quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Existe uma maneira de viver nossa vida diária que transforma a vida normal em uma vida espiritual. Até mesmo as coisas mais simples, como beber chá com atenção plena pode ser uma experiência profundamente espiritual, capaz de enriquecer nossas vidas. 

Por que as pessoas passariam duas horas apenas bebendo uma xícara de chá? Do ponto de vista dos negócios, isso é uma perda de tempo. Mas tempo não é dinheiro. O tempo tem muito mais valor do que o dinheiro. Tempo é vida. O dinheiro não é nada comparado à vida. Em duas horas bebendo chá juntos, não ganhamos dinheiro, mas ganhamos vida


Thich Nhat Hanh ("At Home in the World")

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Embora meu carma negativo passado tenha se acumulado e haja causas e condições que obstruam minha prática do Caminho, que todos os buddhas e ancestrais que alcançaram esta senda por meio do Caminho do Buddha sejam compassivos comigo e me permitam ser liberto dos emaranhados cármicos para praticar sem obstáculos. Que suas virtudes e suas portas do Dharma preencham e permeiem completamente o ilimitado mundo do Dharma. Permitam-me receber um pouco de sua compaixão.


Dogen

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Você já olhou para uma árvore sem uma única palavra de gosto ou desgosto, sem uma única imagem? O que acontece então? Pela primeira vez, você vê a árvore como ela é e vê sua beleza, a cor, sua profundeza e vitalidade.


Krishnamurti 

Krishnamurti disse: "Uma mente disciplinada é uma mente preguiçosa! Se não é preguiçosa,  por que tem que se disciplinar? Se tenho que acordar às 6h da manhã,  acordo; mas se é preciso toda uma disciplina para acordar, então se é preguiçoso, não é?"



Krishnamurti fez outra afirmação impressionante naquele dia, durante o almoço: "Senhor, eu não sei o que é fome!". Perguntei-lhe: "O que você quer dizer? Se não comer por muito tempo você não sente desejo por comida?" Ele respondeu: "Não,  apenas me torno mais fraco; então me alimento para proteger o corpo". 

O que traz compreensão é o amor. Quando seu coração estiver cheio, então você ouvirá o professor,  o pedinte, a risada das crianças,  o arco-íris e a tristeza do homem. Sob cada pedra e folha, aquilo que é eterno existe; mas não sabemos como buscá-lo. Quando ama, você está mais perto da verdade, pois o amor gera sensibilidade, vulnerabilidade. O que é sensível é capaz de renovação. Então a verdade  surgirá. Ela não pode vir se sua mente e seu coração estiverem sobrecarregados, pesados com ignorância e animosidade.


Jiddu Krishnamurti 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Praticar significa avançar com passos firmes enquanto, com uma lanterna, ilumina unicamente a escuridão que está diante dos seus pés.


Kodo Sawaki Roshi 

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

 

A Visão Tradicional (O Dualismo)


Antes de Dogen, a expressão "flores no céu" vinha de uma antiga metáfora médica indiana. Imagine uma pessoa com uma doença nos olhos (como catarata ou moscas volantes) que olha para o céu azul e enxerga pontos flutuantes, formas e cores que parecem flores.

• Para o budismo tradicional inicial, o céu limpo representava a realidade última/iluminação e as flores flutuantes representavam a ilusão/delírio.

• A lógica era simples: cure os olhos (atinja a iluminação), as flores falsas desaparecerão e você verá apenas o céu verdadeiro.


A Quebra de Paradigma de Dogen (A Não-Dualidade)


Dogen rejeita essa visão por considerá-la dualista. Se você diz que o céu é real e as flores são falsas, você está dividindo o universo em dois. No fascículo Kuko, ele subverte o ensinamento através de três argumentos centrais:


1. As Flores e o Céu são Inseparáveis


Dogen argumenta que não existe um "céu vazio" isolado das flores. Onde haveria um céu se não houvesse fenômenos para preenchê-lo? Ele escreve que as flores no céu não são uma ilusão que surge no céu, mas sim a própria atividade e expressão do céu. Tentar encontrar a iluminação rejeitando o mundo cotidiano é como tentar encontrar o oceano rejeitando as ondas.


