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sexta-feira, 29 de novembro de 2019

quarta-feira, 4 de março de 2015

Como um iogue reage ao medo


Mesmo nos maiores iogues, a alegria e o sofrimento, a esperança e o medo, ainda aparecem exatamente como antes. A diferença entre uma pessoa comum e o iogue está em como eles vêem sua emoções e reagem a elas. Uma pessoa comum, de maneira instintiva, irá aceitá-las ou rejeitá-las, suscitando assim apego ou aversão. Um iogue, no entanto, percebe tudo o que surge no seu estado natural e originalmente puro, sem permitir que o apego entre em sua percepção.

Sogyal Rinpoche
(em “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer”)

domingo, 16 de junho de 2013

Quando a dúvida surgir


 
Sempre que a dúvida surgir, então, veja-a apenas como um obstáculo, reconheça-a como uma compreensão pedindo para ser clarificada ou desbloqueada e saiba que não é um problema fundamental, apenas um estágio no processo de purificação e aprendizado. Permita que o processo continue e se complete e nunca perca sua confiança e determinação. Esse é o caminho seguido por todos os grandes praticantes do passado, que costumavam dizer: “não há armadura como a perseverança”.
 
Sogyal Rinpoche

terça-feira, 14 de maio de 2013

Meditação: um grande desafio

Como um escritor que só consegue se expressar de maneira plena e espontânea após anos de cansativos estudos, e a graça simples de um dançarino só é alcançada após paciente e enorme esforço, você, ao começar a perceber para onde a meditação o levará, passará a encará-la como o maior desafio de sua vida, e que exigirá a mais profunda perseverança, entusiasmo, inteligência e disciplina.

Sogyal Rinpoche

sábado, 6 de abril de 2013

O erro de valorizar o eu

 
Continuamos crendo teimosamente que a valorização do eu é a melhor proteção na vida, mas o oposto é que é verdade. O apego ao eu cria a valorização do eu, que por sua vez produz uma arraigada aversão ao mal e ao sofrimento. No entanto, o mal e o sofrimento não têm existência objetiva; o que lhes dá existência e poder é somente a nossa aversão a eles. Quando você entende isso, entende que é a nossa aversão que atrai para nós toda a negatividade e os obstáculos que podem se nos opor, enchendo nossas vidas de expectativas, ansiedade nervosa e medo.
 
Esgote essa aversão esgotando a mente voltada para si mesma e seu apego a um eu inexistente, e você vencerá todo poder que os obstáculos e negatividades possam ter sobre você.
 
Mesmo porque, como é possível atacar alguém ou alguma coisa que simplesmente não existe?
 
Sogyal Rinpoche
 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Após a passagem

 
O nosso corpo parece existir de modo tão convincente, nosso "eu" parece existir e "você" parece existir, e todo o nosso mundo dualista e ilusório, que nunca cessamos de projetar a nosso redor, parece sem dúvida sólido e real. Quando morremos, toda essa complexa construção se desfaz dramaticamente em pedaços.
 
O que acontece, para dizer de modo simples, é que no seu nível mais sútil a consciência continua sem o corpo e atravessa uma série de estados conhecido como "bardos". O ensinamento nos diz que, precisamente pelo fato de que nos  bardos não temns mais um corpo, não há nenhuma razão para temer qualquer experiência que venhamos a ter após a morte, ainda que ela seja apavorante. Afinal de contas, como pode alguma coisa atingir "ninguém"?
 
O problema é que nos bardos a maior parte das pessoas continua agarrada a um falso sentido de eu, com uma dependência fantasmática da solidez física; e essa continuidade daquela ilusão que esteve na raíz de todo sofrimento na vida, na morte expõe essas pessoas a mais sofrimento, especialmente no "bardo do vir-a-ser".
 
Sogyal Rinpoche
 
 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Como morrer


Lembre-se de que todos os hábitos e tendências acumulados na base de nossa mente ordinária estão prontos para ser ativados por qualquer influência. Sabemos que basta a menor provocação para trazer as nossas reações instintivas e habituais à superfície. Isso é especialmente verdadeiro no momento da morte.

