sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Embora meu carma negativo passado tenha se acumulado e haja causas e condições que obstruam minha prática do Caminho, que todos os buddhas e ancestrais que alcançaram esta senda por meio do Caminho do Buddha sejam compassivos comigo e me permitam ser liberto dos emaranhados cármicos para praticar sem obstáculos. Que suas virtudes e suas portas do Dharma preencham e permeiem completamente o ilimitado mundo do Dharma. Permitam-me receber um pouco de sua compaixão.


Dogen

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Você já olhou para uma árvore sem uma única palavra de gosto ou desgosto, sem uma única imagem? O que acontece então? Pela primeira vez, você vê a árvore como ela é e vê sua beleza, a cor, sua profundeza e vitalidade.


Krishnamurti 

Krishnamurti disse: "Uma mente disciplinada é uma mente preguiçosa! Se não é preguiçosa,  por que tem que se disciplinar? Se tenho que acordar às 6h da manhã,  acordo; mas se é preciso toda uma disciplina para acordar, então se é preguiçoso, não é?"



Krishnamurti fez outra afirmação impressionante naquele dia, durante o almoço: "Senhor, eu não sei o que é fome!". Perguntei-lhe: "O que você quer dizer? Se não comer por muito tempo você não sente desejo por comida?" Ele respondeu: "Não,  apenas me torno mais fraco; então me alimento para proteger o corpo". 

O que traz compreensão é o amor. Quando seu coração estiver cheio, então você ouvirá o professor,  o pedinte, a risada das crianças,  o arco-íris e a tristeza do homem. Sob cada pedra e folha, aquilo que é eterno existe; mas não sabemos como buscá-lo. Quando ama, você está mais perto da verdade, pois o amor gera sensibilidade, vulnerabilidade. O que é sensível é capaz de renovação. Então a verdade  surgirá. Ela não pode vir se sua mente e seu coração estiverem sobrecarregados, pesados com ignorância e animosidade.


Jiddu Krishnamurti 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Praticar significa avançar com passos firmes enquanto, com uma lanterna, ilumina unicamente a escuridão que está diante dos seus pés.


Kodo Sawaki Roshi 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

 

A Visão Tradicional (O Dualismo)


Antes de Dogen, a expressão "flores no céu" vinha de uma antiga metáfora médica indiana. Imagine uma pessoa com uma doença nos olhos (como catarata ou moscas volantes) que olha para o céu azul e enxerga pontos flutuantes, formas e cores que parecem flores.

• Para o budismo tradicional inicial, o céu limpo representava a realidade última/iluminação e as flores flutuantes representavam a ilusão/delírio.

• A lógica era simples: cure os olhos (atinja a iluminação), as flores falsas desaparecerão e você verá apenas o céu verdadeiro.


A Quebra de Paradigma de Dogen (A Não-Dualidade)


Dogen rejeita essa visão por considerá-la dualista. Se você diz que o céu é real e as flores são falsas, você está dividindo o universo em dois. No fascículo Kuko, ele subverte o ensinamento através de três argumentos centrais:


1. As Flores e o Céu são Inseparáveis


Dogen argumenta que não existe um "céu vazio" isolado das flores. Onde haveria um céu se não houvesse fenômenos para preenchê-lo? Ele escreve que as flores no céu não são uma ilusão que surge no céu, mas sim a própria atividade e expressão do céu. Tentar encontrar a iluminação rejeitando o mundo cotidiano é como tentar encontrar o oceano rejeitando as ondas.


2. Quem tem os "Olhos Doentes"?


Na visão comum, a doença nos olhos é um defeito. Dogen inverte isso: os "olhos doentes" são, na verdade, os olhos humanos manifestando a vida. Estar vivo, ter desejos, passar pelo nascimento, velhice, doença e morte é a nossa condição. A iluminação não consiste em se tornar um ser anestesiado ou um céu perfeitamente vazio e sem vida. Consiste em perceber que a própria "doença" (a nossa existência humana e senciente) é o palco onde a iluminação acontece.


3. A Impermanência é a Própria Realidade


Para Dogen, tudo o que o budismo antigo chamava de "ilusão" por ser impermanente — as nossas emoções, as estações do ano, as flores que murcham, os pensamentos que passam — é a verdadeira natureza da realidade. As flores no céu flutuam, mudam e desaparecem. É justamente essa impermanência e constante transformação que Dogen chama de A Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.


O Impacto Prático no Dia a Dia


Ao quebrar a barreira entre ilusão e realidade, o fascículo Kuko traz uma tremenda libertação prática:

• Fim da busca por um ideal místico: Você não precisa escapar da sua mente barulhenta, do seu trabalho ou dos seus problemas para encontrar o sagrado.

