Ter uma mente simples não é o mesmo que ser ‘básico’. A simplicidade da mente reflete-se em lucidez, em força interior, em vivacidade e num contentamento saudável que resiste às tribulações da nossa vida com um coração leve. A simplicidade revela a natureza da mente por detrás do véu de pensamentos irrequietos. Reduz o sentimento exagerado de autoimportância e abre os nossos corações ao altruísmo genuíno.
Mostrando postagens com marcador Matthieu Ricard. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Matthieu Ricard. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 7 de novembro de 2022
sábado, 5 de novembro de 2022
Ser livre é ser dono de si mesmo. Não é fazer tudo o que vem à cabeça, mas libertar-se da sujeição às aflições que dominam a mente e a obscurecem. É tomar as rédeas de sua vida, em vez de entregá-la às tendências forjadas pelo hábito e à confusão mental. Não é largar o leme, deixar as velas flutuarem ao vento e o barco partir à deriva, mas, ao contrário, colocá-lo na direção escolhida: aquela que consideramos como a mais desejável para nós e para os outros.
Matthieu Ricard
sexta-feira, 31 de março de 2017
Como uma cachoeira na montanha
A vida de todos os seres
precipita-se como uma cachoeira na montanha. Não desperdice as condições favoráveis
e as liberdades que lhes foram concedidas. Não permita que sua vida seja em
vão.
Patrul Rinpoche
(citado por Matthieu Ricard)
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Chegar ao cume
No budismo, o Despertar é uma meta claramente definida, que
está diante de nós um pouco como o Everest para aquele que quer escalá-lo. Não
duvido da existência daquilo que se ergue majestosamente diante de meus olhos,
mas me pergunto se eu seria capaz de fazer os esforços necessários para chegar
ao cume, se isso vale a pena, se não seria melhor ir à praia. No entanto, ao
pensar bem, vejo claramente que almejo escalar essa montanha porque sei que
vale a pena me libertar da ignorância, do ódio, do ciúme, da vaidade, da
avidez, etc., e não hesito mais.
Matthieu Ricard
(em “O Caminho da
Sabedoria – Conversas entre um Monge, um Filósofo e Psiquiatra Sobre a Arte de
Viver”)
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
O que realmente vale a pena?
Em determinado momento, independentemente de qualquer influência
externa, devemos poder nos perguntar: o que realmente vale a pena? O que vai me
levar a pensar, no fim do ano, que não perdi meu tempo? Podemos nos fazer essa
pergunta com regularidade, e quando, vinte anos mais tarde, olharmos para trás,
deveríamos ter o mesmo sentimento que o camponês que fez o melhor que pôde para
cultivar sua terra. Embora as coisas nem
sempre aconteçam como queremos, deveríamos poder dizer: “Não lamento nada,
porque fiz o que pude, no limite das minhas capacidades”.
Matthieu Ricard
(em “O Caminho da Sabedoria – Conversas entre um Monge, um Filósofo e Psiquiatra Sobre a Arte de Viver”)
(em “O Caminho da Sabedoria – Conversas entre um Monge, um Filósofo e Psiquiatra Sobre a Arte de Viver”)
terça-feira, 1 de novembro de 2016
O tamanho da jornada não importa
O tamanho da jornada ou suas dificuldades não são
problemas. Para quem viaja pelo Himalaia, nem tudo é fácil. Às vezes o tempo
está bom, às vezes péssimo. As paisagens podem ser deslumbrantes, mas a trilha
de repente é cortada por ravinas ou é preciso patinar por uma selva pantanosa
no fundo de um vale tropical. Entretanto, cada passo nos aproxima do lugar onde
queremos ir, e isso é inspirador.
Matthieu Ricard
(em “O Caminho da Sabedoria – Conversas entre um Monge, um Filósofo e Psiquiatra Sobre a Arte de Viver”)
(em “O Caminho da Sabedoria – Conversas entre um Monge, um Filósofo e Psiquiatra Sobre a Arte de Viver”)
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Quem se interessa pela iluminação?
