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terça-feira, 3 de novembro de 2020


As pessoas não têm a iluminação como meta. Eles têm a meta de decorar esta vida.

No Ocidente, o Dharma também não é realmente dedicado à iluminação. Aqui, as pessoas praticam principalmente para se acalmarem, para se curarem, para relaxarem… para a assim chamada “automelhoria”.

O Buda não ensinou o Dharma para estes tipos de ganhos mundanos.

Se tivermos esse tipo de motivação, o budismo é um caminho que devemos evitar. O caminho budista é basicamente uma má notícia do ponto de vista do ego. Quanto mais praticamos e estudamos o budismo, mais chocante ele se torna para o nosso ego, mais ele irá contra o nosso egoísmo.

Então, devemos pensar muito cuidadosamente sobre o que é que nós queremos. Não é muito tarde, ainda podemos sair disso.


Dzongsar Khyentse Rinpoche

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Toda alegria que há no mundo


Toda alegria que há no mundo
Vem de  de desejar que os outros sejam felizes.
Todo sofrimento que há no mundo
Vem de desejar apenas a própria felicidade


Shantideva
(em “O Caminho do Bodhisattva)



quinta-feira, 16 de março de 2017

Trabalho desinteressado


O trabalho desinteressado leva ao silêncio, pois quando trabalha sem egoísmo você não precisa pedir ajuda. Indiferente aos resultados, você se dispõe a trabalhar com meios os mais precários. Você não se preocupa em ser muito talentoso ou bem equipado. Tampouco você exige, ou pede ajuda. Você apenas faz o que tem que ser feito, deixando sucesso e fracasso nas mãos do desconhecido. Pois tudo é causado por inúmeros fatores, e seus esforços pessoais são apenas um deles. Entretanto, tal é a mágica da mente e do coração humanos, que o maximamente improvável acontece quando a vontade e o amor humano se unem.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo”, pág 191 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)


quarta-feira, 28 de setembro de 2016

A força vital de nossa prática





Por que a bodhichitta, a mente da iluminação, é tão importante? Porque ela é o antídoto imediato ao apego a esse eu que é a origem do samsara, o ciclo de sofrimento. A crença infundada num eu ilusório nos impele a cuidar de nós mesmos e rejeitar os outros, e isso se vira depois contra nós, sendo a principal causa de nossos sofrimentos no samsara. Portanto, é essencial meditar o tempo todo sobre o amor e a compaixão, até que passemos a amar os outros mais do que a nós mesmos. Essa é a força vital de nossa prática espiritual e deve permanecer assim para sempre.


Nyoshul Khen Rinpoche
(em “On The Path of Enlightenment: Heart Advice from the Great Tibetan Masters”)




sexta-feira, 1 de abril de 2016

Egoísmo: a ilusão que é a causa do sofrimento





O egoísmo está fundamentalmente em contradição com a realidade. Baseia-se no postulado falso conforme o qual os indivíduos são entidades isoladas, independentes uma das outras. O egoísta espera construir sua felicidade pessoal na bolha do seu ego. O problema é que a realidade é totalmente outra: não somos entidades autônomas e nossa felicidade não pode ser construída senão com o concurso dos outros. Mesmo se tivermos a impressão de ser o centro do mundo, esse mundo permanece sendo o dos outros.

O egoísmo não pode então ser considerado um modo eficaz de amar a si mesmo, uma vez que é a principal causa raiz de nosso mal-estar. Ele constitui uma tentativa particularmente desastrada de assegurar a própria felicidade.

Matthieu Ricard 
(em  “A Revolução do Altruísmo”)


terça-feira, 8 de março de 2016

Autocentramento excessivo






A insegurança e medos interiores em geral estão ligados a um autocentramento excessivo e a uma compreensão muito limitada do funcionamento da mente. O egoísmo ou, mais precisamente, o sentimento doentio de que somos o centro do mundo  - que chamamos de “sentimento de importância do eu” – está na origem da maior parte dos pensamentos perturbadores.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Abandonar o mundo



A muralha brilhante que nos acorrenta é o egoísmo. Sempre pensamos, “eu faço isso, eu faço aquilo, etc.”. Libertem-se desse mesquinho eu! Matem esse demônio que reside em vocês. Até que abandonemos esse mundo manipulado pelo ego não poderemos entrar no reino dos céus. Ninguém jamais conseguiu e ninguém jamais conseguirá. Abandonar o mundo é livrar-se do ego, esquecê-lo completamente. É viver no corpo mas não pertencer a ele.

