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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Mesmo que você tente prender o vento, 

suas mãos ficarão vazias.

Assim é a tentativa de reter o tempo ou o eu.

Quando você abre as mãos e deixa o vento passar,

você não perde o vento; você se torna o próprio céu.


Shundo Aoyama Roshi 

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Também vem de Buda a doença que se manifesta. 

Junto minhas mãos e recebo esta benção com serenidade de espírito.


Shundo Aoyama Roshi

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

De repente,  o canto sutil e penetrante de um passarinho realça o silêncio.


Shundo Aoyama Roshi

Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto,  nenhuma gota d'água passa duas vezes sobre a mesma pedra.


Shundo Aoyama Roshi

É melhor ver as coisas como são e nos juntarmos à correnteza com suavidade. Apenas assim podemos encontrar prazer na fugacidade das coisas.


Shundo Aoyama Roshi

terça-feira, 14 de junho de 2022

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021


Ganhos e perdas, amor e ódio, alegria e raiva, alívio e dor, tudo isso são provas de que estamos vivos. Cada um desses sentimentos e experiências são partes indispensáveis de nossa experiência insubstituível.

Hideo Kobayashi disse: “Basta uma folha de árvore para esconder a lua”. Se, por outro lado, a observamos de longe, uma folha permanece apenas uma folha, e não mais nos incomoda.

Quando pensamos em nossos problemas existenciais, não conseguimos observá-los com distanciamento. Sentimos que estão tão próximos que não podemos mais ter uma visão panorâmica dos acontecimentos, não conseguimos descobrir o que está por trás deles e sofremos mais ainda. Mesmo um evento insignificante faz-nos perder todo o ânimo, aponto de chegarmos a desejar a morte.

Por outro lado, qualquer coisa, vista de longe ou da perspectiva correta, torna-se mais uma parte agradável da paisagem da vida.


Shundo Aoyama Roshi

domingo, 31 de janeiro de 2021


Acreditamos que as flores só devem ser admiradas quando estão no auge de sua floração, e a lua quando está cheia. Alguns monges Zen, por outro lado, admiram as flores em botão e as pétalas depois que caem. Saboreiam também a nudez dos galhos durante o inverno. Apreciam mais a lua enfeitada pelas nuvens que a lua em um céu completamente límpido e claro. Têm paciência para esperar pelo nascer da lua e a sensibilidade para lembrar-se dela com saudades depois que se pôs, quando já não se pode mais vê-la. Sua postura respeita a natureza que flui sem cessar, aceitando com prazer todos os eventos deste mundo em constante mudança.


Shundo Aoyama Roshi

sábado, 30 de janeiro de 2021


Uma garrafa cheia até a boca não tem som quando sacudida, mas se houver um pouco de saquê no fundo, fará barulho. Os seres humanos são como garrafas: a pessoa sábia, iluminada, é tranquila em qualquer circunstância, como se nada a perturbasse. Exaltar-se, justificar-se e se lamentar são provas de falta de conteúdo.


Shundo Aoyama Roshi

domingo, 9 de dezembro de 2018


A pessoa sábia, iluminada, é tranquila em qualquer circunstância, como se nada a perturbasse. Exaltar-se, justificar-se e se lamentar são provas de falta de conteúdo.


Shundo Aoyama Roshi
(em “Para Uma Pessoa Bonita”)

sábado, 8 de dezembro de 2018



Por menor que seja a voz que sussurra, é sempre a voz do Universo.


Shundo Aoyama Roshi
(em “Para Uma Pessoa Bonita”)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Paraíso


Na verdade, o paraíso está nas mãos de todos os seres.
É a felicidade de viver plenamente o que a vida nos traz.


Shundo Aoyama Roshi
(em "Para Uma Pessoa Bonita")



segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Chuva, sol




A chuva é instigante, o sol é atraente.
                                 Su Dongpo


As pessoas mais sábias encaram toda situação como algo benfazejo, progredindo sempre no caminho positivo.

Um dos poemas do mestre Shinmin Sakamura diz:

A doença
abriu para mim
mais um mundo novo
Desabrocha
a flor de pêssego

“Desabrocha a flor de pêssego” significa que a flor do seu coração se abre a cada experiência vivida. Pessoas normais conseguem sentir que essa flor “desabrocha” em uma situação favorável, mas, quando passam por momentos negativos como doenças ou fracassos, só conseguem acreditar que a flor “nunca chegou a desabrochar”.

