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segunda-feira, 13 de junho de 2022

 

O Buda disse que, se as pessoas entendessem o verdadeiro benefício futuro da doação, não guardariam uma única refeição apenas para si mesmos. Tentariam compartilhar todas as refeições. Mas, por não enxergarmos os resultados futuros, pensamos: “Se eu der isto aqui, vou ficar com o quê? O que sobrará para mim?”. Esse tipo de mentalidade não apenas suprime os nossos impulsos generosos, como também cria as causas para não sermos prósperos futuramente. Doar é uma alegria! É a mente fechada do “Este sou eu, isto é meu, e eu não vou dar para ninguém” que nos causa tanta dor e nos impede de realmente apreciarmos o que temos. Veja, não é as coisas que possuímos que são o problema; o problema é nos agarrarmos a elas, é o nosso apego.

 

Jetsunma Tenzin Palmo

quinta-feira, 26 de maio de 2022

 

Eu costumava fazer uma determinada prática espiritual; certa noite estava me sentindo cansada e decidi não me dar ao trabalho de fazê-la. Mas aí pensei: “Não, espere um pouco. Você não está fazendo isso para o seu bem. Você é uma representante, a substituta de todos os seres do mundo que não sabem como fazer essa prática. Você está fazendo em nome deles! Então que história é essa de não estar a fim esta noite, de estar um pouco cansada!”. A situação mudou na mesma hora e a energia para prosseguir começou a fluir. Ter apreço pelos outros é uma motivação poderosa.

 

Jetsunma Tenzin Palmo

 

Trocar o eu pelos outros não nos deixa deprimidos, oprimidos e cheios de autodesprezo. Na verdade, nos proporciona uma tremenda sensação de coragem interna que podemos levar conosco mesmo nas situações mais desastrosas.

 

Jetsunma Tenzin Palmo

terça-feira, 10 de maio de 2022

 

Temos o potencial humano — o nosso grande potencial humano — de ir para algo muito mais profundo, que nos dará uma calma interior genuína, não apenas o prazer físico superficial, mas felicidade duradoura, profunda, intensa e genuína. Está dentro de nós e não “lá fora”. Uma mente mais pacífica, mais centrada, capaz de segurar as coisas de leve, que não está sempre se agarrando, que não é constantemente agitada pelas ondas de nossas esperanças e medos, é uma mente feliz; uma mente que está assentada, que vê as coisas de forma clara e com um coração aberto para os outros, é uma mente feliz. E essa felicidade não depende de circunstâncias externas. Essa mente é capaz de surfar nas ondas de nossas dores e prazeres externos. A resposta está dentro de nós.

 

Jetsunma Tenzin Palmo

segunda-feira, 9 de maio de 2022

 

Vemos tudo através de nossa mente confusa e turbulenta, repleta de venenos de má vontade, cobiça, delusão e assim por diante. Não é à toa que estamos confusos. Como eu sempre digo, se queremos ser felizes, por que continuamos fazendo coisas que criam o contrário? Por quê? Queremos ser felizes, queremos fazer os outros felizes, nos esforçamos para isso, então como é que não estamos todos radiantes de felicidade? Existe um estado mental para além do sofrimento, um estado mental que é livre. Mesmo da nossa própria maneira, como pessoas comuns, podemos começar a incorporar algumas dessas qualidades — como a generosidade e a compaixão — em nossa vida. Não é tão impossível quanto pode parecer. Mas, primeiro, para ver como criamos nosso próprio sofrimento, temos que entender que é necessário nos abrirmos a essas qualidades, e temos de entender por que é necessário. Nosso sofrimento não depende do que está acontecendo “lá fora”. Na verdade, depende do estado de nossa própria mente e das nossas reações ao que está acontecendo lá fora.