Todos, ou quase todos, estão interessados na felicidade.
Mas quem se interessa pela iluminação? A própria palavra parece exótica, vaga e
distante. No entanto, o único bem-estar verdadeiro é o que acompanha a
eliminação completa da ilusão e dos venenos mentais, e, dessa maneira, do
sofrimento. Iluminação é o nome dado pelo budismo ao estado de liberdade última
que vem com o perfeito conhecimento da natureza da mente e do mundo dos
fenômenos.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática
do Bem-Estar”)
sábado, 17 de setembro de 2016
Eliminando o ódio
Quantos malfeitores matarei? O número
deles é infinito como o espaço. Mas seu eu matar o espírito do ódio, todos os
meus inimigos desaparecerão de uma só vez.
Shantideva
(citado por Matthieu Ricard em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
terça-feira, 13 de setembro de 2016
A lúcida simplicidade do momento presente
Certo um dia, um tibetano foi visitar um velho sábio na
cidade de Ghoom, próxima a Dajirling, na Índia. Ele começou contando a esse
sábio todos os seus infortúnios passados, em seguida passando a fazer uma lista
de tudo o que temia quanto ao futuro. Durante todo o tempo, o velho sábio ficou
com toda a calma assando batatas em um pequeno braseiro que estava no chão à
sua frente. Passado algum tempo, disse ao seu queixoso visitante: “De que
adianta preocupar-se com coisas que não existem mais e com coisas que ainda não
existem?” Perplexo, o visitante parou de falar e permaneceu calado por um bom
tempo ao lado do sábio – que, de quando em quando, lhe estendia uma batata
quente e tostada.
A liberdade interior nos permite saborear a lúcida
simplicidade do momento presente, livre do passado e emancipado do futuro.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática
do Bem-Estar”)
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Dominar a mente
Para o budismo, dominar a mente
consiste, entre outras coisas, em não deixar que as emoções se manifestem sem
discriminação. Uma torrente cujas margens foram estabilizadas pode manifestar
seu vigor sem devastar os campos adjacentes.
O ideal é permitir que as emoções
conflituosas se formem e se desfaçam sem deixar nenhum vestígio na mente. Os
pensamentos e as emoções continuarão a surgir, mas sem proliferar, vão perdendo
assim o seu poder de escravizar-nos.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
segunda-feira, 15 de agosto de 2016
Uma ilha de ouro puro
Do ponto de vista da verdade absoluta, nem a felicidade e
nem o sofrimento têm existência real. Ambos pertencem à verdade relativa,
percebida pela mente que permanece presa pelos grilhões da confusão. Aquele que
compreende a verdadeira natureza das coisas é como um navegador que aporta em
uma ilha feita de ouro puro: mesmo que procure seixos comuns, não irá
encontrá-los. Dilgo Khyentse Rinpoche nos explica:
“Como as nuvens que se formam no céu,
ficam algum tempo e depois se dissolvem no vazio do espaço, os pensamentos
ilusórios aparecem, duram um momento e depois desaparecem na vacuidade da
mente. De fato, nada realmente aconteceu.”
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar)
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar)
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Um homem feliz
Posso dizer,
sinceramente e sem ostentação, que sou um homem feliz, assim como digo que sei
ler ou que tenho uma boa saúde. Se eu tivesse sido feliz sempre e
continuamente, desde o momento em que, quando era pequeno, caí dentro de uma
poção mágica, essa afirmação não teria nenhum interesse. Mas não foi sempre
assim. Como criança e adolescente, estudei o melhor que pude, amei a natureza,
toquei música, esquiei, velejei, observei os pássaros, aprendi a fotografar,
amei a minha família e os meus amigos. Mas nunca me ocorreu dizer que era
feliz. A felicidade não fazia parte do meu vocabulário. Eu tinha consciência do
potencial que pensava estar presente dentro de mim, como um tesouro oculto, e o
imaginava também nos outros. Mas a natureza desse potencial era vaga, e eu não
tinha ideia de como realizá-lo. O florescimento que sinto agora, a cada momento
de minha existência, foi construído ao longo do tempo, e em condições propícias
à compreensão das causas da felicidade e do sofrimento.
