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quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Meditação é simplesmente a criação de um espaço no qual somos capazes de expor e desfazer nossos jogos neuróticos, nosso autoengano, nossos medos e esperanças ocultos.


Chögyam Trungpa Rinpoche

sexta-feira, 19 de março de 2021

 

Quando transcendemos o materialismo espiritual, não há mais finalidade. A finalidade está em cada momento de nossa situação cotidiana, em cada momento de nossa jornada espiritual.

Dessa forma, a jornada espiritual torna-se excitante e bela como se já fossemos um buda ao trilharmo-la. Há descobertas constantes, mensagens constantes, advertências constantes. Há também um constante transpassar, constantes lições penosas – e prazerosas.

 

Chogyam Trungpa

quarta-feira, 25 de setembro de 2019


Transcendendo o materialismo espiritual, não há nenhum objetivo. O objetivo existe em cada situação de nossa vida, em cada momento de nossa jornada espiritual. Dessa maneira, a jornada se torna tão excitante e bonita como se já fôssemos Buda. Há sempre novas descobertas, novas mensagens, novas lições. Há também novas dores.

A jornada que transcende o materialismo espiritual é uma jornada completa, não depende de qualquer objetivo externo.


Chogyam Trungpa Rinpoche

sexta-feira, 17 de maio de 2019


Todas as coisas que acontecem no mundo todo, todas as irritações e todos os problemas, são essenciais. Sem elas não podemos alcançar a iluminação - na verdade, não podemos sequer trilhar o caminho. Se não houver ruído durante a meditação não desenvolveremos a atenção plena. Se não tivermos dores no corpo, não alcançaremos a atenção plena; na realidade nem conseguiremos meditar. Se tudo fosse tranquilo e delicado, não haveria nada com o qual se trabalhar.


Chogyam Trungpa
(em "Training the Mind and Cultivating Loving-Kindness")   

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A jornada do despertar requer coragem




O budismo defende que a verdadeira natureza da mente é tão vasta quanto o céu e que pensamentos e emoções são como nuvens que, sob nossa perspectiva, o obscurecem. Ensinam-nos que, se queremos experimentar a infinitude do céu, precisamos ficar curiosos a respeito dessas nuvens. Quando olhamos profundamente para as nuvens, elas se desfazem e lá está a vastidão do céu. Ele nunca foi a lugar nenhum. Sempre esteve lá, momentaneamente oculto de nós por nuvens fugazes, passageiras.

A jornada do despertar requer disciplina e coragem. A princípio, abandonar nossos pensamentos e emoções tipo nuvens é uma questão de hábito. Pensamentos e emoções podem nos dificultar o contato com a abertura de nossa mente, mas são como velhos amigos que nos acompanham desde quando nossa lembrança alcança e ficamos muito resistentes a nos despedir. Mas, cada vez que você começa a meditar, pode decidir que vai tentar abandonar os pensamentos e ficar bem ali com a instantaneidade de sua experiência. Talvez consiga ficar bem ali por apenas cinco segundos hoje, mas qualquer progresso em direção à não distração é positiva.

Chögyam Trungpa Tinha uma imagem para a nossa tendência a obscurecer a abertura de nosso ser; chamava-a de “botar maquiagem no espaço”. Podemos querer experimentar o espaço sem maquiagem. Ficar aberto e receptivo, nem que seja por um curto período de tempo, começa a interromper nossa resistência arraigada a sentir o que estamos sentindo, a ficar presente onde estamos.


Pema Chodron
(em “A Beleza da Vida”)




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Encarar nossas vísceras





Temos medo de encarar a nós mesmos, esse é o problema. Conhecer o nível mais profundo de nossa existência é muito embaraçoso para a maioria das pessoas. Muitos se voltam para aquilo que, acreditam, irá libertá-las sem a necessidade de se conhecerem. Mas isso é impossível, não podemos agir assim. Precisamos ser honestos. Precisamos encarar nossas vísceras, nossos excrementos, nossos aspectos mais indesejáveis. Essa é, basicamente, a essência do guerreiro. O que estiver ali precisa ser encarado, analisado, estudado e trabalhado através da meditação.

Chogyam Trungpa Rinpoche
(em “The Pocket Chogyam Trungpa”)


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

A principal ferramenta espiritual

Sem dúvida, não existe uma resposta fácil de como nos libertarmos do sofrimento, mas nossos professores fazem todo o possível para nos guiar dando-nos uma espécie de caixa de ferramentas espiritual. A caixa contém ensinamentos e práticas pertinentes e úteis, assim como uma introdução a uma visão absoluta da realidade: que os pensamentos, emoções ou shenpa não são tão sólidos como parecem. A ferramenta principal, que engloba o relativo e o absoluto, é a prática de meditar sentado, sobretudo, quando ensinada por Chögyam Trungpa. Ele descreveu a prática básica como estar totalmente presente. E enfatizou que abre espaço para que nossas neuroses aflorem. Não era, como disse, “umas férias da irritação”.