Isso não é verdade. Devemos encarar as adversidades como adubo para que uma flor ainda mais bela possa desabrochar. Ao mesmo tempo, nos momentos de bonança, deve-se tomar cuidado para não cair na tentação do orgulho e da arrogância. É essa postura de vida que devemos aprender com as palavras “A chuva é instigante, o sol é atraente”.  


Shundo Aoyama Roshi
(em “A Coisa Mais Preciosa da Vida”) 






sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Compreender sua vida




Uma das coisas que Bashô, o grande expoente da poesia haikai, dizia com frequência aos seus discípulos era: “Na poesia existe o ser e o fazer. Quem se preocupa em aprimorar o seu interior e aplicar o seu aprendizado para interagir com o mundo exterior verá que as criações que brotam do seu coração passam a ser o poema. Aquele que não aprimora o seu interior é incapaz de ter criações próprias para ser o poema; portanto é obrigado a utilizar-se do seu ego para fazer com que o poema surja”. Valorizar cada segundo da sua existência de forma que ela se torne naturalmente a sua obra. O ensinamento que Bashô transmite é rigoroso: antes de compreender e dominar sua obra, deve-se compreender e dominar sua vida.


Shundo Aoyama Roshi
(em “A Coisa Mais Preciosa da Vida” - pág 34) 



terça-feira, 11 de novembro de 2014

Fluir como a água


(...) Pensando de modo egocêntrico, chegaremos a desejar que as rochas e raízes não existam. No entanto, se mudarmos o ponto de vista, poderemos perceber que as rochas e raízes integram a paisagem de maneira deslumbrante. É justamente por sua causa que o rio se torna atraente. A visão das ondas nelas se fragmentando está além de qualquer descrição.

As rochas, raízes e respingos d’água são aspectos da grande natureza. A alegria, a raiva, a felicidade, a tristeza e todos os sentimentos humanos enfeitam a nossa vida. Percebendo isso, podemos viver serenamente, aceitando tudo o que acontece, e conseguimos fluir como a água. Que simplesmente corre, acomodando-se a todas as formas, sem se apegar a nada.

Shundo Aoyama Roshi
(em “Para Uma Pessoa Bonita”)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Um ato de abnegação

                   Santôka Taneda


Santôka Taneda era um poeta andarilho e um monge da tradição zen-budista Sôtô. Publicava seus poemas, revestidos de características absolutamente únicas, em uma revista. Atraído pelos poemas, o mestre em poesia Sumita Ôyama tinha vontade de encontrar-se com o autor. Certo ano, soube que Santôka deixara a vida de andarilho e passara a residir em uma casa abandonada na zona rural de Ogôri, na província de Yamaguchi. Foi visitá-lo em um dia muito frio de inverno, próximo do final do ano.

Santôka estava a sua espera, com a refeição já pronta, graças ao arroz que havia obtido por meio do takuhatsu*.

Entre goles de saquê, conversaram até de madrugada sobre literatura e religião. Mas, na hora de dormir, Santôka disse, sobressaltado: “Essa não! Não tenho cobertor para você. Mas não tem problema. Estou feliz por você ter vindo. Vou passar a noite em claro. Durma com o meu cobertor”.

Entretanto, o cobertor era para criança – curto e fino. O travesseiro consistia de três revistas empilhadas.

Quando o mestre Sumita reclamou que estava frio demais para dormir, Santôka ficou preocupado e começou a vasculhar a casa em busca de cobertores melhores. Quando viu que seu esforço era em vão, trouxe roupas, lenços, tudo o que tinha a seu alcance, e empilhou sobre o mestre Sunita. E, por cima de tudo, colocou uma mesa velha dizendo que esse peso daria uma sensação maior de calor.

Graças também ao efeito do saquê, o mestre Sumita acabou caindo no sono. Mas, ao raiar do dia, acordou por causa do vento gélido que fustigava a pele como um chicote. Ao abrir os olhos e procurar por Santôka, viu que este estava meditando em zazen à sua frente, usando o próprio corpo como parede para proteger o amigo do vento. Mestre Sumita nos contou que, mesmo estando sob aquela pilha de coisas, imediatamente se curvou diante de Santôka como quem reverencia um Buda e chorou copiosamente.

Neste instante, jurou que não mais iria permitir que aquele homem vivesse à base de takuhatsu e cumpriu a promessa até o fim, enviando uma ajuda de custo a Santôka até a sua morte.


*Prática do monasticismo budista de esmolar nas ruas, despertando a compaixão das pessoas e permitindo que, ao fazer doações, elas possam acumular virtudes.


