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sexta-feira, 14 de março de 2025

A sabedoria transcendente, segundo o budismo, é aquela que vê todas as coisas, sejam mundanas ou metafísicas, nem como permanentes e nem como não-permanentes, nem como puras e nem como impuras, nem possuindo um self e nem desprovidas de self: ela vê tudo como inconcebível e inexpremível. Enquanto as sabedorias mundana e metafísica se apegam a determinados pontos-de-vista (visões), e consequentemente, à “conhecimentos”, a sabedoria transcedente permanece livre dessas visões porque é baseada na realidade de que todos os fenômenos, todos os seres, tudo, não possui qualquer existência independente. Por isso, nada pode ser caracterizado como permanente, puro ou possuindo um self. E nada pode ser caracterizado como impermanente, impuro ou desprovido de self. Não há nada, absolutamente nada, a que possamos apontar e classificar de alguma forma.


Red Pine (em “The Heart Sutra”)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020


Fundamentalmente nossa mente não existe em lugar algum. Mas por entrar em contato com as coisas, a mente gera pensamentos, porém esse contato e esses pensamentos são na verdade vazios. Todos os fenômenos são produzidos pela mente. Realizar a verdadeira natureza é não está preso a nada. A mente que não se prende a nada é iluminada


Li Wen-hui
(citado por Red Pine em "The Diamond Sutra")

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020


As montanhas e os rios, a grande terra, de onde vieram?
Ouça minha canção:

Ao longe vejo a silhueta da montanha,
aqui perto ouço o som do córrego.
A primavera passa, mas as flores ficam.
Pessoas passam, mas os pássaros não têm medo.
Uma a uma, todas as coisas surgem
mas todas as criaturas são a mesma essência.
Se você diz que não compreende isso
É porque é claro demais.


Tao-ch’uan
(citado por Red Pine em "The Diamond Sutra")

terça-feira, 29 de dezembro de 2020


A ilusão é a matéria para a iluminação. Ao usar a ilusão como base para a prática, ela pode tornar-se um meio para transcender essa mesma ilusão. A flor de lótus não nasce em lugares altos, ela só floresce na água barrenta. As ilusões não poluem a mente iluminada. Da mesma forma, a fumaça e as nuvens cobrem o sol e a lua mas não os afetam. Se uma pérola é jogada na lama, ela não é danificada. Não se preocupe com as ondas ilusórias. Concentre-se apenas na mente iluminada.


Tai-neng
(citado por Red Pine em "The Diamond Sutra")

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020


O vazio é o barco no qual se cruza o rio da impermanência.


Red Pine
(em “The Diamond Sutra”)

sábado, 5 de dezembro de 2020


Uma pessoa que se apega a alguma coisa é como um pássaro que saltita na areia.

Uma pessoa que não se apega a nada é como um pássaro que voa no céu.

O primeiro deixa rastros. O segundo não.


Hsu-fa
(mencionado por Red Pine em “The Diamond Sutra”)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2020


Os que se libertaram do pensamento conceitual são humildes e não exaltam a si próprios. Aqueles cujas mentes são vazias (de conceitos) compreendem o que é profundo. Os que auxiliam o próximo sem esperar recompensa são verdadeiramente gentis. Aqueles cujas palavras estão em sintonia com a mente sempre dizem a verdade. Os que não exigem dos outros mais do que exigem de si mesmos promovem a paz. Os que sabem mudar de acordo com as condições são hábeis. Aqueles que agem quando devem agir e repousam quando é momento de repousar vivem em harmonia com o tempo.


Sung Ch’ang-Hsing
(como citado por Red Pine em “Lao-tzu’s Taoteching”)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020


Os fenômenos e objetos são manifestações, miragens, ou sinais de coisas que nunca se manifestam completamente, porque nenhuma delas é fundamentalmente real, apenas aparenta sê-lo. Quando vemos uma pessoa ou uma coisa, testemunhamos algo que existe no espaço e no tempo como uma combinação de elementos visuais, auditivos, olfativos, gustativos, táteis e cognitivos. Mas numa análise mais detalhada, vemos que cada um desses elementos está constantemente mudando e é impossível isolá-lo dos outros elementos. Portanto, nada é real.


Red Pine
(em "The Diamond Sutra")

domingo, 24 de maio de 2020


O que não tem existência independente é inseparável de tudo o mais. Todas as separações são delusões.


Red Pine

domingo, 19 de abril de 2020


Red Pine (Bill Porter) encontrou alguns eremitas em sua jornada. Ao chegar às suas portas, eles não o evitam: oferecem abrigo e o conforto que tiverem à mão. Eles são generosos e educados, sem conflitos por intrigas políticas. Porter parece pressionar por sinais de sabedoria especial, mas seus anfitriões são infalivelmente comuns:

Por que vir para as montanhas?
É um bom lugar para praticar.
Costumava haver mais eremitas?
Costumava haver mais, e agora há menos.
É um bom lugar porque está quieto?
Se as pessoas estão quietas, elas podem ficar quietas em qualquer lugar.
Não é difícil?
Depois de um tempo, é tudo a mesma coisa.
Não faz frio no inverno?
Os invernos são um bom momento para praticar.
Como você pratica?
Eu apenas passo o tempo.
Você pratica muito?

A prática é a única coisa que importa. Vamos tomar um chá.



