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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Canção da Cabana Coberta de Relva (Soanka)


Construí uma cabana coberta de relva onde não há nada de valor.

Depois de comer, eu relaxo e tiro uma soneca.

Quando foi construída, as pessoas da vila surgiram;

Agora que está pronta, ninguém mais aparece.


O interior é perfeitamente limpo, sem um único ponto de poeira.

Portas e janelas estão escancaradas, o ar circula livremente.

Mesmo que o mundo inteiro se incendeie, ela não será destruída;

Mesmo que os ventos da ilusão soprem, ela permanece firme.


Quem vive aqui não pertence ao norte nem ao sul,

Nem ao leste ou ao oeste; não se prende a direções.

Nenhum palácio imperial pode se comparar a esta cabana;

Nenhum manto de seda vale o pano que cobre este corpo.


As pessoas olham para mim e acham que sou um tolo,

Mas eu apenas sigo o meu próprio caminho.

Não busco o sagrado e não fujo do profano;

Não me apego aos desejos e não procuro a pureza.


O pequeno espaço desta cabana contém o universo inteiro.

Em um único metro quadrado, o Cosmos se manifesta.

Se você deseja compreender o mistério da mente,

Não procure em outro lugar, veja a realidade diante de você.


Não se mude para as montanhas procurando a paz,

Se a sua mente continua agitada e cheia de desejos.

Se você puder esquecer o seu pequeno "eu" agora mesmo,

Esta cabana de relva será o seu lar eterno.


Sekito 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

sexta-feira, 22 de maio de 2026

O anoitecer cai sobre a montanha,

a névoa se dissipa no vale.

Sem possuir uma única coisa,

quão vasta e livre é a minha mente!


Chinul

Este poema de Ryōkan Taigu ilustra a gratuidade da natureza e a paz de quem não retém posses, aceitando a mudança das estações com simplicidade.


O vento traz

folhas caídas o suficiente

para acender a fogueira.

Ryokan Taigu (1758–1831) foi um monge eremita conhecido por sua extrema simplicidade. Próximo de sua morte, ele escreveu sobre o que restava de sua existência:


O que deixarei como meu legado?

As flores da primavera,

O cuco nas colinas,

As folhas do outono.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

O ato de "apenas ser", em toda sua simplicidade e naturalidade sem nada acrescentado. Ver, ouvir, provar, cheirar, tocar, pensar, não "estou" pensando.

Esse é o ponto mais importante. É apenas a experiência de ser simples de um processo simples.

Vais descobrir que te tornas cada vez mais pacífico, porque a paz e a simplicidade andam juntas. Se você quer ser pacífico, seja muito simples.


Cittanupassana 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Um mestre Zen chamado Gisan pediu a seu jovem aluno que trouxesse um balde de água fria para o banho. O aluno trouxe a água e, após despejá-la na banheira, jogou o pouco que sobrou no fundo do balde no chão.

O mestre o repreendeu: "Por que você desperdiçou aquela gota? Por menor que seja, se você a tivesse dado a uma planta sedenta, ela teria cumprido seu destino. Como você espera alcançar a iluminação se não respeita a vida de uma única gota?"

Nesse momento, o aluno compreendeu a interconexão de todas as coisas e mudou seu nome para Tekisui (Gota de Água).


Gisan Zenrai (1802-1878)

No seu leito de morte, pediram à Ryokan um poema final. Ryōkan, que sempre evitou a solenidade excessiva, deixou estes versos que resumem a impermanência e a beleza da vida simples: 

O que deixarei como meu legado? / As flores na primavera, / O cuco nas montanhas, / E as folhas de outono.


Ryokan 


Sendo um monge mendicante, Ryōkan às vezes esquecia o que estava fazendo. Certa vez, ele saiu para pedir esmolas e voltou com a tigela vazia, mas o rosto radiante. Quando perguntaram o que ele havia conseguido, ele mostrou um poema que havia escrito no verso de um papel que encontrou, celebrando o perfume das flores de ameixeira. Para ele, a beleza do mundo era o sustento mais valioso.


Ryokan (1758–1831)

domingo, 4 de janeiro de 2026

Devemos agir como a chuva. A chuva simplesmente cai. Ela não pergunta: "Estou fazendo um som agradável lá embaixo?" Ou: "As plantas ficarão felizes em me ver? Serão gratas?" A chuva simplesmente cai, gota após gota. Milhões e bilhões de gotas, apenas caindo. Este é o segredo aberto do Zen.


Jakusho Kwong