Ele ressaltou que essa prática básica, sintetizada pela instrução de voltar sempre ao imediatismo de nossa experiência, de respirar, sentir, ou outro objetivo da meditação, revela uma completa abertura em relação às coisas como elas são, sem um revestimento conceitual. Permite que iluminemos e apreciemos nosso mundo e a nós mesmos incondicionalmente. Seu conselho sobre a maneira de nos relacionarmos com o medo, a dor, ou a falta de uma estrutura sólida é de lhes dar boas-vindas, de ficarmos coesos em vez de nos fragmentarmos em dois, uma parte rejeitando ou julgando a outra. Sua instrução em relação à respiração era de senti-la de leve e deixá-la fluir. Seu ensinamento a respeito dos pensamentos era o mesmo: deixá-los livres para desaparecerem no espaço sem fazer da meditação um projeto de autoaperfeiçoamento.


A atitude em relação a essa meditação é de relaxar. Sem uma sensação de esforço para alcançar um estado superior, simplesmente sentamos sem uma meta, sem tentar ficar calmo ou se libertar de todos os pensamentos, e seguimos as instruções: sentar confortavelmente, com os olhos abertos, consciente do objeto da meditação sem sobrecarregá-lo (não é uma concentração intensa), e a mente devaneia, mas depois volta com suavidade. O que quer que aconteça, não nos desculpamos ou condenamos. A imagem usada com  frequência é de uma pessoa idosa sentada sob o sol, observando calmamente crianças brincando.

Pema Chodron
(em "O Salto: Um Novo Caminho Para Enfrentar as Dificuldades")

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Eu nasci nu

Eu nasci nu.
Meus amados pais gentilmente deram-me um nome.
Quando fiz vinte anos, pensei:
       "Um nome é uma prisão, eu quero abandoná-la."
A todos questiono,
         mas ninguém sabe me responder.


Quando ouço o vento nos pinheiros
Eu tenho uma resposta.


Chogyam Trungpa

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Quando sentir medo, sorria


 
Quando estiver assustado relacione-se com seu medo, explore suas causas e desenvolva algum tipo de confiança. Encare-o firmemente, pois assim ele deixará de ser o sentimento dominante prestes a derrotá-lo. O medo pode ser conquistado. Livre-se dele reconhecendo que ele não é nenhum monstro. Mergulhe em seu medo e você alcançará o destemor. Mas para isso, quando sentir medo, sorria. 

Chogyam Trungpa
 

terça-feira, 26 de março de 2013

O caminho espiritual é uma estrada selvagem

O que você faria se não houvesse conflito? Isso seria mortal. Lidar com conflitos é precisamente a ideia de trilhar o caminho espiritual. O caminho espiritual é uma estrada selvagem e retorcida na montanha, com todo tipo de curvas; há animais ferozes, ataques de bandidos, todo tipo de situação surgindo. No que se refere à ocupação da nossa mente, o caos do caminho é a diversão.

Chogyam Trungpa
(em "The Dawn of Tantra")

terça-feira, 19 de março de 2013

Trabalhar duro com as irritações da vida

Não podemos trapacear nossa atual experiência de vida; não podemos trapacear nossas experiências ou mudá-las, tendo alguma crença irreal de que tudo ficará bem, que no final tudo será bonito.

Se usarmos essa abordagem, então as coisas não ficarão OK. Exatamente devido ao fato de que esperamos que as coisas sejam boas e bonitas, elas não serão.

Em uma abordagem genuína à espiritualidade, não procuramos por estímulo, inspiração ou êxtase. Em vez disso, trabalhamos duro com as irritações da vida, trabalhamos e fazemos delas um lar.

Então as irritações se tornam uma fonte de grande alegria, alegria transcendental, porque não há realmente nenhuma dor envolvida.

Chogyam Trungpa

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Não esperar nada que venha do exterior

Podemos aceitar qualquer coisa.
Podemos aceitar o barulho: o barulho também contém silêncio.
Temos de nos concentrar nele e não esperar nada que venha do exterior, como fez Buda.

Chogyam Trungpa
- foto de David Lazar

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Reconhecer a morte para apreciar a vida

"Quando escutei que meu pai estava gravemente doente, simplesmente não conseguia conceber que ele provavelmente morreria. Ele era um grande mestre de meditação e professor budista. Depois que os chineses invadiram o Tibete, ele fugiu a pé, conduzindo trezentas pessoas por sobre as montanhas, rumo à Índia. Passou muitos anos de sua vida plantando a flor do dharma na rocha da América do Norte. Foi um mestre-guerreiro. Se alguém pudesse se esquivar da morte, parece que seria ele. Sua morte deixaria um imenso buraco em minha vida assim como na de muitos outros.