• O cotidiano é o Buda: A sua vida confusa, com seus altos e baixos (as flores flutuantes), não é um obstáculo para a iluminação; ela é a própria iluminação se expressando de forma dinâmica. O erro não é ver as flores no céu, o erro é se apegar a elas ou tentar ignorá-las.

Essa desconstrução de Dogen muda completamente a forma como encaramos nossos próprios erros e crises cotidianas. 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Do apego, surge a necessidade de continuar existindo, a ilusão de recriar  nossa própria individualidade  como algo concreto. E disso, surge o nascimento. Do nascimento, surgem a velhice e a morte.


Denshô Quintero

Não tente se tornar nada. Não se transforme em nada. Não seja um meditador. Não busque a iluminação. Quando se sentar, deixe estar. Quando caminhar, deixe estar. Não se agarre a nada. Não resista a nada.


Ajahn Chah 

Ajahn Chah usava a metáfora de uma xícara de vidro para ensinar o não-eu (Anatta). Ele dizia: "Para mim, este copo já está quebrado. Como sei que ele inevitavelmente vai quebrar um dia, eu aproveito ele agora, mas não me apego a ele como uma propriedade fixa".

Ele aplicava isso ao ego. Nós sofremos porque tentamos segurar o "eu" como se ele fosse permanente. Quando entendemos que o "eu" é mutável e flui junto com o ambiente, paramos de lutar contra o mundo. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

De algum modo, o sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido — como o sentido de um sacrifício. Certamente que não foi uma terapia no sentido próprio da palavra, visto que, em primeiro lugar, o seu desespero não era uma doença, e em segundo lugar, eu não podia mudar o seu destino, não podia ressuscitar a mulher. Mas, naquele momento exato, consegui alterar a sua atitude em relação ao seu destino imutável. A partir desse dia, ele pôde, pelo menos, ver um sentido no seu sofrimento.

Pertence aos postulados fundamentais da logoterapia que a principal preocupação do homem não é encontrar o prazer ou evitar a dor, mas sim encontrar um sentido para a sua vida. E é por isso que o homem está disposto até a sofrer, na condição, evidentemente, de que o seu sofrimento tenha um sentido.


Viktor Frankl 

Certa vez, um clínico geral de mais idade veio consultar-me por causa de uma depressão muito profunda. Ele não conseguia superar a perda de sua mulher, que falecera fazia dois anos e a qual ele amara acima de tudo. Bem, como poderia eu ajudá-lo? O que deveria dizer-lhe?

Pois bem, abstive-me de lhe dizer fosse o que fosse, confrontando-o, antes, com uma questão:

— Diga-me, doutor, o que teria acontecido se tivesse sido o senhor a morrer primeiro e a sua esposa a sobreviver-lhe?

— Oh — disse ele —, para ela teria sido terrível; teria sofrido imenso!

Ao que repliquei:

— Pois bem, doutor, esse sofrimento foi-lhe poupado, e foi o senhor que a poupou a esse sofrimento; mas agora tem que pagar por isso, sobrevivendo-lhe e chorando a sua falta.

Ele não disse uma palavra, limitou-se a apertar-me a mão e retirou-se calmamente.


Viktor Frankl 

Segundo Viktor Frankl, os três pilares básicos da logoterapia (frequentemente chamados de a "tríade fundamental" ou pressupostos básicos) são:

  • A liberdade da vontade: O ser humano não é totalmente determinado por seus genes, instintos ou ambiente. Embora existam limitações biológicas, psicológicas e sociais, o homem sempre mantém a liberdade de escolher sua atitude diante de qualquer circunstância.
  • A vontade de sentido: É a principal força motivacional do ser humano. Frankl discordava de Freud (busca pelo prazer) e de Adler (busca pelo poder), defendendo que o que o ser humano mais deseja profundamente é encontrar um significado e um propósito para a sua existência.
  • O sentido da vida: A vida tem um sentido inerente e incondicional, que não se extingue sob nenhuma circunstância, mesmo no sofrimento ou na dor. Esse sentido é objetivo e cabe ao indivíduo descobri-lo no mundo, e não inventá-lo de forma puramente subjetiva.
De acordo com Frankl, descobrimos esse sentido por meio de três caminhos: realizando uma obra ou trabalho (valores criativos), vivenciando algo ou amando alguém (valores vivenciais) e pela atitude que adotamos diante de um sofrimento inevitável (valores de atitude).

