Onde não há palavras, onde não há conceitos, onde não há dualidade entre o 'eu' e o 'outro' — ali reside a entrada para o Darma.
Vimalakirti
- Lições dos Mestres para a minha vida.
Todo e qualquer elemento do dharma é ele mesmo a realidade última. Mesmo uma única partícula é imóvel e não admite o menor deslize. O mundo inteiro, tal como é, é o que se chama Genjo koan.
Portanto, Genjo koan é a estrada do darma para o mundo inteiro. Discriminação e não discriminação são ambas Genjo koan. Dizer que não discriminação é Genjo koan, porque ele é o reino do darma da não dualidade, e que o mundo da discriminação não é, porque ele é a mente de medir o pensamento, não é Genjo koan.
Cada elemento do mundo discriminado é em si mesmo Genjo koan.
Bokusan Nishiari
Em resumo, no que diz respeito à delusão e à iluminação, as pessoas comuns tentam chegar à iluminação varrendo a delusão. Elas podem pensar que delusão é existência falsa e iluminação é existência verdadeira. O Genjo koan a que se refere aqui é diferente. Entre todos os seres, não existe uma única existência que seja um erro. Delusão é o Genjo koan da delusão. Não é que tenhamos iluminação excluindo a delusão. Iluminação é o Genjo koan da iluminação. Não é que escapamos da iluminação e caímos na delusão.
Bokusan Nishiari
Quando você sente medo, suas microexpressões, seu tom de voz, suas decisões e sua energia mudam. Isso afeta quem está ao seu redor, que por sua vez afeta outros.
Autores como Thich Nhat Hanh sugerem que as emoções são como "fumaça" ou "perfume". Se você queima incenso de medo, o ar de toda a sala fica impregnado. A humanidade compartilha uma "consciência de base"; quando um indivíduo gera uma emoção, ele está alimentando esse reservatório coletivo.
No Zen, a separação entre o seu mundo interno e o mundo externo é considerada uma ilusão (Maya). Se você e o universo são "não-dois", o medo que surge em você não é um evento privado.
Imagine que a humanidade é o oceano e você é uma onda. Se uma onda está agitada e trêmula, o oceano está agitado e trêmulo naquele ponto. Não há como a onda sentir algo sem que o oceano sinta, pois a onda é o oceano.
Já não penso em termos de ter experiências. As coisas simplesmente acontecem. A chuva cai suavemente. O coração bate. Há respiração, inspiração-expiração-inspiração-expiração. Há escuta silenciosa, abertura… vazio… nada…
Iluminação? Como é letal atribuir um rótulo. Aí você se torna alguém. No momento da rotulação, a vitalidade se congela em um conceito. "Minha experiência de iluminação!" Estar vivo, plenamente vivo, significa fluir sem impedimentos — um fluxo vulnerável de vitalidade sem resistência. Sem qualquer noção da passagem do tempo. Sem precisar pensar em "mim" — o que sou, o que serei.
Nossa ânsia por experiências é uma resistência a simplesmente estar aqui e agora. É um alívio perceber que não precisamos ser nada.
Toni Packer