Jetsunma Tenzin Palmo

quarta-feira, 13 de abril de 2022

 

Se desejamos seriamente integrar a dimensão espiritual à nossa vida cotidiana, temos que fazer alguns sacrifícios. Esses incluem levantar-se cedo para ter pelo menos meia hora ou uma hora para estarmos sozinhos e fazermos uma prática séria, dedicando, ao final, cerca de cinco minutos à geração de bondade amorosa por todos os seres. Isso realmente modifica toda a qualidade do dia.

 

Jetsunma Tenzin Palmo

terça-feira, 12 de abril de 2022

 

Viver de forma tão harmoniosa quanto possível neste mundo, de modo que qualquer coisa, quaisquer seres, até mesmo insetos, possam vir à nossa presença e saber que estão seguros conosco. Todos os seres devem saber que podem confiar em nós. Não tentaremos tirar nada deles, nem prejudicá-los de forma alguma, nem enganá-los ou abusar deles para a nossa satisfação própria. Eles estão seguros conosco. Essa é uma bela forma de se viver. E, com uma mente que não é assolada pela culpa, pode- se sentar e meditar.

 

Jetsunma Tenzin Palmo

quarta-feira, 6 de abril de 2022

 

Podemos usar todo e qualquer momento desta vida. Temos que aceitar a situação em que estamos e usá-la como nosso caminho espiritual. Claro que meditação é muito importante, mas não é o único meio necessário para se tornar um ser iluminado. Precisamos desenvolver um coração realmente aberto, um coração generoso, um coração receptivo e paciente. Temos que ter uma conduta ética muito clara, viver nesse mundo de uma forma que jamais causemos danos aos outros de jeito algum, nem danos a nós mesmos. Devemos viver uma vida muito inofensiva, não pensando apenas em nós, mas cuidando dos outros, de modo que, ao encontrar cada ser, nosso primeiro sentimento seja: “Que você possa ficar bem e ser feliz.” Não importa se é alguém que conhecemos ou não, ou mesmo alguém de quem não gostamos. Que você possa ficar bem e ser feliz. Todos nós podemos gerar essa sensação de boa vontade. Se a geramos, lentamente tudo o que fazemos na vida é transformado em prática.

 

Jetsunma Tenzin Palmo

terça-feira, 15 de março de 2022

 

O homem realizado é consciente e afetuoso – com intensidade. Ele olha para si próprio sem permitir autodefinições e identificações. Ele não se vê como algo separado do mundo. Ele é o mundo. Ele está completamente livre de si mesmo, como um homem que é muito rico, mas que incessantemente distribui suas riquezas. Ele não é rico, pois nada tem, e não é pobre, pois dá abundantemente. Ele é desprovido de ego, não se identifica com o que quer que seja. Além das palavras e dos pensamentos, ele é.

 

Sri Nisargadatta Maharaj (1897-1981)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

 

Não ser nada, não ter nada, nada conservar para si próprio é a grande dádiva, a mais alta generosidade.

 

Sri Nisargadatta Maharaj (1897-1981)

sábado, 24 de agosto de 2019


Certa vez Atisha foi perguntado por seus discípulos:

Qual é o ensinamento mais elevado do caminho?

Atisha respondeu:

O habilidade mais elevada é a realização do altruísmo abnegado.
A nobreza mais elevada é domar a própria mente.
A excelência mais elevada é ter uma mente que busca ajudar os outros.
A qualidade mais elevada é procurar servir aos outros.
O preceito mais elevado é a conscientização contínua.
O remédio mais elevado é entender o vazio de tudo.
A atividade mais elevada é não se conformar com as preocupações mundanas.
A conquista mais elevada é reduzir e transmutar as paixões.
A generosidade mais elevada é o não-apego.
A moralidade mais elevada é uma mente pacífica.
O paciência mais elevada é a humildade.
O esforço mais elevado é abandonar o apego às atividades.
O meditação mais elevada é uma mente que solta e deixa ser.
A sabedoria mais elevada é não se apegar às aparências.


Atisha

terça-feira, 27 de março de 2018

Ser um buda em tudo


Não se preocupe se você acha que só pode fazer uma insignificante boa ação num pequeno canto do cosmos. Apenas seja buda ali mesmo.