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Fundamentalmente, podemos caminhar em qualquer direção: leste, oeste, sul ou norte, como quisermos.


Todas e cada uma de nossas atividades impregnam o mundo inteiro das dez direções. 


Simplesmente praticamos manifestar a eternidade através de nossa ação em cada momento.


Kodo Sawaki Roshi 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Como você sabe que a sua própria consciência é inerentemente pura?... Para usar o sol brilhante como metáfora: mesmo que as nuvens e as névoas do mundo surgissem juntas em todas as direções de modo que o mundo ficasse escuro, ainda assim, como o sol poderia ser extinto?... A luz do sol não é destruída, mas meramente desviada pelas nuvens e névoas. A mente pura que todos os seres sencientes possuem é assim – simplesmente coberta pelas camadas de nuvens do pensamento discriminativo, ideias falsas e visões atribuídas. Se você apenas mantiver distintamente a consciência da mente clara presente e não fabricar pensamentos falsos, então o sol-da-realidade do nirvana se manifestará naturalmente. É assim que você pode experienciar que a sua própria mente é inerentemente pura.


Daman Hongren (601 - 674)

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Minhas atividades diárias não são extraordinárias,

Eu apenas permaneço em harmonia com elas.

Não prendendo nada, não rejeitando nada,

Em nenhum lugar há obstáculos ou conflitos.

Quem diz que a riqueza importa?

Até uma lasca de poeira tem grande valor.

Minha força sobrenatural e atividade milagrosa:

Buscar água e carregar lenha


Layman P'ang

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Quando abandonamos nossa motivação egocêntrica e permitimos que todas as coisas venham ao nosso encontro para realizar a prática, isso é realização. Isso significa que não podemos praticar sozinhos; o sujeito da prática não é alguém em particular, são todas as coisas realizando a prática/realização através do corpo e mente do indivíduo. Isso é abandonar o corpo e a mente. Abandonar corpo e mente significa que participamos com todo o universo enquanto ele pratica através dos nossos corpos e mentes individuais. Nos estabelecemos pacificamente dentro da rede de originação interdependente e permitimos que a força vital universal pratique através de nós para todos os seres.


Shohaku Okumura 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Para ser generoso, nada há a fazer, a não ser parar de se fixar em si mesmo.

Em termos de moralidade, nada há a fazer, a não ser parar de ser desonesto.

Para ter paciência, nada mais resta a fazer, a não ser não temer o que é, em última análise, verdade.

Para se esforçar, nada mais há a fazer, a não ser praticar continuamente.

Para alcançar estabilidade meditativa, nada mais a fazer, senão repousar na presença.


Milarepa 1052-1135 

Cada um de nós deve preencher todo o universo neste exato momento, imediatamente, completamente, no lugar onde está.

Prática significa tornar o paraíso onde você está, descobrindo o reino celestial sob seus pés.


Kodo Sawaki Roshi

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Canção da Cabana Coberta de Relva (Soanka)


Construí uma cabana coberta de relva onde não há nada de valor.

Depois de comer, eu relaxo e tiro uma soneca.

Quando foi construída, as pessoas da vila surgiram;

Agora que está pronta, ninguém mais aparece.


O interior é perfeitamente limpo, sem um único ponto de poeira.

Portas e janelas estão escancaradas, o ar circula livremente.

Mesmo que o mundo inteiro se incendeie, ela não será destruída;

Mesmo que os ventos da ilusão soprem, ela permanece firme.


Quem vive aqui não pertence ao norte nem ao sul,

Nem ao leste ou ao oeste; não se prende a direções.

Nenhum palácio imperial pode se comparar a esta cabana;

Nenhum manto de seda vale o pano que cobre este corpo.


As pessoas olham para mim e acham que sou um tolo,

Mas eu apenas sigo o meu próprio caminho.

Não busco o sagrado e não fujo do profano;

Não me apego aos desejos e não procuro a pureza.


O pequeno espaço desta cabana contém o universo inteiro.

Em um único metro quadrado, o Cosmos se manifesta.

Se você deseja compreender o mistério da mente,

Não procure em outro lugar, veja a realidade diante de você.


Não se mude para as montanhas procurando a paz,

Se a sua mente continua agitada e cheia de desejos.

Se você puder esquecer o seu pequeno "eu" agora mesmo,

Esta cabana de relva será o seu lar eterno.


Sekito 

Você não é uma gota no oceano, você é o oceano inteiro em uma gota.


Rumi

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

A realidade não é o que pensamos dela, mas inclui tudo e não pode ser capturada por nossa mente limitada. Quando abrimos mão,  simplesmente fluímos no despertar que é inerente à própria realidade.  Isso é ir além da iluminação e do engano.


