Quem pode romper os laços do mundo
e sentar-se comigo entre as nuvens brancas?
Han Shan
Os mosteiros Zen usavam a limpeza física como treinamento direto da mente.
Adote o hábito minimalista de fechar os ciclos físicos e mentais assim que terminam. Terminou de comer? Lave o prato imediatamente. Terminou de trabalhar? Feche as abas do computador e organize a mesa. Essa transição consciente e limpa no mundo externo treina o cérebro a fazer o mesmo no mundo interno, não carregando resíduos de uma situação para a outra.
Uma das metáforas mais bonitas do Chan antigo: a ação do sábio é como o voo de um pássaro: enquanto o pássaro cruza o céu, ele se move com total precisão, presença e graça.No entanto, no milissegundo em que ele passa, o céu não guarda nenhuma cicatriz, linha ou rastro do seu caminho.
Praticar a atenção plena a cada segundo significa que você vive a experiência intensamente no agora, mas, assim que ela termina, você não fica remoendo, apegado ou planejando o próximo passo. A mente volta a ser o céu vazio.
Esse caminho que você aprecia traz uma leveza imensa, pois transforma a sua vida inteira no mosteiro. A presença plena e refinada a cada segundo deixa de ser um "dever monástico" e passa a ser a sua própria assinatura no mundo:
Atenção Plena Despida de Ritual: Você não precisa cruzar as pernas para estar desperto. Ao lavar uma xícara, sua mente está 100% na textura da cerâmica e no fluxo da água. Isso é o Zen vivo.
Fluidez Sem Esforço: Se a mente divagar, você apenas percebe e retorna ao que está fazendo agora, sem o peso de achar que quebrou uma "regra de meditação".
Assim que você descartar seus gostos e aversões, o Caminho aparecerá imediatamente diante de você. Aqui, Seng Ts’an tem algo em comum com Tao-Hsin, o Quarto Patriarca, e Hui-Neng, o Sexto Patriarca. Estes dois últimos diziam frequentemente que, quando você deixa de discriminar entre o bem e o mal, percebe imediatamente a sua face original. Em outras palavras, você compreenderá o Caminho Supremo.
Sheng Yen
Todo o universo visível é o Buda; assim como todos os sons. Ao ver uma coisa, você vê tudo . Ao perceber a mente de qualquer indivíduo, você está percebendo toda a Mente. Obtenha um vislumbre de um caminho e todos os caminhos serão abarcados em sua visão, pois não há lugar algum que esteja desprovido do Caminho.
Huang Po
Pratique simultaneamente a quietude (chi) e a iluminação (chao). Observe atentamente, mas não veja dharmas (fenômenos), não veja o corpo e não veja a mente. Pois a mente não tem nome, o corpo é vazio e os dharmas são um sonho. Não há nada a ser alcançado, nenhuma iluminação a ser experimentada. Isso se chama libertação.
Sheng Yen
Na perspectiva da mente de Buda, existe apenas uma mente, nem verdadeira nem falsa. Não há necessidade de discriminar, pois tudo, em todo lugar, é mente eterna. Quando compreendemos plenamente a mente de Buda, a mente que crê e a mente na qual se crê se fundem em uma só; como são a mesma, a necessidade de mera crença nessa mente desaparece.
O paradoxo é que precisa-se estar iluminado para ter verdadeira fé na mente.
Sheng Yen