sexta-feira, 5 de junho de 2026

O despertar deve ser atualizado a cada instante.


Para Dogen, o despertar não é um diploma que você obtém após anos de meditação e pendura na parede. Não é um estado permanente que, uma vez alcançado, permanece lá sem esforço. É uma ação contínua, uma chama que só existe enquanto há combustível e oxigênio no exato momento presente.
Essa visão transforma radicalmente a nossa relação com o cotidiano através de três pontos centrais:
1. A Iluminação é um Verbo, não um Substantivo
No Chan mais antigo, havia uma forte tendência a enxergar o Satori (despertar) como um evento de ruptura: você é uma pessoa comum e, após um estalo mental provocado por um Koan, torna-se um ser desperto.
Dogen inverte essa lógica. Para ele, o despertar não é algo que você tem, é algo que você faz.
  • Se você está presente, compassivo e atento enquanto escova os dentes, você é o Buda naquele segundo.
  • Se no segundo seguinte você se distrai, se irrita ou age com egoísmo, o Buda desapareceu.
O despertar, portanto, precisa ser atualizado (ou manifestado) a cada nova respiração.
2. O Tempo e o Ser são uma Coisa Só (Uji)
No seu famoso fascículo Uji (Tempo-Ser), Dogen explica que o tempo não é uma linha vazia por onde nós caminhamos. Nós somos o próprio tempo.
O momento de agora é a única realidade que existe. Por isso, a iluminação não pode ser guardada de ontem para hoje. O insight que você teve dez minutos atrás não serve para o agora; você precisa despertar novamente para este exato milésimo de segundo.
3. A Prática como Expressão, não como Meio
Isso explica por que a meditação de Dogen (Shikantaza) é "apenas sentar". Você não senta voltado para a parede para alcançar o despertar no futuro. O ato de sentar-se na postura correta, com a mente aberta e presente, já é o próprio Buda se atualizando naquele instante. A prática é a própria iluminação em movimento.
A Beleza dessa Abordagem
Essa perspectiva retira o Zen do campo do misticismo e o joga diretamente na realidade nua e crua da sua vida. Ela tira o peso de ter que buscar uma "experiência espiritual extraordinária" e coloca o sagrado nas coisas mais simples:
  • Atualizar o despertar ao ouvir atentamente alguém.
  • Atualizar o despertar ao sentir o peso do seu corpo na cadeira.
  • Atualizar o despertar ao perceber que a mente acelerou e, gentilmente, trazê-la de volta.

O Zen de Dogen é exigente porque não te dá trégua: a iluminação é sempre um compromisso com o agora, sem garantias para o próximo segundo.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Mesmo que você tente prender o vento, 

suas mãos ficarão vazias.

Assim é a tentativa de reter o tempo ou o eu.

Quando você abre as mãos e deixa o vento passar,

você não perde o vento; você se torna o próprio céu.


Shundo Aoyama Roshi 

O anoitecer cai sobre a montanha,

a névoa se dissipa no vale.

Sem possuir uma única coisa,

quão vasta e livre é a minha mente!


Chinul

Este poema de Ryōkan Taigu ilustra a gratuidade da natureza e a paz de quem não retém posses, aceitando a mudança das estações com simplicidade.


O vento traz

folhas caídas o suficiente

para acender a fogueira.

Ryokan Taigu (1758–1831) foi um monge eremita conhecido por sua extrema simplicidade. Próximo de sua morte, ele escreveu sobre o que restava de sua existência:


O que deixarei como meu legado?

As flores da primavera,

O cuco nas colinas,

As folhas do outono.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Os mosteiros Zen usavam a limpeza física como treinamento direto da mente. 

Adote o hábito minimalista de fechar os ciclos físicos e mentais assim que terminam. Terminou de comer? Lave o prato imediatamente. Terminou de trabalhar? Feche as abas do computador e organize a mesa. Essa transição consciente e limpa no mundo externo treina o cérebro a fazer o mesmo no mundo interno, não carregando resíduos de uma situação para a outra. 

Como escreveu o mestre Seung Sahn: "Quando você faz algo, apenas faça. No trânsito, apenas dirija; comendo, apenas coma." A mente limpa é aquela que sabe a hora de dar tchau para o momento que acabou. 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O sábio não deixa rastros. Ele passa o dia inteiro falando, mas nenhuma palavra permanece em seus dentes. Ele passa o dia inteiro vestindo roupas e comendo, mas nunca toca em um único fio de seda ou grão de arroz.


Linji

Uma das metáforas mais bonitas do Chan antigo: a ação do sábio é como o voo de um pássaro: enquanto o pássaro cruza o céu, ele se move com total precisão, presença e graça.No entanto, no milissegundo em que ele passa, o céu não guarda nenhuma cicatriz, linha ou rastro do seu caminho.

Praticar a atenção plena a cada segundo significa que você vive a experiência intensamente no agora, mas, assim que ela termina, você não fica remoendo, apegado ou planejando o próximo passo. A mente volta a ser o céu vazio.