2. Quem tem os "Olhos Doentes"?


Na visão comum, a doença nos olhos é um defeito. Dogen inverte isso: os "olhos doentes" são, na verdade, os olhos humanos manifestando a vida. Estar vivo, ter desejos, passar pelo nascimento, velhice, doença e morte é a nossa condição. A iluminação não consiste em se tornar um ser anestesiado ou um céu perfeitamente vazio e sem vida. Consiste em perceber que a própria "doença" (a nossa existência humana e senciente) é o palco onde a iluminação acontece.


3. A Impermanência é a Própria Realidade


Para Dogen, tudo o que o budismo antigo chamava de "ilusão" por ser impermanente — as nossas emoções, as estações do ano, as flores que murcham, os pensamentos que passam — é a verdadeira natureza da realidade. As flores no céu flutuam, mudam e desaparecem. É justamente essa impermanência e constante transformação que Dogen chama de A Flor de Lótus da Lei Maravilhosa.


O Impacto Prático no Dia a Dia


Ao quebrar a barreira entre ilusão e realidade, o fascículo Kuko traz uma tremenda libertação prática:

• Fim da busca por um ideal místico: Você não precisa escapar da sua mente barulhenta, do seu trabalho ou dos seus problemas para encontrar o sagrado.

• O cotidiano é o Buda: A sua vida confusa, com seus altos e baixos (as flores flutuantes), não é um obstáculo para a iluminação; ela é a própria iluminação se expressando de forma dinâmica. O erro não é ver as flores no céu, o erro é se apegar a elas ou tentar ignorá-las.

Essa desconstrução de Dogen muda completamente a forma como encaramos nossos próprios erros e crises cotidianas. 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Do apego, surge a necessidade de continuar existindo, a ilusão de recriar  nossa própria individualidade  como algo concreto. E disso, surge o nascimento. Do nascimento, surgem a velhice e a morte.


Denshô Quintero

Não tente se tornar nada. Não se transforme em nada. Não seja um meditador. Não busque a iluminação. Quando se sentar, deixe estar. Quando caminhar, deixe estar. Não se agarre a nada. Não resista a nada.


Ajahn Chah 

Ajahn Chah usava a metáfora de uma xícara de vidro para ensinar o não-eu (Anatta). Ele dizia: "Para mim, este copo já está quebrado. Como sei que ele inevitavelmente vai quebrar um dia, eu aproveito ele agora, mas não me apego a ele como uma propriedade fixa".

Ele aplicava isso ao ego. Nós sofremos porque tentamos segurar o "eu" como se ele fosse permanente. Quando entendemos que o "eu" é mutável e flui junto com o ambiente, paramos de lutar contra o mundo. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

De algum modo, o sofrimento deixa de ser sofrimento no momento em que encontra um sentido — como o sentido de um sacrifício. Certamente que não foi uma terapia no sentido próprio da palavra, visto que, em primeiro lugar, o seu desespero não era uma doença, e em segundo lugar, eu não podia mudar o seu destino, não podia ressuscitar a mulher. Mas, naquele momento exato, consegui alterar a sua atitude em relação ao seu destino imutável. A partir desse dia, ele pôde, pelo menos, ver um sentido no seu sofrimento.

Pertence aos postulados fundamentais da logoterapia que a principal preocupação do homem não é encontrar o prazer ou evitar a dor, mas sim encontrar um sentido para a sua vida. E é por isso que o homem está disposto até a sofrer, na condição, evidentemente, de que o seu sofrimento tenha um sentido.


Viktor Frankl 

Certa vez, um clínico geral de mais idade veio consultar-me por causa de uma depressão muito profunda. Ele não conseguia superar a perda de sua mulher, que falecera fazia dois anos e a qual ele amara acima de tudo. Bem, como poderia eu ajudá-lo? O que deveria dizer-lhe?

Pois bem, abstive-me de lhe dizer fosse o que fosse, confrontando-o, antes, com uma questão:

— Diga-me, doutor, o que teria acontecido se tivesse sido o senhor a morrer primeiro e a sua esposa a sobreviver-lhe?

— Oh — disse ele —, para ela teria sido terrível; teria sofrido imenso!

Ao que repliquei:

— Pois bem, doutor, esse sofrimento foi-lhe poupado, e foi o senhor que a poupou a esse sofrimento; mas agora tem que pagar por isso, sobrevivendo-lhe e chorando a sua falta.

Ele não disse uma palavra, limitou-se a apertar-me a mão e retirou-se calmamente.


Viktor Frankl