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sexta-feira, 22 de maio de 2026

O anoitecer cai sobre a montanha,

a névoa se dissipa no vale.

Sem possuir uma única coisa,

quão vasta e livre é a minha mente!


Chinul

Este poema de Ryōkan Taigu ilustra a gratuidade da natureza e a paz de quem não retém posses, aceitando a mudança das estações com simplicidade.


O vento traz

folhas caídas o suficiente

para acender a fogueira.

Ryokan Taigu (1758–1831) foi um monge eremita conhecido por sua extrema simplicidade. Próximo de sua morte, ele escreveu sobre o que restava de sua existência:


O que deixarei como meu legado?

As flores da primavera,

O cuco nas colinas,

As folhas do outono.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Até mesmo a mais bela flor murcha e cai, e nuvens podem obscurecer a lua que brilha no céu. Você acha a brisa agradável quando está calor, mas quando a neve branca cai, seus dedos ficam azuis devido ao frio. Por trás de uma morte tranquila pode ter havido uma vida repleta de dor. Há sempre esse lado e aquele lado. Tudo se transforma, tudo muda, a primavera se transforma em verão,  depois vem o outono e depois ainda, o inverno. Se estivemos presentes à essência das coisas comuns e não deixarmos envolver pelas ilusões,  não haverá um dia sequer que não seja maravilhoso. E mesmo assim, deve-se praticar para sempre.


Soko Morinaga 

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A primavera chega ao mundo concedendo inúmeras bênçãos. 

Cada flor é uma oferenda,  um buda que assim se tornou! 

Inesperadamente, a neve que restava derreteu 

e tudo no vasto universo brilha de alegria.


Taigu

terça-feira, 21 de outubro de 2025

O ponto crucial ao lidar com as dificuldades é não solidificá-las. Sejam doenças, obstáculos ou emoções, estamos sempre inclinados a considerá-los reais. Fixamo-nos em nossos problemas e começamos a atribuir-lhes grande importância, de modo que, eventualmente, eles parecem gigantescos e tomam conta de toda a nossa consciência. Apegar-se ao sofrimento dessa forma apenas intensifica nossa dor e desânimo. Em vez de solidificar nossos problemas, devemos nos lembrar de que estamos vivenciando um carma que, em algum momento, se esgotará. A situação problemática é apenas temporária e não possui uma realidade absoluta e permanente. É apenas uma manifestação em nossa mente que, como tudo o mais, é onírica e impermanente.


Lama Gendun Rinpoche 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Você deve praticar a atenção plena diligentemente, com a determinação de abandonar seus hábitos mundanos e assim ser capaz de realizar o não-nascimento e não-morte.


Guishan

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Livrar-se de toda autoridade, seja própria,  seja de outrem, é morrer para todas a s coisas de ontem para que a mente seja sempre fresca, inocente,  juvenil, cheia de vigorne paixão.  


Jiddu Krishnamurti 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

O Buda disse, "Quando há mente, o dharma surge; quando surge o dharma, a forma surge e com ela vêm o gostar e o desgostar, ir e vir, vida e morte. Tudo surge."

Logo, se você tem uma mente, você tem um problema; sem mente, sem problema.


Seung Sahn 

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Olhando profundamente para a folha, com clareza,  Sidarta viu a presença do sol e das estrelas - sem o sol, sem a luz e o calor, ela não existiria. Isso é assim porque aquilo é daquela maneira. Também viu na folha a presença das nuvens - sem nuvens não poderia haver chuva, e sem a chuva, a folha não poderia ser.  Ele viu a terra,  o tempo,  o espaço e a mente - todos estavam ali presentes. Realmente,  naquele exato momento,  o universo inteiro existia naquela folha.  A realidade da folha era um maravilhoso milagre. 


Thich Nhat Hanh 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

A vida é como uma gota de orvalho,

vazia e passageira;

Meus anos se foram

e agora, trêmulo e frágil,

devo desaparecer.


Ryokan (1758 - 1831)

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Para Dōgen, a impermanência não é uma negação da realidade, mas exatamente o que torna as coisas reais, preciosas e significativas.

“As flores caem mesmo que as amemos; as ervas crescem mesmo que não as desejemos.” (Genjōkōan)

Aqui, ele mostra que o apego e a aversão não mudam a realidade do fluxo. Mas é justamente esse fluxo que dá valor ao momento presente.

Diferente de escolas budistas que veem a impermanência como algo a ser “superado” ou “transcendido”, Dōgen afirma:

- Impermanência é a própria iluminação.

