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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A compaixão como princípio fundamental


Transformar a compaixão no princípio fundamental que governa todos os aspectos da nossa vida – da forma como vemos a nós mesmos, educamos nossos filhos e interagimos com os outros ao modo como nos envolvemos com o mundo ao redor. Quando deixada sem treinamento, nossa experiência de compaixão tende a ser reativa: ela surge apenas como resposta ao sofrimento ou à necessidade de alguém que amamos. No caso de um estranho ou de um animal, é preciso mais para provocar compaixão em nós. No entanto, por meio desse treinamento podemos tornar a compaixão nossa postura básica, a perspectiva através da qual percebemos nós mesmos e o ambiente à nossa volta, e passar a nos relacionar com o mundo a partir dessa visão.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A melhor solução para um problema


Poderíamos tentar nos proteger contra a incerteza e a mudança controlando o ambiente, o comportamento dos outros e o mundo todo. No entanto, essa não é uma estratégia realista. Em vez disso, podemos nos transformar e nos adaptar à realidade na qual estamos inseridos. Shantideva, autor budista do século VII, oferece uma analogia: se tentássemos cobrir toda a face da Terra com couro para proteger nossos pés, onde encontraríamos couro suficiente? Em vez disso, poderíamos cobrir nossos pés com sapatos de couro e atingir o mesmo propósito. A melhor solução para um problema é aquela que você pode encontrar dentro de si.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Fazer as pazes com a dor


Uma das primeiras percepções espirituais que o Buda partilhou com seus discípulos foi a verdade da impermanência. Ele nos lembra de que a dor de perder o que temos, de não encontrar o que desejamos e de receber o que não queríamos são parte do que significa estar vivo. E nossa felicidade reside não em evitar a dor e o sofrimento, mas em não deixar que não perturbem nosso equilíbrio essencial – a calma de permitir, pelo menos naquele momento, que as coisas sejam como são. Quanto mais cedo fazemos as pazes com ela, mais cedo paramos de reagir e começamos a viver com compaixão por nós mesmos e pelos outros.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Benefícios da autocompaixão


Com mais autocompaixão, corremos um risco menor de ficar presos na autocrítica e no derrotismo quando encontramos contratempos em nosso caminho. A autocompaixão determina o modo como nos relacionamos com decepções e fracassos inevitáveis, nos livrando da tarefa impossível de construir uma vida à prova de falhas. Ela é encorajadora – e, quando temos menos medo de nossos erros, podemos encará-los com menor disposição, aprender com eles e seguir em frente com nossas maiores metas em mente. A autocompaixão nos torna mais resilientes em face de desafios, além de nos dotar de compreensão, aceitação e senso de proporção – em si mesmos, uma espécie de sabedoria.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Autocompaixão


Com maior compaixão – sobretudo por nós mesmos – passamos a ser mais gentis e pacientes com nossas próprias falhas. Quando nos julgamos de forma muito severa, sentimos vergonha e tentamos esconder nossas imperfeições – e isso é muito estressante! Com a sinceridade, a aceitação e a transparência que vêm com a autocompaixão, não temos mais nada a esconder. E, com nada a esconder, temos menos coisas de que ter medo.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



domingo, 20 de agosto de 2017

Mais compaixão, menos estresse


O Dalai Lama com frequência diz que ter mais compaixão pode fazer com que nos sintamos menos estressados. O truque, como no caso da felicidade, parece ser ficarmos livres do estresse do julgamento e das preocupações em relação a nós mesmos. Ficamos mais leves quando tiramos o foco de nossos próprios interesses – e do peso que costuma vir com eles – e nos voltamos para os outros. Os causadores de estresse podem continuar existindo, mas deixarão de nos afetar tanto. Isso porque o que torna nossa resposta normal ao estresse tão intensa é a forma como ele pesa e parece nos engolir. A compaixão, por outro lado, nos deixa mais leves. Sentimos que nossa  carga individual diminui um pouco, a colocamos em perspectiva e percebemos que não estamos sozinhos.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A pegadinha feliz da compaixão


Não é surpresa nenhuma, portanto, que os cientistas tenham identificado efeitos positivos da compaixão no cérebro. Quando ajudamos alguém devido a uma preocupação genuína por seu bem-estar, nossos níveis de endorfina – o hormônio associado à sensação de euforia – aumentam, causando o que conhecemos como “o prazer de ajudar”.

A satisfação advinda de uma ação altruísta é efeito dela, não seu objetivo. Esta é a pegadinha – feliz – da compaixão: quanto mais ajudamos os outros, mais saímos ganhando.

O fato de ficarmos mais felizes quando estamos menos preocupados com nossa própria felicidade é um paradoxo. Da sensação de inspiração à paixão, nossas experiências mais profundas de felicidade surgem quando transcendemos nossa estreita individualidade.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

A compaixão nos liberta


Trata-se de uma via de mão dupla: quando fazemos algo bondoso a outra pessoa por compaixão, nos sentimos bem porque a bondade afirma um traço fundamental da condição humana – a necessidade e a gratidão pelos vínculos com outros seres humanos. A compaixão e a bondade também nos libertam do confinamento sufocante aos nossos próprios interesses e nos levam a sentir que fazemos parte de algo maior. Se em geral nos arrastamos pela existência diária, cegos pelo egoísmo e pela ruminação, a compaixão nos tira os antolhos e coloca nossa vida em perspectiva.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Compaixão


Ao contrário do que poderíamos pensar, a compaixão nos deixa mais otimistas, porque, apesar de surgir a partir de uma situação difícil, seu maior desejo é o fim do sofrimento e a possibilidade de fazermos algo a respeito. A compaixão nos dá um sentido de propósito que vai além de nossas habituais preocupações mesquinhas. Nosso coração fica mais leve e nosso estresse diminui, o que nos torna mais pacientes e nos ajuda a compreender melhor a nós mesmos e os outros. Além disso, a compaixão nos leva a valorizar ainda mais a bondade dos outros em relação a nós.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



domingo, 30 de julho de 2017

O paradoxo da compaixão


O paradoxo da compaixão é que nós mesmos somos seus maiores beneficiários. A compaixão nos torna pessoas mais felizes. Ela nos tira do nosso estado de espírito costumeiro, com a cabeça cheia de decepções, arrependimentos e preocupações, e nos leva a concentrar a atenção em algo maior.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)