Esse caminho que você aprecia traz uma leveza imensa, pois transforma a sua vida inteira no mosteiro. A presença plena e refinada a cada segundo deixa de ser um "dever monástico" e passa a ser a sua própria assinatura no mundo:

Atenção Plena Despida de Ritual: Você não precisa cruzar as pernas para estar desperto. Ao lavar uma xícara, sua mente está 100% na textura da cerâmica e no fluxo da água. Isso é o Zen vivo.

Fluidez Sem Esforço: Se a mente divagar, você apenas percebe e retorna ao que está fazendo agora, sem o peso de achar que quebrou uma "regra de meditação".

terça-feira, 19 de maio de 2026

Assim que você descartar seus gostos e aversões, o Caminho aparecerá imediatamente diante de você. Aqui, Seng Ts’an tem algo em comum com Tao-Hsin, o Quarto Patriarca, e Hui-Neng, o Sexto Patriarca. Estes dois últimos diziam frequentemente que, quando você deixa de discriminar entre o bem e o mal, percebe imediatamente a sua face original.  Em outras palavras, você compreenderá o Caminho Supremo.


Sheng Yen 

Observe cuidadosamente, mas não veja nenhum dharma (fenômeno), não veja nenhum corpo e não veja nenhuma mente. Pois a mente não tem nome, o corpo é vazio e os dharmas são um sonho. Não há nada a ser alcançado, nenhuma iluminação a ser vivenciada. Isso é chamado de libertação.


Sheng Yen 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Para Dogen, cada ato nosso deixa uma marca no tecido do universo.

Segundo Dogen, se você limpa a mesa pensando em terminar logo para ir fazer outra coisa, você dividiu a sua vida. Você transformou o presente em um obstáculo. Mas se você limpa a mesa com atenção plena, o ato de passar o pano é o próprio Buda limpando a mesa. O pano é Buda, a mesa é Buda, o gesto é Buda.


Segundo Dōgen, quando o ego diminui, a barreira entre "eu" e "o resto do mundo" cai. Você percebe que as montanhas, as árvores e os outros não estão separados de você.

Segundo Dogen, lavar pratos, cozinhar ou limpar o chão exige a mesma reverência que meditar no altar.

Cada objeto e cada momento merecem cuidado absoluto porque são sagrados em si mesmos.

domingo, 17 de maio de 2026

Versos do Shodoka:

A verdadeira natureza da ignorância é a natureza do Buda.

O corpo vazio e ilusório da ignorância é o corpo do dharma. 


Dogen escreveu:

Não há momento que não seja bom. Não há momento em que a natureza de Buda não se.manifeste diante dos nossos olhos.


Kodo Sawaki Roshi 

Você receberá ajuda espiritual se se mantiver quieto. O ovjetivo de todas as práticas é abandonar todas as práticas. Quando a mente se aquieta, o poder do Ser será experimentado. As ondas do Ser permeiam todos os lugares. Se a mente estiver em paz, a pessoa começa a experimentá-las.


Sri Ramana Maharshi 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Quando você percebe que tanto o esforço quanto o não-esforço são armadilhas, a mente finalmente desiste. Nesse estado de "desistência total", sobra apenas o que é: não é "não buscar": porque isso ainda é uma intenção; não é "buscar", porque você já viu que é inútil; é a presença sem nome. Como o espelho, que não "pratica" refletir a imagem, nem "decide" não refletir. Ele apenas reflete porque essa é a sua natureza. 

Quando esse paradoxo é compreendido, não intelectualmente, mas "nos ossos", a prática se torna a sua própria existência. Beber chá é apenas beber chá. Sentir cansaço é apenas cansaço. Até o dualismo, quando surge, é apenas um pensamento surgindo e passando, sem que você precise "consertá-lo".

O erro não é o dualismo existir (o mundo é dual em sua forma); o erro é o apego à ideia de que precisamos transcendê-lo para estarmos "certos". Ao perceber que a própria busca por unidade é um movimento da dualidade, você relaxa. E nesse relaxamento, a unidade (que sempre esteve lá) se revela por conta própria.

Quando você percebe que nem o "presente" existe como algo sólido, você para de tentar "estar presente" (que ainda é um esforço dual) e simplesmente é a própria impermanência acontecendo. É aí que você percebe que já está em casa.

sábado, 9 de maio de 2026

O libertador é justamente o que Krishnamurti e o Zen raiz batem na tecla: a percepção tem que ser fresca, agora. No segundo seguinte, se você guarda a percepção como uma memória ou um troféu, ela já virou um conceito e a armadilha se fechou. Por isso o Zen é tão alérgico a explicações.

Essa é a grande ironia: o ego é um mestre do disfarce. No momento em que você tenta matá-lo através de um conceito (como o "vazio" ou o "não-eu"), ele se apropria dessa ideia e passa a se orgulhar de ser "alguém que compreende o vazio".

Vira o que muitos chamam de materialismo espiritual. A pessoa deixa de ser escrava do consumo material para ser escrava de uma estética de desapego. No Ocidente, onde temos uma fome enorme de identidade e performance, essa armadilha é quase inevitável.

