sexta-feira, 15 de setembro de 2017

A compaixão como princípio fundamental


Transformar a compaixão no princípio fundamental que governa todos os aspectos da nossa vida – da forma como vemos a nós mesmos, educamos nossos filhos e interagimos com os outros ao modo como nos envolvemos com o mundo ao redor. Quando deixada sem treinamento, nossa experiência de compaixão tende a ser reativa: ela surge apenas como resposta ao sofrimento ou à necessidade de alguém que amamos. No caso de um estranho ou de um animal, é preciso mais para provocar compaixão em nós. No entanto, por meio desse treinamento podemos tornar a compaixão nossa postura básica, a perspectiva através da qual percebemos nós mesmos e o ambiente à nossa volta, e passar a nos relacionar com o mundo a partir dessa visão.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

A jornada para dentro de nós mesmos


Nossa jornada externa pode conter um milhão de passos enquanto a jornada interna só tem um, que é o passo que estamos dando neste exato momento. Quando tomamos maior consciência desse passo, percebemos que ele já contém dentro de si todos os outros passos, assim como o nosso destino. Esse único passo se vê transformado em uma expressão da perfeição, um ato de grandeza e qualidade. Ele terá nos levado para dentro do Ser e a luz do Ser brilhará através dele. Este é tanto o propósito quanto a realização da nossa jornada interior: a jornada para dentro de nós mesmos.


Eckhart Tolle
(em “O Poder do Agora”)


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A melhor solução para um problema


Poderíamos tentar nos proteger contra a incerteza e a mudança controlando o ambiente, o comportamento dos outros e o mundo todo. No entanto, essa não é uma estratégia realista. Em vez disso, podemos nos transformar e nos adaptar à realidade na qual estamos inseridos. Shantideva, autor budista do século VII, oferece uma analogia: se tentássemos cobrir toda a face da Terra com couro para proteger nossos pés, onde encontraríamos couro suficiente? Em vez disso, poderíamos cobrir nossos pés com sapatos de couro e atingir o mesmo propósito. A melhor solução para um problema é aquela que você pode encontrar dentro de si.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



terça-feira, 12 de setembro de 2017

A gratidão nos torna felizes


Não é a felicidade que nos torna gratos. É a gratidão que nos torna felizes. Cada momento é um presente. Não há nenhuma certeza de que você terá outro momento com todas as oportunidades que aquele momento apresenta. O presente dentro de cada presente é a oportunidade que ele nos oferece. É mais comum que seja a oportunidade de desfrutá-lo, mas às vezes nos é dado um presente difícil, e ele pode ser uma oportunidade para ficarmos à altura do desafio.

Seja o que for que a vida lhe der, você pode responder com contentamento. Contentamento é a felicidade que não depende do que acontece. É a resposta de gratidão à oportunidade que a vida lhe oferece neste momento.


Irmão David Steindl-Rast
(citado por Douglas Abrams em “Contentamento” – pág 212. Ed. Principium – 1ª edição)


segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Compaixão que abrange o universo


Nossa bondade e compaixão são em geral superficiais. Não nos abrimos verdadeiramente para o sofrimento dos outros seres e julgamos as situações apenas através de nossa perspectiva. Assumimos que nossa limitada percepção seja a correta.  Sem refletir, matamos insetos incômodos que atravessam à nossa frente enquanto comemos. Queremos nos livrar deles, e dizemos que insetos não sentem nada. Mas não sabemos o que eles sentem internamente.

A compaixão de um bodhisattva, ao contrário, é ampla, abrangente, e surge da compreensão acerca do sofrimento inerente à existência condicionada. A despeito de qualquer condição externa, essa compaixão vinda do coração irradia-se por todo o universo e abrange até mesmo os seres que nunca viu, e cuja existência jamais suspeitou.


Lama Gendun Rinpoche
(em “Heart Advice of a Mahamudra Master”)



domingo, 10 de setembro de 2017

sábado, 9 de setembro de 2017

Compaixão para com todos


Para por um fim ao nosso sofrimento, devemos abandonar todas as ações perniciosas e a realizar ações benéficas. Ao mesmo tempo, devemos encorajar os outros a também abandonar as ações que trazem sofrimento e ajudá-los a aproveitar todas as oportunidades para cultivar ações benéficas. Quando investimos nossa energia dessa maneira, livramo-nos do sofrimento e desenvolvemos a força necessária para ajudar os inumeráveis seres.

Nossa orientação bondosa deve beneficiar a todos os seres, não importando quem seja e onde quer que esteja, sem exceção e com equanimidade. Não devemos ter preferências ou aversões pelos seres, a despeito das qualidades ou falhas que possam ter. Não devemos desconsiderar nenhum deles, nem aqueles a quem não conhecemos e cujo destino não nos afeta. Nosso sentimento de compaixão deve acolher a todos com bondade, até o último e menor dos seres.


Lama Gendun Rinpoche
(em “Heart Advice of a Mahamudra Master”)



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Fazer as pazes com a dor


Uma das primeiras percepções espirituais que o Buda partilhou com seus discípulos foi a verdade da impermanência. Ele nos lembra de que a dor de perder o que temos, de não encontrar o que desejamos e de receber o que não queríamos são parte do que significa estar vivo. E nossa felicidade reside não em evitar a dor e o sofrimento, mas em não deixar que não perturbem nosso equilíbrio essencial – a calma de permitir, pelo menos naquele momento, que as coisas sejam como são. Quanto mais cedo fazemos as pazes com ela, mais cedo paramos de reagir e começamos a viver com compaixão por nós mesmos e pelos outros.