Swami Vivekananda
(em “Platicas Inspiradas”)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Para ser feliz: fazer os outros felizes





Existe um estado mental para além do sofrimento, um estado mental que é livre. Mesmo da nossa própria maneira, como pessoas comuns, podemos começar a incorporar algumas dessas qualidades – como a generosidade e a compaixão – em nossa vida. Não é tão impossível quanto pode parecer. Mas, primeiro, para ver como criamos nosso próprio sofrimento, temos que entender que é necessário nos abrirmos a essas qualidades, e temos de entender por que é necessário. Nosso sofrimento não depende do que está acontecendo “lá fora”. Na verdade, depende de nossa própria mente, do estado de nossa própria mente e das nossas reações ao que está acontecendo lá fora.

Pessoas mentalmente perturbadas gastam muito tempo pensando sobre si mesmas; ficam obcecadas com a sua própria felicidade e com o seu próprio sofrimento, e passam muito tempo, como muitos de nós, se perguntando: “Como faço para ser feliz?” Mas a ironia da situação é que, se pensamos menos sobre como nos tornar felizes e mais sobre como podemos fazer os outros felizes, de alguma forma, nós mesmos acabamos sendo felizes. As pessoas que estão genuinamente preocupadas com os outros têm um estado mental muito mais feliz e pacífico do que as que estão continuamente tentando fabricar as suas próprias alegrias e satisfações.

Jetsnuma Tenzin Palmo
(em “No Coração da Vida”)

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quando nos protegemos do sofrimento





Quando nos protegemos do sofrimento, achamos que estamos sendo bondosos conosco mesmo. A verdade é que apenas nos tornamos mais amedrontados, endurecidos e alienados. Percebemos a nós mesmos como separados do todo. Essa separação transforma-se em uma espécie de prisão- uma prisão que nos encerra em nossas próprias esperanças e medos, que nos leva a nos importarmos apenas com aqueles que estão mais próximos. O curioso é que, antes de mais nada, estamos tentando nos proteger do desconforto e, com isso, sofremos. Já quando não nos fechamos e permitimos que a dor toque nosso coração, descobrimos nossa afinidade com todos os seres. Sua Santidade, o Dalai Lama, descreve dois tipos de pessoas egoístas: as sábias e as tolas. As tolas pensam apenas em si mesmas, o que resulta em confusão e dor. As sábias acreditam que estar ali, apoiando os outros, é a melhor coisas que podem fazer por si mesmas. Como resultado, sentem alegria.

Pema Chodron
(em”Quando Tudo se Desfaz”)

domingo, 28 de abril de 2013

Perigo

 
Você estará em perigo, se se deixar invadir pelo desgosto, tristeza, ansiedade e desânimo. Eles o isolam, o tornam egoísta. Se colocar-se como vítima, se tiver como única preocupação você mesmo, vai ficar deprimido. Diante de tais circunstâncias, imagine que outras pessoas estão sendo confrontadas pelas mesmas provações. E que algumas podem estar enfrentando sofrimentos ainda muito piores. Isso pode servir como uma grande ajuda para você.
 
Dalai Lama
 

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O sofrimento dos animais

 
É lamentável considerar essencialmente como alimento a maior parte dos animais. Eles também são seres sensíveis de quem devemos cuidar. Assim como nós, são ligados à vida e amam o seu eu. O sofrimento que experimentam quando são pescados, conduzidos ao abatedouro, mortos para satisfazer nossos hábitos e necessidades de carne, é evidente. Se pensarmos em seu sofrimento, passaremos a rejeitar a idéia de nos nutrirmos deles.
 
Se pudermos, se nossas condições de vida permitirem nos alimentarmos de outra maneira, se nossa saúde for boa, se o meio ambiente for adequado, será preferível que nos tornemos vegetarianos. Pois não esqueçamos que o sofrimento dos animais sobre esta Terra é incomensurável.
 
Dalai Lama