sábado, 31 de julho de 2021

 

A não-mente está sempre pronta e imperturbável quando em contato com as situações que se apresentam. Ela não se apega a nada, é lúcida e sempre cristalina, e não tem obstáculos. Ela não é estática. Vê o corpo e os pensamentos como sendo ilusões, mas nem por isso se agarra ao vazio. Só esse estado é que pode ser chamado de verdadeiro.

 

Ta Hui (mestre Chan 1089-1163)

sexta-feira, 30 de julho de 2021

 

É importante entender profundamente o sofrimento humano porque esse sofrimento e a dor nunca deixarão de existir. Quanto mais você pratica a vida espiritual, mais percebe isso. Quanto mais você tenta viver em paz e harmonia, mais você vê o quão egoísta e autocentrado você é. Mesmo que você atinja a iluminação, sofrimento e dor ainda estarão presentes em sua vida. Mas tudo bem. Assim como tudo o que existe no mundo dos fenômenos, seu sofrimento é um ser que surge da natureza original da existência, e a cada momento ele retorna à sua fonte. Então, quando você vir o sofrimento, tudo o que precisa fazer é aceitá-lo e oferecer seu corpo e mente à existência fundamental. Dessa forma, você e o sofrimento retornam ao vazio e há a libertação do sofrimento.

 

Dainin Katagiri

quinta-feira, 29 de julho de 2021

 

O Buda disse que se você quer conhecer o estado búdico, deve manter sua mente clara como o espaço vazio e abandonar os falsos pensamentos e apegos que a obstruem. O estado búdico não é um mundo além que deva ser alcançado, mas a sabedoria do sábio que despertou.

Para alcançar esse estado não é necessário qualquer adorno, qualquer prática ou método. Você deve apenas abandonar as aflições que têm estado em sua mente desde o início dos tempos, manter sua mente tão ampla como o espaço vazio, livre de discriminações e reflexões, e dos falsos pensamentos, pois eles também são como o espaço vazio. Assim essa mente maravilhosamente relaxada e sem qualquer esforço estará sempre livre e desimpedida onde quer que esteja.

 

Ta Hui (mestre Chan 1089-1163)

quarta-feira, 28 de julho de 2021

 

A maneira como nos relacionamos com o corpo físico é crítica no budismo.   Sexo, por exemplo, não é o problema tanto quanto o amor ao sexo ser o problema: a necessidade frequente de praticar sexo.   É o mesmo com comer.   O nosso amor pela comida que é o problema que leva à gula.   Em outras palavras, o grande problema com nosso corpo físico é o excesso de indulgência com ele.

Com isso, nossa vida espiritual é colocada em espera.   Nosso amor ou preferência não é pelo espiritual, mas por uma tigela de sorvete ou uma fatia de pizza.   Esses muitos momentos de indulgência somam-se a um amor crescente pelo corpóreo e muito menos amor pelo espiritual que estamos tentando realizar.

Aqueles que levam o budismo a sério primeiro entendem que devem abandonar seu amor pelo corpóreo enquanto voltam sua mente para o espiritual na esperança de realizar o espírito, diretamente.   Isso parece bastante simples, mas não é.   Nem é preciso dizer, mas servir às necessidades do corpo e estar no caminho espiritual nem sempre combinam.   Na verdade, existe um grande conflito entre eles.

Por mais ideais que sejam nossas palavras, elas não podem apagar o fato de que vivemos em um mundo baseado principalmente na aptidão darwiniana.   Nem devemos deduzir disso, como criaturas biológicas, que vemos a realidade como ela realmente é.

Os dados que recebemos por meio de nossos sentidos se relacionam apenas com a criatura e sua sobrevivência e se ela terá sucesso em reproduzir sua espécie. Mas para aqueles que estão no caminho espiritual, este não é o objetivo. Seu objetivo é intuir o espírito absoluto, a própria substância do universo. Só isso nos permite ver o universo como ele realmente é, uma composição ilusória no que diz respeito à aparência.

 

(retirado do blog The Zennist)

terça-feira, 27 de julho de 2021

 

Tente manter sua mente presente e deixe as coisas seguirem seu curso natural. Então sua mente permanecerá serena em qualquer ocasião, como uma tranquila e cristalina lagoa na floresta. Todos os tipos de animais raros e maravilhosos virão beber às suas margens, e você verá claramente a natureza real de todas as coisas. Você verá muitas coisas estranhas e maravilhosas irem e virem, mas permanecerá tranquilo. Essa é a felicidade do Buda.

 

Ajahn Chah

segunda-feira, 26 de julho de 2021

 

É imperativo que você não julgue os outros; liberte-se dos clichês, seja um indivíduo único, caminhando solitário nesse mundo de apego, aversão e ignorância; com clareza penetrante, totalmente livre, sem desejos, sem dependência, alcançando grande independência, sem a menor interpretação subjetiva do budismo, como um simplório, como um burro, como madeira, como pedra, não distinguindo sul ou norte, não diferenciando frio ou calor, escuro e silencioso, como alguém totalmente sem habilidade ou compreensão, enquanto em suas entranhas segue sendo rigoroso em suas atitudes, alerta e vigilante em ação, pois, não há nada que não esteja claro.

 

Yuanwu

domingo, 25 de julho de 2021

 

Em vez de negar o sofrimento constitutivo de tudo o que existe, a cultura pode se dedicar a fortalecer o homem, tornando-o capaz de enfrentá-lo. Podemos vencer a dor sentindo-a plenamente, utilizando como estimulante a arte, especialmente a música, o pensamento afirmativo, a contemplação da natureza, o corpo, os jogos, as festas. O humano pode utilizar a dor como impulso para a vida. O terreno firme onde sempre acreditamos pisar, a materialidade do mundo, a verdade, a realidade, hoje sabemos, é água corrente, fluxo sobre o qual construímos imensas parafernálias discursivas e técnicas que desabam. Mas quem disse que precisamos de chão firme para pisar? Talvez seja a hora de aprender a andar em cordas bambas, exercendo a vida por um fio.

