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sexta-feira, 16 de maio de 2025

Deixar estar nos possibilita ver que a nossa verdadeira natureza está livre de problemas, angústia e sofrimento — e que sempre esteve. Quando paramos de tentar acalmar a superfície — e aceitamos que a própria natureza do oceano é a mudança —, começamos a experienciar essa liberdade interior.


Yongey Mingyur Rinpoche 

O oceano não se transforma em algo calmo e parado. Essa não é a natureza do oceano. Mas, agora, estamos tão familiarizados com a vastidão do oceano que até as maiores ondas não nos incomodam mais. É assim que podemos, então, vivenciar nossos pensamentos e emoções — mesmo aqueles dos quais passamos a vida tentando nos livrar. Todo movimento da mente, e toda reação emocional, ainda é apenas uma pequena onda na vasta superfície da mente desperta.


Yongey Mingyur Rinpoche 

O ego não é um objeto; trata-se mais de um processo que acompanha a propensão de agarrar e continuar mantendo ideias e identidades fixas.  O que chamamos de ego é,  na verdade,  uma percepção em constante mudança. Não precisamos nos livrar do ego, porque ele, na verdade, nunca existiu. Não há um ego a ser morto.


Yongey Mingyur Rinpoche 

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

Cheguei à conclusão de que, se permitisse a presença do pânico e ficasse com o reconhecimento da consciência plena, veria que o pânico era apenas a manifestação da minha mente. Dessa forma, o pânico se autolibertaria, ou seja, o pânico, tal como nossos pensamentos, emoções e percepções, já é livre em si e de si mesmo. A libertação vem com uma mudança na percepção. Nossos problemas não precisam ser libertados por alguma força externa. Vi que a libertação não viria — nunca viria — se me concentrasse no pânico, ou em qualquer problema, e tentasse me livrar dele. O melhor é deixar estar, então a próxima nuvem se formará e se dissipará, e ondas calmas virão assim como ondas turbulentas. Os problemas da vida nunca vão acabar, e as pessoas que eu amava não iriam viver para sempre, e eu encontraria novos medos e ansiedades.

Mas, se ficasse com o reconhecimento da consciência plena, eu ficaria bem. Seria capaz de lidar com as nuvens e as ondas, surfar e brincar com elas, seria derrubado, mas não afundaria. Não ficaria aprisionado. Finalmente descobri a única libertação confiável do sofrimento: não tentar me livrar do problema. Então a onda parou de tentar se livrar de mim. Estava lá, mas não era prejudicial.


Yongey Mingyur Rinpoche 


quarta-feira, 2 de novembro de 2022

É assim que o sofrimento sempre funciona — nossas interpretações equivocadas nos transformam em alvos. Lembrei-me de quando observava as pessoas nos parques no sudeste da Ásia praticando a arte marcial do tai chi chuan. Olhava-as de lado, maravilhado em descobrir que a defesa era baseada em fluidez e não em resistência. No tai chi, para um mestre das artes marciais, o golpe do oponente não tem um lugar para atingir. O mesmo acontece com um mestre da mente. Quanto mais rígido for nosso sentido do eu, mais superfície oferecemos para a flecha atingir. Quem está recebendo essas flechas? Quem se ofende com esses barulhos ensurdecedores? Quem a não ser o grande lama de boas e impecáveis maneiras, enojado com o mau cheiro dos banheiros e odores dos corpos. Gostaria de poder ver esses mendigos com o mesmo amor e apreciação que tenho pelos meus alunos... mas essas pessoas não estão me venerando, não estão se prostrando para mim e não me respeitam."


Yongey Mingyur Rinpoche 

terça-feira, 1 de novembro de 2022

 


Em um nível mais profundo, eu já tivera o reconhecimento da consciência plena há muitos anos e, mesmo quando perdia a conexão, confiava na sabedoria da vacuidade. Mesmo quando as ondas tinham sido muito mais fortes do que esperava, e mesmo quando me deixaram fazendo esforço para respirar, nunca perdi totalmente de vista a grande mente espaçosa e fui sustentado por ela. Nunca duvidei de fato da minha capacidade de permanecer com o reconhecimento da consciência plena, ou voltar a ela após algumas interrupções efetivas. 