Eu estava de pé ao seu lado, no instante em que ele finalmente faleceu. O espaço foi tomado por energia e força, tornou-se quase luminoso. Não ocorreram pensamentos. Foi assim por muitos dias, como se a realidade tivesse mudado. Toda minha vida eu havia escutado falarem sobre a morte, vira pessoas que morriam ou que já tinham morrido. Mas a morte de meu pai afetou-me de um modo diferente. Sua mortalidade fez com que me desse conta de minha própria mortalidade. Fez com que constatasse a mortalidade de todos. Puxou-me para fora de minhas concepções errôneas. Mudou profundamente minha atitude. Por muitos meses pensei em como viveria o resto de minha vida. Compreendi que a morte era real. Não devia perder tempo. Passei a dedicar-me muito mais à prática e aos estudos. Essa experiência íntima da morte ajudou-me a apreciar a vida.

Muitas vezes tocamos a vida como se ela fosse durar para sempre. Com essa atitude, queremos tudo. O fato da morte coloca um limite no que podemos ter, no que podemos fazer. Não precisamos pensar na morte o tempo todo, mas refletir sobre ela, contemplá-la, dá-nos perspectiva e inspiração sobre como viver a vida. Também faz com que nos tornemos menos mimados. Faz-nos olhar para o equilíbrio de nossa vida e determinar o que tem prioridade. O que é importante para mim? Como devo usar minha vida? Depois de termos nos relacionado com a morte, seremos capazes de viver mais abertamente as situações. Isso fortalece ainda mais o nosso amor."

Sakyong Mipham (filho de Chogyam Trungpa)
(em "Fazer da mente uma aliada : como descobrir a força natural da mente através da meditação")

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O verdadeiro destemor

"O verdadeiro destemor é produto da ternura e sobrevém quando deixamos o mundo roçar nosso coração, nosso belo e despido coração. Estamos dispostos a nos abrir, sem resistência ou timidez, e a encarar o mundo. Estamos dispostos a compartilhar nosso coração."

Chogyam Trungpa
(em "Shambhala: A Trilha Sagrada do Guerreiro")

sábado, 22 de setembro de 2012

Temos de efetuar o primeiro movimento

"Nós mesmos temos de efetuar o primeiro movimento em vez de esperar que ele venha do mundo fenomenal ou de outras pessoas. Se estivermos meditando em casa e morarmos no meio da High Street, não podemos parar o tráfego apenas porque desejamos paz e quietude. Podemos, porém, parar a nós mesmos, podemos aceitar o barulho: o barulho também contêm silêncio. Temos de nos concentrar nele e não esperar nada que venha do exterior, exatamente como fez Buddha.

E precisamos aceitar qualquer situação; enquanto enfrentarmos a situação, ela sempre se nos apresentará como um veículo e poderemos fazer uso dela. Como se diz nas Escrituras, "O Dharma é bom no começo, o Dharma é bom no meio e o Dharma é bom no final". Em outras palavras, o Dharma nunca se torna desatualizado, pois fundamentalmente a situação é sempre a mesma."

Chögyam Trungpa Rinpoche
(em "Meditação na Ação")

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Artimanhas do ego (1)

"O ego é capaz de converter tudo para seu uso próprio, inclusive a espiritualidade. Se aprendemos, por exemplo, uma técnica de meditação dentro de uma prática espiritual particularmente benéfica, o ego se põe, primeiro, a tratá-la como um objeto de fascinação e, depois, a examiná-la. O ego é sólido apenas na aparência e não pode, de fato, absorver coisa alguma; só é capaz de arremedar. Em tais circunstâncias, ele procura examinar e imitar a prática de meditação e o modo de vida meditativo.

Depois de aprendermos todos os truques e todas as respostas do jogo espiritual, tentamos imitar automaticamente a espiritualidade, já que o envolvimento verdadeiro exigiria uma completa eliminação do ego, e a última coisa que desejamos fazer é renunciar completamente a ele. Entretanto, não podemos experimentar aquilo que estamos tentando imitar; podemos apenas encontrar alguma área dentro dos limites do ego que pareça ser a mesma coisa." 

Chogyam Trungpa
(em "Além do Materialismo Espiritual)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O sol e as nuvens que o obscurecem


" Se formos nos relacionar com o sol, devemos também nos relacionar com as nuvens que obscurecem o sol."

Chogyam Trungpa