"Antes da iluminação, cortar lenha e carregar água; depois da iluminação, cortar lenha e carregar água".

A ausência de ego não é um transe místico, é fazer o que precisa ser feito sem que o "eu" esteja lá reivindicando a autoria ou o resultado.

Krishnamurti dizia que "a liberdade é o primeiro e o último passo". Ela nasce quando você compreende a estrutura do seu próprio condicionamento. Se você entende por que age, a ação deixa de ser uma reação cega.

Para Krishnamurti, a meditação não era um exercício de concentração (que ele via como uma forma de esforço do ego), mas sim um estado onde a fronteira entre o "eu" e o "mundo" desaparece.

Ele descreve a natureza sem os rótulos usuais. Em vez de "eu vi uma árvore", o texto transmite a "árvore acontecendo". O ego se dissolve quando cessa a necessidade de julgar, comparar ou possuir a experiência.

Para ele a meditação só ocorre quando o pensamento (que é o ego) se percebe limitado e silencia. Ele enfatiza que, se você sabe que está meditando, você não está meditando — é apenas o ego se dando tapinhas nas costas. A verdadeira contemplação é um estado de vulnerabilidade total, onde não há ninguém ali para dizer "estou em paz".


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Segundo Dogen, a pessoa ou o eu não se torna “iluminado” porque não há um indivíduo separado para iluminar-se. Pelo contrário, o próprio universo já está perfeitamente iluminado e, como não somos diferentes do resto do universo, podemos participar disso a qualquer momento por meio da prática. Como tudo já está perfeito, já está iluminado, não descobrimos nosso próprio “despertar”. Em vez disso, expressamos continuamente o despertar perfeito de todo o universo. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Onde não há palavras, onde não há conceitos, onde não há dualidade entre o 'eu' e o 'outro' — ali reside a entrada para o Darma.


Vimalakirti 

A iluminação não é encontrada no isolamento, mas nas paixões e nas aflições dos seres vivos. Não se pode encontrar o lótus no topo da montanha seca; ele nasce do lodo úmido.


Vimalakirti 

Se você acha que só está praticando quando está meditando em silêncio, você ainda não entendeu o Darma. A prática ocorre enquanto você lava a louça, negocia um contrato ou conversa com um amigo.


Vimalakirti 

A verdadeira meditação não é apenas sentar-se em silêncio, mas manter a mente imperturbável enquanto se participa das atividades do mundo.


Vimalakirti 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Todo e qualquer elemento do dharma é ele mesmo a realidade última. Mesmo uma única partícula é imóvel e não admite o menor deslize. O mundo inteiro, tal como é, é o que se chama Genjo koan.

Portanto, Genjo koan é a estrada do darma para o mundo inteiro. Discriminação e não discriminação são ambas Genjo koan. Dizer que não discriminação é Genjo koan, porque ele é o reino do darma da não dualidade, e que o mundo da discriminação não é, porque ele é a mente de medir o pensamento, não é Genjo koan.

Cada elemento do mundo discriminado é em si mesmo Genjo koan. 


Bokusan Nishiari 

Em resumo, no que diz respeito à delusão e à iluminação, as pessoas comuns tentam chegar à iluminação varrendo a delusão. Elas podem pensar que delusão é existência falsa e iluminação é existência verdadeira. O Genjo koan a que se refere aqui é diferente. Entre todos os seres, não existe uma única existência que seja um erro. Delusão é o Genjo koan da delusão. Não é que tenhamos iluminação excluindo a delusão. Iluminação é o Genjo koan da iluminação. Não é que escapamos da iluminação e caímos na delusão.


Bokusan Nishiari

Dogen nos convida a ser como um espelho: o espelho não sai correndo atrás das imagens para refleti-las; ele simplesmente permanece vazio e permite que as imagens venham e se mostrem. 

domingo, 26 de abril de 2026

Se você acolhe o seu medo, respira e o transmuta em presença, você não está apenas se curando; você está oferecendo "não-medo" para todo o sistema.

Diz-se que quando um mestre Zen está em paz, uma sala inteira se acalma. Da mesma forma, se você está em pânico, você contribui para o pânico global.

Quando você sente medo, suas microexpressões, seu tom de voz, suas decisões e sua energia mudam. Isso afeta quem está ao seu redor, que por sua vez afeta outros.

Autores como Thich Nhat Hanh sugerem que as emoções são como "fumaça" ou "perfume". Se você queima incenso de medo, o ar de toda a sala fica impregnado. A humanidade compartilha uma "consciência de base"; quando um indivíduo gera uma emoção, ele está alimentando esse reservatório coletivo.

No Zen, a separação entre o seu mundo interno e o mundo externo é considerada uma ilusão (Maya). Se você e o universo são "não-dois", o medo que surge em você não é um evento privado.

Imagine que a humanidade é o oceano e você é uma onda. Se uma onda está agitada e trêmula, o oceano está agitado e trêmulo naquele ponto. Não há como a onda sentir algo sem que o oceano sinta, pois a onda é o oceano.



Lavar uma tigela é cuidar do universo. 


Zen

Se você não tiver ponto de vista,  então poderá ver.


