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sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Como você pensa




O mundo não é como você pensa.
O mundo é exatamente como você pensa.

Mooji
(em “Writing on Water”)


quinta-feira, 29 de maio de 2014

Viciados em esperança

A diferença entre teísmo e não-teísmo, não é sobre acreditar ou não acreditar em deus. É uma questão que se aplica a todo mundo, incluindo budistas e não-budistas. Teísmo é uma convicção, profundamente enraizada, de que existe uma mão pra segurarmos. Se nós fizermos as coisas certas, alguém vai nos apreciar e cuidar. Isso significa pensar que sempre vai haver uma babá disponível quando precisarmos. Todos nós somos inclinados a abdicar de nossas responsabilidades e dedicar nossa autoridade a algo fora de nós mesmos.

Não-teísmo é relaxar dentro da ambigüidade e incerteza do momento presente, sem tentar alcançar nada que possa nos proteger. Às vezes pensamos que Dharma é algo fora de nós. Algo para se acreditar, algo para se medir. No entanto, Dharma não é uma crença, não é um dogma. É uma total apreciação da impermanência e da mudança. Os ensinamentos se desintegram quando tentamos agarrá-los. Temos que experimentá-los sem esperança. Muitas pessoas corajosas e compassivas os experimentaram e os ensinaram. A mensagem é: “Sem medo”. Dharma nunca significou uma crença que nós seguimos cegamente. O Dharma não nos dá nada, mesmo, para segurarmos.

Não-teísmo é finalmente perceber que não há uma babá com que você possa contar. Você acaba de conseguir relacionamento bom e logo ela (ou ele) se foi. Não-teísmo é perceber que não apenas babás vêm e vão, mas toda a vida é assim. Essa é a verdade, e a verdade é inconveniente. Para aqueles que querem algo pra segurar, a vida é ainda mais inconveniente. Desse ponto de vista, teísmo é um vício. Somos todos viciados em esperança. Esperança de que a dúvida e o mistério irão desaparecer. Esse vício tem um efeito doloroso na sociedade. Uma sociedade baseada em montes de pessoas viciadas em conseguir terra firme para pisar não é um lugar muito compassivo.


Pema Chodron


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A vida tem sentidos infinitamente múltiplos


Schopenhauer e os inúmeros escritores da Europa moderna que, abertamente ou não, adotaram a filosofia niilista, de Cioran a Berhard e de Houellebecq a Jelinek, todos eles viveram, quando jovens, numa ficção forte e coercitiva (religiosa ou política). Tendo entendido mais tarde que Paraíso, Inferno e Futuro radioso eram bobagens, que o Sentido da existência humana não era determinado nem por Deus, nem pela História, eles concluíram que ela não tinha Sentido algum, que era apenas tragédia, horror e derrisão, e se puseram a bradar contra a própria vida.
Isso é absurdo.
A vida tem Sentidos infinitamente múltiplos e variados: todos aqueles que lhe conferirmos.
A nossa condição é a ficção, o que não é uma razão para desprezá-la.
Cabe a nós torná-la interessante.

Nancy Houston
(em “A Espécie Fabuladora”)

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Michel Onfray - A Liberdade se constrói no dia a dia

Só o homem ateu pode ser livre, porque Deus é incompatível com a liberdade humana.

Se Deus existe, eu não sou livre; por outro lado, se Deus não existe, posso me libertar. A liberdade nunca é dada. Ela se constrói no dia-a-dia.

Não se deve deixar a razão, com R maiúsculo, em segundo plano, atrás da fé – e sim dar à razão o poder e a nobreza que ela merece.

É preciso mostrar que o rei está nu, deixar claro que o mecanismo das religiões é o de uma ilusão. É como um brinquedo cujo mistério tentamos decifrar quebrando-o. O encanto e a magia da religião desaparecem quando se vêem as engrenagens, a mecânica e as razões materiais por trás das crenças.  

A razão não pode tudo. Deve ser consciente de suas possibilidades. Quando ela não consegue provar alguma coisa, é preciso reconhecer essas limitações e não fazer concessões à fábula, ao pensamento mitológico ou mágico. A idéia da criação divina é uma espécie de doença infantil do pensamento reflexivo.

A fraqueza, o medo, a angústia diante da morte, que são as fontes de todas as crenças religiosas, nunca abandonarão os homens. Por outro lado, é preciso que alguns espíritos fortes, para usar uma expressão do século XVII, defendam as idéias justas. A questão é converter novos espíritos fortes. Só isso já seria muita coisa.