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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Este poema de Ryōkan Taigu ilustra a gratuidade da natureza e a paz de quem não retém posses, aceitando a mudança das estações com simplicidade.


O vento traz

folhas caídas o suficiente

para acender a fogueira.

Ryokan Taigu (1758–1831) foi um monge eremita conhecido por sua extrema simplicidade. Próximo de sua morte, ele escreveu sobre o que restava de sua existência:


O que deixarei como meu legado?

As flores da primavera,

O cuco nas colinas,

As folhas do outono.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

No seu leito de morte, pediram à Ryokan um poema final. Ryōkan, que sempre evitou a solenidade excessiva, deixou estes versos que resumem a impermanência e a beleza da vida simples: 

O que deixarei como meu legado? / As flores na primavera, / O cuco nas montanhas, / E as folhas de outono.


Ryokan 


Sendo um monge mendicante, Ryōkan às vezes esquecia o que estava fazendo. Certa vez, ele saiu para pedir esmolas e voltou com a tigela vazia, mas o rosto radiante. Quando perguntaram o que ele havia conseguido, ele mostrou um poema que havia escrito no verso de um papel que encontrou, celebrando o perfume das flores de ameixeira. Para ele, a beleza do mundo era o sustento mais valioso.


Ryokan (1758–1831)

sexta-feira, 25 de julho de 2025

A chuva parou, as nuvens se dissiparam e o tempo está limpo novamente.

Se o seu coração é puro, então todas as coisas no seu mundo são puras.

Abandone este mundo passageiro, abandone a si mesmo, 

então a lua e as flores o guiarão pelo Caminho.


Ryokan

Se alguém me pergunta sobre

minha morada,

eu respondo:

"A borda leste da

Via Láctea."


Como uma nuvem à deriva,

preso a nada:

eu simplesmente deixo ir,

entregando-me

ao capricho do vento.


Ryokan

A vida é como uma gota de orvalho,

vazia e passageira;

Meus anos se foram

e agora, trêmulo e frágil,

devo desaparecer.


Ryokan (1758 - 1831)

quinta-feira, 7 de março de 2024

 



Uma noite fria no meu quarto vazio;
O tempo flui como a fumaça do incenso surgindo.
Do lado de fora da minha porta, mil talos de bambu,
Em cima da minha cama, quantos livros?
A lua veio embranquecer metade da minha janela,
O único som em qualquer direção é o canto dos insetos.
Nisto há um sentimento ilimitado;
Mas quando o encontro, não há palavras.

Ryokan (1758-1831)

sexta-feira, 1 de março de 2024


Na noite tranquila, próximo à janela aberta, envolto em meu manto de monge, sento-me em meditação,
Umbigo e narinas alinhados, orelhas emparelhadas com a inclinação dos ombros.
A janela clareia, a lua surge; a chuva parou, mas as gotas continuam pingando.
Maravilhoso o clima desse momento...
Distante, vasto.

Ryokan (1758-1831)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Com não-mente, as flores atraem a borboleta; com não-mente, a borboleta visita as flores.

Quando as flores desabrocham, a borboleta vem; quando a borboleta vem, as flores desabrocham.


Taigu Ryokan

sábado, 25 de junho de 2022

segunda-feira, 16 de setembro de 2019


Se alguém perguntar
como é a mente deste monge,
diga que é semelhante a
uma passagem para o vento
que vai para o vasto céu.


Ryokan

quarta-feira, 28 de agosto de 2019


Com preguiça de ser ambicioso
Eu deixo o mundo cuidar de si mesmo;

Dez dias de arroz na minha bolsa
um feixe de galhos junto à lareira
por que tagarelar sobre delusão e iluminação?

Ouvindo a chuva da noite no meu telhado,
Sento-me confortavelmente, com as duas pernas esticadas.


Ryokan

sábado, 27 de julho de 2019

A chuva cessou,
as nuvens se foram,
e o bom tempo voltou.

Se o seu coração é puro
todas as coisas do seu mundo
também são puras.

Abandone esse mundo flutuante
volte-se para si mesmo
e as flores e a lua
o guiarão pelo Caminho.




Ryokan (1758-1831)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

As flores e a lua o guiarão



A chuva cessou,
as nuvens se foram,
e o bom tempo voltou.