Avatamsaka Sutra

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Os que pretendem ser budas deveriam aprender a pacificar a mente em primeiro lugar. Antes da mente ser pacificada, mesmo as coisas boas não são boas, e pior ainda as coisas ruins. Mas quando a mente se torna pacífica e calma, nem o bem e nem o mal têm alguma base.


Gunabhadra

terça-feira, 21 de abril de 2026

Dentro do vazio pacífico do nirvana, fundamentalmente não existem pensamentos em movimento: o movimento em si é permanente quietude.  Havendo quietude, não há busca, nem impurezas ou apegos. A impureza é a base da vida ilusória. A pureza é o fruto da iluminação. 


Gunabhadra

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Já não penso em termos de ter experiências. As coisas simplesmente acontecem. A chuva cai suavemente. O coração bate. Há respiração, inspiração-expiração-inspiração-expiração. Há escuta silenciosa, abertura… vazio… nada…

Iluminação? Como é letal atribuir um rótulo. Aí você se torna alguém. No momento da rotulação, a vitalidade se congela em um conceito. "Minha experiência de iluminação!" Estar vivo, plenamente vivo, significa fluir sem impedimentos — um fluxo vulnerável de vitalidade sem resistência. Sem qualquer noção da passagem do tempo. Sem precisar pensar em "mim" — o que sou, o que serei.

Nossa ânsia por experiências é uma resistência a simplesmente estar aqui e agora. É um alívio perceber que não precisamos ser nada.


Toni Packer 

Quando a preocupação consigo mesmo se aquieta, fica em suspenso, o céu e a terra se abrem. O mistério, a essência de toda a vida, não está separado da silenciosa abertura da simples escuta.


Toni Packer

Todo o universo visível é o Buda; assim como todos os sons. Ao ver uma coisa, você vê tudo . Ao perceber a mente de qualquer indivíduo, você está percebendo toda a Mente. Obtenha um vislumbre de um caminho e todos os caminhos serão abarcados em sua visão, pois não há lugar algum que esteja desprovido do Caminho.


Huang Po 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Todos os Budas e todos os seres sencientes nada mais são do que a Mente Única, além da qual nada existe.


Huang Po

Minha mente é como a lua de outono,

brilhando clara no lago de jade.

Nada pode se comparar a ela.

O que mais eu poderia dizer?


Han Shan

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Se você realmente conseguir enxergar sua mente fundamental, deve tratá-la como se estivesse criando um bebê. Caminhando, em pé, sentado, deitado, ilumine tudo ao seu redor com consciência, não permitindo que ela seja contaminada pelos sentidos. 

O Buda veio ao mundo para guiar aqueles nos caminhos da ilusão, apontando diretamente para a mente fundamental, permitindo que eles deixassem para trás o nascimento, a morte e miríades de coisas. 

Embora este corpo claramente exista, perceber claramente que este corpo não existe, embora haja claramente visão, audição, discernimento e conhecimento, perceber claramente que não há visão, audição, discernimento ou conhecimento - isso é chamado de efeito da verdadeira investigação; como poderia ser fácil?


Shido Bunan 

Praticar de acordo com a realidade significa conhecer a mente fundamental como ela realmente é; significa livrar-se das obstruções causadas pelas ações habituais por meio da verdadeira percepção e do conhecimento.

O despertar para o caminho é comparativamente fácil; a realização da aplicação prática é o que é considerado mais difícil. É por isso que o grande mestre Bodhidharma disse que muitos conhecem o caminho enquanto poucos o percorrem.

Você simplesmente precisa empunhar a espada preciosa da soberania e matar este eu. Quando este eu for destruído, você certamente alcançará o reino da grande libertação naturalmente.


Shido Bunan 

Não há nenhum princípio especial no estudo do caminho; basta ver e ouvir diretamente.

Vendo diretamente, não há visão; ouvindo diretamente, não há audição. É preciso fundir o interior e o exterior num único estado sólido e completamente pacífico antes de poder fazer isso.


Shido Bunan 

Uma vez que você tenha alcançado a grande iluminação, não há mais grande iluminação; quando ora, não há oração; quando se alegra, não há ninguém para se alegrar. Vivendo, não há nada que viva; morrendo, não há nada que morra; não há nada que exista ou não exista. Embora você tenha forma física, você não tem forma; além do ser e do não ser, você deixa a existência e a não-existência serem; além da afirmação e da negação, você deixa o certo e o errado serem.


Shido Bunan 

Enquanto iludido, o indivíduo é usado por este corpo; quando iluminado, ele usa este corpo.


Shido Bunan 

Aceitar o ensinamento da iluminação tal como ele é, abandonar diretamente todas as coisas, fundir-se com a essência e experimentar paz e bem-aventurança incomparáveis,  é apenas uma questão de pensar ou não no corpo. Embora haja pessoas que acreditem que esse ensinamento seja verdadeiro, é difícil encontrar alguém que se esforce para torná-lo seu. 


Shido Bunan 

Viva sempre com a mente 

do nada absoluto,

e os males que te vierem 

desvanecerão completamente.


