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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Agora, quando nós a pesquisamos, a verdade está originalmente toda ao redor; por que deveríamos nós confiar em prática e experiência? O veículo real existe naturalmente; por que deveríamos nós levar adiante grandes esforços? Ademais, todo o corpo transcende sujeira e poeira: quem poderia acreditar no sentido de varrer e polir²?

Em geral, nós não nos extraviamos do correto estado; de qual utilidade, então, os avanços do treinamento?

Entretanto, se existe um milésimo ou um centésimo de lacuna, a separação é tão grande como aquela entre céu e terra; e se um traço de desacordo surge, nós perdemos a mente em confusão³. Orgulhosos de nossa compreensão e ricamente dotados com a realização, nós obtemos estados especiais de insights; nós alcançamos a verdade; nós clarificamos a mente; nós adquirimos o zelo que perfura o céu; nós divagamos através de esferas intelectuais remotas, prosseguindo com a cabeça: e assim, nós temos perdido quase completamente o caminho vigoroso de deixar cair o corpo.


Dogen Zenji

terça-feira, 19 de maio de 2026

Observe cuidadosamente, mas não veja nenhum dharma (fenômeno), não veja nenhum corpo e não veja nenhuma mente. Pois a mente não tem nome, o corpo é vazio e os dharmas são um sonho. Não há nada a ser alcançado, nenhuma iluminação a ser vivenciada. Isso é chamado de libertação.


Sheng Yen 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Quando você percebe que tanto o esforço quanto o não-esforço são armadilhas, a mente finalmente desiste. Nesse estado de "desistência total", sobra apenas o que é: não é "não buscar": porque isso ainda é uma intenção; não é "buscar", porque você já viu que é inútil; é a presença sem nome. Como o espelho, que não "pratica" refletir a imagem, nem "decide" não refletir. Ele apenas reflete porque essa é a sua natureza. 

Quando esse paradoxo é compreendido, não intelectualmente, mas "nos ossos", a prática se torna a sua própria existência. Beber chá é apenas beber chá. Sentir cansaço é apenas cansaço. Até o dualismo, quando surge, é apenas um pensamento surgindo e passando, sem que você precise "consertá-lo".

O erro não é o dualismo existir (o mundo é dual em sua forma); o erro é o apego à ideia de que precisamos transcendê-lo para estarmos "certos". Ao perceber que a própria busca por unidade é um movimento da dualidade, você relaxa. E nesse relaxamento, a unidade (que sempre esteve lá) se revela por conta própria.

Quando você percebe que nem o "presente" existe como algo sólido, você para de tentar "estar presente" (que ainda é um esforço dual) e simplesmente é a própria impermanência acontecendo. É aí que você percebe que já está em casa.

sábado, 9 de maio de 2026

Essa é a grande ironia: o ego é um mestre do disfarce. No momento em que você tenta matá-lo através de um conceito (como o "vazio" ou o "não-eu"), ele se apropria dessa ideia e passa a se orgulhar de ser "alguém que compreende o vazio".

Vira o que muitos chamam de materialismo espiritual. A pessoa deixa de ser escrava do consumo material para ser escrava de uma estética de desapego. No Ocidente, onde temos uma fome enorme de identidade e performance, essa armadilha é quase inevitável.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Em resumo, no que diz respeito à delusão e à iluminação, as pessoas comuns tentam chegar à iluminação varrendo a delusão. Elas podem pensar que delusão é existência falsa e iluminação é existência verdadeira. O Genjo koan a que se refere aqui é diferente. Entre todos os seres, não existe uma única existência que seja um erro. Delusão é o Genjo koan da delusão. Não é que tenhamos iluminação excluindo a delusão. Iluminação é o Genjo koan da iluminação. Não é que escapamos da iluminação e caímos na delusão.


Bokusan Nishiari

Dogen nos convida a ser como um espelho: o espelho não sai correndo atrás das imagens para refleti-las; ele simplesmente permanece vazio e permite que as imagens venham e se mostrem. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Os que pretendem ser budas deveriam aprender a pacificar a mente em primeiro lugar. Antes da mente ser pacificada, mesmo as coisas boas não são boas, e pior ainda as coisas ruins. Mas quando a mente se torna pacífica e calma, nem o bem e nem o mal têm alguma base.


Gunabhadra

terça-feira, 21 de abril de 2026

Dentro do vazio pacífico do nirvana, fundamentalmente não existem pensamentos em movimento: o movimento em si é permanente quietude.  Havendo quietude, não há busca, nem impurezas ou apegos. A impureza é a base da vida ilusória. A pureza é o fruto da iluminação. 


Gunabhadra

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Já não penso em termos de ter experiências. As coisas simplesmente acontecem. A chuva cai suavemente. O coração bate. Há respiração, inspiração-expiração-inspiração-expiração. Há escuta silenciosa, abertura… vazio… nada…

Iluminação? Como é letal atribuir um rótulo. Aí você se torna alguém. No momento da rotulação, a vitalidade se congela em um conceito. "Minha experiência de iluminação!" Estar vivo, plenamente vivo, significa fluir sem impedimentos — um fluxo vulnerável de vitalidade sem resistência. Sem qualquer noção da passagem do tempo. Sem precisar pensar em "mim" — o que sou, o que serei.

