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sexta-feira, 8 de novembro de 2024




O Grande Caminho não é difícil 
Para aqueles que não têm preferências.
Quando o amor e o ódio estão ambos ausentes
Tudo se torna claro e sincero.
Fazendo-se a menor distinção entretanto
O céu e a terra são colocados infinitamente distantes.

Se queres ver a verdade,
Então não tenha opiniões a favor ou contra coisa alguma.
Quando o profundo significado das coisas não é compreendido
A essencial paz da mente é perturbada inutilmente.

O Caminho é perfeito como o vasto espaço
Onde nada falta e nada está em excesso.
Na verdade, é devido à nossa opção em aceitar ou rejeitar
Que não vemos a verdadeira natureza das coisas.

Não vivas enredado pelas coisas externas,
Nem preso às sensações interiores de vazio.
Seja sereno na unidade de todas as coisas
E tais idéias errôneas irão desaparecer por si mesmas.

Quando tentas parar a atividade para alcançar a passividade,
O teu próprio esforço irá te devolver à atividade.
Enquanto permaneceres num extremo ou no outro
Nunca conhecerás a Unidade.

Aqueles que não vivem no Caminho Único
Falham tanto na atividade quanto na passividade,
Tanto na afirmação quanto na negação.
Negar a realidade das coisas é perder sua realidade.
Afirmar o vazio das coisas é perder sua realidade.

Quanto mais falares e pensares sobre isso,
Mais te desviarás para longe da verdade.
Pare de falar e de pensar,
E nada haverá que não possas conhecer.

Retornar à raiz é encontrar o significado,
Mas perseguir as aparências é perder a fonte.
No momento da iluminação interior
Há um caminho além da aparência e do vazio.

Às mudanças que parecem ocorrer no mundo vazio
Chamamos de reais somente porque somos ignorantes.

Não busques a verdade;
Apenas deixe de acalentar opiniões.
Não permaneças no estado dualístico;
Evite cuidadosamente tais investidas.
Se houver, mesmo que seja um traço,
Disto ou daquilo, do certo e do errado,
A essência da Mente se perderá na confusão.

Muito embora todas as dualidades provenham do Um,
Não fiques apegado a este Um.
Quando a mente existe impertubável no caminho,
Nada no mundo pode ofender,
E quando uma coisa não pode mais ofender,
Ela cessa de existir no velho modo.

Quando não surgem mais pensamentos discriminatórios,
A velha mente cessa de existir.
Quando os objetos do pensamento desaparecem,
O motivo do pensamento desaparece;
Assim, quando a mente desaparece, os objetos desaparecem.

As coisas são objetos devido ao sujeito (mente):
A mente (sujeito) é assim devido às coisas (objeto).
Compreenda a relatividade de ambos
E a realidade básica: a unidade do Vazio.

Neste Vazio os dois são indistinguíveis
E cada um contém em si mesmo todo o mundo.
Se não discriminares o áspero do fino
Não serás tentado ao preconceito e à opinião.

Viver no Grande Caminho não é fácil nem difícil,
Mas aqueles com visões limitadas são temerosos e irresolutos;
Quanto mais se apressam, mais devagar eles vão,
E o apego não pode ser limitado;
Mesmo o apego à idéia de iluminação é andar sem rumo.

Deixe que as coisas sigam o seu próprio caminho
E não haverá mais o vir ou o ir.
Obedeça à natureza das coisas (tua própria natureza),
E caminharás livremente sem seres perturbado.

Quando o pensamento está escravizado, a verdade está oculta,
Pois tudo é indistinto e nada está claro
E a cansativa prática de julgar traz aborrecimento e cansaço.
Que benefício pode nos trazer a distinção e a separação?

Se queres te movimentar no Caminho Único
Não desgostes nem mesmo do mundo dos sentidos e das idéias.
Na verdade, aceitá-lo plenamente
É identificar-se com a verdadeira Iluminação.

O homem sábio não se esforça para alcançar qualquer meta,
Mas o homem tolo é escravo e ele mesmo se escraviza.

Há somente um darma, uma verdade, uma lei e não muitas.
As distinções surgem das aferradas necessidades do ignorante.
Buscar a Mente com a mente que discrimina é o maior de todos os erros.

O repouso e a intranquilidade derivam da ilusão;
Com a Iluminação não há o gostar e o desgostar.
Todas as dualidades surgem da dedução ignorante.
Elas são como sonhos ou flores no ar,
É tolice tentar capturá-las.

O ganho e a perda, o certo e o errado:
Tais pensamentos têm que ser abolidos completamente.
Se o olho nunca dorme, todos os sonhos naturalmente cessarão.
Se a mente não fizer qualquer discriminação,
As dez mil coisas são o que elas são, uma única essência.

Compreender o mistério desta Única Essência
É ser liberado de todas as malhas a que estamos presos.
Quando todas as coisas são vistas igualmente
Alcançamos a atemporal Auto-essência.

