante. E que não é. Só tem importância em nossa ilusão.

É preciso trazer essa pérola à lembrança. Sempre.

 

eu

quarta-feira, 21 de abril de 2021

 A ideia “eu sou” é que cria todo esse mundo a minha volta. E cria também todo o medo que tenho dele. Quando percebo que não há “eu”, o mundo se esvai. Há apenas a apreciação e o testemunho dos eventos e pensamentos que surgem e se vão.

 eu

quinta-feira, 19 de novembro de 2020


Tudo está se compondo e decompondo exatamente aqui, agora, à minha frente.

Uma extasiante miscelânea, um movimento incessante que revela a ilusão em ver as coisas como sendo reais.



eu (24.10.2019)

quarta-feira, 18 de novembro de 2020


Sabe a segurança que todos sofregamente buscam?

É ilusão. Não existe segurança alguma.


Sabe o medo da morte, como se esta fosse uma aniquilação?

É um engano. Não há aniquilação, somente transformação.


Sabe as certezas que gostamos de ter?

Bobagem. Qualquer certeza congela, solidifica, aprisiona artificialmente aquilo a que se dirige. A vida sempre é eterna incerteza.


Sabe as pessoas e coisas que acreditamos serem à parte de nós?

Ilusão. Somos, cada um de nós, gotas de um mesmo mar.



eu

terça-feira, 17 de novembro de 2020


Não há importância no que escrevo, falo ou penso. Daqui a 100 anos – ou menos – não lembrarão de mim ou saberão o que pensei.

E isso não importa, realmente.

Ou importa?

Há alguma coisa que realmente se perca?

Minhas palavras, ações, pensamentos, não se misturarão à invisível corrente do mundo?


eu

segunda-feira, 16 de novembro de 2020


Com o canto desse pássaro,agora,
         surge o mundo.

Com este mesmo canto
         o mundo finda.

Nunca houve momento antes desse.
E jamais haverá qualquer instante depois.

Nunca há depois.



eu

domingo, 15 de novembro de 2020


Ontem, indo para o trabalho, não li as páginas de um livro.

Nem busquei nada na internet.

Preferi contemplar as belezas até então ignoradas, no caminho por onde passo todos os dias.

O belo desenho do contorno daquela árvore.

A janela diferente naquela casa antiga.

O vislumbre daquele morro ainda verde em meio aos feios e frios edifícios cinzas.



eu (agosto de 2019)

sábado, 14 de novembro de 2020