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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Com não-mente, as flores atraem a borboleta; com não-mente, a borboleta visita as flores.

Quando as flores desabrocham, a borboleta vem; quando a borboleta vem, as flores desabrocham.


Taigu Ryokan

domingo, 1 de janeiro de 2023

Não é o extraordinário que necessita atenção, mas o que é comum: os pensamentos vêm, a chaleira assobia, e a sua atitude é a mesma.


Hsun Yun 

domingo, 5 de dezembro de 2021

 

Devemos ter grandes feelings. Por feeling refiro-me à qualidade da percepção, à qualidade do ouvir, à qualidade da emoção – um pássaro cantando numa árvore, o movimento de uma folha ao sol. Por feeling compreendo a apreciação da curva de um ramo, a imundície, a sujeira na estrada, ser sensível ao sofrimento dos outros, ficar em êxtase ao ver o pôr do sol. Devemos ter um forte feeling em relação à beleza, a uma palavra, ao silêncio entre duas palavras, à escuta clara de um som. Só o feeling torna a mente extremamente sensitiva.

 

Jiddu Krishnamurti (1895-1986)

domingo, 31 de janeiro de 2021


Acreditamos que as flores só devem ser admiradas quando estão no auge de sua floração, e a lua quando está cheia. Alguns monges Zen, por outro lado, admiram as flores em botão e as pétalas depois que caem. Saboreiam também a nudez dos galhos durante o inverno. Apreciam mais a lua enfeitada pelas nuvens que a lua em um céu completamente límpido e claro. Têm paciência para esperar pelo nascer da lua e a sensibilidade para lembrar-se dela com saudades depois que se pôs, quando já não se pode mais vê-la. Sua postura respeita a natureza que flui sem cessar, aceitando com prazer todos os eventos deste mundo em constante mudança.


Shundo Aoyama Roshi

sexta-feira, 7 de junho de 2019


O aprender requer muita sensibilidade. Não há sensibilidade se existe alguma ideia que seja do passado dominando o presente. A mente já não é então ágil, flexível, alerta. A maioria de nós não é sensível nem mesmo fisicamente. Comemos em excesso, sem nos importarmos com o regime mais adequado; abusamos do cigarro e da bebida, e, dessa maneira, o corpo se torna pesado e insensível; e a capacidade de atenção do próprio organismo se embota. Como pode haver uma mente muito alerta, sensível, clara, se o próprio organismo está embotado e pesado? Podemos ser sensíveis a certas coisas que nos atingem particularmente, mas, para sermos completamente sensíveis a tudo o que decorre das exigências da vida, não pode haver separação entre o organismo e a psique. Trata-se de um movimento único.

        
Jiddhu Krishnamurti
(em “Liberte-se do Passado”)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Cada passo do caminho é válido em si mesmo


Não é preciso que esses momentos sejam belos, maravilhosos ou “bons”. Basta simplesmente que “sejam”, isto é, que existam, que eu me dê conta deles, que saiba onde estou e o que faço, que não passe pelo mundo e pela vida como cego e surdo, sem ver ou ouvir, sem saber o que faço e o que sou e o que ocorre ao meu redor; que viva em plenitude por saber valorizar cada instante como se apenas ele existisse, e entesourar cada pessoa como se me encontrasse apenas com ela. Viver cada circunstância com entrega generosa e vivência total porque cada passo do caminho é válido em si mesmo, e cada árvore é acolhedora em si mesma, ao mesmo em que também faz parte da paisagem final.


Carlos G. Vallés
(em “Elogio da Vida Cotidiana”)




sábado, 6 de janeiro de 2018

Cartas de amor


Todos os dias os sacerdotes estudam o Dharma
e cantam infinitamente complicados sutras.
Antes de fazer isso, eles deveriam aprender
a ler as cartas de amor enviadas pelo vento,
pela chuva, a neve e a lua.


