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sábado, 25 de maio de 2024

 



A vida sempre nos dá
exatamente o professor de que precisamos a cada momento.
Isso inclui cada mosquito,
cada infortúnio,
cada sinal vermelho,
todos os engarrafamentos,
cada supervisor (ou funcionário) desagradável,
todas as doenças, todas as perdas,
cada momento de alegria ou depressão,
cada vício,
cada pedaço de lixo,
cada respiração.
Cada momento é o guru.



Charlotte Joko Beck

sexta-feira, 11 de março de 2022

 Todos nós temos problemas constantemente, mas nossa disposição de apenas ser está muito baixa em nossa lista de prioridades, até que tenhamos praticado por tempo suficiente a ponto de ter fé em apenas ser, para que as soluções possam aparecer naturalmente. Outro sinal de uma prática amadurecida é o desenvolvimento dessa confiança e fé.

 

Charlotte Joko Beck (1917-2011)


terça-feira, 8 de março de 2022

 

E dizer que não há esperança não é nada pessimista. Não pode haver esperança porque não há nada além deste exato momento. Quando esperamos, ficamos ansiosos porque nos perdemos entre onde estamos e onde esperamos estar. Nenhuma esperança (desapego, o estado iluminado) é uma vida de estabilidade, de equanimidade, de pensamento e emoção genuínos. É o fruto da verdadeira prática, sempre benéfica para si mesmo e para os outros, e vale a pena a devoção e prática sem fim que isso acarreta.

 

Charlotte Joko Beck (1917-2011)

terça-feira, 1 de março de 2022

 

Eu luto com minha vida porque em vez de apenas fazer o que precisa ser feito, eu luto contra o medo subjacente; Tento destrancar a porta. Paradoxalmente, a única maneira de destrancar a porta é esquecê-la.

Em vez de ficarmos obcecados com a porta trancada, precisamos cuidar de nossas vidas, o que significa limpar a casa, cuidar do bebê, trabalhar, o que for.

 

Charlotte Joko Beck (1917-2011)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

 

Essencialmente, essa estrutura a mais que cobre nossa vida não é real. Ela surgiu devido ao mau uso de nossas mentes. Não é uma questão de se livrar dela, uma vez que não tem realidade; é uma questão de ver sua verdadeira natureza. E à medida que vemos essa natureza, em vez de ser tão espessa e escura, essa cobertura torna-se mais transparente: vemos através dela. Iluminação (trazer mais luz) é o que acontece na prática. Na verdade, não estamos nos livrando de uma estrutura, estamos vendo através dela como o sonho que ela é, e à medida que percebemos sua verdadeira natureza, sua influência em nossa vida enfraquece; e assim podemos ver com mais precisão o que está acontecendo em nossa vida diária. É como se tivéssemos que fechar o círculo. Nossa vida está sempre ok.

 

Charlotte Joko Beck (1917-2011)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

 

Se tivermos paciência para esperar até que a lama (nossa mente) se assente e a água fique limpa, se permanecermos imóveis até que a ação certa surja por si mesma, as palavras certas surgirão sem que pensemos nelas.

 

Charlotte Joko Beck (1917-2011)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

 

A consciência é o nosso verdadeiro eu; é o que somos. Portanto, não temos que tentar desenvolver a consciência; simplesmente precisamos perceber como bloqueamos a consciência com nossos pensamentos, nossas fantasias, nossas opiniões e nossos julgamentos. Ou estamos em consciência, que é nosso estado natural, ou estamos fazendo outra coisa. A marca dos alunos maduros é que, na maioria das vezes, eles não fazem outra coisa. Eles estão apenas aqui, vivendo suas vidas. Nada especial.

 

Charlotte Joko Beck (1917-2011)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

 

A maioria de nossas dificuldades, nossas esperanças e nossas preocupações são fantasias vazias. Nada jamais existiu, exceto este momento. Isso é tudo o que existe. Isso é tudo o que somos. No entanto, a maioria dos seres humanos gasta 50 a 90 por cento ou mais do seu tempo na imaginação, vivendo na fantasia. Pensamos sobre o que nos aconteceu, o que poderia ter acontecido, como nos sentimos a respeito, como deveríamos ser diferentes, como os outros deveriam ser, como é tudo uma vergonha e assim por diante; é tudo fantasia, tudo imaginação. Memória é imaginação. Cada memória que guardamos devasta nossa vida.