Em meu caso, a boa sorte
de encontrar-me com pessoas notáveis, que eram ao mesmo tempo sábias e
compassivas, foi decisiva, porque o poder do exemplo diz mais que qualquer
discurso. Elas me mostraram o que podemos realizar e provaram-me que é possível
tornar-se livre e feliz, de maneira duradoura, desde que se dê atenção a isso.
Quando estou entre amigos, compartilho minha vida com eles com alegria. Quando
estou só, em meu retiro ou em outro lugar, cada instante que passa é um
deleite. Quando empreendo um projeto na vida ativa, regozijo-me se ele tem
êxito e não vejo razão para queixar-me se ele não tem, já que dou a ele o meu
melhor. Tive a sorte, até o dia de hoje, de ter o que comer e um teto sobre a
minha cabeça. Considero que minhas posses são ferramentas, e não considero
nenhuma delas indispensável. Sem um
comportador portátil eu pararia de escrever, e sem minha câmera deixaria de
fotografar, mas isso de modo algum prejudicaria a qualidade de cada momento da
minha vida. Para mim, o essencial foi ter encontrado os meus mestres
espirituais e ter recebido deles os ensinamentos. Isso meu deu mais do que o
suficiente para meditar até o fim dos meus dias!
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática
do Bem-Estar”)
sexta-feira, 1 de abril de 2016
Egoísmo: a ilusão que é a causa do sofrimento
O egoísmo está fundamentalmente em
contradição com a realidade. Baseia-se no postulado falso conforme o qual os
indivíduos são entidades isoladas, independentes uma das outras. O egoísta
espera construir sua felicidade pessoal na bolha do seu ego. O problema é que a
realidade é totalmente outra: não somos entidades autônomas e nossa felicidade
não pode ser construída senão com o concurso dos outros. Mesmo se tivermos a
impressão de ser o centro do mundo, esse mundo permanece sendo o dos outros.
O egoísmo não pode então ser
considerado um modo eficaz de amar a si mesmo, uma vez que é a principal causa
raiz de nosso mal-estar. Ele constitui uma tentativa particularmente desastrada
de assegurar a própria felicidade.
Matthieu Ricard
(em “A Revolução do Altruísmo”)
(em “A Revolução do Altruísmo”)
terça-feira, 29 de março de 2016
A vacuidade dos pensamentos
Dilgo Khyentse Rinpoche
Lembre-se de que um pensamento é
apenas o produto da conjunção fugaz de numerosos fatores e circunstâncias. Ele
não existe por si mesmo. Quando um pensamento surge, reconheça que ele é, por
natureza, vazio. Ele imediatamente perderá o poder de suscitar o pensamento
seguinte e a cadeia de ilusão chegará ao fim. Reconheça essa vacuidade dos
pensamentos e deixe que eles repousem por um instante na mente relaxada, de
maneira que a claridade natural dessa mente permaneça límpida e inalterada.
