segunda-feira, 20 de maio de 2019



A mente disciplinada, controlada, analisada, não é serena. Essa é uma mente morta, isolada através de várias formas de resistência e isso inevitavelmente cria miséria para ela e para os outros. A mente só é serena quando não está presa a pensamentos, que é o próprio tecido de sua atividade. Quando a mente é naturalmente serena, o amor se revela.

        
Jiddhu Krishnamurti



domingo, 19 de maio de 2019


Não perca seu Zen esteja você andando ou sentado,
fique à vontade na fala ou no silêncio, movendo-se ou permanecendo.


Yongjia

sábado, 18 de maio de 2019


Você não pode apenas ser como o solo a receber a semente e ver se a sua mente é capaz de ser livre, vazia? Ela só pode ser vazia quando compreende suas próprias projeções, suas próprias atividades, não de vez em quando, mas  a cada dia, a cada momento.  Então você encontrará a resposta, e verá que a mudança vem sem que você peça, que o estado de vazio criativo não é uma coisa a ser cultivada – ele está lá, surge sem qualquer convite, e que só nesse estado existe a possibilidade de renovação, novidade, revolução.


Jiddhu Krishnamurti

sexta-feira, 17 de maio de 2019


Todas as coisas que acontecem no mundo todo, todas as irritações e todos os problemas, são essenciais. Sem elas não podemos alcançar a iluminação - na verdade, não podemos sequer trilhar o caminho. Se não houver ruído durante a meditação não desenvolveremos a atenção plena. Se não tivermos dores no corpo, não alcançaremos a atenção plena; na realidade nem conseguiremos meditar. Se tudo fosse tranquilo e delicado, não haveria nada com o qual se trabalhar.


Chogyam Trungpa
(em "Training the Mind and Cultivating Loving-Kindness")   

quinta-feira, 16 de maio de 2019


Sobre como não se cristalizar, e agir de acordo com a situação que se apresenta.


Numa noite fria de inverno, uma grande tempestade de neve atingiu a cidade e o templo onde Dan Xian (739-824) servia como monge mestre. Como a neve obstruía os caminhos, o entregador de lenha não conseguiria chegar ao mosteiro Zen. Logo os monges ficaram sem lenha para aquecer e passados alguns dias todos estavam tremendo de frio. Os monges não podiam nem mesmo cozinhar suas refeições.

Dan Xia começou a retirar as estátuas de Buda de madeira dos altares e jogá-las na lareira.

"O que você está fazendo?" os monges ficaram chocados ao ver que as estátuas sagradas do Buda estavam sendo queimadas. "Você está queimando nossos santos artefatos religiosos! Você está insultando o Buda!"

"Estas estátuas estão vivas e têm alguma natureza de Buda?" perguntou o Mestre Dan Xia.

"Claro que não", responderam os monges. "Elas são feitas de madeira. Eles não podem ter a natureza de Buda."

"OK. Então são apenas pedaços de lenha e, portanto, podem ser usados ​​como combustível", disse o Mestre Dan Xia. "Você pode me passar outro pedaço de lenha, por favor? Eu preciso de um pouco mais de calor."

No dia seguinte, a nevasca havia cessado e Dan Xia foi à cidade e trouxe algumas estátuas de Buda para substituir as outras. Depois de colocá-las nos altares, ele começou a se ajoelhar e queimar incensos diante delas.

"Você está adorando lenha?" pergunte aos monges que estão confusos pelo que ele estava fazendo.          

"Não. Estou tratando essas estátuas como artefatos sagrados e estou honrando o Buda." respondeu Dan Xia.

quarta-feira, 15 de maio de 2019


Não se demore em si mesmo e as coisas ficarão claras. Como a água em movimento, como um espelho na quietude, como um eco em resposta, o Caminho está assim em harmonia com as coisas.


Takuan Sōhō (1573-1645)

terça-feira, 14 de maio de 2019


Quando nos apegamos aos pensamentos focamos naquilo que é falso, irreal. Já a realidade está espontaneamente presente, é a nossa própria essência. A escolha está simplesmente entre não reconhecer isso e viver no samsara, ou reconhecer, o nirvana. A atenção plena é a própria essência do nirvana. Quando há esse reconhecimento nada mais permanece oculto – sua natureza original é completamente exposta.


Tulku Urgyen Rinpoche
(em “As It Is” -  Vol. 1)

segunda-feira, 13 de maio de 2019


Quando reconhecemos o vazio essencial num pensamento, ele se desfaz como uma bolha na água. É assim que se deve lidar com cada pensamento que surgir. São nossos pensamentos que nos empurram ou forçam para uma futura existência samsárica.  O ensinamento essencial não refere-se apenas a reconhecer os pensamentos dualísticos. Não devemos perpetuá-los, mas sim reconhecê-los, reconhecer a essência da mente que os geram.


Tulku Urgyen Rinpoche
(em “As It Is” -  Vol. 1)

domingo, 12 de maio de 2019


Na jornada da vida e da morte, você deve caminhar só; nessa jornada, não pode haver qualquer busca de consolo em conhecimento, em experiência, em memórias. A mente deve ser purgada de todas as coisas que acumulou em sua ânsia por estar segura. Deve haver completa e incontaminada solitude.

