Quando você percebe que tanto o esforço quanto o não-esforço são armadilhas, a mente finalmente desiste. Nesse estado de "desistência total", sobra apenas o que é: não é "não buscar": porque isso ainda é uma intenção; não é "buscar", porque você já viu que é inútil; é a presença sem nome. Como o espelho, que não "pratica" refletir a imagem, nem "decide" não refletir. Ele apenas reflete porque essa é a sua natureza.
Quando esse paradoxo é compreendido, não intelectualmente, mas "nos ossos", a prática se torna a sua própria existência. Beber chá é apenas beber chá. Sentir cansaço é apenas cansaço. Até o dualismo, quando surge, é apenas um pensamento surgindo e passando, sem que você precise "consertá-lo".
O erro não é o dualismo existir (o mundo é dual em sua forma); o erro é o apego à ideia de que precisamos transcendê-lo para estarmos "certos". Ao perceber que a própria busca por unidade é um movimento da dualidade, você relaxa. E nesse relaxamento, a unidade (que sempre esteve lá) se revela por conta própria.
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