Denshô Quintero 

O mérito da prática não recai apenas sobre a pessoa que medita, mas impregna o mundo inteiro. Quando nos sentamos em zazen, iluminamos todos os fenômenos e somos iluminados por toda a realidade.


Denshô Quintero

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Na prática Zen, a postura física é considerada essencial a cada momento da vida cotidiana, e não apenas durante o zazen (meditação sentada).Para o Zen, a mente e o corpo não são duas entidades separadas, mas uma unidade inseparável (shinjin ichinyo). Portanto, a forma como você posiciona, move e estabiliza seu corpo a cada segundo reflete e molda diretamente o seu estado mental.

A postura física expressa o seu respeito pelo momento presente e por todos os seres ao seu redor.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Quando preparares uma sopa com alimentos comuns, não te sintas desgostoso nem a trates com descaso. Não te alegres apenas porque te deram alimentos superiores para uma refeição importante. Não há mais razão para te sentires atraído pelo sabor refinado de uma comida requintada do que para te sentires repelido pelo sabor de uma comida simples. Não sejas negligente apenas porque o alimento te parece inferior. Tua atitude em relação aos fenômenos não deve depender da qualidade deles. Uma pessoa que se deixa influenciar pela qualidade das coisas, o que muda seu comportamento ou sua maneira de falar conforme as circunstâncias, não é uma pessoa do Caminho.


Dogen Zenji 

domingo, 16 de agosto de 2026

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Você não pode sentar ou dormir apenas em seu próprio território — você tem que sentar com miríades e miríades de seres. Nesse momento, o sentar nada mais é do que o puro sentido do funcionamento do universo, do cosmos. O funcionamento do universo aparece e o zazen torna-se um belo espelho límpido no qual todo o universo é refletido. Esse zazen está completamente liberado da atividade comum.


Dainin Katagiri 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

As 5 Contemplações antes de comer:


Esta comida é um presente da terra, do céu, de numerosos seres vivos e de muito trabalho duro e amoroso.

Que possamos comer com atenção plena e gratidão, de modo a sermos dignos de receber este alimento.

Que possamos reconhecer e transformar as formações mentais não saudáveis, especialmente a nossa ganância, e aprender a comer com moderação.

Que possamos manter nossa compaixão viva, comendo de tal forma que reduza o sofrimento dos seres vivos, pare de contribuir para as mudanças climáticas, e cure e preserve nosso precioso planeta.

Aceitamos esta comida para que possamos nutrir nossa fraternidade e irmandade, construir nossa Sangha e alimentar nosso ideal de servir a todos os seres vivos.


Thich Nhat Hanh 

Plumvillage 

Como família espiritual e família humana, todos podemos ajudar a evitar as mudanças climáticas com a prática da alimentação consciente. Adotar uma dieta vegetariana pode ser a maneira mais eficaz de deter as mudanças climáticas.

Ser vegetariano já é motivo suficiente para salvar o mundo. 


da obra "Carta do Penhasco Azul" de Thich Nhat Hanh, de 2007.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Volte para a sua respiração. Volte para o seu corpo no momento presente. Não tente resolver a sua vida inteira ou julgar os seus anos de jornada hoje. Apenas inspire, expire e faça as pazes com a desesperança que habita em você neste exato momento. Ela também quer ser amada.


Thich Nhat Hanh 

Thay lembraria que nós não somos isolados. Essa desesperança pode não ser apenas "sua".

Como células de um organismo maior, nós carregamos em nossos corpos e mentes a tristeza não processada dos nossos pais, dos nossos avós e do próprio mundo. 

Quando você senta com a sua desesperança e respira com ela, você não está curando apenas a si mesmo. Você está curando gerações de ancestrais que não souberam o que fazer com a própria dor. Sua prática de 40 anos deu a você a capacidade de fazer esse trabalho sagrado por eles.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Em nossa vida diária, somos testados continuamente: nos preocupamos com isto e aquilo ou achamos que estamos em sérios apuros. Mas, na verdade, só nos preocupamos com o nosso próprio destino pessoal; quando nos libertamos dessa ideia, todos os problemas se dissolvem.

Às vezes as coisas vão bem, outras vezes vão mal, mas vale mesmo a pena deixar que o humor instável de cada momento te enlouqueça? Quando você se esquecer disso de uma vez por todas, verá que na realidade tudo isso tanto faz. Para ter uma vida feliz, você precisa morrer. Um autêntico budista não se deixa enganar por nada nem por ninguém.