Nossa ânsia por experiências é uma resistência a simplesmente estar aqui e agora. É um alívio perceber que não precisamos ser nada.


Toni Packer 

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Se você realmente conseguir enxergar sua mente fundamental, deve tratá-la como se estivesse criando um bebê. Caminhando, em pé, sentado, deitado, ilumine tudo ao seu redor com consciência, não permitindo que ela seja contaminada pelos sentidos. 

O Buda veio ao mundo para guiar aqueles nos caminhos da ilusão, apontando diretamente para a mente fundamental, permitindo que eles deixassem para trás o nascimento, a morte e miríades de coisas. 

Embora este corpo claramente exista, perceber claramente que este corpo não existe, embora haja claramente visão, audição, discernimento e conhecimento, perceber claramente que não há visão, audição, discernimento ou conhecimento - isso é chamado de efeito da verdadeira investigação; como poderia ser fácil?


Shido Bunan 

quinta-feira, 12 de março de 2026

Samsara é o ciclo do sofrimento, o lugar que habitamos quando vivemos na ignorância.  É difícil sair desse ciclo. Nossos pais sofreram e nos transmitiram as sementes negativas desse sofrimento. Se essas sementes não forem reconhecidas e transformadas por nós, certamente as passaremos para os nossos filhos. Ao mesmo tempo,  nossos pais nos transmitiram sementes de felicidade. Por meio da prática da consciência plena, podemos reconhecer as sementes saudáveis em nós e nos outros e regá-las todos os dias.


Thich Nhat Hanh 

Nossa mente é um campo no qual é plantado todo tipo de semente - semente de compaixão,  alegria e esperança,  sementes de tristeza, medo e dificuldades.  Diariamente nossas palavras e ações plantam novas sementes no campo de nossa consciência, e o que essas sementes geram torna-se a substância de nossa vida.


Thich Nhat Hanh 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Até mesmo a mais bela flor murcha e cai, e nuvens podem obscurecer a lua que brilha no céu. Você acha a brisa agradável quando está calor, mas quando a neve branca cai, seus dedos ficam azuis devido ao frio. Por trás de uma morte tranquila pode ter havido uma vida repleta de dor. Há sempre esse lado e aquele lado. Tudo se transforma, tudo muda, a primavera se transforma em verão,  depois vem o outono e depois ainda, o inverno. Se estivemos presentes à essência das coisas comuns e não deixarmos envolver pelas ilusões,  não haverá um dia sequer que não seja maravilhoso. E mesmo assim, deve-se praticar para sempre.


Soko Morinaga 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Não dê atenção a nenhum fenômeno que ocorra com o corpo; se você se preocupar com isso, surgirão problemas. O mesmo acontece com a mente. Você não conseguirá praticar a menos que ignore tudo o que lhe acontece mentalmente. Se sentir angústia ou dor de alguma forma, simplesmente ignore. Deixe ir e retorne de corpo e alma ao método. Concentre sua mente diretamente no método em si; não se preocupe com mais nada


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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Pratique simultaneamente a quietude (chi) e a iluminação (chao). Observe atentamente, mas não veja dharmas (fenômenos), não veja o corpo e não veja a mente. Pois a mente não tem nome, o corpo é vazio e os dharmas são um sonho. Não há nada a ser alcançado, nenhuma iluminação a ser experimentada. Isso se chama libertação.


Sheng Yen

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Somos arrastados como nuvens através de nascimentos e mortes.

O caminho da ignorância e o caminho da iluminação, o percorremos sonhando.

Somente uma coisa permanece ainda na minha memória, inclusive depois de despertar:

o som da chuva que escutava uma noite no meu retiro de Fukakusa. 


Dōgen Zenji 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Não consigo ressaltar o suficiente a importância absoluta de manter a sua prática, não importa o que aconteça. Passei pelo mesmo que você está passando agora, então posso dizer pela minha experiência pessoal o que você deve fazer.

Você deve dar a sua vida à prática e recusar-se a deixar que qualquer coisa, qualquer pensamento, ideias, atitudes entrem no seu caminho. Seu "sim" deve ser aberto, sua determinação deve ser de aço.


Tangen Harada Roshi 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Tentar eliminar as paixões agrava o erro. Perseguir a Realidade Suprema também é um equívoco. Não existem obstáculos nesse mundo; "nirvana" e "nascimento e morte " são também ilusões.


Ta Hui

domingo, 1 de fevereiro de 2026

A força de vontade das pessoas comuns é fraca:  elas erradamente acreditam que existam facilidades e dificuldades. Se você desapegar da forma, e for vazio como o espaço, alcança a sabedoria dos budas. O empenho na disciplina também é vazia como o espaço; os iludidos acreditam que são elas que mantém o Caminho. Sem tratar a raiz da ilusão, apenas seguem brincando com os galhos floridos.


Fang (praticante Zen laico)