Karen Maezen Miller

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020


Os fenômenos e objetos são manifestações, miragens, ou sinais de coisas que nunca se manifestam completamente, porque nenhuma delas é fundamentalmente real, apenas aparentam sê-lo. Quando vemos uma pessoa ou uma coisa, testemunhamos algo que existe no espaço e no tempo como uma combinação  de elementos visuais, auditivos, olfativos, gustativos, táteis e cognitivos. Mas numa análise mais detalhada, vemos que cada um desses elementos está constantemente mudando e é impossível isolá-lo dos outros elementos. Portanto, nada é real.


Red Pine

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Forma é vazio. Vazio é forma.


Forma, ou qualquer criação da mente, é concebida pela mente e só existe porque afirmamos que existe. A única coisa que existe é a nossa definição de forma. A forma em si é vazia de qualquer existência real. O que quer que usemos para definir forma, é dependente de alguma outra coisa. Portanto, a natureza essencial da forma é vazia. E vazio é apenas uma outra definição para realidade – não apenas uma parte da realidade, pois a realidade não tem “partes”, mas toda a realidade A natureza essencial da realidade é indivisível, vazia de uma “existência” real.

Mas se a forma é equivalente a vazio, logo, vazio tem que ser equivalente à forma.

A ausência de qualquer existência (inerente e independente de causas) é a natureza verdadeira de tudo o que experimentamos, no entanto essa experiência é distorcida por nossas mentes.

Red Pine
(comentários em “The Heart Sutra”)

terça-feira, 27 de junho de 2017

Os que vivem pelo Tao


Os que se libertaram do pensamento conceitual são humildes e não exaltam a si próprios. Aqueles cujas mentes são vazias compreendem o que é profundo. Os que auxiliam o próximo sem esperar recompensa são verdadeiramente gentis. Aqueles cujas palavras estão em sintonia com a mente sempre dizem a verdade. Os que não exigem dos outros mais do que exigem de si mesmos promovem a paz. Os que sabem mudar de acordo com as condições são hábeis. Aqueles que agem quando devem agir e repousam quando é momento de repousar vivem em harmonia com o tempo.


Sung Ch’ang-Hsing
(como citado por Red Pine em “Lao-tzu’s Taoteching”)



segunda-feira, 25 de maio de 2015

Os Três Níveis de Sabedoria



Os budistas distinguem três níveis de sabedoria. O primeiro nível é a sabedoria comum, mundana, que considera aquilo que é impermanente como sendo permanente, o que é impuro com sendo puro, e o que não tem self como possuindo um self. Essa é a sabedoria comum ao mundo todo, e apesar de sua natureza equivocada, é por meio dela que a maioria dos seres vivem suas vidas.

O segundo nível é a sabedoria metafísica, que considera o que é permanente como sendo impermanente, o que aparenta ser puro como impuro, e o que aparenta ter um self como não possuindo um self. Essa é a sabedoria superior dos que praticam meditação e cultivam filosofia. Apesar de propiciar insights a respeito da mais alta realidade, essa sabedoria mantém-se enraizada numa visão dualista, e não resulta em iluminação. No máximo, ela propicia o fim das paixões e a libertação de novos renascimentos.

O terceiro nível é a sabedoria transcendente, que vê todas as coisas, sejam mundanas ou metafísicas, nem como permanentes e nem como não-permanentes, nem como puras e nem como impuras, nem possuindo um self e nem desprovidas de self: vê tudo como inconcebível e inexpremível. Enquanto as sabedorias mundana e metafísica se apegam a determinados pontos-de-vista (visões), e consequentemente, à “conhecimentos”, a sabedoria transcedente permanece livre dessas visões porque é baseada na realidade de que todos os fenômenos, todos os seres, tudo, não possuem qualquer existência independente. Por isso nada pode ser caracterizado como permanente, puro ou possuindo um self. E tampouco nada pode ser caracterizado como impermanente, impuro ou desprovido de self. Não há nada, absolutamente nada, a que possamos apontar e classificar de alguma forma.

Red Pine
(em “The Heart Sutra”)

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Não há um eu que sofra



As pessoas comuns vivem em ilusão e não sabem que seu corpo físico – mas não sua essência - é somente uma combinação temporária de elementos. Ela escutam a respeito da vida e sentem prazer. Elas escutam a respeito da morte e ficam aflitas. Elas não imaginam que, por esses corpos não serem elas, não existe vida e morte. E se com o corpo é assim, o mesmo ocorre com a mente. Suas ilusões, racionalizações e sombras não são nada além de combinações advindas dos sentidos. Mas quando reconhecerem que o mundo é criado como reação aos nossos sentidos, verão que não existe um eu que sofra.

Chen-k’o, monge Chan chinês
(citado por Red Pine em “The Heart Sutra”)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Bolhas

Quando o apego aos sentidos existe, o sofrimento está presente. Mas uma vez que se entenda que os sentidos são essencialmente vazios, onde poderia o sofrimento se instalar?

Por exemplo, quando o vento sopra sobre as águas, surgem bolhas. Enquanto estão como bolhas, não se vêem como água. Mas quando as bolhas se desfazem e elas voltam a ser água, não são mais bolhas. Nesse caso, as bolhas representam os seres e a água representa a natureza búdica (que é nossa essência comum).


Hui-chung, monge Chan chinês
(citado por Red Pine em “The Heart Sutra”)