São apenas os seus próprios problemas pessoais que te preocupam. É apenas a sua própria felicidade individual que te ilude. Quando criança, eu nunca queria perder, mas agora, com mais de oitenta anos, já não me importo.

Se você abrir mão de tudo o que se refere unicamente a você de forma pessoal e individual, sempre terá paz.


Kodo Sawaki 

Qual é o maior segredo que envolve o ensinamento budista? A arte de se tornar um louco feliz!

Isso significa encontrar a libertação em si mesmo, no seu modo de ver as coisas. De maneira nenhuma eu poderia ser mais feliz do que sou. Desde a hora em que acordo até a hora em que me deito, sou grato por tudo o que me acontece.


Kodo Sawaki Roshi 

Até mesmo que alguém derrame um balde de piche sobre a sua cabeça pode ser algo útil, desde que você olhe para isso de uma perspectiva completamente diferente da comum. O que você sente quando vê o rosto enfurecido do seu adversário? O que sente quando ouve insultos contra você?

Você é capaz de transformar o veneno em remédio e tirar forças disso? A questão é como você se comporta na vida, e a resposta a essa pergunta deve ser a sua religião.


Kodo Sawaki Roshi 

Nós deveríamos cessar o trabalho intelectual de estudar e perseguir palavras e linguagem. Nós deveríamos aprender o passo de meia volta para virar a luz e refletir. Corpo e mente irão naturalmente desaparecer, e a fonte original irá se manifestar por si mesma diante de nós. Se nós queremos atingir a questão do inefável, nós devemos praticar a questão do inefável prontamente.


Dogen Zenji 

Agora, quando nós a pesquisamos, a verdade está originalmente toda ao redor; por que deveríamos nós confiar em prática e experiência? O veículo real existe naturalmente; por que deveríamos nós levar adiante grandes esforços? Ademais, todo o corpo transcende sujeira e poeira: quem poderia acreditar no sentido de varrer e polir²?

Em geral, nós não nos extraviamos do correto estado; de qual utilidade, então, os avanços do treinamento?

Entretanto, se existe um milésimo ou um centésimo de lacuna, a separação é tão grande como aquela entre céu e terra; e se um traço de desacordo surge, nós perdemos a mente em confusão³. Orgulhosos de nossa compreensão e ricamente dotados com a realização, nós obtemos estados especiais de insights; nós alcançamos a verdade; nós clarificamos a mente; nós adquirimos o zelo que perfura o céu; nós divagamos através de esferas intelectuais remotas, prosseguindo com a cabeça: e assim, nós temos perdido quase completamente o caminho vigoroso de deixar cair o corpo.


Dogen Zenji

Coma para praticar zazen, durma para praticar zazen. Isso significa que comer e dormir também fazem parte do zazen.


Kodo Sawaki Roshi 

Zazen significa simplesmente sentar-se sem sequer pensar em se tornar um Buda.

Quando você se senta em zazen, alcança o Caminho sem pensar nem um pouco em alcançá-lo.


Kodo Sawaki Roshi 

Ao nos lembrar de que não devemos acrescentar nada à nossa postura e que o zazen não traz dinheiro, fama ou satisfações mundanas, Kodo Sawaki nos mostra que sentar-se em silêncio é, paradoxalmente, a ação mais sensata, digna e grandiosa que um ser humano pode realizar.

Hata Zenji, que foi abade do Templo Eiheiji, cunhou uma frase que com o tempo se tornou célebre em todo Japão:


“Se se dão as circunstâncias apropriadas, eu faço.

Se não se dão as circunstâncias apropriadas, eu as faço”.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Nesse momento, tudo o que você pode fazer é tentar estar presente neste exato instante. O tempo e o espaço desconhecidos estão dentro desse momento. Toda a natureza está ali, e inúmeros seres estão caminhando junto com você. Então, apenas continue a agir com total devoção ao que você está fazendo, até que haja total unidade entre você e a sua atividade. Isso é chamado de shikan, ou samadhi. Você e a natureza se fundem em um só.


Dainin Katagiri 

Então, qual é o melhor momento, onde é o melhor lugar e quem é a melhor pessoa? A melhor pessoa continua conversando com as almofadas mesmo que todos saiam da sala, porque essa pessoa entende o melhor momento e o melhor lugar. No nosso sentido habitual, isso é ridículo. Mas, nesse momento, surge uma pessoa que entende o lugar onde todo o universo pode ser visto e que pode estar presente na unidade. Essa pessoa vê o mundo humano dualista de almofadas vazias, mas não se decepciona, porque todo o universo está ali. Essa pessoa consegue encontrar o melhor momento, o melhor lugar e ser a melhor pessoa. Significa apenas estar presente no universo e continuar a falar sobre o mundo de Buda. Você pode fazer isso! Agora mesmo, aqui mesmo é o melhor momento e lugar para você fazer isso, e você é uma pessoa que pode praticar este estilo de vida espiritual.