* * *


Não praticar zazen, 

nada mais é do que o próprio zazen; 

quando realmente compreender isso, 

você não estará separado do caminho de Buda.


Shido Bunan 

A lua é a mesma velha lua;

as flores, exatamente como eram.

Mas eu tornei-me a essência

de todas as coisas que vejo!


* * *


Quando você está ao mesmo tempo vivo e morto,

completamente morto para si mesmo,

quão soberbo é

o menor dos prazeres!


Shido Bunan

sexta-feira, 27 de março de 2026

Se você é contra algo, saiba que não tem liberdade. Se você encontrar falhas em alguém ou for contra alguém,  então você está preso nesta situação. Não seja nem contra o erro. Essa é uma ideia revolucionária. Eu não defendo o erro, mas digo, não cometa o erro de ser contra o erro.


Ravi Shankar (comentário sobre Ashtavakra Gita)

quinta-feira, 12 de março de 2026

Samsara é o ciclo do sofrimento, o lugar que habitamos quando vivemos na ignorância.  É difícil sair desse ciclo. Nossos pais sofreram e nos transmitiram as sementes negativas desse sofrimento. Se essas sementes não forem reconhecidas e transformadas por nós, certamente as passaremos para os nossos filhos. Ao mesmo tempo,  nossos pais nos transmitiram sementes de felicidade. Por meio da prática da consciência plena, podemos reconhecer as sementes saudáveis em nós e nos outros e regá-las todos os dias.


Thich Nhat Hanh 

No campo da mente existem sementes saudáveis e não-saudáveis plantadas por nós mesmos e pelos nossos pais, pela escola, pelos ancestrais e pela sociedade. A prática da plena consciência nos ajuda a identificar todas as sementes que se encontram em nossa consciência e, assim, podemos escolher regar apenas aquelas que são mais benéficas. À medida que cultivarmos as sementes de alegria e transformarmos as sementes de sofrimento em nós mesmos, veremos florir a compreensão,  o amor e a compaixão.


Thich Nhat Hanh 

Nossa mente é um campo no qual é plantado todo tipo de semente - semente de compaixão,  alegria e esperança,  sementes de tristeza, medo e dificuldades.  Diariamente nossas palavras e ações plantam novas sementes no campo de nossa consciência, e o que essas sementes geram torna-se a substância de nossa vida.


Thich Nhat Hanh 

sábado, 7 de março de 2026

Quando caminhamos plenamente presentes , o fazemos pelo Buda, por nossa mãe, por nosso pai. E onde está o Buda? Onde estão nosso pai e nossa mãe? Eles todos estão dentro de nós. Por isso cada passo pode ser um ato coletivo. Em cada passo, em cada gesto, estamos em casa.


Thich Nhat Hanh 

Nos preparamos e preparamos nosso local de meditação. Meditar é importante e preparar-se para meditar é tão importante quanto. Cada gesto da preparação tem importância. Se agimos distraidamente ou com pressa, sacrificamos o momento presente e não percebemos o milagre de cada gesto. Na luz da presença plena, cada momento é importante. É preciso que haja paz, alegria e liberdade, é preciso que haja amor nesse exato momento.


Thich Nhat Hanh 

Cada passo é uma prática profunda, cada respiração é uma prática profunda e cada sorriso é uma prática profunda. Lavar pratos é prática e cozinhar arroz também é prática. Tudo é prática. Não há nada que não seja prática. Até mesmo ir ao banheiro é prática. E quando vamos ao banheiro, essa é a coisa mais importante nesse momento. Ir ao banheiro não é menos importante do que qualquer outra coisa. O que estivermos fazendo no momento é a coisa mais importante. 


Thich Nhat Hanh 

sexta-feira, 6 de março de 2026

Em nossa experiência cotidiana de vida,  uma montanha não é uma xícara de chá, e nem uma montanha nem uma xícara de chá somos você e eu. A não é B, e nenhum dos dois é C ou D. No entanto, para Dogen, montanhas são montanhas e também xícaras de chá. Minúsculas xícaras de chá guardam grandes montanhas em si, e também o mundo inteiro e todo o tempo. As montanhas saciam nossa sede, as montanhas pregam o dharma, e as montanhas também são outras faces minha e sua. A montanha e todo o universo são verdadeiramente derramados e mantidos em cada gota de chá para ser provada, e estão contidos na própria xícara.  A xícara cabe em nossas mãos mas também é enorme,  sem limites, nela cabem a montanha e o universo inteiro. Todo o universo é enorme mas também cabe em nossas mãos. 


Jundo Cohen


sábado, 28 de fevereiro de 2026

A essência do ensinamento de Dogen é que devemos reverenciar profundamente tudo o que encontramos. Prajna [sabedoria] não é apenas praticar zazen e estudar o Dharma; o trabalho que fazemos e todas as nossas outras atividades também devem ser expressões de prajna. (...) A cada momento de cada dia e em cada fase da vida, tento ver as muitas pessoas, coisas e situações que encontro como minha própria vida e prática.