Dilgo Khyentse Rinpoche
(citado por Matthieu Ricard em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
sexta-feira, 25 de março de 2016
A principal causa do sofrimento
A incapacidade de lidar com os nossos
pensamentos é a principal causa do sofrimento. Aprender a baixar o tom do
incessante ruído dos pensamentos perturbadores é um estágio decisivo no caminho
para a paz interior. Como explica Dilgo Khyentse Rinpoche:
Essa séries de pensamentos e estados mentais estão sempre mudando, como a
forma das nuvens ao vento, mas damos uma grande importância a elas. Um homem
idoso observando as crianças brincarem sabe muito bem que o que elas fazem tem
pouca importância. Ele não se sente nem eufórico nem perturbado com o que
acontece, ao passo que as crianças levam tudo muito a sério. Somos exatamente
como elas.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
quinta-feira, 24 de março de 2016
Liberdade interior
Abandonar
a fixação na nossa imagem pessoal e deixar de dar tanta importância ao ego
significa ganhar uma enorme liberdade interior. Isso permite que abordemos
todos os seres e todas as situações com naturalidade, benevolência, força de
espírito e serenidade. Não esperando ganhar e sem o temor de perder, somos
livres para dar e receber. Não há mais o menor motivo para pensar, falar ou
agir de maneira afetada , egoísta ou inapropriada.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do
Bem-Estar”)
O Budista verdadeiro
O budista verdadeiro é aquele que
responde às necessidades do outro espontaneamente, por compaixão natural, e jamais
espera recompensa. Como as leis de causalidade se aplicam necessariamente, suas
ações para o bem dos outros trarão seguramente os frutos – com os quais ele
nunca irá contar. Jamais ou não mais pensará que não recebeu suficiente
demonstração de gratidão, ou que deveria ser tratado com mais deferência;
todavia, se alegrará do fundo do coração e se sentirá plenamente satisfeito se
aquele que lhe causou dano mudar de atitude.
Dilgo Khyentse Rinpoche
(citado por Matthieu Ricard em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
terça-feira, 22 de março de 2016
Nó no peito
Este nó no peito não foi atado pelo
nosso marido infiel, pelo nosso objeto de desejo, pelo nosso colega desonesto,
pelo nosso acusador injusto, mas pela nossa própria mente. É o resultado de
construtos mentais que, ao se acumularem e solidificarem, dão a ilusão de serem
externos e reais. O que fornece a matéria-prima para formar esse nó em nosso
peito é o sentimento exacerbado de auto-importância. Tudo o que não responde às
demandas do ego se transforma em perturbação, ameaça ou insulto. O passado é
doloroso, não conseguimos desfrutar o presente e trememos diante da projeção da
nossa angústia futura.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
sexta-feira, 18 de março de 2016
Compaixão e bondade amorosa
Mas por que deveríamos pensar no
sofrimento das outras pessoas quando fazemos tudo o que é possível para evitar
o nosso? Ao fazermos isso não estamos aumentando a nossa própria carga? O
budismo nos ensina que não.
Quando ficamos absorvidos em nós
mesmos, tornamo-nos vulneráveis, presas fáceis da confusão, impotência e
ansiedade. Mas quando temos um sentimento poderoso de empatia pelo sofrimento
dos outros, a nossa resignação impotente cede lugar à coragem, a depressão dá
lugar ao amor, e a estreiteza da mente cede lugar à abertura para com todos que
estão ao nosso redor.
A compaixão e a bondade amorosa são as
maiores entre todas as emoções positivas, desenvolvê-las aumenta a nossa
capacidade de oferecer alívio ao sofrimento dos outros ao mesmo tempo que reduz
a importância dos nossos problemas.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
terça-feira, 15 de março de 2016
O nosso eu não é importante
O fato é que quanto menos
influenciados formos pela ideia de que o nosso eu é importante, mais fácil será
adquirir uma força interior duradoura. A razão para isso é simples: o sentimento
de autoimportância é um alvo exposto a todo tipo de projéteis mentais – ciúme,
medo, ganância, repulsão – que não cessam de desestabilizá-lo.
Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)
Assinar:
Postagens (Atom)
-
Nesse momento, tudo o que você pode fazer é tentar estar presente neste exato instante. O tempo e o espaço desconhecidos estão dentro desse ...
-
"Certa vez, disse o Buda uma parábola: Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Apr...
-
Dogen rejeitava a ideia de que a iluminação pertencia apenas ao silêncio da sala de meditação. No Gyoji, ele argumenta que o universo inteir...