Thich Nhat Hanh



sábado, 23 de setembro de 2017

Shantideva: Oração de Dedicação de Méritos


Que todos os seres em todos os lugares,
Atormentados por sofrimentos do corpo e da mente,
Obtenham um oceano de felicidade e alegria
Em virtude desses méritos.

Que nenhuma criatura viva sofra,
Cometa o mal ou fique doente.
Que ninguém tenha medo ou seja menosprezado,
Com uma mente oprimida pela depressão.

Que o cegos vejam formas,
E os surdos ouçam sons.
Que aqueles cujos corpos estão esgotados com o trabalho duro
Se recuperem e encontrem repouso.

Que o nu encontre roupa,
Que o faminto encontre comida.
Que aquele que tem sede encontre água
E deliciosas bebidas.

Que o pobre encontre riqueza,
Que os fracos e tristes encontrem alegria.
Que o desamparado encontre esperança,
felicidade constante e prosperidade.

Que possam ocorrer chuvas oportunas
E colheitas abundantes.
Que todos os medicamentos sejam eficazes
E orações saudáveis ​​dêem frutos.
Que todos os que estejam doentes e mal
Rapidamente sejam libertados de seus males.

Seja lá que doenças existam no mundo,
Que elas nunca ocorram novamente.
Que os temerosos deixem de ter medo
E aqueles que se sentem presos sejam libertados.

Que o impotente encontre força
E que todas as pessoas pensem em beneficiar uns aos outros.


Shantideva
(retirado do site Budismo Petrópolis)



domingo, 23 de abril de 2017

Todos os dias


Todos os dias quando acordo, penso “Eu sou afortunado por estar vivo, por ter uma preciosa vida humana e por isso não irei desperdiçá-la. Usarei todas as minhas energias para desenvolver-me, para expandir meu coração em direção aos outros, para alcançar a iluminação e assim poder beneficiar todos os seres. Terei sempre pensamentos gentis sobre as outras pessoas, não sentirei raiva ou terei pensamentos negativos a respeito delas. Farei o máximo que puder em benefício de todos.”


Dalai Lama


sexta-feira, 1 de abril de 2016

Egoísmo: a ilusão que é a causa do sofrimento





O egoísmo está fundamentalmente em contradição com a realidade. Baseia-se no postulado falso conforme o qual os indivíduos são entidades isoladas, independentes uma das outras. O egoísta espera construir sua felicidade pessoal na bolha do seu ego. O problema é que a realidade é totalmente outra: não somos entidades autônomas e nossa felicidade não pode ser construída senão com o concurso dos outros. Mesmo se tivermos a impressão de ser o centro do mundo, esse mundo permanece sendo o dos outros.

O egoísmo não pode então ser considerado um modo eficaz de amar a si mesmo, uma vez que é a principal causa raiz de nosso mal-estar. Ele constitui uma tentativa particularmente desastrada de assegurar a própria felicidade.

Matthieu Ricard 
(em  “A Revolução do Altruísmo”)


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Nossa vida nesse planeta





Bodhichitta deve ser a base de tudo o que fazemos. Nossa vida nesse planeta não é para o nosso próprio bem, para o nosso próprio conforto e prazer. Nossa vida não é nem mesmo apenas para o nosso próprio progresso espiritual. Estamos aqui para aprender, praticar e nos colocarmos em posição de ajudar no aprendizado e na prática dos outros.

Jetsunma Tenzin Palmo
(em “No Coração da Vida”)


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

“Que você possa ficar bem e feliz.”







Podemos usar todo e qualquer momento desta vida.

