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sábado, 22 de julho de 2023

O esforço para ser moral ou benevolente é uma ruptura das nossa virtude natural. É melhor seguir em frente até que a ação correta surja por si mesma. Quando é genuína, a benevolência é a mais alta qualidade do mundo. É o que todos somos, quando não acreditamos nos próprios pensamentos.


Stephen Mitchell

segunda-feira, 1 de maio de 2023

O Mestre do Tao sabe como morrer, porque sabe como lidar com as perdas cotidianas que formam a textura de nossa vida. Ele lida com elas compreendendo que a perda é só um conceito. Ele nada sabe sobre a morte; sabe tudo que precisa sobre o morrer.


Stephen Mitchell 

terça-feira, 25 de abril de 2023

Quanto mais nos movemos além de nossas ideias sobre vida e morte, mais abertos ficamos para a vida. Essa ignorância radical não é um caminho para a sabedoria: é a própria sabedoria.


Há uma corrente em um nível mais profundo que o nosso. Ela nos levará, queiramos ou não. Quando a ela resistimos, sofremos. Só quando a deixamos nos levar é que podemos começa a sentir sua inteligência.


Stephen Mitchell

domingo, 16 de abril de 2023

O Mestre leva uma vida com atitudes apropriadas. Como não crê nos próprios pensamentos, não há barreira entre sua mente e a realidade. Se souber fazer algo, ele faz; se não souber, não faz. A integridade para ele é tão íntima que deixou de ser uma reflexão. Sua paz é muito distante das "certezas" das pessoas arrogantes.


Stephen Mitchell 


quarta-feira, 5 de abril de 2023

 

Todas as coisas fluem; o sol é novo todos os dias; é na mudança que encontramos descanso. É por isso que o mestre do Tao vagueia à vontade onde nenhuma experiência é excluída ou rejeitada. Ele sabe que o caminho de entrada e de saída é um só e o mesmo. Doença e saúde, pobreza ou riqueza, velhice, morte, o começo, o meio, o fim - tudo é igual. Ele está apaixonado pelo que existe, seja qual a forma que assuma.


Stephen Mitchell

segunda-feira, 3 de abril de 2023

O que é genuíno não tem modelos nem regras. É espontâneo, autogerado, livre. Nada se contrapõe. Não depende de motivação e não se preocupa com o efeito. Só quer ser isso mesmo, expressar-se e dar-se totalmente. Sua natureza é a gentileza, mas nada de moral ali.


Stephen Mitchell 

segunda-feira, 27 de março de 2023

Os antigos meatres resumiam-se ao essencial. Eles acordavam, comiam, trabalhavam, faziam amor, formavam suas famílias, uso isso enquanto se mantinham indiferentes aos pensamentos que surgiam. Isso dava às suas vidas uma sensação de amplitude. Eles sempre tinham tempo para fazer o que queriam. Passavam os dias tão alegres e sem pressa como os animais selvagens. Tinham retornado ao primordial: a mente pairando sobre seu próprio abismo. Sem objeto, serena.



Stephen Mitchell

quinta-feira, 10 de março de 2022

 

A mente só consegue criar as qualidades de bom e mal fazendo comparações. Remova a comparação e lá se vão as qualidades. O que permanece é o puro desconhecido: o objeto incompreensível, o sujeito incompreensível e a luminosidade da consciência fluindo.

O pivô do Tao é a mente livre de seus pensamentos. Ela não crê que isto é um isto e aquilo é um aquilo. Deixa Sim e Não correrem em torno da circunferência rumo a uma linha de chegada que não existe.

Mas no centro, os olhos se abrem novamente e é a doce manhã do mundo. Nada há aqui para imitá-lo, nenhum limite. De fato, não há ninguém aqui – nem mesmo você.

 

Stephen Mitchell

domingo, 6 de março de 2022

 

Os antigos Mestres de fato viam intimamente. Perceberam que como nada durava mais que o instante fugidio, em última instância nada existia. Se nada existe como o conhecemos, se tempo e espaço são categorias intelectuais, não há nada que possamos captar de verdade, ordenar ou desordenar. Isso nos deixa livres. O mundo todo é um palco e nós somos os não-atores. Será que a vida pode ser tão simples quanto isso?