Desse modo, o estado da nossa mente no momento da morte é absolutamente importante. Se morrermos com a mente estruturada de maneira positiva podemos melhorar nosso próximo nascimento, apesar de nosso carma negativo. E se estamos aborrecidos e angustiados, isso exerce um efeito prejudicial, mesmo que tenhamos vivido bem nossa vida.

A maneira ideal de uma pessoa morrer é tendo aberto mão de tudo, interna e externamente, de modo que reste o menos possível de anseio, ganância, e apego a que a mente possa, no momento essencial, se agarrar.

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Quando você chega ao momento da morte

 

 "Livre-se do apego e da aversão. Mantenha pura sua mente. E una sua mente com o Buda", todos os meus mestres transmitiam isso como conselho, porque é de fato a essência daquilo que é necessário quando você chega ao momento da morte.
 
Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")


 

sexta-feira, 22 de março de 2013

Como não acumular carma


Mais e mais eu percebi o quanto pensamentos e conceitos são tudo o que nos impede de estar sempre, muito simplesmente, no absoluto. Agora vejo com claridade porque os mestres dizem com tanta frequência: "Procure com afinco não criar muita esperança ou medo", porque só engendram mais tagarelice mental. Quando a visão está presente, os pensamentos são percebidos como de fato são: fugazes, transparentes e apenas relativos.
 
Permanecer na claridade e na confiança de Rigpa* permite que todos os seus pensamentos e emoções se liberem naturalmente e sem esforço em sua vasta extensão, qual escrever na superfície da água ou pintar no céu. Se você aperfeiçoa verdadeiramente essa prática, não há jeito de acumular carma; e nesse estado de entrega despreocupada, a lei cármica de causa e efeito já não podem sujeitá-lo de modo algum.
 
*Rigpa: Vazio fundamental, natural e original da mente.
 
Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetado do Viver e do Morrer")

sábado, 26 de janeiro de 2013

A distorção e o sofrimento das visões errôneas


Usando nossa inteligência, então, fortalecemos nossa visão errônea e construímos em torno de nós um sistema de defesa meticuloso e impenetrável. Uma vez que temos dúvidas, então em todo lugar encontramos aliados para nos ajudar a duvidar. Levantamos um domo de dúvidas protetor sobre nós, que precisa a todo custo ser forte e sem remendos, com nenhuma rachadura fatal que deixe a compreensão entrar.

Visões e convicções errôneas podem ser as mais devastadoras de todas as ilusões. Certamente, Adolf Hitler e Pol Pot deviam estar convictos em suas certezas. E, mesmo assim, cada um de nós tem as mesmas tendências perigosas que eles tiveram: formar convicções, acreditar nelas sem dúvidas e agir de acordo — desse modo, levando sofrimento não apenas a nós mesmos, mas também a todos à nossa volta.

Por outro lado, o coração dos ensinamentos de Buda é ver o “estado real das coisas, como elas são”, e isso é chamado de a verdadeira Visão. É uma Visão que abrange tudo, já que o papel dos ensinamentos espirituais é exatamente nos dar uma perspectiva completa sobre a natureza da mente e da realidade. Diz-se que os ensinamentos tem dois efeitos: primeiro, eliminar o ego; segundo, nos dar a sabedoria do discernimento, saber o que é apropriado e justo. Por isso é necessário haver um firme estudo dos fundamentos, porque apenas isso vai trazer uma brisa de sanidade e sabedoria à nossa confusão, e varrer para longe a distorção e sofrimento das visões errôneas.

Sogyal Rinpoche
(em “The Spirit of Buddhism")

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Desmascarando o ego

"O ego é a ausência do conhecimento verdadeiro de quem somos, juntamente com o seu resultado: um malfadado apego, mantido não importa a que preço, a uma imagem remendada e improvisada de nós mesmos, um eu inevitavelmente charlatanesco e camaleônico que está sempre mudando e que precisa mudar para manter viva a ficção de sua existência.