Ikkyu , Mestre Zen


terça-feira, 10 de outubro de 2017

A chave para a libertação


Uma respiração, um canto de pássaro, uma folha, um raio de sol – qualquer manifestação lhe servia de objeto de meditação. Começou a ver que a chave para a libertação repousava em cada respiração, em cada passo, em cada pequeno seixo ao longo do caminho.


Thich Nhat Hanh
(em “Velho Caminho, Nuvens Brancas – Seguindo as Pegadas do Buda”)



domingo, 1 de janeiro de 2017

Lições (poema de Mia Couto)



Lições

Não aprendi a colher a flor
sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.

Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.

Careço da habilidade da onda,
hei-de aprender a carícia da brisa.

Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.

Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.

Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.

Quem sabe, um dia,

eu, em mim, colha um jardim?


Mia Couto
(em “poemas escolhidos”)



domingo, 4 de dezembro de 2016

A meditação é raiz, planta, flor e fruto




Sem a meditação, sois como um homem cego num mundo cheio de beleza, de luz e de cores.

Caminhai pela praia e deixai vir a vós o estado meditativo. Se ele vier, não o cultiveis.

Ou, ao perambulardes pelos montes, deixai que tudo vos fale da beleza e da dor da vida, de modo que possais despertar para vosso próprio sofrimento e sua terminação. A meditação é raiz, planta, flor e fruto.


Jiddu Krishnamurti
(em “A Outra Margem do Caminho”


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Você pode tocar sua felicidade bem agora





Se alguém te perguntar: “O melhor momento da sua vida já chegou?” Muitos de vocês provavelmente diriam que o melhor momento da sua vida ainda não aconteceu. Nós todos temos a tendência em acreditar que o melhor momento de nossas vidas não aconteceu ainda, mas que virá muito em breve. Mas se nós continuarmos a viver do mesmo modo, esperando que o melhor momento chegue, então ele nunca chegará.

Você pode acreditar que sua felicidade está em algum outro local, lá adiante, ou no futuro, mas de fato você pode tocar sua felicidade bem agora. Você está vivo. Pode abrir seus olhos, pode ver o brilho do sol, as cores bonitas do céu, a vegetação maravilhosa, seus parentes e amigos a sua volta. Este é o melhor momento da sua vida!



Thich Nhat Hanh

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Uma Constante Revelação - Jiddu Khrishnamurti


Como o mergulhador desce fundo no mar,
Pela pérola,
Arriscando sua vida na busca do transitório,
Deves tu mergulhar profundamente dentro de ti mesmo,
Na busca da eternidade.

Como o alpinista aventureiro que escala para conquistar,
Assim tu deves subir até aquela altura vertiginosa,
De onde todas as coisas são vistas em suas verdadeiras proporções.

Como o lótus que, rompendo o lodo, ao céu se eleva
Assim tu deves colocar de lado todas as coisas transitórias
Se queres descobrir esse reino de felicidade.

Como a árvore majestosa cuja força depende de suas raízes ocultas
E brinca com os vendavais que passam,
Assim tu deves assentar tua força oculta profundamente em ti mesmo,
E brincar com o mundo que passa.

Como a corrente de água rápida conhece sua fonte,
Assim tu deves conhecer teu próprio ser.

Como o manso lago azul cuja profundidade nenhum homem conhece,
Assim deve tua profundidade ser insondável.

Como os mares contêm um sem-número de coisas vivas,
Assim estão em ti os segredos escondidos dos mundos.

Como na encosta da montanha, nas várias altitudes, diferentes flores crescem,
Assim em ti existem gradações de beleza.

Como a terra é cheia de tesouros escondidos que o homem jamais viu,
Assim em ti há segredos ocultos, desconhecidos de ti mesmo.

Como os ventos possuem uma força imensa e inesgotável,
Assim em ti se encontra uma grande e invencível energia.

Como os cumes das montanhas dançam à luz do sol,
Assim tu deves dançar à luz do conhecimento de ti mesmo.

Como existe uma visão que sempre vai mudando na trilha tortuosa da montanha,
Assim em ti há uma constante revelação.