Shundo Aoyama Roshi
(em “A Coisa Mais Preciosa da Vida”)

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Conteúdo



Uma cabaça cheia até a boca não tem som quando sacudida, mas se houver um pouco de saquê no fundo, fará barulho. Os seres humanos são como cabaças: a pessoa sábia, iluminada, é tranquila em qualquer circunstância, como se nada a perturbasse. Exaltar-se, justificar-se e se lamentar são provas de falta de conteúdo.

Shundo Aoyama Roshi
(em “Para Uma Pessoa Bonita”)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Em harmonia com o Universo



Esse ser humano chamado “eu” não vive somente dentro desse saco de pele e ossos. Independentemente do seu nível de percepção e consciência, o ser humano vive dentro de um continuum do Universo, que está em permanente movimento.  Isso não vale somente para nós, mas para tudo o que existe no Universo. O eu mesquinho surge quando acreditamos que somos apenas esse tecido vivo dentro de um saco de pele e tentamos agir em função disso, desvinculados do Universo.

Mas, na realidade, mesmo um pequeno mal-estar que passe a ser motivo de reclamações contumazes faz parte de uma pulsação que preenche todo o Universo, assim como o clima do dia faz parte do clima da região e a maré é a consequência das forças gravitacionais dos astros celestiais. Chamamos de nosso verdadeiro eu aquele que harmoniza a si mesmo com as vibrações do Universo, rompendo as cascas do ego, sempre vigiando e cuidado do “eu” menor e egocêntrico a partir de um ponto de vista mais elevado, amplo e universal. E é nesse “nosso verdadeiro eu” que Buda nos ensina a depositar nossa fé e confiança – ele é nossa ilha de refúgio.

Shundo Aoyama Roshi
(em “A Coisa Mais Preciosa da Vida”)


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Olhos para ver o que não pode ser visto



Quando vejo a neve, eu me lembro de um poema. Ele se chama “Neve que cai”, de Misuzu Kaneko, uma jovem que partiu deste mundo com 26 anos.

A neve do alto
Que frio que ela deve sentir!
Pois o luar cai gélido sobre ela

A neve de baixo
Que peso que ela deve sentir!
Pois centenas de pessoas pisam nela

A neve do meio
Que solidão que ela deve sentir!
Pois não consegue ver nem o céu nem o chão

Como uma pessoa consegue ter uma sensibilidade tão grande para descrever os sentimentos da neve? (...) Misuzu aniquilou totalmente o seu ego, tornando-se uma com a neve e sentindo com ela o frio, suportando com ela o peso das pessoas e chorando com ela por causa da solidão

Existe outro poema de Misuzu Kaneko chamado “Pesca Farta”.

É alvorada, o sol está raiando
E a pesca é farta
Muitas sardinhas grandes
Caindo na rede

A praia toda
Está em festa
Mas nas águas do mar
São rezadas missas pelos espíritos
Das milhares de sardinhas pescadas pelos humanos

É possível até visualizar Misuzu chorando ao ouvir o pranto das sardinhas, enquanto observa as pessoas explodindo de alegria pela pesca farta.

Misuzu Kaneko faleceu muito jovem, com 26 anos.

Acredito que ela tinha olhos para ver o que não pode ser visto e ouvidos para ouvir que não pode ser ouvido.

Shundo Aoyama Roshi
(em “A Coisa Mais Preciosa da Vida”)


terça-feira, 21 de outubro de 2014

Sempre está tudo bem


A felicidade que depende daquilo que se possui, ou daquilo que se quer atingir, é apenas uma felicidade condicional, parcial, não a verdadeira felicidade.

Sempre está tudo bem, não importa o que aconteça. Se adoecer, seja apenas um doente. Se ficar pobre, seja apenas pobre. A não ser que aceite as circunstâncias presentes, a felicidade nunca poderá ser alcançada. Na verdade, o paraíso está nas mãos de todos os seres; é a felicidade de se viver plenamente tudo aquilo que a vida nos traz. Já que não podemos evitar os problemas, o melhor é encarar qualquer situação de braços abertos, com gratidão, percebendo que a doença ou a pobreza também nos ajudam a encontrar uma postura correta perante a vida.

Isso é muito importante. Se alcançar essa atitude, em qualquer hora, lugar ou circunstância, você estará sempre no céu.

Shundo Aoyama Roshi
(em “Para Uma Pessoa Bonita”)