Não são mais possíveis comparações ou analogias
Neste estado em que não há nem causas nem relações.
Considere o movimento estacionário e o estacionário em movimento
E ambos, o movimento e o repouso, desaparecerão.

Quando tais dualidades deixam de existir
A Unidade em si mesma não pode existir.
A esta finalidade última, nenhuma lei ou descrição pode ser aplicada.

Para a mente unificada de acordo com o Caminho
Cessam todos os esforços autocentrados.
As dúvidas e irresoluções desaparecem
E a vida na verdadeira fé é possível.

Com um simples golpe estamos livres da escravidão;
Nada nos prende e nós não nos prendemos à nada.
Tudo é vazio, claro, auto-iluminante,
Sem qualquer esforço do poder da mente.

Aqui o pensamento, o sentimento, o conhecimento e a imaginação
Não têm qualquer valor.
Neste mundo da Essencialidade
Não há nem ser nem outra coisa que seja o não-ser.
Para entrar diretamente em harmonia com esta realidade
Diga simplesmente quando a dúvida surgir: ”não dois”.

Neste ”não dois” nada é separado, nada é excluído.
Não importa quando ou onde,
A Iluminação significa entrar nesta verdade.
E esta verdade está além do aumento ou diminuição no tempo e no espaço;

Num simples pensamento estão dez mil anos.
O Vazio aqui, o Vazio lá,
Mas o universo infinito permanece sempre diante dos teus olhos.
Infinitamente grande e infinitamente pequeno;
Sem diferença, pois a definições desaparecem
E nenhum limite é visto.
Isso também ocorre com o Ser e o não-Ser.

Não perca tempo com dúvidas e argumentos que nada têm que ver com isso.
Uma coisa, todas as coisas;
Movem-se e se mesclam sem distinção.
Viver nesta realização
É não ter ansiedade acerca da não-perfeição
Viver nesta fé é a estrada para a não-dualidade,
Porque o não-dual é uno com a mente confiante.

Palavras!
O Caminho está além da linguagem,
Pois nele não há nem o ontem, nem o amanhã, nem o hoje.


Sengcan

domingo, 17 de março de 2024

 



Não busque condições externas; tampouco se prenda à ideia de vazio interior.
Descanse em unidade com todas as coisas;
assim todas as barreiras desaparecerão.

Seng Ts'an (526-606)

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Aprisionado aos pensamentos, você se afasta do real. Por que alternar entre atração e aversão? Se deseja entrar no Caminho, não seja bloqueado pelos sentidos; e ao não repelir nem mesmo os sentidos, você torna-se um com a verdadeira iluminação. 

O sábio não tem intenções; os tolos aprisionam a si próprios em seus conceitos. A mente iludida aferra-se ao que deseja.

A mente errante cria a "tranquilidade" e a "confusão", mas na iluminação não existe apegos ou aversões. A dualidade das coisas advém da discriminação.


Sengcan

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Deixe que as coisas sigam e seja espontâneo; vivencie naturalmente o permanecer e o retirar-se. Em harmonia com sua natureza, unido ao Caminho, siga serenamente, sem obstáculos.


Sengcan 

segunda-feira, 1 de janeiro de 2024


Se quer estar no Caminho, não tenha preferências. Preferir ou desgostar de algo - essa é a doença da mente. 

É inútil praticar a quietude sem antes reconhecer o princípio misterioso que a tudo permeia.

O Caminho é perfeito como o grande espaço; nele nada falta, nada excede. Por manter preferências e rejeições, você não consegue alcançá-lo.

Ao manter a atenção plena e a equanimidade diante de tudo, a confusão se esvai naturalmente.


Sengcan

terça-feira, 22 de junho de 2021

 

No passado um grande mestre disse “O grande caminho não é difícil para aquele que não tem preferências”. Quando não colocamos nossas opiniões, nossa maneira de reafirmar nosso próprio eu ou a nossa forma em todas as coisas. Se não fizermos isso, tudo instantaneamente está conforme a nossa preferência íntima, que vai além de gosto ou não gosto. Seja o dia com sol ou com chuva, ambos são dias que apreciamos. Faça frio ou calor, aceitamos com alegria. Se não colocamos e não sentimos alegria em todas as coisas que ocorrem, tais como elas se apresentam, alguma coisa há de errada com a nossa prática, porque a verdadeira prática tem uma profunda aceitação das condições e de como o universo se manifesta. Mesmo o acontecimento mais trágico, como quando estamos no fim da vida, é olhado com aceitação e alegria.

O tempo de viver é o tempo de viver. O tempo de morrer é o tempo de morrer. Cada um eles têm sua própria alegria.


Monge Genshô

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021



O Grande Caminho não é difícil para aquele que não tem preferências.
Quando apego e desapego estão ausentes tudo se torna claro e evidente.
Mas se houver a menor preferência pessoal o céu e a terra se dividirão.