 

Charlotte Joko Beck (1917-2011)


quarta-feira, 7 de abril de 2021

 A vida sempre nos dá exatamente a lição que precisamos a cada momento.

Isso inclui cada mosquito, cada infortúnio, cada luz vermelha, cada engarrafamento, cada supervisor (ou funcionário) desagradável, cada doença, cada perda, cada momento de alegria ou depressão, cada vício, cada pedaço de lixo, cada respiração.

Cada momento é o guru.

 

Charlotte Joko Beck

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Apenas um eu voltado para si mesmo pode ser machucado


 

Apenas um eu voltado para si mesmo, um eu apegado a mente e corpo, pode ser machucado. Esse eu na verdade é um conceito formado por pensamentos em que acreditamos; por exemplo, “se eu não conseguir isso, serei miserável”, ou “se isso não funcionar comigo, será horrível”, ou “se eu não tiver uma casa para morar, isso é realmente terrível”.
 
O que chamamos de eu nada mais é que uma série de pensamentos aos quais estamos apegados. Quando estamos absorvidos em nossos pequenos eus, a realidade — a energia básica do universo — praticamente nem é percebida.
Suponha que eu sinta que não tenho amigos, e que sou muito solitária. O que acontece quando sento e medito com isso? Começo a ver que meus sentimentos de solidão na verdade são apenas pensamentos. De fato, estou simplesmente sentada aqui. Talvez esteja sentada sozinha em minha sala, sem alguém com quem combinei um encontro. Ninguém me ligou e sinto-me solitária. 
Na verdade, contudo, estou apenas sentada. A solidão e a angústia são simplesmente meus pensamentos, meus julgamentos de que as coisas deveriam ser diferentes do que são. Não enxerguei através deles; não reconheci que minha angústia é fabricada por mim. A verdade factual é que estou simplesmente sentada em minha sala.
 
Charlotte Joko Beck
(em "Nada Especial - Vivendo Zen")
 

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Nossa motivação para a prática

Uma pista certeira para indicar se estamos sendo motivados por aspiração ou expectativa é que a aspiração é sempre satisfatória. Ela pode não ser prazeirosa, mas sempre satisfaz. A expectativa, por outro lado, está sempre insatisfeita, porque vem de nossas pequenas mentes, nossos egos. Começando lá atrás na infância, levamos nossa vida procurando por satisfação fora de nós mesmos. Tentamos de algum modo esconder o medo básico de que algo está faltando em nossas vidas. Vamos de uma coisa para outra tentando preencher o buraco que acreditamos que está ali.

Charlotte Joko Beck
(em "Sempre Zen")

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Falso medo


Uma vez que somos todos humanos, temos tendência a criar um falso problema. Ele existe porque não temos escolha, senão viver segundo um particular e peculiar tipo de mente. Nosso modo de pensar não é o mesmo de um gato, de um cavalo, ou mesmo de um golfinho. Em virtude do mau uso que fazemos de nossa mente, confundimo-nos com dois tipos de medo. Um é o medo comum: quando somos ameaçados fisicamente, reagimos, tomamos uma atitude; podemos fugir, lutar, chamar a polícia. Entretanto, fazemos alguma coisa; esse é o medo comum e natural. Porém, a maior parte de nossa vida ansiosa não se baseia nesse tipo, mas num outro, que é falso.

O falso medo existe porque usamos nossa mente de modo incorreto. Por nos vermos como um "eu" separado, enquanto entidade, criamos várias sentenças com "eu" como sujeito. Elas dizem respeito ao que aconteceu com esse "eu" ou com o que poderia acontecer-lhe, ou com uma maneira de analisar e controlar esses eventos. Toda essa atividade mental praticamente incessante implica uma avaliação contínua e inquieta de nós mesmos e dos outros.