Yongey Mingyur Rinpoche 

segunda-feira, 31 de outubro de 2022

 

Estar em casa em todos os lugares significava não ser fisgado pelas visões, sons e cheiros que atraem e repelem. Significava abandonar o impulso de escolher e aceitar os objetos que via, cheirava e ouvia, sem ir em direção a eles, mas sem me afastar deles; apenas permanecendo com a clareza da consciência plena e permitindo que todos os fenômenos ao meu redor, sejam eles quais fossem, passassem como nuvens.


Yongey Mingyur Rinpoche

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

 

A pergunta do meu pai, dirigida a cada um de nós, era: o que você vai fazer em meio a sons assustadores? Ou em um trem lotado e fedorento? Ou em um ataque terrorista, ou em uma guerra, ou, ou... em qualquer um dos incontáveis eventos indesejáveis da vida: um diagnóstico de saúde debilitada, um pneu furado, uma percepção de ser menosprezado, desrespeitado ou rejeitado? O que você vai fazer quando sentir sua vida sendo interrompida por circunstâncias indesejáveis? Conseguirá manter uma mente estável capaz de acolher o que não deseja, e ainda ser de benefício a si mesmo e às outras pessoas? Ou implodirá de medo, raiva ou descontrole? Como agimos quando não obtemos o que queremos ou quando não queremos o que temos? Estou no bardo do renascimento agora, entre a morte do velho eu e o nascimento do que vem a seguir. Vir a ser e renascer, sempre no bardo do desconhecido, o incerto, o transitório.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

domingo, 7 de novembro de 2021

 

Deixe estar. Se não tivesse confiado totalmente nas minhas próprias experiências e nos ensinamentos que recebi, de que a mudança é constante e que nunca estamos separados da mente espaçosa, que é como o céu, minha coragem para continuar poderia ter fracassado. Agora, mais do que nunca, sem amigos, sem abrigo, sem atendente, sem alunos, sem o papel de professor, a minha mente era a minha única proteção.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

domingo, 31 de outubro de 2021

 Deixar estar nos possibilita ver que a nossa verdadeira natureza está livre de problemas, angústia e sofrimento — e que sempre esteve. Quando paramos de tentar acalmar a superfície — e aceitamos que a própria natureza do oceano é a mudança —, começamos a experienciar essa liberdade interior. Mas não se trata de estarmos livres do sofrimento e da ansiedade. Trata-se da liberdade que pode ser vivenciada com o estresse e a ansiedade. Somos liberados do sofrimento ao perceber corretamente a realidade; isso significa que temos o insight e a experiência para saber que a nossa mente é muito mais vasta do que geralmente pensamos. Não somos do tamanho e da forma das nossas preocupações. Reconhecer a realidade como ela é torna o reconhecimento e a liberação simultâneos


Yongey Mingyur Rinpoche

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

 

Quando saiu em busca de ajuda, Milarepa não tinha ideia de para onde estava indo. Porém, tinha algo que poderíamos chamar de fé, alguma confiança em sua própria capacidade de encontrar seu caminho. A confiança não pode amadurecer sem a aceitação da incerteza — uma lição que eu estava apenas começando a aprender.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

 

Quando nos conectamos com a nossa própria consciência plena, podemos conciliar o que quer que surja: as grandes ondas dos entes queridos morrendo e dos relacionamentos acabando, e as marolas dos computadores quebrados e dos voos atrasados. Nenhuma onda permanece a mesma; todas quebram na praia. Deixe estar. Deixe passar. Torne-se maior que o pensamento, maior que a emoção. Tudo está sempre em fluxo; ao deixar estar, simplesmente permitimos o movimento inerente. Podemos perceber a preferência e o desejo, mas ir ao encalço deles bloqueia o fluxo da mudança. A consciência plena contém a impermanência, não o contrário. Mas ambas têm isso em comum: a nossa liberação vem do reconhecimento.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

 

O oceano não se transforma em algo calmo e parado. Essa não é a natureza do oceano. Mas, agora, estamos tão familiarizados com a vastidão do oceano que até as maiores ondas não nos incomodam mais. É assim que podemos, então, vivenciar nossos pensamentos e emoções — mesmo aqueles dos quais passamos a vida tentando nos livrar. Todo movimento da mente, e toda reação emocional, ainda é apenas uma pequena onda na vasta superfície da mente desperta.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

sábado, 18 de setembro de 2021

 