O fato é que, especialmente hoje em dia, temos que aceitar a situação em que estamos e usá-la em nosso caminho espiritual. Claro que meditação é muito importante, mas não é o único meio necessário para se tornar um ser iluminado. Precisamos desenvolver um coração realmente aberto, um coração generoso, um coração receptivo e paciente. Temos que ter uma conduta ética muito clara, viver nesse mundo de uma forma que jamais causemos dano aos outros de jeito algum, nem a nós mesmos. Devemos viver uma vida muito inofensiva, não pensando apenas em nós, mas cuidando dos outros, de modo que, ao encontrar cada ser, nosso primeiro sentimento seja: “Que você possa ficar bem e feliz.” Não importa se é alguém que conhecemos ou não, ou alguém de quem não gostamos. Que você possa ficar bem e ser feliz. Todos nós podemos gerar essa sensação de boa vontade. Se a geramos, lentamente tudo o que fazemos na vida é transformado em prática.

Jetsnuma Tenzin Palmo
(em “No Coração da Vida”)



sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Você e o outro: um só





Quando você faz algo por alguém, ao final você é o maior beneficiado. Mas se fizer algo prejudicial, não pense que isso simplesmente passará: certamente o dano retornará para você.

Se você compreender essas duas verdades, como poderá vaguear a esmo pela vida? Seja diligente, dê o seu melhor ao lidar com as diversas situações que surgirem em sua vida. Seja profundamente sincero em tudo que fizer. Então, aquilo que fizer por você beneficiará os outros, e aquilo que fizer pelos outros beneficiará você. Uma vez que nascemos todos nesse mundo, estamos todos no mesmo barco.

Ainda que você tenha muito pouco para comer, reparta com aquele que tem menos. Se todos agirem assim, haverá mais do que o suficiente para todos.

Daehaeng Sunim
(em “My Heart is a Golden Buddha”)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Espalhando o Dharma



Ao refletir sobre os nove dias que passamos com Thay no hospital, foi uma experiência única para todos nós. Foi maravilhoso ver quantas vidas foram tocadas por Thay enquanto ele estava hospitalizado. Durante sua estada ali, Thay usou seu tempo de forma efetiva e eficiente. Muito amor e compaixão foram transmitidas através de suas atitudes. Sua sabedoria estava sempre fluindo como uma cascata. O Dharma estava presente onde quer que Thay estivesse, não somente através de suas palavras mas também, silenciosamente, por meio de seus pensamentos e gestos.

Thay estava sempre muito equilibrado, repousando no momento presente e profundamente capaz de viver com alegria, pacificamente, e feliz no aqui e agora. Isso ficou muito claro ao longo desses nove dias. E  ao viver essa experiência, pudemos constatar os benefícios em se viver e ver a vida de maneira otimista. A chave para isso, como Thay sempre nos diz, é viver com a mente atenta em cada momento, repousando pacificamente no aqui e agora.

Brother Phap Nguyen
(em “One Buda is Enough” – sobre um retiro organizado pela comunidade de monges de Plum Village, do mestre Thich Nhat Hanh)

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ryokan, um autêntico mestre Zen




Sua pequenina cabana ficava nas montanhas e frequentemente ele ia às aldeias vizinhas brincar com as crianças, beber saquê com camponeses ou visitar amigos. Dormia quando queria, bebia à vontade e era comum que participasse das festas que ocorriam no verão. Mendigava as poucas coisas simples que precisava, e caso recebesse a mais, passava adiante. Nunca guardava nada. Jamais fazia sermões ou exortava alguém, mas sua vida exalava pureza e alegria. Ele próprio era um sermão vivo.

Respeitava a todos e reverenciava aqueles que trabalhavam, em especial os agricultores. Seu amor pelas crianças e flores é conhecido entre os japoneses. Era comum ele passar um dia inteiro brincando com crianças ou admirando as flores, esquecendo-se completamente de esmolar. Se alguém o convidasse para uma partida de go ou pedisse para recitar um de seus poemas, atendia de bom grado. Estava sempre sorrindo, e aqueles a quem visitava diziam que “era como se a primavera houvesse surgido em meio a um escuro e frio dia de inverno”.


(John Stevens a respeito de Ryokan, em “One Robe One Bowl”)