Mostrando postagens com marcador Sam Harris. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sam Harris. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de junho de 2022

 

É importante perceber que a verdadeira meditação não é um esforço para produzir um dado estado mental — como a felicidade suprema, ou imagens visuais incomuns, ou amor por todos os seres sencientes. Métodos assim também existem, mas servem a uma função mais limitada. O propósito mais profundo da meditação é reconhecer o que é comum a todos os estados da experiência, agradável ou desagradável. O objetivo é perceber as qualidades que são intrínsecas à consciência em cada momento presente, independentemente do que surgir para ser notado. Quando você consegue descansar de modo natural, testemunhando apenas a totalidade da experiência, e deixa que os pensamentos surjam e desapareçam como quiserem, pode reconhecer que a consciência é intrinsecamente indivisa. No momento em que perceber isso, você estará livre por completo do sentimento que chama de “eu”. 

 

Sam Harris

domingo, 1 de maio de 2022

 

Note como os pensamentos continuam a surgir. Mesmo enquanto você lê esta página, sua atenção com certeza se desviou várias vezes. As derivações da mente são o principal obstáculo à meditação. A meditação não exige a supressão dosses pensamentos, mas requer que os notemos quando surgem e que os reconheçamos como aparições transitórias na consciência. Em termos subjetivos, você é a própria consciência — você não é a imagem evanescente ou a série de palavras que vai surgir logo a seguir na sua mente. No entanto, se não notar o surgimento do pensamento seguinte, ele parecerá se tornar o que você é.

Mas como você poderia ser um pensamento? Seja qual for seu conteúdo, os pensamentos desaparecem quase no instante em que surgem. São como sons ou sensações fugazes em seu corpo. Como esse pensamento seguinte poderia definir a subjetividade de quem o pensou? Pode ser preciso anos observando os conteúdos da consciência — ou apenas alguns momentos —, mas é possível perceber que a consciência propriamente dita é livre, não importa o que surja para ser notado. A meditação é a prática de encontrar diretamente essa liberdade, de desfazer nossa identificação com o pensamento e permitir que o continuum de experiências, agradáveis e desagradáveis, apenas seja como é.


Sam Harris

sexta-feira, 1 de abril de 2022

Pense em algo agradável de sua vida pessoal — visualize o momento em que realizou algo de que se sente orgulhoso ou em que deu boas risadas em companhia de um amigo. Note que o mero pensar no passado evoca um sentimento no presente. Mas a consciência propriamente dita se sente feliz? É transformada ou distorcida de verdade pelo que conhece? Nos ensinamentos do Dzogchen, se costuma dizer que os pensamentos e as emoções surgem na consciência do mesmo modo que imagens aparecem na superfície de um espelho. Essa é apenas uma metáfora, mas capta um insight que podemos ter sobre a natureza da mente. Um espelho é melhorado por belas imagens? Não. O mesmo se pode dizer sobre a consciência. 

Agora pense em algo desagradável: talvez recentemente você tenha feito alguma coisa embaraçosa ou recebido uma má notícia. Talvez esteja apreensivo com um acontecimento iminente. Repare em todo sentimento que surgir após esses pensamentos. Eles também são aparições na consciência. Eles têm o poder de mudar o que a própria consciência é? Há uma verdadeira liberdade por trás dessas noções, mas você provavelmente não a encontrará sem examinar a fundo a natureza da consciência, muitas e muitas vezes.


Sam Harris