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sexta-feira, 14 de março de 2025

As pessoas estão agarradas aos seus sentidos e não têm controle sobre eles. Um bodhisattva reconhece  que os elementos e os sentidos são completamente vazios e os controla com seremidade. 

Ele permanece na existência sem existir, pois não  reflete sobre a existência. E permanece no vazio sem estar vazio, pois nao reflete sobre o vazio.

A mente pura e inabalável, não obstruída por nada, é  a mente de um bodhisattva.


Ching-chuch

A sabedoria transcendente, segundo o budismo, é aquela que vê todas as coisas, sejam mundanas ou metafísicas, nem como permanentes e nem como não-permanentes, nem como puras e nem como impuras, nem possuindo um self e nem desprovidas de self: ela vê tudo como inconcebível e inexpremível. Enquanto as sabedorias mundana e metafísica se apegam a determinados pontos-de-vista (visões), e consequentemente, à “conhecimentos”, a sabedoria transcedente permanece livre dessas visões porque é baseada na realidade de que todos os fenômenos, todos os seres, tudo, não possui qualquer existência independente. Por isso, nada pode ser caracterizado como permanente, puro ou possuindo um self. E nada pode ser caracterizado como impermanente, impuro ou desprovido de self. Não há nada, absolutamente nada, a que possamos apontar e classificar de alguma forma.


Red Pine (em “The Heart Sutra”)

sábado, 28 de maio de 2022

 

A prática não é um trabalho duro. Quando trabalhamos demais em qualquer coisa, quer numa atividade, quer na iluminação, não conseguimos parar para ver todas as maravilhas da vida dentro e ao redor de nós. O Sutra do Coração diz isto claramente: “Nenhuma consecução, nenhuma realização”, porque vós já sois o que quereis ser. Não há nada a se conseguir. Paremos. Não façamos nada. Talvez pareça que não estamos indo a lugar nenhum, mas na verdade estamos profundamente neste momento e conseguimos alcançar a suprema dimensão.


Thich Nhat Hanh (em “Nada a Fazer, Não Ir a Lugar Nenhum”)

quarta-feira, 14 de outubro de 2020


O Buda mostrou como deveríamos viver quando disse “Forma é vazio e vazio é forma. Assim, tudo está fluindo natural e livremente.” Mas as pessoas não entendem plenamente o significado disso. Nossa mente é fundamentalmente livre de todas as formas, e se a usarmos com sabedoria, poderemos nos livrar das limitações desse saco de carne. Às vezes eu digo, “Não existe carma” ou “Não existe sofrimento”. Mas nós os experimentamos, não é? Então por que dizer que não existem? Porque tudo continua fluindo sem cessar.


Daehaeng Sunim

domingo, 26 de julho de 2020


As pessoas comum têm a convicção de que um criador e aquilo que é criado existem separadamente. Ele ainda divide os fenômenos em sujeito e objeto. Nosso hábito arraigado é fazer fotos, imagens esculpidas, de modo a tornar perceptível e solidificar o que é imperceptível e inefável. Para erradicar esse hábito, o Zen Budismo usa o conceito de vazio, ou sunyata, em sânscrito. Assim, o vazio é um nome para algo que não pode ser designado porque não existe em relação a outras coisas. Vazio significa aquilo que não tem forma permanente e, portanto, pode se manifestar de qualquer forma. Ou também se pode dizer que uma coisa é o vazio que se tornou forma. Essa é a essência do Sutra do Coração: "Forma é vazio, vazio é forma."


Soko Morinaga

segunda-feira, 1 de junho de 2020


O corpo surge do carma, o carma é produzido pela mente, e eles seguem entrelaçados por incontáveis vidas, sem parar. Apesar dos praticantes seguirem os ensinamentos do Buda, eles não compreendem que o mundo não é nada mais do que ideias e projeções, que vida e morte são ilusões.


Te-ch’ing

domingo, 24 de maio de 2020


O que não tem existência independente é inseparável de tudo o mais. Todas as separações são delusões.


Red Pine

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Forma é vazio. Vazio é forma.


Forma, ou qualquer criação da mente, é concebida pela mente e só existe porque afirmamos que existe. A única coisa que existe é a nossa definição de forma. A forma em si é vazia de qualquer existência real. O que quer que usemos para definir forma, é dependente de alguma outra coisa. Portanto, a natureza essencial da forma é vazia. E vazio é apenas uma outra definição para realidade – não apenas uma parte da realidade, pois a realidade não tem “partes”, mas toda a realidade A natureza essencial da realidade é indivisível, vazia de uma “existência” real.

Mas se a forma é equivalente a vazio, logo, vazio tem que ser equivalente à forma.

A ausência de qualquer existência (inerente e independente de causas) é a natureza verdadeira de tudo o que experimentamos, no entanto essa experiência é distorcida por nossas mentes.

Red Pine
(comentários em “The Heart Sutra”)

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Como a sombra dos bambus



Permita que seu corpo e tudo aquilo que for ligado a ele surja e depois desapareça, pois isso não tem qualquer efeito sobre sua natureza búdica. Como a sombra dos bambus nos degraus, ela não pode ser varrida. Como o reflexo da lua na água, ela não deixa rastros. Nossa natureza original é pura. Não tem mácula. Não pode ser danificada ou atingida. Como uma flor de lótus, ela não é tocada na água.


Pao-t’ung
(citado por Red Pine em "The Heart Sutra")




segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Apenas desfrutemos o momento




Seja você. A vida é preciosa exatamente como é. Todos os elementos para a sua felicidade já estão aqui. Não há necessidade de correr, lutar, buscar. Apenas seja: apenas ser no momento presente é a mais profunda meditação. O Sutra do Coração diz “Não há nada a alcançar”. Não meditamos para alcançar a iluminação, porque a iluminação já existe em nós. Não praticamos para alcançar algum estágio superior.

Estamos em paz nesse exato momento, apreciando os raios de sol entrando pela janela ou ouvindo o som da chuva. Não precisamos ir em busca de nada. Apenas desfrutemos o momento.

Thich Nhat Hanh
(em “The Pocket Thich Nhat Hanh”)


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Não há um eu que sofra



As pessoas comuns vivem em ilusão e não sabem que seu corpo físico – mas não sua essência - é somente uma combinação temporária de elementos. Ela escutam a respeito da vida e sentem prazer. Elas escutam a respeito da morte e ficam aflitas. Elas não imaginam que, por esses corpos não serem elas, não existe vida e morte. E se com o corpo é assim, o mesmo ocorre com a mente. Suas ilusões, racionalizações e sombras não são nada além de combinações advindas dos sentidos. Mas quando reconhecerem que o mundo é criado como reação aos nossos sentidos, verão que não existe um eu que sofra.

Chen-k’o, monge Chan chinês
(citado por Red Pine em “The Heart Sutra”)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Bolhas

Quando o apego aos sentidos existe, o sofrimento está presente. Mas uma vez que se entenda que os sentidos são essencialmente vazios, onde poderia o sofrimento se instalar?

Por exemplo, quando o vento sopra sobre as águas, surgem bolhas. Enquanto estão como bolhas, não se vêem como água. Mas quando as bolhas se desfazem e elas voltam a ser água, não são mais bolhas. Nesse caso, as bolhas representam os seres e a água representa a natureza búdica (que é nossa essência comum).


Hui-chung, monge Chan chinês
(citado por Red Pine em “The Heart Sutra”)