O Caminho é perfeito como o espaço infinito nele nada falta e não há nada em excesso.
Na verdade, é por escolhermos aceitar ou rejeitar que não vemos a verdadeira natureza das coisas.

Não te emaranhes nas coisas visíveis e nem nas emoções sempre vazias.
Seja sereno na unicidade das coisas e as visões errôneas desaparecerão por si mesmas.


Sengcan

terça-feira, 5 de janeiro de 2021


Na mente em harmonia com o Tao, todo egocentrismo desaparece. Sem qualquer traço de dúvida, ela confia completamente no Universo, pois está finalmente livre, sem qualquer apego. Tudo é vazio, brilhante, perfeito por si só.


Sengcan

sábado, 12 de setembro de 2020


Emmon: “De acordo com os ensinamentos, todos os seres sencientes já são budas iluminados.”

Nyuri: “Como não há vínculos, como podem existir seres libertados?”

Daoxin (580–651), o quarto patriarca zen chinês, chegou ao terceiro patriarca, Sengcan (morto em 606), e pediu para ser libertado. Sosan respondeu: "Quem o aprisionou?" Daoxin respondeu: "Ninguém". Sengcan perguntou: "Então por que você está querendo ser libertado?" Com isso, Daoxin teve um ótimo satori. Como a história ilustra, não há vínculos dois quais se livrar, nada está faltando e não há nada a ser ganho com a prática. Como já foi dito:

"O Grande Caminho é ilimitado, insondável e sutil".


Soko Morinaga

terça-feira, 12 de junho de 2018



Pare toda atividade e volte-se para a quietude,
E essa quietude será ainda mais ativa.

Tente alcançar o vazio e estará virando as costas para ele.
Falar e pensar muito te afastam da harmonia com o Caminho.
Interrompa o falar e o pensar, e não haverá lugar algum onde você não estará.

Busque a iluminação e irá perdê-la.


Sengcan
(Terceiro Patriarca do Zen)



domingo, 4 de fevereiro de 2018

Buscar a verdade é bobo


Há um poema muito famoso escrito pelo terceiro patriarca do Zen, Seng-ts'an (Sengcan), chamado Hsin-Hsin Ming, que se traduz como Versos sobre a Fé na Mente. Neste poema, Seng-ts'an escreve: "Não busque a verdade; apenas deixa de apreciar as opiniões." Esta é uma reversão na maneira como a maioria das pessoas tentam alcançar a verdade absoluta. Muitas pessoas procuram a verdade, mas Seng-ts'an está dizendo para não procurá-la. Isso parece estranho. Como você encontrará a verdade se não a buscar? Como você encontrará a felicidade se não a buscar? Todo mundo parece estar procurando algo. A busca espiritualidade é altamente honrada e respeitada, e aqui vem Seng-ts'an dizendo não procurar!

A razão pela qual Seng-ts'an está dizendo para não buscar é porque a verdade, ou a realidade, não é algo objetivo. A verdade não é algo "lá fora". Não é algo que você encontrará como um objeto de percepção ou como uma experiência temporal. A realidade não está dentro de você nem fora de você.

Seng-ts'an era um antigo mestre Zen. Ele via as coisas através do olho da iluminação e estava intimamente consciente de como a mente condicionada se engana em falsas perseguições e becos cegos. Ele sabia que buscar a verdade, ou a realidade, é tão bobo como um cachorro pensando que deve perseguir a sua cauda para alcançar sua cauda. O cão já possui sua cauda desde o início. Por isso, qualquer verdade que é alcançada através do entendimento não é a verdade real porque tal verdade seria um objeto e, portanto, não verdadeira.



Adyashanti



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Fé na Mente (estrofes 1 a 4)



O Grande Caminho não é difícil
para aquele que não tem preferências.
Quando apego e desapego estão ausentes
tudo se torna claro e evidente.
Mas se houver a menor preferência pessoal
o céu e a terra se dividirão.

Se você deseja ver a Verdade
não crie apego ou aversão a nada.
Apegar-se ao que gosta contra o que não gosta
é a doença da mente.
Quando o significado mais profundo não é compreendido,
a natural paz da mente é perturbada em vão.

O Caminho é perfeito como o espaço infinito
nele nada falta e não há nada em excesso.
Na verdade, é por escolhermos aceitar ou rejeitar
que não vemos a verdadeira natureza das coisas.

Não te emaranhes nas coisas visíveis,
e nem nas emoções sempre vazias.
Seja sereno na unicidade das coisas e
as visões errôneas desaparecerão por si mesmas.


Sengcan (Terceiro Patriarca Chan -Zen)
(em “Faith in Mind”)


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Na mente em harmonia com o Tao




Na mente em harmonia com o Tao, todo egocentrismo desaparece. Sem qualquer traço de dúvida, ela confia completamente no Universo, pois está finalmente livre, sem qualquer apego. Tudo é vazio, brilhante, perfeito por si só.


Sengcan
(em “Faith in Mind”)