Se o seu coração é puro
todas as coisas do seu mundo
também são puras.

Abandone esse mundo flutuante
volte-se para si mesmo
e as flores e a lua
o guiarão pelo Caminho.



Ryokan (1758-1831)


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Livre, tão livre! (Poema de Ryokan)




Abandonei os estudo em minha juventude
e desejei tornar-me santo.

Vivendo de forma austera como um monge mendicante,
vaguei aqui e ali durante muitas primaveras.

Por fim regressei à minha terra
e instalei-me ao sopé de uma grande montanha íngreme.

Vivo agora em paz numa pequena cabana
escutando a canção dos pássaros.
E as nuvens são as minhas melhores vizinhas.

Um pouco abaixo há um riacho de águas cristalinas, onde refresco meu corpo e minha mente;
Acima, imponentes pinheiros e carvalhos me fornecem sombra e lenha.

Livre, tão livre, todos os dias!

Não quero jamais sair daqui!
  

Ryokan



sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Sem dever ao mundo




Sim, sou apenas um tolo
vivendo entre as árvores e as plantas
Por favor, não perguntes a respeito de ilusão e iluminação
a esse velho que apenas gosta de sorrir
Cruzo riachos com minhas pernas ossudas
e carrego minha bolsa nos dias suaves de primavera.

Esta é a minha vida
o mundo e eu não devemos nada um ao outro.


Ryokan

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Ryokan, um autêntico mestre Zen




Sua pequenina cabana ficava nas montanhas e frequentemente ele ia às aldeias vizinhas brincar com as crianças, beber saquê com camponeses ou visitar amigos. Dormia quando queria, bebia à vontade e era comum que participasse das festas que ocorriam no verão. Mendigava as poucas coisas simples que precisava, e caso recebesse a mais, passava adiante. Nunca guardava nada. Jamais fazia sermões ou exortava alguém, mas sua vida exalava pureza e alegria. Ele próprio era um sermão vivo.

Respeitava a todos e reverenciava aqueles que trabalhavam, em especial os agricultores. Seu amor pelas crianças e flores é conhecido entre os japoneses. Era comum ele passar um dia inteiro brincando com crianças ou admirando as flores, esquecendo-se completamente de esmolar. Se alguém o convidasse para uma partida de go ou pedisse para recitar um de seus poemas, atendia de bom grado. Estava sempre sorrindo, e aqueles a quem visitava diziam que “era como se a primavera houvesse surgido em meio a um escuro e frio dia de inverno”.


(John Stevens a respeito de Ryokan, em “One Robe One Bowl”)

segunda-feira, 14 de julho de 2014

"Eu não quero"

Quando alguém pedia uma caligrafia ao mestre zen Ryokan, este desculpava-se: “Farei para você depois que praticar mais e melhorar”. Porém, quando estava inspirado, ele podia pintar muitas peças em sequência, não importando a qualidade do pincel, da tinta ou do papel.

O chefe de uma grande empresa de comércio há tempos tentava conseguir uma caligrafia sua, sem sucesso. Um dia em que Ryokan foi à sua casa mendigar comida, ele o puxou para dentro e, apontando para uma tela dourada que há muito estava preparada para a ocasião, pediu-lhe que escrevesse algo, avisando: “Não deixarei que partas até que termine”.

Sem escolha, Ryokan empunhou o pincel e escreveu:

“Eu não quero. Eu não quero. Eu não quero. Eu não quero.”

(citado por Yoshishige Kera no livro “Sky Above, Great Wind” a respeito do grande mestre zen Ryokan)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

A presença de um grande mestre

                        autoretrato de Ryokan

"Ryokan esteve conosco por alguns dias. Uma atmosfera pacífica preencheu nossa casa e todos se sentiram em harmonia. Essa atmosfera permaneceu por alguns dias após sua partida. Quando comecei a conversar com ele, senti que meu coração tornava-se puro. Ele não deu lições sobre o zen ou qualquer escritura budista, nem aconselhou qualquer boa ação. Ele apenas queimava lenha na cozinha ou sentava-se em meditação no quarto. Ele não conversou sobre livros ou ética. Era apenas incrivelmente sereno, relaxado. Ele ensinou a todos apenas com sua presença."


(citado por Yoshishige Kera no livro “Sky Above, Great Wind” a respeito do grande mestre zen Ryokan)