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sábado, 18 de maio de 2024

Como disse o mestre Joshu, quando estiver comendo, coma; quando estiver lavando duas vasilhas, apenas lave-as. Quando ao caminhar você avistar algumas árvores, as receba e absorva completa e integralmente. Se encontrar algo que lhe dê alegria, permita que isso o preencha. Se você se deparar com algo que as pessoas consideram ruim, permita que isso o preencha também. Para quem tem essa compreensão, não existe as distinções habituais entre alegrias e infortúnios, felicidade e infelicidade.


Soko Morinaga 

terça-feira, 2 de abril de 2024

Se Joshu estivesse em frente a um cachorro e fosse perguntado sobre seu professor, provavelmente ele indicaria o cachorro como sendo esse professor. Com dezenove anos, Joshu já sabia que só se vive esse momento, onde quer que se esteja,  no que se estiver fazendo e em qualquer situação. Na prática Zen o foco principal é viver a cada momento.


Soko Morinaga 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020


Há quem acredite que o corpo físico de um Buda não pode ser ferido e que um Buda não pode sentir tristeza ou dor. Mas é a natureza búdica, não o corpo físico, que não pode ser ferido.

Certa vez, um monge veio a Joshu Jushin (em chinês, Zhaozhou Congshen; 778-897), que foi um dos maiores mestres zen chineses. O monge perguntou a Joshu qual era a coisa mais impenetrável do mundo. Joshu respondeu: “Se você deseja me caluniar, não se contenha. Se sua própria boca é insuficiente, use também o bico de um pássaro. E se você realmente quer me insultar, cuspa em mim o quanto quiser. Se sua saliva for insuficiente, pegue um balde de água e derrame-o sobre mim.

A pergunta e resposta acima podem parecer estranhas, mas o que Joshu quer demonstrar é o seguinte: aquilo que é mais impenetrável do que qualquer diamante é realmente inerente a todos nós. E isso não pode ser insultado nem sujo, nem ferido nem abalado.


Soko Morinaga

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019


Um monge perguntou a Joshu: “Qual é o significado da vinda de Bodhidharma para a China?” Joshu disse: “O carvalho no jardim.” Chega de roupas e louças, você pode estar pensando, e as profundas questões espirituais? Por que os grandes místicos se esforçam tão diligentemente pela iluminação se ela não tem mais profundidade do que a encontrada nas tarefas domésticas comuns?

Veja além de sua casa, responde Joshu, além da ilusão de um eu separado, preso pela falsa percepção do que está dentro e do que está fora. Esta é a verdadeira atenção plena: não os limites estreitos de nossa morada conceitual, mas o mundo fenomenal da mente desperta. Joshu nos diz para abrir os olhos e despertarmos em nosso próprio quintal.


Karen Maezen Miller


terça-feira, 24 de dezembro de 2019


Um monge disse a Joshu: “Acabei de entrar no mosteiro. Por favor, me dê instruções. - Você já comeu seu mingau de arroz? - perguntou Joshu. "Sim, eu já comi", respondeu o monge. "Então é melhor você lavar sua tigela", disse Joshu.

É fácil ver esse koan como uma metáfora: “Esvazie sua mente e livre-se de suas noções de realização espiritual.” Mas suponha que você não veja a tigela como uma metáfora? Isso pode mudar a maneira como você olha os pratos na pia da cozinha e da mesma maneira, servir como uma instrução.

A cozinha não é apenas o coração de uma casa, pode ser também o coração de uma prática de atenção plena. Ao cozinhar e limpar, nos movemos para além de nós mesmos e nos dedicamos ao cuidado compassivo de tudo e de todos que nos rodeiam.


Karen Maezen Miller

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019


Um monge perguntou a Joshu: “Todos os dharmas são reduzidos à unidade, mas à que a unidade é reduzida?” Joshu disse: “Quando eu estava em Seishu, fiz uma camisa de cânhamo. Pesava poucos quilos.”

Mais de mil anos se passaram desde que Joshu deu essa resposta, e até hoje os estudantes budistas ainda lutam para encontrar uma solução para essa camisa. “O que significa as palavras de Joshu? Qual o objetivo? Não entendo!”

Nós não lutamos com camisas somente num koan Zen. Lutamos com as camisas também em nossos cestos de roupas. Com as calças, blusas, lençóis e roupas íntimas. A lavanderia apresenta uma oportunidade de prática gigantesca porque provoca uma pilha interminável de resistência egocêntrica: “Não é importante para mim. É entediante. Eu não gosto de fazer isso!”

O monge nesta história é como o resto de nós, buscando sabedoria através da investigação intelectual.


Karen Maezen Miller