terça-feira, 19 de maio de 2026

Assim que você descartar seus gostos e aversões, o Caminho aparecerá imediatamente diante de você. Aqui, Seng Ts’an tem algo em comum com Tao-Hsin, o Quarto Patriarca, e Hui-Neng, o Sexto Patriarca. Estes dois últimos diziam frequentemente que, quando você deixa de discriminar entre o bem e o mal, percebe imediatamente a sua face original.  Em outras palavras, você compreenderá o Caminho Supremo.


Sheng Yen 

Observe cuidadosamente, mas não veja nenhum dharma (fenômeno), não veja nenhum corpo e não veja nenhuma mente. Pois a mente não tem nome, o corpo é vazio e os dharmas são um sonho. Não há nada a ser alcançado, nenhuma iluminação a ser vivenciada. Isso é chamado de libertação.


Sheng Yen 

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Para Dogen, cada ato nosso deixa uma marca no tecido do universo.

Segundo Dogen, se você limpa a mesa pensando em terminar logo para ir fazer outra coisa, você dividiu a sua vida. Você transformou o presente em um obstáculo. Mas se você limpa a mesa com atenção plena, o ato de passar o pano é o próprio Buda limpando a mesa. O pano é Buda, a mesa é Buda, o gesto é Buda.


Segundo Dōgen, quando o ego diminui, a barreira entre "eu" e "o resto do mundo" cai. Você percebe que as montanhas, as árvores e os outros não estão separados de você.

Segundo Dogen, lavar pratos, cozinhar ou limpar o chão exige a mesma reverência que meditar no altar.

Cada objeto e cada momento merecem cuidado absoluto porque são sagrados em si mesmos.

domingo, 17 de maio de 2026

Versos do Shodoka:

A verdadeira natureza da ignorância é a natureza do Buda.

O corpo vazio e ilusório da ignorância é o corpo do dharma. 


Dogen escreveu:

Não há momento que não seja bom. Não há momento em que a natureza de Buda não se.manifeste diante dos nossos olhos.


Kodo Sawaki Roshi 

Você receberá ajuda espiritual se se mantiver quieto. O ovjetivo de todas as práticas é abandonar todas as práticas. Quando a mente se aquieta, o poder do Ser será experimentado. As ondas do Ser permeiam todos os lugares. Se a mente estiver em paz, a pessoa começa a experimentá-las.


Sri Ramana Maharshi 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Quando você percebe que tanto o esforço quanto o não-esforço são armadilhas, a mente finalmente desiste. Nesse estado de "desistência total", sobra apenas o que é: não é "não buscar": porque isso ainda é uma intenção; não é "buscar", porque você já viu que é inútil; é a presença sem nome. Como o espelho, que não "pratica" refletir a imagem, nem "decide" não refletir. Ele apenas reflete porque essa é a sua natureza. 

Quando esse paradoxo é compreendido, não intelectualmente, mas "nos ossos", a prática se torna a sua própria existência. Beber chá é apenas beber chá. Sentir cansaço é apenas cansaço. Até o dualismo, quando surge, é apenas um pensamento surgindo e passando, sem que você precise "consertá-lo".

O erro não é o dualismo existir (o mundo é dual em sua forma); o erro é o apego à ideia de que precisamos transcendê-lo para estarmos "certos". Ao perceber que a própria busca por unidade é um movimento da dualidade, você relaxa. E nesse relaxamento, a unidade (que sempre esteve lá) se revela por conta própria.

Quando você percebe que nem o "presente" existe como algo sólido, você para de tentar "estar presente" (que ainda é um esforço dual) e simplesmente é a própria impermanência acontecendo. É aí que você percebe que já está em casa.

sábado, 9 de maio de 2026

O libertador é justamente o que Krishnamurti e o Zen raiz batem na tecla: a percepção tem que ser fresca, agora. No segundo seguinte, se você guarda a percepção como uma memória ou um troféu, ela já virou um conceito e a armadilha se fechou. Por isso o Zen é tão alérgico a explicações.

Essa é a grande ironia: o ego é um mestre do disfarce. No momento em que você tenta matá-lo através de um conceito (como o "vazio" ou o "não-eu"), ele se apropria dessa ideia e passa a se orgulhar de ser "alguém que compreende o vazio".

Vira o que muitos chamam de materialismo espiritual. A pessoa deixa de ser escrava do consumo material para ser escrava de uma estética de desapego. No Ocidente, onde temos uma fome enorme de identidade e performance, essa armadilha é quase inevitável.

"Antes da iluminação, cortar lenha e carregar água; depois da iluminação, cortar lenha e carregar água".

A ausência de ego não é um transe místico, é fazer o que precisa ser feito sem que o "eu" esteja lá reivindicando a autoria ou o resultado.

Krishnamurti dizia que "a liberdade é o primeiro e o último passo". Ela nasce quando você compreende a estrutura do seu próprio condicionamento. Se você entende por que age, a ação deixa de ser uma reação cega.

Para Krishnamurti, a meditação não era um exercício de concentração (que ele via como uma forma de esforço do ego), mas sim um estado onde a fronteira entre o "eu" e o "mundo" desaparece.

Ele descreve a natureza sem os rótulos usuais. Em vez de "eu vi uma árvore", o texto transmite a "árvore acontecendo". O ego se dissolve quando cessa a necessidade de julgar, comparar ou possuir a experiência.

Para ele a meditação só ocorre quando o pensamento (que é o ego) se percebe limitado e silencia. Ele enfatiza que, se você sabe que está meditando, você não está meditando — é apenas o ego se dando tapinhas nas costas. A verdadeira contemplação é um estado de vulnerabilidade total, onde não há ninguém ali para dizer "estou em paz".