(...) Mas seja qual for a força com que o ego tenta sabotar seu caminho espiritual, se você prossegue nele e trabalha profundamente com a prática da meditação, começará a perceber como tem sido enganado pelas promessas do ego: falsas esperanças e falsos medos.

Devagar você consegue compreender que tanto a esperança quanto o medo são inimigos da sua paz de espírito; as esperanças o decepcionam, deixando-o vazio e desapontado, e os temores o paralisam na cela estreita de sua falsa identidade.

Você começa a ver também como foi poderosa a influência do ego sobre sua mente, e no espaço de liberdade aberto pela meditação - em que você está momentaneamente livre da avidez - você vislumbra a estimulante amplitude de sua verdadeira natureza. Entende que seu ego, como um artista louco e trapaceiro, enganou você durante anos com esquemas, planos e promessas que nunca foram reais e só o levaram à falência interior.

Quando você percebe isso na equanimidade da meditação, sem qualquer consolação ou desejo de esconder o que descobriu, todos os planos e esquemas se revelam vazios e começam a desmoronar."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer") 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Enganando a nós mesmos

"Seguir o caminho da sabedoria nunca foi mais urgente e mais difícil. Nossa sociedade está dedicada quase inteiramente à celebração do ego, com todas as suas tristes fantasias sobre sucesso e poder, e celebra exatamente aquelas forças da ganância e da ignorância que estão destruindo o planeta. Nunca foi tão difícil ouvir a voz sem lisonjas da verdade e, uma vez ouvida, nunca foi tão difícil segui-la: porque não há nada no mundo que nos cerca que ampare nossas escolhas, e a sociedade inteira em que vivemos parece negar cada idéia de sacralidade ou significado eterno. Assim, em tempos do mais agudo perigo, quando precisamente nosso futuro está em risco, nós, como seres humanos, nos encontramos aturdidos como nunca, presos num pesadelo que nós mesmos criamos.

(...) Essa ruína dos nossos poderes, essa traição de nossa essência, esse abandono da miraculosa oportunidade que esta vida nos dá de conhecer e corporificar a nossa natureza iluminada, é talvez a coisa mais dolorosa a respeito da vida humana. O que os mestres estão dizendo de fundamental é para pararmos de enganar a nós mesmos."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")

Acarinhar os demais

"O apego ao eu é a causa-raiz de todo seu sofrimento. Você entenderá, finalmente, quanto mal ele fez a você e aos outros e perceberá que a coisa mais nobre e mais sábia a fazer é proteger e acarinhar os demais, em vez de a si próprio. Isso trará cura ao seu coração, cura para sua mente e cura para seu espírito."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Apenas obstáculos e nada mais

"Quando pequenos obstáculos surgem no caminho espiritual, um bom praticante não perde a fé e começa a duvidar, mas tem o discernimento para reconhecer as dificuldades, quaisquer que sejam, pelo que elas são: apenas obstáculos e nada mais. É da natureza das coisas: quando você reconhece um obstáculo assim, ele deixa de ser um obstáculo. Igualmente, falhar em reconhecer um obstáculo pelo que ele é — e, dessa forma, levá-lo muito a sério — faz com que ele aumente seu poder e solidez, se tornando uma barreira de verdade.

Sempre que a dúvida surgir, então, veja-a apenas como um obstáculo, reconheça-a como uma compreensão pedindo para ser clarificada ou desbloqueada e saiba que não é um problema fundamental, apenas um estágio no processo de purificação e aprendizado. Permita que o processo continue e se complete e nunca perca sua confiança e determinação. Esse é o caminho seguido por todos os grandes praticantes do passado, que costumavam dizer: “não há armadura como a perseverança”.