Dainin Katagiri 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Dogen rejeitava a ideia de que a iluminação pertencia apenas ao silêncio da sala de meditação. No Gyoji, ele argumenta que o universo inteiro se move através de ações concretas. Quando um monge limpa o mosteiro, ele não está apenas limpando a poeira do chão; ele está limpando a poeira da própria mente universal. O trabalho manual é a expressão física do Gyoji — uma prática que nunca cessa e que sustenta o cosmos.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Quando as coisas acontecerem, não reajam: impeçam suas mentes de se deterem em qualquer coisa; mantenham-nas para sempre imóveis como o vazio e totalmente puras (sem mácula); e assim alcançarão espontaneamente a libertação.


Hui Hai


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Se um momento do seu dia foi ruim (uma resposta atravessada, uma frustração no trabalho), lembre-se de Dogen: aquele momento já morreu. Você tem bilhões de novos momentos neutros e puros pela frente hoje para recomeçar do zero.

Para Dogen, a vida não é um bloco contínuo de tempo. Ela é uma sequência ultrarrápida de renascimentos instantâneos. Se você não está presente agora, você está perdendo milhões de oportunidades de despertar e manifestar a sua verdadeira natureza.


Momento após momento, todos nós surgimos do nada. Esta é a verdadeira alegria da vida.


Shunryu Suzuki 


domingo, 21 de junho de 2026

Quando um mestre Zen está em paz, uma sala inteira se acalma. 

Quando você sente medo, suas microexpressões, seu tom de voz, suas decisões e sua energia mudam. Isso afeta quem está ao seu redor, que por sua vez afeta outros.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O despertar deve ser atualizado a cada instante.


Para Dogen, o despertar não é um diploma que você obtém após anos de meditação e pendura na parede. Não é um estado permanente que, uma vez alcançado, permanece lá sem esforço. É uma ação contínua, uma chama que só existe enquanto há combustível e oxigênio no exato momento presente.
Essa visão transforma radicalmente a nossa relação com o cotidiano através de três pontos centrais:
1. A Iluminação é um Verbo, não um Substantivo
No Chan mais antigo, havia uma forte tendência a enxergar o Satori (despertar) como um evento de ruptura: você é uma pessoa comum e, após um estalo mental provocado por um Koan, torna-se um ser desperto.
Dogen inverte essa lógica. Para ele, o despertar não é algo que você tem, é algo que você faz.
  • Se você está presente, compassivo e atento enquanto escova os dentes, você é o Buda naquele segundo.
  • Se no segundo seguinte você se distrai, se irrita ou age com egoísmo, o Buda desapareceu.
O despertar, portanto, precisa ser atualizado (ou manifestado) a cada nova respiração.
2. O Tempo e o Ser são uma Coisa Só (Uji)
No seu famoso fascículo Uji (Tempo-Ser), Dogen explica que o tempo não é uma linha vazia por onde nós caminhamos. Nós somos o próprio tempo.
O momento de agora é a única realidade que existe. Por isso, a iluminação não pode ser guardada de ontem para hoje. O insight que você teve dez minutos atrás não serve para o agora; você precisa despertar novamente para este exato milésimo de segundo.
3. A Prática como Expressão, não como Meio
Isso explica por que a meditação de Dogen (Shikantaza) é "apenas sentar". Você não senta voltado para a parede para alcançar o despertar no futuro. O ato de sentar-se na postura correta, com a mente aberta e presente, já é o próprio Buda se atualizando naquele instante. A prática é a própria iluminação em movimento.
A Beleza dessa Abordagem
Essa perspectiva retira o Zen do campo do misticismo e o joga diretamente na realidade nua e crua da sua vida. Ela tira o peso de ter que buscar uma "experiência espiritual extraordinária" e coloca o sagrado nas coisas mais simples:
  • Atualizar o despertar ao ouvir atentamente alguém.
  • Atualizar o despertar ao sentir o peso do seu corpo na cadeira.
  • Atualizar o despertar ao perceber que a mente acelerou e, gentilmente, trazê-la de volta.

O Zen de Dogen é exigente porque não te dá trégua: a iluminação é sempre um compromisso com o agora, sem garantias para o próximo segundo.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Mesmo que você tente prender o vento, 

suas mãos ficarão vazias.