                                                        
Jiddhu Krishnamurti
(em “Comentários Sobre o Viver” – volume 3)



sábado, 11 de maio de 2019


A verdade é uma coisa estranha; quanto mais você a busca mais ela se esquiva. Não se pode capturá-la por qualquer meio, não importa quão sutil e engenhoso seja; não é possível aprisioná-la na teia do pensamento. Perceba isso, e deixe que tudo passe.

                                                        
Jiddhu Krishnamurti
(em “Comentários Sobre o Viver” – volume 3)


sexta-feira, 10 de maio de 2019



É a mente, é o pensamento, que cria tempo. Pensamento é tempo, e o que quer que o pensamento projete deve estar no tempo; portanto,o pensamento não pode ir além dele mesmo. Para descobrir o que está além do tempo, o pensamento deve chegar ao fim – e essa é a coisa mais difícil, pois o fim do pensamento não chega pela disciplina, pelo controle, pela negação ou supressão. Pensamento é o ego, pensamento é a palavra que se identifica como “eu.

A mente é o resultado do processo de pensamento, o resultado do tempo, e este processo de pensamento deve chegar ao fim. A mente não pode pensar naquilo que é eterno, infinito; portanto, a mente deve estar livre do tempo, o processo de tempo da mente deve ser dissolvido. Só quando a mente está completamente livre do ontem, e não está usando o presente como meio para o futuro, ela é capaz de receber o eterno.


Jiddhu Krishnamurti



quinta-feira, 9 de maio de 2019


Deixe de lado todas as suas fantasias anteriores, opiniões, interpretações, conhecimento mundano, intelectualismo, egoísmo e competitividade. Seja como uma árvore morta, como cinzas frias. Quando você chega ao ponto em que os sentimentos acabam, as visões se vão e sua mente está limpa e nua, você se abre para a realização Zen. Siga resolutamente, e seu estado então será pacífico. Quando você não pode ser inserido em qualquer classificação, seja a de sábio ou de pessoa comum, então você é como um pássaro que se libertou da gaiola.


Yuanwu Keqin (1063-1135)


quarta-feira, 8 de maio de 2019


Milarepa, o grande meditador do século XI, é normalmente representado (como nesta figura) com a mão direita em seu ouvido, como se estivesse tentando escutar algo. Isso porque tudo surgia a Milarepa como uma espécie de conselho; tudo surgia como ensinamento. Para meditadores habilidosos e bem treinados, ao invés de as aparências parecerem inimigos, surgem na verdade como o oposto: como um amigo ou um mestre. Ao invés de perturbá-lo, tudo surgia para beneficiá-lo e apoiá-lo. Para meditadores habilidosos, tudo surge como bem-aventurança, tudo surge como manifestação da vacuidade – a natureza última de todas as coisas – e assim, os meditadores habilidosos não são obstruídos por problemas.


Lama Zopa Rinpoche
(em “Transforming Problems into Happiness”)

terça-feira, 7 de maio de 2019

Longchenpa toma essa exposição da espontaneidade como o momento para reforçar o preceito da não-ação. A espontaneidade é a natureza da mente luminosa, e na medida em que a espontaneidade proporciona incessantemente a presença pura do agora, não há necessidade de fazer nada. Portanto, qualquer atividade projetada para facilitar ou agilizar o reconhecimento da presença pura é contraproducente. Qualquer ação meditativa ou ióguica é supérflua. Qualquer esforço é uma interferência num processo inato. Não é tanto uma questão de “Se não está quebrado, não conserte”, mas mais “Se você tentar consertar o que não está quebrado, você vai quebrar.” Nós já estamos no destino, então não pegue o trem. Não vamos a lugar algum. Se tivermos concebido um destino, devemos repensar isso. A ação orquestrada e o esforço nos impedem antecipadamente. A intervenção, não importa quão benigna, é a falha. Mas cuidado com os preceitos dogmáticos!

A própria espontaneidade é o agente que concede os desejos. Ela fornece a unidade do samsara e do nirvana. Não interfira com a espontaneidade natural. Nem sequer olhe. Se você precisa fingir que não está olhando, com as mãos na frente dos olhos, feche os olhos e evite a tentação de olhar através das fendas entre os dedos. A joia que realiza desejos é a fruição do Dzogchen.  


Keith Dowman
(em “O Coração-Vajra, O Tesouro Precioso do Dharmadhatu de Longchenpa – Keith Dowman”. Adaptado ao português por Kadag Lundrub.”)         

segunda-feira, 6 de maio de 2019



O pensamento é tempo. O pensamento nasce da experiência e do conhecimento, que são inseparáveis do tempo e do passado. O tempo é o inimigo psicológico do homem. A nossa ação está baseada no conhecimento e por conseguinte no tempo, portanto o homem é sempre escravo do passado. O pensamento é sempre limitado e por isso vivemos em conflito e luta constantes. Não há evolução psicológica. Quando o homem se tornar consciente do movimento dos seus próprios pensamentos, verá a divisão entre o pensador e o pensamento, o observador e o observado, o experienciador e o experienciado. Descobrirá que esta divisão é uma ilusão. Só então há observação pura que é perceptibilidade sem qualquer sombra do passado ou do tempo. Esta perceptibilidade atemporal provoca uma mutação radical, profunda na mente.

A negação total é a essência do positivo. Quando há negação de todas as coisas que o pensamento produziu psicologicamente, só nessa altura há amor, que é compaixão e inteligência.


Jiddhu Krishnamurti