 

Viviane Mosé

sábado, 24 de julho de 2021

 

As pessoas sábias realmente não buscam mudar nada. Elas se tornam quietas. Elas têm paciência. Elas trabalham sobre si mesmas. Elas observam seus pensamentos, suas ações e se veem ficando com raiva, observam-se entrando em depressão, observam-se ficando com ciúmes e inveja e todo o resto. Aos poucas elas percebem, “isso não sou eu. Isso é hipnose, é uma mentira”. Elas não reagem ao condicionamento. Quanto mais elas não reagem às condições, mais elas se tornam livres. Elas não se importam com que os outros estão fazendo. Não se comparam a ninguém. Não competem com ninguém. Simplesmente tomam conta de si mesmas. Atentas a si mesmas. Elas veem a confusão mental. Elas não correm por aí gritando, “Eu sou a realidade absoluta. Eu sou Deus. Eu sou consciência”. Ao invés disso, elas veem de onde estão vindo e deixam todos os demais em paz.

 

Robert Adams

sexta-feira, 23 de julho de 2021

 

No âmago do sofrimento está o tempo. Nossas mentes comuns não conseguem captar as rápidas mudanças do tempo, então sentimos uma lacuna entre nós e o tempo. Acreditamos que nossa existência individual é algo completamente separado de tudo o mais no universo. Mas isso é um mal-entendido, que é chamado de ignorância. Ignorância é um mal-entendido porque em termos de realidade não há separação - tudo está interconectado. No entanto, por causa da ignorância, nos sentimos separados e insatisfeitos.

Buda ensinou que todos têm a capacidade de ir além do corpo e da mente comuns e estar integralmente presentes na impermanência, de corpo e mente. Assim, a ignorância, o desejo e o sofrimento desaparecem. Essa é a liberdade que buscamos, o estado puro e claro de existência onde nada está faltando, o lugar onde tudo que podemos fazer é apenas estar. Então, desse mesmo lugar, a verdade surge. Desse mesmo lugar surge uma nova vida. Portanto, vamos aceitar nosso profundo desejo de nos libertar do sofrimento e aprender a tocar as profundezas da vida humana que está além de nossas ideias e sentimentos. É assim que podemos encontrar a verdadeira satisfação.

 

Dainin Katagiri

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Simplesmente não direcione sua mente para as coisas e nem retenha alguma coisa na mente. Então você estará vazio e espiritual, em paz e sublime.


Deshan

quarta-feira, 21 de julho de 2021

 

É fundamental que você não se submeta aos julgamentos dos outros; livre-se dos clichês, seja a pessoa única que você é, à parte, caminhando sozinho nesse mundo de apego, aversão e ignorância, com clareza penetrante, totalmente livre, sem desejos, sem dependência, alcançando grande independência, sem a menor interpretação subjetiva do budismo, como um simplório, como um burro, como madeira, como pedra, não distinguindo sul ou norte, não diferenciando frio ou calor, obscuro e silencioso, como alguém totalmente sem habilidade ou compreensão, enquanto em seu interior permanece cuidadoso em suas ações, alerta e vigilante. Assim não há nada que não seja claro - você penetra nas palavras dos sábios antigos, com suas milhares de diferenças e miríades de distinções. Quando os alunos não têm confiança é que eles buscam fora de si. Mas mesmo que você encontre algo fora de si, é sempre apenas uma descrição verbal, nunca é o significado vivo daquilo a qual se referem os mestres.

 

Yuanwu

terça-feira, 20 de julho de 2021

 

Quando meditar, não tente ter bons pensamentos. Também não tente manter longe os maus pensamentos. E não tente parar os pensamentos. Nem mesmo tente persegui-los. Em vez disso, descanse no estado de estar consciente dos pensamentos à medida em que eles surgem.

 

Kalu Rinpoche

segunda-feira, 19 de julho de 2021

 

As pessoas não reconhecem a realidade de vazio. Tudo está vazio, mas elas não veem isso. Sua mente está vazia, mas elas não percebem isso. Por não entenderem a realidade do vazio, apenas deixar ir está além deles.

Sempre pensando em mim, meu, eu, apenas conhecendo o ter, o adquirir, elas se condenam a eras sendo sugados para a roda giratória do samsara, carregando o carma que continuam criando.

Esta é a natureza do sofrimento, nos atingindo de novo e de novo, sem cessar, simplesmente porque não entendemos o deixar ir.

 

Daehaeng Sunim

domingo, 18 de julho de 2021

Tem uma coisa que posso lhe dizer com certeza. Tudo está bem. Tudo está acontecendo como deveria. Posso lhe dizer que verdadeiramente nada está errado em nenhum lugar. Se você pensa que tem um problema, esse é o erro – pensar que você tem um problema. Assim que você parar de pensar, tudo ficará bem.

 

Robert Adams


sábado, 17 de julho de 2021

 

A libertação do sofrimento não é encontrada olhando para nossas vidas de um ponto de vista egoísta; ela é encontrada vendo nossas vidas do ponto de vista desse momento. É perceber que o momento que habitualmente vemos, que é o mundo dualista da vida cotidiana, manifesta-se sempre no domínio da eternidade, que é o mundo da unidade, impermanência e vazio. O vazio é sempre um novo momento da vida pelo processo de co-originação interdependente, por isso a a vida cotidiana nada mais é do que a eternidade.

 

Dainin Katagiri