Como a estrela distante que cintila na noite escura,
Assim é aquele que descobriu a si mesmo.

Jiddu Krishnamurti
(em “A Busca”)

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Senso de maravilhamento



É a qualidade do frescor, a qualidade do novo, que é essencial, de outra forma a vida se torna uma rotina, um hábito; e o amor não é um hábito, uma coisa aborrecida. A maioria das pessoas perdeu todo senso de maravilhamento. Elas tomam tudo como garantido, esse senso de segurança destrói a liberdade e o maravilhamento da incerteza.


Jiddu Krishnamurti
(em “Cartas a Uma Jovem Amiga”)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Nunca olhamos para a lua?



Será que estamos tão presos na nossa rede de problemas, nos nossos próprios desejos, nos nossos impulsos de prazer e dor, que nunca olhamos para a lua? 
Olhe para ela.
Olhe com tudo – com seus olhos, ouvidos, nariz. 
Olhe.
Se você puder fazer isso, aquela árvore, aquela folhinha na grama, aquele arbusto, você estará vendo pela primeira vez. Então você poderá ver seu professor, sua mãe, seu pai, seu irmão e irmã pela primeira vez.
Existe um sentimento extraordinário nisso: a maravilha, o estranhamento, o milagre de uma manhã que nunca aconteceu antes, que nunca acontecerá depois.


Jiddu Krishnamurti
(em “A Arte de Aprender”)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Apenas escutar

Um psiquiatra questionou Roshi Shunryu Suzuki sobre a consciência:

“Eu não sei nada sobre consciência”, disse Suzuki. “Eu apenas tento ensinar meus alunos como escutar o canto dos pássaros”.

(citado em “Zen is Right Here: Teaching Stories and Anecdotes of Shunryu Suzuki” editado por David Chadwick)

quarta-feira, 26 de março de 2014

O som da chuva é uma palestra do Dharma

Um dia, em Plum Village, Thay estava dando uma palestra do Dharma quando começou a chover. Ele interrompeu a palestra e disse, “Ouçam todos o som da chuva; essa é a verdadeira palestra do Dharma”. Então ficamos ali em silêncio ouvindo o som da chuva – não apenas com nossos ouvidos, mas também com nossos olhos, nossos corpos. Apenas sentados ali, presentes, ouvindo a chuva.  
 
A meditação é exatamente isso. É aprender a escutar o que a vida nos apresenta a cada momento. A meditação e a mente alerta nos ensinam a ser abertos, não apenas com nossos ouvidos, mas também com nossos olhos, nossos corpos. Onde quer que estejamos, não importa o quanto estejamos ocupados, sempre temos oportunidades para praticar a meditação sentada, a meditação caminhando, a meditação enquanto comemos.
 
(One Buda is Not Enough: A Story of a Collective Awakening" - escritos pelos monges e noviços de Plum Village, comunidade criada por Thich Nhat Han)
 

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Tudo é um milagre


Gosto de caminhar pelas trilhas do campo, pelas plantações de arroz ladeadas por gramíneas selvagens, pisando conscientemente o solo maravilhoso. Nessas horas, a existência se torna uma realidade miraculosa e misteriosa. Normalmente, as pessoas consideram um milagre caminhar sobre a água ou no ar. Mas eu acho que o verdadeiro milagre é caminhar no chão. Todos os dias nos envolvemos em milagres que sequer reconhecemos: o céu azul, as nuvens brancas, as folhas verdes, os olhos negros e curiosos de uma criança - nossos próprios olhos. Tudo é um milagre.

Thich Nhat Hahn

quinta-feira, 14 de março de 2013

A neve formou uma montanha


Toda minha vida entremeando
falso e verdadeiro,
certo e errado.

Contemplando a lua,
brincando com o vento,
ouvindo os pássaros...

Muitos anos apenas
admirando a montanha
coberta de neve.

E neste inverno, de repente,
percebo que a neve
formou uma montanha.

Dogen Zenji

segunda-feira, 4 de março de 2013