Shohaku Okumura

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Até mesmo a mais bela flor murcha e cai, e nuvens podem obscurecer a lua que brilha no céu. Você acha a brisa agradável quando está calor, mas quando a neve branca cai, seus dedos ficam azuis devido ao frio. Por trás de uma morte tranquila pode ter havido uma vida repleta de dor. Há sempre esse lado e aquele lado. Tudo se transforma, tudo muda, a primavera se transforma em verão,  depois vem o outono e depois ainda, o inverno. Se estivemos presentes à essência das coisas comuns e não deixarmos envolver pelas ilusões,  não haverá um dia sequer que não seja maravilhoso. E mesmo assim, deve-se praticar para sempre.


Soko Morinaga 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Não dê atenção a nenhum fenômeno que ocorra com o corpo; se você se preocupar com isso, surgirão problemas. O mesmo acontece com a mente. Você não conseguirá praticar a menos que ignore tudo o que lhe acontece mentalmente. Se sentir angústia ou dor de alguma forma, simplesmente ignore. Deixe ir e retorne de corpo e alma ao método. Concentre sua mente diretamente no método em si; não se preocupe com mais nada


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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Uma benção mexer uma panela no fogo! Uma delícia comer devagar. Tudo vai ficando lindo à medida que a mente assenta em sua natureza original.

Após o seshin, parecemos loucos, encantados com um mero pingo de água numa folha.  Palavras agressivas parecem chuva na primavera,  é como se escorressem por nós sem deixar traço, não nos alteramos. 

Um pedaço da nossa casca foi retirada.


Monge Genshô 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Pratique simultaneamente a quietude (chi) e a iluminação (chao). Observe atentamente, mas não veja dharmas (fenômenos), não veja o corpo e não veja a mente. Pois a mente não tem nome, o corpo é vazio e os dharmas são um sonho. Não há nada a ser alcançado, nenhuma iluminação a ser experimentada. Isso se chama libertação.


Sheng Yen

Na perspectiva da mente de Buda, existe apenas uma mente, nem verdadeira nem falsa. Não há necessidade de discriminar, pois tudo, em todo lugar, é mente eterna. Quando compreendemos plenamente a mente de Buda, a mente que crê e a mente na qual se crê se fundem em uma só; como são a mesma, a necessidade de mera crença nessa mente desaparece.

O paradoxo é que precisa-se estar iluminado para ter verdadeira fé na mente.


Sheng Yen

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Somos arrastados como nuvens através de nascimentos e mortes.

O caminho da ignorância e o caminho da iluminação, o percorremos sonhando.

Somente uma coisa permanece ainda na minha memória, inclusive depois de despertar:

o som da chuva que escutava uma noite no meu retiro de Fukakusa. 


Dōgen Zenji 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Não selecione os fenômenos que surgirem; apenas esteja presente e consciente. Não tente reviver experiências passadas. Não tente chegar a lugar nenhum. Não estimule o pensamento, estimule a observação. Você desenvolve uma percepção mais aguçada se observar atentamente o que passa.


Cittanupassana 

Uma pequena vara de madeira quebrada, inútil e seca. Tão inútil que um coletor de madeira não a olha duas vezes já que nem pra lenha serve. Tão inútil que parece não ter um único lugar nos céus e na terra para ela.

Se não consegues tornar-te o equivalente a esta vara inútil de madeira, então toda a tua prática é em vão. Quanto mais você tenta impressionar os outros, mais você se torna apenas um louco fazendo uma dança fútil, e mais você se afasta de limpar o coração.

Então veja, se deseja limpar o coração, tem que se tornar um total inútil, um completo fracasso aos olhos do mundo.

Para o eterno, você tem que sacrificar tudo e virar as costas para o mundo. Tornar-se alguém que pode ser rejeitado por todos, que pode ser desprezado,  alguém que se dedica a uma e apenas uma coisa: limpar o coração. Nenhuma outra coisa importa.


Ven. Tong Songcheol (1912~1993), um dos grandes mestres zen da Coreia no século passado, foi chamado de 'Buda Vivo'. 

A atitude correta por trás da prática vai se transformar em alicerce, na força que você precisa para estar atento a cada momento do seu dia. Eventualmente, a mente torna-se obediente e domesticada.

A prioridade do yogi é estar atento, não terminar o trabalho.

O mais importante é estar equilibrado e tranquilo.


Cittanupassana 

O ato de "apenas ser", em toda sua simplicidade e naturalidade sem nada acrescentado. Ver, ouvir, provar, cheirar, tocar, pensar, não "estou" pensando.

Esse é o ponto mais importante. É apenas a experiência de ser simples de um processo simples.

Vais descobrir que te tornas cada vez mais pacífico, porque a paz e a simplicidade andam juntas. Se você quer ser pacífico, seja muito simples.


Cittanupassana 

É mais importante estar presente do que comer.

Observe os olhos a contemplar a mesa de comida, observe o abrir e o fechar da boca à medida em que a comida entra nela. Enquanto comes, observa o sabor, presta atenção a ti próprio, não saias de ti próprio.