Sogyal Rinpoche

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Artimanhas do ego (2)

"Mas seja qual for a força com que o ego tenta sabotar seu caminho espiritual, se você prossegue nele e trabalha profundamente com a prática da meditação, começará a perceber como tem sido enganado pelas promessas do ego: falsas esperanças e falsos medos. Devagar você começa a compreender que tanto a esperança quanto o medo são inimigos da sua paz de espírito; as esperanças o decepcionam, deixando-o vazio e desapontado, e os temores o paralisam na cela estreita da sua falsa identidade. Você começa a ver também como foi poderosa a influência do ego sobre sua mente, e no espaço de liberdade aberto pela meditação – em que você está momentaneamente livre da avidez – você vislumbra a estimulante amplitude da sua verdadeira natureza. Entende que o seu ego, como um artista louco e trapaceiro, enganou você durante anos com esquemas, planos e promessas que nunca foram reais e só o levaram à falência interior. Quando você percebe isso na equanimidade da meditação, sem qualquer consolação ou desejo de esconder o que descobriu, todos os planos e esquemas se revelam vazios e começam a desmoronar.


Esse esquema não é um processo puramente destrutivo, porque junto com uma compreensão extremamente precisa e às vezes dolorosa da fraudulência e virtual criminalidade do seu ego, e do de todos os demais, cresce uma sensação de expansão interna, um conhecimento direto daquela “ausência de ego” e interdependência de todas as coisas, dessa viva e generosa disposição de espírito que é a marca que autentica a liberdade.

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

A dádiva de meditar

"É a meditação que lentamente purifica  a mente ordinária, desmascarando e exaurindo seus hábitos e ilusões, de maneira que possamos, no momento certo, reconhecer quem de fato somos.

A dádiva de aprender a meditar é o maior presente que você pode se dar nessa vida."

Sogyal Rinpoche

terça-feira, 7 de agosto de 2012

A verdade espiritual e o bom senso

"A verdade espiritual não é algo elaborado e esotérico, mas é um profundo bom senso.  Quando você tem a realização da natureza da mente, camadas de confusão são removidas. Você de fato não "se torna" um buda, mas simplesmente deixa pouco a pouco de viver no engano e na ilusão. E ser um buda não é ser um onipotente super-homem espiritual, mas tornar-se um verdadeiro ser humano.

Por mais que se diga, não  é o bastante: nossa verdadeira natureza e a natureza de todos os seres nada têm de extraordinárias. A ironia é que este mundo que chamamos de ordinário é que é extraordinário, uma alucinação fantástica e complexa da visão enganosa do samsara. É essa visão "extraordinária" que nos deixa cegos para a natureza "ordinária" natural e inerente da nossa mente."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer") 

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O Guerreiro Espiritual


"Ser um guerreiro espiritual significa desenvolver um tipo especial de coragem que é, desde a sua origem, inteligente, bondosa e destemida. Os guerreiros espirituais podem ainda ter medo, mas mesmo assim eles são corajosos o bastante para experimentar o sofrimento, para relacionar-se de maneira franca com seu medo fundamental e, sem fugir, extrair lições das dificuldades."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")


A descoberta revolucionária do budismo

"A descoberta ainda revolucionária do budismo é que a vida e a morte estão na mente, e em nenhum outro lugar. A mente é revelada como a base universal da experiência - criadora da felicidade e criadora do sofrimento, criadora do que chamamos vida e do que chamamos morte.

Os mestres comparam a mente ordinária à chama de uma vela diante de uma porta aberta, vulnerável  a todos os ventos circunstanciais."

Sogyal Rinpoche
(em"O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")


O céu e as nuvens


"Nossa verdadeira natureza pode ser comparada ao céu, e a confusão da mente ordinária, às nuvens. Alguns dias o céu está totalmente obscurecido por elas; quando estamos no chão, olhando para o alto, é muito difícil acreditar que haja alguma coisa além de nuvens. Mas é só estarmos num avião para descobrir, lá em cima, a extensão ilimitada do límpido céu azul. E, vistas de lá, as nuvens que pensávamos ser tudo parecem tão pequenas e longínquas, lá embaixo...

Devemos sempre procurar nos lembrar: as nuvens não são o céu, e não "pertencem" a ele. Elas apenas pairam ali e passam, ao seu modo aleatório e imprevisível; jamais podem, de modo algum, marcar ou macular o céu."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")