Thupten Jinpa
(em “Um Coração Sem Medo”)



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Não vou criar mais sofrimento nem problemas para mim


Se você estivesse no paraíso, sua mente não demoraria a encontrar algum problema. Não se trata, basicamente, de solucionar seus problemas. Trata-se de perceber que não existem problemas. Apenas situações com que temos de lidar agora ou deixar de lado e aceitar como parte do “ser” neste momento, até que se transformem ou possam ser negociadas.

A mente, inconscientemente, adora problemas.

A palavra “problema” significa que estamos lidando mentalmente com uma situação, sem que exista um propósito real ou uma impossibilidade de agir no momento, e também estamos inconscientemente fazendo dele uma parte de nosso sentido interior. Ficamos tão sobrecarregados pela nossa situação de vida que perdemos o sentido da vida, ou do Ser. Ou então vamos carregando na mente o peso insano de uma centena de coisas que iremos fazer ou poderemos ter de fazer no futuro, em vez de focalizarmos a atenção sobre uma coisa que podemos fazer agora.

Quando criamos um problema, criamos sofrimento. Por isso, é preciso tomar uma decisão simples: não importa o que aconteça, não vou criar mais sofrimento nem problemas para mim. É uma escolha simples, mais radical. Ninguém faz uma escolha dessas a não ser que esteja verdadeiramente sufocado pelo sofrimento. E não consegue levar esse tipo de decisão adiante a não ser acessando o poder do Agora.


Eckhart Tolle
(em “O Poder do Agora”)



quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Iludindo a si próprio


É verdade que, quando aceita seu ressentimento, o mau-humor, a raiva, etc., você não sente mais necessidade de manifestá-los de maneira cega e tem menos chance de projetá-los sobre os outros. Mas eu me pergunto se você não está se iludindo. Quando uma pessoa vem praticando a aceitação por um tempo, como é o seu caso, chega um ponto em que precisa passar para o estágio seguinte, onde essas emoções negativas não são mais criadas. Se você não passa a “aceitação” se torna apenas um rótulo mental que permite ao seu ego continuar a ser tolerante com a tristeza e, dessa forma, fortalecer o sentimento de separação das outras pessoas, do seu ambiente, do seu aqui e agora.

Como você bem sabe, a separação é a base do sentido de identidade do ego. A aceitação verdadeira poderia transformar tudo de uma vez por todas. E se sabe, bem lá no fundo, que tudo “está bem” como você diz, será que esses pensamentos negativos viriam em primeiro lugar? Se não houver julgamento nem resistência ao que é, eles nem surgiriam. A sua mente diz que “tudo está bem”, mas no fundo você não acredita nisso, e assim os velhos padrões de resistência mental e emocional ainda estão ali. É isso que nos faz mal.


Eckhart Tolle
(em “O Poder do Agora”)



terça-feira, 5 de setembro de 2017

Praticar para auxiliar a todos


A prática do Dharma consiste em treinar nosso corpo, fala e mente a agir de forma positiva e aplicar a força então adquirida para auxiliar a todos os seres para que eles possam alcançar a iluminação o mais rapidamente possível. Nossa atitude mental de agir em benefício e o bem-estar de todos aos poucos se torna uma conduta de vida permanente. Essa atitude amorosa passa a permear todas as nossas atividades. Nos tornamos então uma inspiração para os outros, mostrando a eles o que fazer e o que evitar. A cada momento em que exercemos a motivação pura (de auxiliar a todos) nossa mente torna-se mais clara e nossa conduta, mais límpida. Dessa maneira, nossa atividade boddhisattva cresce, e passo a passo todos os benefícios advindos da meditação  se manifestam devido ao cultivo do amor, da gentileza e da compaixão.


Lama Gendun Rinpoche
(em “Heart Advice of a Mahamudra Master”)



segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Pequenas boas ações


Não menospreze as pequenas boas ações
Acreditando que dificilmente possam ajudar;
Pois mesmo gotas de água, uma a uma,
Com o tempo enchem um grande jarro.



Buda



sábado, 2 de setembro de 2017

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Acordando do sonho do tempo


Aquilo a que nos referimos como vida deveria ser chamado, mais precisamente, de “situação de vida”. É o tempo psicológico, passado e futuro. Certas coisas do passado não seguiram o caminho que queríamos. Ainda resistimos ao que aconteceu no passado e agora estamos resistindo ao que é. A esperança nos leva a prosseguir, mas a esperança nos mantém focalizados no futuro, e esse foco contínuo perpetua a negação do agora e, portanto, a nossa infelicidade.

Esqueça a situação de sua vida por um instante e preste atenção à sua vida.

A nossa situação de vida existe no tempo. Nossa vida é agora.
Nossa situação de vida é coisa da mente. Nossa vida é real.

Quando estamos cheios de problemas, não há espaço para nada novo entrar, nenhum espaço para uma solução. Portanto, sempre que você puder, crie algum espaço de modo a encontrar a vida sob sua situação de vida.

Você estará deixando o agonizante mundo da abstração mental e do tempo. Estará se libertando da mente doentia que suga a sua energia vital, do mesmo modo que, lentamente, ela está envenenando e destruindo a Terra. Você estará acordando do sonho do tempo e entrando no presente.


Eckhart Tolle
(em “O Poder do Agora”)