Quando a tua atenção está em falta, tendes a comer demasiado depressa! Por outro lado, quando estás atento, parece que é preciso tanta energia só para comer!

Em todas as práticas, tente ter consciência de si mesmo a cada momento. Se você realmente tiver consciência primeiro, e a consciência é o primeiro lugar e tudo o resto vem em segundo, então você vai descobrir que você realmente começa a subir na prática. A mente torna-se obediente e domesticada.

Quanto mais você olha para sensações sutis, mais forte a mente se torna. Escolha as sensações sutis, as neutras que te fazem trabalhar mais e tornam o sati-samadhi forte.



Cittanupassana


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Não consigo ressaltar o suficiente a importância absoluta de manter a sua prática, não importa o que aconteça. Passei pelo mesmo que você está passando agora, então posso dizer pela minha experiência pessoal o que você deve fazer.

Você deve dar a sua vida à prática e recusar-se a deixar que qualquer coisa, qualquer pensamento, ideias, atitudes entrem no seu caminho. Seu "sim" deve ser aberto, sua determinação deve ser de aço.


Tangen Harada Roshi 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

De momento a momento, abandone os pensamentos e volte a sua mente para a prática. 


Sheng Yen

Seja sereno como a água, seja como a claridade do espelho. Se algo bom ou ruim, belo ou feio sirgir, não faça o mínimo movimento para evitar. Então você verdadeiramente descobrirá que a não-mente espontânea é maravilhosa. 


Ta Hui 

Tentar eliminar as paixões agrava o erro. Perseguir a Realidade Suprema também é um equívoco. Não existem obstáculos nesse mundo; "nirvana" e "nascimento e morte " são também ilusões.


Ta Hui

domingo, 1 de fevereiro de 2026

A força de vontade das pessoas comuns é fraca:  elas erradamente acreditam que existam facilidades e dificuldades. Se você desapegar da forma, e for vazio como o espaço, alcança a sabedoria dos budas. O empenho na disciplina também é vazia como o espaço; os iludidos acreditam que são elas que mantém o Caminho. Sem tratar a raiz da ilusão, apenas seguem brincando com os galhos floridos.


Fang (praticante Zen laico)

sábado, 31 de janeiro de 2026

Antes de conseguir ver através do Caminho, você enfrenta inúmeras dificuldades; mas depois que compreende, que facilidade ou dificuldade existe? 


Ta Hui 

Se você realmente tiver sabedoria,  usará o Caminho como instrumento para limpar o poder das ações habituais. Uma vez que o.poder das ações habituais é compreendido,  o Caminho é descartado.


Ta Hui 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ao praticar zazen e alcançar a iluminação, você sente a beleza da existência. Tudo o que você vê, você sente essa beleza. É muito difícil expressar isso em palavras, mas através da experiência você pode compreender. A mesma prática se aplica à vida diária. Se quisermos ter relaxamento e segurança em nossa existência diária, precisamos viver de todo o coração dessa maneira. Esta é uma vida simples.


Dainin Katagiri 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Doogen afirma que o tempo e a existência são inseparáveis. Não existe um "eu" que caminha através das horas; você é a própria passagem do tempo. Se você remove o tempo, o ser desaparece; se remove o ser, o tempo não existe. Cada momento da sua vida (nascer, sentar, comer, morrer) não acontece no tempo, ele é o tempo. 

O tempo não flui apenas do passado para o futuro. Ele "flui" de hoje para amanhã, de hoje para ontem e de ontem para hoje. Tudo o que existiu e existirá está vibrando no seu ser agora

Uma montanha não está apenas parada no tempo; a sua "montanhidade" é uma atividade temporal. Da mesma forma, você não é uma entidade estática que envelhece; você é o próprio processo de transformação contínua.

Estar plenamente presente em uma ação (como o Zazen ou lavar louça) é realizar a totalidade do ser.

A iluminação não é algo que você alcança depois de praticar por muito tempo; a própria prática é o tempo da iluminação manifestado.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Um mestre Zen chamado Gisan pediu a seu jovem aluno que trouxesse um balde de água fria para o banho. O aluno trouxe a água e, após despejá-la na banheira, jogou o pouco que sobrou no fundo do balde no chão.

O mestre o repreendeu: "Por que você desperdiçou aquela gota? Por menor que seja, se você a tivesse dado a uma planta sedenta, ela teria cumprido seu destino. Como você espera alcançar a iluminação se não respeita a vida de uma única gota?"

Nesse momento, o aluno compreendeu a interconexão de todas as coisas e mudou seu nome para Tekisui (Gota de Água).


Gisan Zenrai (1802-1878)

No seu leito de morte, pediram à Ryokan um poema final. Ryōkan, que sempre evitou a solenidade excessiva, deixou estes versos que resumem a impermanência e a beleza da vida simples: 

O que deixarei como meu legado? / As flores na primavera, / O cuco nas montanhas, / E as folhas de outono.