 

Stephen Mitchell

sexta-feira, 4 de março de 2022

 

Uma vez que nossas mentes estiverem totalmente treinadas, tudo é bom. Na matemática da paz mental, três é igual a quatro, um é igual a zero. Adaptar-se à realidade significa reconhecer que nada a sustenta nem a ela se sobrepõe. O Mestre consegue seguir dois cursos de uma só vez, como um fóton, porque sua mente é livre. Ele é subatômico e superabundante. Sabe que todos os caminhos são o Caminho e que no fundo ele não está vindo nem indo.

 

Stephen Mitchell

domingo, 27 de fevereiro de 2022

 

Sempre que nos atemos a somente um lado da realidade, nos perdemos em indignação ou em um deleite parcial. Porém, se olharmos com mais cuidado, veremos eu a realidade só tem um lado. Estrelas ou gotas de chuva, castanhas ou cinzas, bênçãos aparentes, desastres aparentes – quando a mente está clara, tudo é ocasião para regozijo. Isso é que é discernimento.

 

Stephen Mitchell

sábado, 26 de fevereiro de 2022

 

O Tao que não pode ser nomeado é a inteligência do universo: tudo que está acontecendo nesse instante. A mente que capta isso é a mente do não saber, aberta a todas as possibilidades porque não crê nos próprios pensamentos. O que há mais para ser dito? Apenas que há um esplendor nas pessoas conectadas com as profundezas do não saber. Isso pode ser visto nos olhos delas. Não depende do que acontece ou deixa de acontecer. Elas encontraram o tesouro inesgotável, no lugar mais óbvio de todos.

 

Stephen Mitchell

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Não é possível afastar-se do Tao


Nascemos para a vasta mente vazia de significado. Além do pensamento, além das coisas, a realidade simplesmente é. A natureza humana não precisa ser preenchida, nem precisamos cultivar o que já é perfeito. Uma vez reconhecendo isso, retornamos à origem de tudo. O movimento de aproximação ou distanciamento jamais existe. Permanecemos onde sempre estivemos, mas agora o sabemos, como se fosse a primeira vez.

Afastar-se do Tao só pode acontecer na mente; é uma ilusão que se torna nossa realidade. Embora realmente se viva no que é, nos imaginamos no que não é.

Trata-se apenas de prestar atenção ao que está acontecendo no íntimo de nosso ser, até que o invisível, o inquestionável, seja tão óbvio quanto o visível. Quando a mente se liberta de seus pensamentos, torna-se sua própria plenitude.


Stephen Mitchell
(em “O Segundo Livro do Tao”)



terça-feira, 17 de outubro de 2017

Um ato de infinita gentileza


Salvamos o mundo ao salvarmos a nós mesmos. Portanto, retornar ao centro é um ato de infinita gentileza.

Nada há de errado com pesar, raiva, ansiedade ou medo; uma emoção dolorosa é só um sinal que abandonamos o centro. Quando estamos em paz, tudo está em paz. O que parecia cacofonia torna-se a música do universo: uma suíte para uma mente desacompanhada.

Vivendo em harmonia com o modo de ser das coisas, a mente encontra-se em todos os lugares, sua circunferência em lugar nenhum. A parte torna-se o todo; o que é torna-se o que deveria ser.


Stephen Mitchell
(em “O Segundo Livro do Tao”)



domingo, 16 de abril de 2017

Chuang Tzu: completamente livre


Chuang-tzu não é nem místico nem anarquista. Trata-se simplesmente de alguém que não se atém a qualquer construção mental da realidade, alguém que personifica uma vida sem esforço e a paz de coração, porque se libertou das próprias crenças. O que ele subverte é o pensamento convencional, com suas hierarquias de julgamento, seus prós e contras, melhores e piores, internos e externos, além de seus delírios de que a vida é aleatória, injusta e, de alguma forma, não é boa o suficiente.  Aprenda a governar sua mente, diz Chuang-tzu, e o universo governará a si mesmo.


Stephen Mitchell
(em “O Segundo Livro do Tao”)