quinta-feira, 30 de julho de 2026

Nesse momento, tudo o que você pode fazer é tentar estar presente neste exato instante. O tempo e o espaço desconhecidos estão dentro desse momento. Toda a natureza está ali, e inúmeros seres estão caminhando junto com você. Então, apenas continue a agir com total devoção ao que você está fazendo, até que haja total unidade entre você e a sua atividade. Isso é chamado de shikan, ou samadhi. Você e a natureza se fundem em um só.


Dainin Katagiri 

Então, qual é o melhor momento, onde é o melhor lugar e quem é a melhor pessoa? A melhor pessoa continua conversando com as almofadas mesmo que todos saiam da sala, porque essa pessoa entende o melhor momento e o melhor lugar. No nosso sentido habitual, isso é ridículo. Mas, nesse momento, surge uma pessoa que entende o lugar onde todo o universo pode ser visto e que pode estar presente na unidade. Essa pessoa vê o mundo humano dualista de almofadas vazias, mas não se decepciona, porque todo o universo está ali. Essa pessoa consegue encontrar o melhor momento, o melhor lugar e ser a melhor pessoa. Significa apenas estar presente no universo e continuar a falar sobre o mundo de Buda. Você pode fazer isso! Agora mesmo, aqui mesmo é o melhor momento e lugar para você fazer isso, e você é uma pessoa que pode praticar este estilo de vida espiritual.


Dainin Katagiri 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Dogen rejeitava a ideia de que a iluminação pertencia apenas ao silêncio da sala de meditação. No Gyoji, ele argumenta que o universo inteiro se move através de ações concretas. Quando um monge limpa o mosteiro, ele não está apenas limpando a poeira do chão; ele está limpando a poeira da própria mente universal. O trabalho manual é a expressão física do Gyoji — uma prática que nunca cessa e que sustenta o cosmos.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Quando as coisas acontecerem, não reajam: impeçam suas mentes de se deterem em qualquer coisa; mantenham-nas para sempre imóveis como o vazio e totalmente puras (sem mácula); e assim alcançarão espontaneamente a libertação.


Hui Hai


quinta-feira, 25 de junho de 2026

Se um momento do seu dia foi ruim (uma resposta atravessada, uma frustração no trabalho), lembre-se de Dogen: aquele momento já morreu. Você tem bilhões de novos momentos neutros e puros pela frente hoje para recomeçar do zero.

Para Dogen, a vida não é um bloco contínuo de tempo. Ela é uma sequência ultrarrápida de renascimentos instantâneos. Se você não está presente agora, você está perdendo milhões de oportunidades de despertar e manifestar a sua verdadeira natureza.


Momento após momento, todos nós surgimos do nada. Esta é a verdadeira alegria da vida.


Shunryu Suzuki 


domingo, 21 de junho de 2026

Quando um mestre Zen está em paz, uma sala inteira se acalma. 

Quando você sente medo, suas microexpressões, seu tom de voz, suas decisões e sua energia mudam. Isso afeta quem está ao seu redor, que por sua vez afeta outros.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

sexta-feira, 5 de junho de 2026

O despertar deve ser atualizado a cada instante.


Para Dogen, o despertar não é um diploma que você obtém após anos de meditação e pendura na parede. Não é um estado permanente que, uma vez alcançado, permanece lá sem esforço. É uma ação contínua, uma chama que só existe enquanto há combustível e oxigênio no exato momento presente.
Essa visão transforma radicalmente a nossa relação com o cotidiano através de três pontos centrais:
1. A Iluminação é um Verbo, não um Substantivo
No Chan mais antigo, havia uma forte tendência a enxergar o Satori (despertar) como um evento de ruptura: você é uma pessoa comum e, após um estalo mental provocado por um Koan, torna-se um ser desperto.
Dogen inverte essa lógica. Para ele, o despertar não é algo que você tem, é algo que você faz.
  • Se você está presente, compassivo e atento enquanto escova os dentes, você é o Buda naquele segundo.
  • Se no segundo seguinte você se distrai, se irrita ou age com egoísmo, o Buda desapareceu.
O despertar, portanto, precisa ser atualizado (ou manifestado) a cada nova respiração.
2. O Tempo e o Ser são uma Coisa Só (Uji)
No seu famoso fascículo Uji (Tempo-Ser), Dogen explica que o tempo não é uma linha vazia por onde nós caminhamos. Nós somos o próprio tempo.
O momento de agora é a única realidade que existe. Por isso, a iluminação não pode ser guardada de ontem para hoje. O insight que você teve dez minutos atrás não serve para o agora; você precisa despertar novamente para este exato milésimo de segundo.
3. A Prática como Expressão, não como Meio
Isso explica por que a meditação de Dogen (Shikantaza) é "apenas sentar". Você não senta voltado para a parede para alcançar o despertar no futuro. O ato de sentar-se na postura correta, com a mente aberta e presente, já é o próprio Buda se atualizando naquele instante. A prática é a própria iluminação em movimento.
A Beleza dessa Abordagem
Essa perspectiva retira o Zen do campo do misticismo e o joga diretamente na realidade nua e crua da sua vida. Ela tira o peso de ter que buscar uma "experiência espiritual extraordinária" e coloca o sagrado nas coisas mais simples:
  • Atualizar o despertar ao ouvir atentamente alguém.
  • Atualizar o despertar ao sentir o peso do seu corpo na cadeira.
  • Atualizar o despertar ao perceber que a mente acelerou e, gentilmente, trazê-la de volta.

O Zen de Dogen é exigente porque não te dá trégua: a iluminação é sempre um compromisso com o agora, sem garantias para o próximo segundo.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Mesmo que você tente prender o vento, 

suas mãos ficarão vazias.

Assim é a tentativa de reter o tempo ou o eu.

Quando você abre as mãos e deixa o vento passar,

você não perde o vento; você se torna o próprio céu.


Shundo Aoyama Roshi 

O anoitecer cai sobre a montanha,

a névoa se dissipa no vale.

Sem possuir uma única coisa,

quão vasta e livre é a minha mente!


Chinul

Este poema de Ryōkan Taigu ilustra a gratuidade da natureza e a paz de quem não retém posses, aceitando a mudança das estações com simplicidade.


O vento traz

folhas caídas o suficiente

para acender a fogueira.

Ryokan Taigu (1758–1831) foi um monge eremita conhecido por sua extrema simplicidade. Próximo de sua morte, ele escreveu sobre o que restava de sua existência:


O que deixarei como meu legado?

As flores da primavera,

O cuco nas colinas,

As folhas do outono.