Quando abandonamos a crença de que as coisas são imutáveis e aceitamos a experiência de que tudo é transitório, a tensão entre nossas expectativas e a realidade como ela é começa a se dissolver; nesse caso, saberemos que a perturbação desse momento vai passar e que, se mantivermos o reconhecimento da consciência plena, o problema se transformará sozinho. Não é necessária nenhuma ajuda da nossa parte para o problema ser solucionado. A natureza inerente de todas as coisas é a mudança. É a nossa preocupação com um problema que o entrava.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

 

O que havia acabado de acontecer no trem? Meu ouvido havia detectado um som, não um som bom, nem um som ruim, apenas som, apenas o contato entre o órgão sensorial e o objeto. E depois? Minha mente foi engolida por uma história negativa a ponto de eu ter esquecido que as palavras, imagens e impressões que criaram a história não eram verdadeiras para nenhuma outra realidade além da que estava na minha mente. O fato de ter sido fisgado pela história significa que perdemos o contato com a percepção. A associação obscureceu a simplicidade do som apenas. É por isso que dizemos: o corpo é a morada da mente que agarra.

Ocorrem interpretações equivocadas sobre a fonte da sensação porque a percepção e a interpretação surgem quase que simultaneamente, tão próximas que se cria uma impressão forte, porém incorreta, de que a realidade interpretativa — seja ela boa ou má, cativante ou aversiva — está alojada dentro do próprio objeto e não na mente. Isso pode ser muito difícil. Quando ficamos com a cabeça presa nas nuvens — nuvens bonitas, nuvens feias — não conseguimos ver que elas são impermanentes, que têm vida própria e que vão passar, se deixarmos. Quando nos relacionamos com o mundo com uma mente cheia de prejulgamentos, erigimos uma barreira entre nós e a realidade como ela é.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

terça-feira, 2 de março de 2021

Lentamente, trouxe cada sensação para a pousada da consciência plena. Abandonei a resistência, soltei a negatividade e tentei apenas repousar na sensação de insignificância, de não me sentir amado e merecedor. Trouxe essas sensações para a minha mente – para a grande mente da consciência plena, onde elas se tornaram pequenas. A mente-pousada da consciência-plena englobava as sensações, o abatimento, a desolação e se tornava maior do que todos juntos, diminuindo o impacto, mudando a relação.

 

 Continuei fazendo isso por várias horas. Estava morrendo de fome, mas fiquei feliz por me sentir mal. O sentir mal era apenas outro hóspede, outra nuvem. Não havia razão para pedir que fosse embora. Mas a minha mente agora podia aceitá-lo e, a partir da aceitação, uma clara sensação física de satisfação permeou o meu corpo.

 

Yongey Mingyur Rinpoche


quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Tudo é vacuidade, tudo é ilusão, a incessante interpretação equivocada de confundir essa coleção de rótulos com essa designação, querendo dizer que, como a compreensão convencional de como identificamos a nós mesmos não existe, não existe nada de “real” para receber as flechas. Por causa de nossa natureza essencialmente vazia, a dor que sentimos é autoinflingida.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

A verdadeira aceitação requer uma mente aberta, disposta a investigar o que quer que seja. Nunca pode ser programada. Muito pelo contrário, pois é necessário enfrentar o mundo com liberdade e manter uma mente sempre nova, disponível a todas as situações. Isso requer confiança na incerteza. A aceitação permite que o discernimento genuíno surja da sabedoria, em vez de ter nossas decisões limitadas por padrões automáticos e não questionados.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Tudo o que queremos já está dentro de nós. Precisamos relaxar e permitir que nossa sabedoria inata surja.

 

Yongey Mingyur Rinpoche

domingo, 21 de fevereiro de 2021

 Não tenho que fugir de nada, não tenho que evitar nada, não tenho nada de que gostar, nem nada a odiar, nada para comemorar ou de que me arrepender. Molhado, seco; feliz, triste; cheiros bons, cheiros ruins. Se eu permanecer com a consciência plena, vou ficar bem.

 

 Yongey Mingyur Rinpoche