Não há um eu fixo, uma mente estática, um tempo congelado.

Para Dogen, não há "um eu vendo as coisas mudarem". A mudança é você, é o mundo, é o tempo. 

Se tudo é impermanente, isso não leva ao desinteresse — para Dōgen, é o contrário: a impermanência intensifica a urgência da prática.

Traz compaixão: cada encontro pode ser o último.

Traz respeito: cada objeto, momento, pessoa é único.

Assim, preparar arroz, caminhar, ouvir a chuva, sentar-se em silêncio — tudo se torna sagrado por ser passageiro

A Impermanência é consequência direta da vacuidade (śūnyatā):

Porque os fenômenos não têm essência fixa, eles estão em constante surgimento e cessação;

Mas esse fluxo não é caótico — é a dança da interdependência, da natureza búdica em movimento.

Dōgen rejeita o pensamento de que “algo está se perdendo”. Em vez disso, cada coisa surge e desaparece completamente, sem deixar restos ou faltar algo.

“O momento presente é completo. O passado já realizado é completo. O futuro que ainda não veio é completo.”

Não há “algo que muda”. Só há mudança.

E essa mudança é plena — é zazen, é dharma, é vida.

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Nascer de novo a cada instante significa morrer a cada instante. Ser totalmente o que somos agora significa deixar de ser o que éramos há um segundo. Entretanto, nos apegamos ao que acreditamos que somos, e pretendemos continuar sendo o que somos.

O Zen significa ser o original em cada momento. Ser o original a cada instante significa morrer a cada instante".


Dokushô Villalba

domingo, 6 de abril de 2025

Mais tarde o tenzo visitou Dogen, e esse lhe perguntou: " O que são palavras?" O tenzo respondeu,  "Um, dois, três, quatro, cinco." Essa resposta significa encher a vida de acessórios para torná-la significativa ao invés de encarar a verdadeira natureza do tempo, onde não há conceitos, ideias, nada a dizer. O tenzo estava dizendo à Dogen: Veja como você enche a sua vida de acessórios!

Dogen então perguntou, "O que é a prática?" E o velho monge respondeu, "Nada está oculto no universo." Isso significa que você pode tocar a essência de sua vida, que está sempre presente, antes mesmo de você criar qualquer conceito ou ideia a respeito dela. 


Dainin Katagiri 

Esteja presente, momento a momento, bem no meio do real fluxo do tempo. Isso lhe dá segurança espiritual. É por isso que no budismo não tentamos escapar da impermanência: nós encaramos o próprio tempo em nossa vida diária.


Dainin Katagiri 

terça-feira, 1 de abril de 2025

A prática-realização é baseada na atualização de nossa interconexão com toda a vida. Nossa prática é sobre realinhar nosso comportamento para refletir a verdade da interconexão, não apenas da perspectiva do eu, mas também da perspectiva da totalidade de cada coisa surgindo simultaneamente neste momento. Dogen comenta em "Gyoji" (Prática Contínua):

'Quando a prática contínua que se manifesta é uma prática verdadeiramente contínua, você pode não estar ciente de quais circunstâncias estão por trás dela, e as razões pelas quais você não as nota é que entender tal coisa não é tão especial.'


Shinshu Roberts 

domingo, 23 de março de 2025

Dormi apenas três horas, lábios inchados e ressecados, mas meu coração está leve. 

Despertei às 4:30, e num sopro, o dia virou noite.

Mas na imersão profunda há somente uma serena alegria - sem o peso dos pensamentos inquietos. 

Passo a passo, um pé de cada vez. Se eu me perder, começo de novo 


ahimsa dana

sexta-feira, 14 de março de 2025

A sabedoria transcendente, segundo o budismo, é aquela que vê todas as coisas, sejam mundanas ou metafísicas, nem como permanentes e nem como não-permanentes, nem como puras e nem como impuras, nem possuindo um self e nem desprovidas de self: ela vê tudo como inconcebível e inexpremível. Enquanto as sabedorias mundana e metafísica se apegam a determinados pontos-de-vista (visões), e consequentemente, à “conhecimentos”, a sabedoria transcedente permanece livre dessas visões porque é baseada na realidade de que todos os fenômenos, todos os seres, tudo, não possui qualquer existência independente. Por isso, nada pode ser caracterizado como permanente, puro ou possuindo um self. E nada pode ser caracterizado como impermanente, impuro ou desprovido de self. Não há nada, absolutamente nada, a que possamos apontar e classificar de alguma forma.


Red Pine (em “The Heart Sutra”)