Assim é a tentativa de reter o tempo ou o eu.

Quando você abre as mãos e deixa o vento passar,

você não perde o vento; você se torna o próprio céu.


Shundo Aoyama Roshi 

O anoitecer cai sobre a montanha,

a névoa se dissipa no vale.

Sem possuir uma única coisa,

quão vasta e livre é a minha mente!


Chinul

Este poema de Ryōkan Taigu ilustra a gratuidade da natureza e a paz de quem não retém posses, aceitando a mudança das estações com simplicidade.


O vento traz

folhas caídas o suficiente

para acender a fogueira.

Ryokan Taigu (1758–1831) foi um monge eremita conhecido por sua extrema simplicidade. Próximo de sua morte, ele escreveu sobre o que restava de sua existência:


O que deixarei como meu legado?

As flores da primavera,

O cuco nas colinas,

As folhas do outono.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Os mosteiros Zen usavam a limpeza física como treinamento direto da mente. 

Adote o hábito minimalista de fechar os ciclos físicos e mentais assim que terminam. Terminou de comer? Lave o prato imediatamente. Terminou de trabalhar? Feche as abas do computador e organize a mesa. Essa transição consciente e limpa no mundo externo treina o cérebro a fazer o mesmo no mundo interno, não carregando resíduos de uma situação para a outra. 

Como escreveu o mestre Seung Sahn: "Quando você faz algo, apenas faça. No trânsito, apenas dirija; comendo, apenas coma." A mente limpa é aquela que sabe a hora de dar tchau para o momento que acabou. 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O sábio não deixa rastros. Ele passa o dia inteiro falando, mas nenhuma palavra permanece em seus dentes. Ele passa o dia inteiro vestindo roupas e comendo, mas nunca toca em um único fio de seda ou grão de arroz.


Linji

Uma das metáforas mais bonitas do Chan antigo: a ação do sábio é como o voo de um pássaro: enquanto o pássaro cruza o céu, ele se move com total precisão, presença e graça.No entanto, no milissegundo em que ele passa, o céu não guarda nenhuma cicatriz, linha ou rastro do seu caminho.

Praticar a atenção plena a cada segundo significa que você vive a experiência intensamente no agora, mas, assim que ela termina, você não fica remoendo, apegado ou planejando o próximo passo. A mente volta a ser o céu vazio.

Esse caminho que você aprecia traz uma leveza imensa, pois transforma a sua vida inteira no mosteiro. A presença plena e refinada a cada segundo deixa de ser um "dever monástico" e passa a ser a sua própria assinatura no mundo:

Atenção Plena Despida de Ritual: Você não precisa cruzar as pernas para estar desperto. Ao lavar uma xícara, sua mente está 100% na textura da cerâmica e no fluxo da água. Isso é o Zen vivo.

Fluidez Sem Esforço: Se a mente divagar, você apenas percebe e retorna ao que está fazendo agora, sem o peso de achar que quebrou uma "regra de meditação".

terça-feira, 19 de maio de 2026

Assim que você descartar seus gostos e aversões, o Caminho aparecerá imediatamente diante de você. Aqui, Seng Ts’an tem algo em comum com Tao-Hsin, o Quarto Patriarca, e Hui-Neng, o Sexto Patriarca. Estes dois últimos diziam frequentemente que, quando você deixa de discriminar entre o bem e o mal, percebe imediatamente a sua face original.  Em outras palavras, você compreenderá o Caminho Supremo.


Sheng Yen 

Observe cuidadosamente, mas não veja nenhum dharma (fenômeno), não veja nenhum corpo e não veja nenhuma mente. Pois a mente não tem nome, o corpo é vazio e os dharmas são um sonho. Não há nada a ser alcançado, nenhuma iluminação a ser vivenciada. Isso é chamado de libertação.


Sheng Yen 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Para Dogen, cada ato nosso deixa uma marca no tecido do universo.

Segundo Dogen, se você limpa a mesa pensando em terminar logo para ir fazer outra coisa, você dividiu a sua vida. Você transformou o presente em um obstáculo. Mas se você limpa a mesa com atenção plena, o ato de passar o pano é o próprio Buda limpando a mesa. O pano é Buda, a mesa é Buda, o gesto é Buda.


Segundo Dōgen, quando o ego diminui, a barreira entre "eu" e "o resto do mundo" cai. Você percebe que as montanhas, as árvores e os outros não estão separados de você.

Segundo Dogen, lavar pratos, cozinhar ou limpar o chão exige a mesma reverência que meditar no altar.