Ryokan 


Sendo um monge mendicante, Ryōkan às vezes esquecia o que estava fazendo. Certa vez, ele saiu para pedir esmolas e voltou com a tigela vazia, mas o rosto radiante. Quando perguntaram o que ele havia conseguido, ele mostrou um poema que havia escrito no verso de um papel que encontrou, celebrando o perfume das flores de ameixeira. Para ele, a beleza do mundo era o sustento mais valioso.


Ryokan (1758–1831)

Desapegando-se totalmente você reconhece que tudo é sofrimento. Os seus sentidos são sofrimento. O mundo é sofrimento. Monastérios são sofrimento. A chuva é sofrimento. Estudar é sofrimento. A comida é sofrimento. Tudo que você fizer é sofrimento. Quando você desapega e vai para onde a ilusão não pode te alcançar, há a libertação do sofrimento. É o estado da meditação mais profunda, dhyana: você está desapegado de tudo, até mesmo de dhyana.


Ajahn Brahm 

Quando você se despega do sofrimento parando de tentar controlar o mundo, deixando que as coisas apenas sejam, você tem o que mais precisa: paz e felicidade.  Somente o desapegar traz à mente a verdadeira felicidade. Você tem então serenidade e paz porque muitas coisas inúteis simplesmente desapareceram.


Ajahn Brahm 

Através da sabedoria você reconhece que o mundo é sofrimento, e então você desapega, não faz mais nada. É uma reação automática. Reconhecer o sofrimento e desapegar são as bases para onde você sempre volta. E quanto mais você desapega, mais facilmente a meditação ocorre.


Ajahn Brahm 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Você deve olhar para os aborrecimentos e dificuldades como mensageiros da verdadr, que vêm te ensinar o dharma. 


Ajahn Brahm 

Ajahn Chah dizia que não é o som que perturba você; é você quem perturba o som.


Ajahn Brahm 

Entenda que esse mundo é somente um jogo dos sentidos. Os seus sentidos fazem o que querem, não tem nada a ver com você.  São só pessoas sendo pessoas, o mundo sendo o mundo.


Ajahn Brahm 

Quando estiver meditando, lembre-se que.nada é problema seu; diz respeito apenas a seu corpo. Pensar assim é um meio poderoso de manter seu corpo saudável.  

Quando você considera que algo não lhe diz respeito, ela desaparece de seu mundo. A consciência não se apega mais àquilo; ela não mais a vê, ouve, sente. Pois tudo aquilo ao qual se apega, você constrói edifícios em torno. E é muito claro para mim como meditador que nós criamos nosso próprio mundo. Mas quando você se desapega, a coisa desaparece.


Ajahn Brahm 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Quando compreendemos, não significa que simplesmente aceitamos as coisas; isso não é é o bastante. Dizer, "deixa ser,  a vida é assim mesmo!" não é a reação correta. Isso é resignação.

Nibbidã significa desapego. Nos afastamos dessa coisa chamada vida. Tentar modificar as coisas só o torna mais envolvido com elas e resignar-se também. Desapego é a reação correta e significa deixar que as coisas sejam e não se preocupar com elas. Você apenas permanece presente e não se envolve com o que estiver experimentando.


Ajahn Brahm 


Ajahn Brahm 

Nibbidã,  desapego, vem da compreensão da natureza do corpo, da mente, e do mundo. Você compreende que tudo em algum momento será insatisfatório e que problemas surgirão.  Você pára de fugir desses problemas ou forçar-se a resolvê-los, pois compreende que problemas são inerentes ao samsara. Esse foi um dos grandes insights do Buda, e ele a chamou de Primeira Nobre Verdade.


Ajahn Brahm 

Quando você estiver trabalhando ou meditando, aceite que as coisas sairão errado erradas de vez em quando. Seu trabalho não é pedir por aquilo que o mundo não pode te dar; seu trabalho é observar. Seu trabalho não é pressionar para que esse mundo faça as coisas da maneira que você julga que elas deveriam ser. Seu trabalho é compreender, aceitar e deixar ir. Quanto mais você lutar, mais dor sentirá.


Ajahn Brahm 

Quando você experimentar alguma dor ou dificuldade, lembre-se sempre de um dos significados mais profundos da palavra sofrimento: pedir ao mundo algo que não pode ser dado à você. 

Se você pedir algo que o mundo não pode lhe dar, está pedindo por sofrimento. 


Ajahn Brahm 

Onde quer que você viva - seja em um monastério, numa cidade, ou numa tranquila rua arborizada - você sempre experimentará problemas e dificuldades em sua vida. Por isso, quando tiver algum problema de saúde, você não deve dizer "Doutor, há algo errado comigo. Estou doente." Ao contrário,  diga "Há algo correto em mim; estou doente hoje." É da natureza da do corpo humano ficar doente de vez em quando.


Ajahn Brahm 

Todos os meditadores que tiveram sucesso são perdedores. Eles perderam seus apegos. Aqueles que despertam perdem tudo.


Ajahn Brahm 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Quando me perguntam se minha xícara está meio-cheia ou meio-vazia, minha única resposta é  que eu sou grato porque tenho uma xícara.


Ajahn Brahm 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A verdadeira sabedoria da vida é alcançar a outra margem a cada passo do caminho.


Shunryu Suzuki