Em decorrência do medo que vem desta falsa imagem, não podemos agir com inteligência alguma; é um medo que tenta manipular e manobrar. Depois de termos "avaliado" uma situação ou uma pessoa, até podemos começar a agir, mas essa ação costuma estar fundada num erro, num pensamento falso sobre a existência de um "eu" separado da ação. Podemos ter os seguintes pensamentos: "Talvez eu não consiga tirar aquela nota"; "Talvez eu não impressione"; "Posso acabar sem nada"; "Sou importante demais para lavar a louça". Forma-se um sistema peculiar de valores a partir de pensamentos em primeira pessoa como esses, segundo o qual nossa preferência é valorizar apenas as pessoas e os acontecimentos que, esperamos, venham a manter ou a estabelecer uma vida segura e tranqüila para esse "eu". Depois de nos avaliarmos, desenvolvemos várias estratégias para a preservação dele. Costumávamos dizer, no tempo da psicologia pop do sul da Califórnia, "tenho de amar a mim mesmo". Mas quem está amando quem? De que maneira é possível um "eu" amar "a mim mesmo"? Sentimos que "tenho de amar a mim mesmo, tenho de ser bom para comigo mesmo, tenho de ser bom para com você". Há um medo imenso por trás desses julgamentos, medo que não realiza coisa alguma. Temos um "eu" fictício que tentamos amar e proteger. Passamos a maior parte de nossa vida jogando esse jogo inútil. "O que acontecerá? Como será? O que vou tirar disso tudo?" Eu, eu, eu: é um jogo mental ilusório, e estamos perdidos dentro dele.

Nossa suposição é que, logo que percebemos que estamos vendo o jogo, ele cesse, mas não é o que se dá. E como dizer a um alcoólatra que não fique bêbado. Estamos perpetuamente embriagados. Darmos ordens a nós mesmos o tempo todo, insistindo para agirmos de modo correto, de nada adianta. "Não vou ser assim" não é a resposta. Qual é a resposta? Precisamos enfrentar esse problema de um outro ângulo, temos de entrar pela porta de trás. Primeiro, precisamos tomar consciência de nossa ilusão, de nossa embriaguez. O texto antigo diz: ilumine a mente, dê-lhe luz, preste atenção. Isso não é o mesmo que auto-aperfeiçoamento, tentar consertar a própria vida. É shikan: apenas ficar sentada, vivenciar, conhecer as ilusões (as sentenças em primeira pessoa) como são.

Não é que "eu" ouço os pássaros. É só ouvir os pássaros. Permitam-se ser o ver, o ouvir, o pensar. Isso é o que significa sentar. E o falso "eu" que interrompe a maravilha com o desejo incessante de pensar sobre "eu". A maravilha está acontecendo o tempo tudo: o pássaro canta, os carros passam, as sensações corporais prosseguem, o coração pulsa; a vida é um milagre a cada segundo, mas ao sonharmos nossos sonhos em primeira pessoa perdemos tudo isso. Portanto, permaneçamos só sentados com o que talvez pareça uma confusão. Sintam-na apenas, sejam essa confusão, apreciem-na. Nessa condição temos possibilidade de ver com mais freqüência através dos falsos sonhos que obscurecem nossa vida. E depois, o que há?

Charlotte Joko Beck,
(em "Sempre Zen")

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Uma vida centrada na realidade

"Vivendo a partir do que somos saímos de uma vida centrada em nós para uma vida centrada na realidade."

Charlotte Joko Beck
(em "Nada Especial - Vivendo Zen")

domingo, 23 de setembro de 2012

Desapontamento sem fim

"A prática precisa ser um processo de desapontamento sem fim. Temos que ver que tudo que demandamos (e até obtemos) eventualmente nos desaponta. Essa descoberta é nosso professor."

Charlotte Joko Beck
(em "Nada Especial: Vivendo Zen")

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cada momento é absoluto

"Por “atenção” nós podemos usar a expressão “estado desperto”. Atenção ou estado desperto é o segredo da vida, ou o coração da prática. … Cada momento da vida é absoluto em si mesmo. É tudo que existe. Não há nada além do presente momento; não há passado, não há futuro; não há nada além disto. Então quando não prestamos atenção a “isto”, perdemos todo o quadro. E o conteúdo “disto” pode ser qualquer coisa.
“Isto” pode ser ajustar nossas almofadas de meditação, cortar uma cebola, visitar alguém que não gostaríamos de visitar. Não importa o conteúdo do momento, cada momento é absoluto. É tudo que existe e tudo que existirá para sempre. Se pudéssemos prestar atenção total, nunca nos irritaríamos. Se estamos irritados, é axiomático que não estamos prestando atenção. Se perdemos não apenas um momento, mas um momento depois do outro, então estamos com problemas."

Charlotte Joko Beck
(em “Nada Especial, Vivendo Zen”)