Cada objeto e cada momento merecem cuidado absoluto porque são sagrados em si mesmos.

domingo, 17 de maio de 2026

Versos do Shodoka:

A verdadeira natureza da ignorância é a natureza do Buda.

O corpo vazio e ilusório da ignorância é o corpo do dharma. 


Dogen escreveu:

Não há momento que não seja bom. Não há momento em que a natureza de Buda não se.manifeste diante dos nossos olhos.


Kodo Sawaki Roshi 

Você receberá ajuda espiritual se se mantiver quieto. O ovjetivo de todas as práticas é abandonar todas as práticas. Quando a mente se aquieta, o poder do Ser será experimentado. As ondas do Ser permeiam todos os lugares. Se a mente estiver em paz, a pessoa começa a experimentá-las.


Sri Ramana Maharshi 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Quando você percebe que tanto o esforço quanto o não-esforço são armadilhas, a mente finalmente desiste. Nesse estado de "desistência total", sobra apenas o que é: não é "não buscar": porque isso ainda é uma intenção; não é "buscar", porque você já viu que é inútil; é a presença sem nome. Como o espelho, que não "pratica" refletir a imagem, nem "decide" não refletir. Ele apenas reflete porque essa é a sua natureza. 

Quando esse paradoxo é compreendido, não intelectualmente, mas "nos ossos", a prática se torna a sua própria existência. Beber chá é apenas beber chá. Sentir cansaço é apenas cansaço. Até o dualismo, quando surge, é apenas um pensamento surgindo e passando, sem que você precise "consertá-lo".

O erro não é o dualismo existir (o mundo é dual em sua forma); o erro é o apego à ideia de que precisamos transcendê-lo para estarmos "certos". Ao perceber que a própria busca por unidade é um movimento da dualidade, você relaxa. E nesse relaxamento, a unidade (que sempre esteve lá) se revela por conta própria.

Quando você percebe que nem o "presente" existe como algo sólido, você para de tentar "estar presente" (que ainda é um esforço dual) e simplesmente é a própria impermanência acontecendo. É aí que você percebe que já está em casa.

sábado, 9 de maio de 2026

O libertador é justamente o que Krishnamurti e o Zen raiz batem na tecla: a percepção tem que ser fresca, agora. No segundo seguinte, se você guarda a percepção como uma memória ou um troféu, ela já virou um conceito e a armadilha se fechou. Por isso o Zen é tão alérgico a explicações.

Essa é a grande ironia: o ego é um mestre do disfarce. No momento em que você tenta matá-lo através de um conceito (como o "vazio" ou o "não-eu"), ele se apropria dessa ideia e passa a se orgulhar de ser "alguém que compreende o vazio".

Vira o que muitos chamam de materialismo espiritual. A pessoa deixa de ser escrava do consumo material para ser escrava de uma estética de desapego. No Ocidente, onde temos uma fome enorme de identidade e performance, essa armadilha é quase inevitável.

"Antes da iluminação, cortar lenha e carregar água; depois da iluminação, cortar lenha e carregar água".

A ausência de ego não é um transe místico, é fazer o que precisa ser feito sem que o "eu" esteja lá reivindicando a autoria ou o resultado.

Krishnamurti dizia que "a liberdade é o primeiro e o último passo". Ela nasce quando você compreende a estrutura do seu próprio condicionamento. Se você entende por que age, a ação deixa de ser uma reação cega.

Para Krishnamurti, a meditação não era um exercício de concentração (que ele via como uma forma de esforço do ego), mas sim um estado onde a fronteira entre o "eu" e o "mundo" desaparece.

Ele descreve a natureza sem os rótulos usuais. Em vez de "eu vi uma árvore", o texto transmite a "árvore acontecendo". O ego se dissolve quando cessa a necessidade de julgar, comparar ou possuir a experiência.

Para ele a meditação só ocorre quando o pensamento (que é o ego) se percebe limitado e silencia. Ele enfatiza que, se você sabe que está meditando, você não está meditando — é apenas o ego se dando tapinhas nas costas. A verdadeira contemplação é um estado de vulnerabilidade total, onde não há ninguém ali para dizer "estou em paz".


quinta-feira, 7 de maio de 2026

Segundo Dogen, a pessoa ou o eu não se torna “iluminado” porque não há um indivíduo separado para iluminar-se. Pelo contrário, o próprio universo já está perfeitamente iluminado e, como não somos diferentes do resto do universo, podemos participar disso a qualquer momento por meio da prática. Como tudo já está perfeito, já está iluminado, não descobrimos nosso próprio “despertar”. Em vez disso, expressamos continuamente o despertar perfeito de todo o universo.