quinta-feira, 17 de março de 2016

Pensamento após pensamento...






Há tantos pensamentos em nossa mente! Pensamento após pensamento após pensamento...Mas há um certo pensamento que é contínuo, subconsciente: “Eu sou esse corpo”. Esse é o pensamento através do qual todos os outros se encadeiam. Quando nos identificamos com ele, maya (a ilusão) surge. Mas se deixarmos de nos identificar com o corpo, maya deixará de nos afetar.

Annamalai Swami

quarta-feira, 16 de março de 2016

Não duvidar que é livre





O mais importante, saiba que você é livre.
Essa é a única descoberta, o único insight, o único fruto que surge do auto-questionamento: revelar nossa liberdade fundamental como ser eterno.

Consequentemente, praticar é tão somente afastar a tendência que se tem de duvidar dessa liberdade.

Mooji
(em  “Writing on Water”)

terça-feira, 15 de março de 2016

O nosso eu não é importante





O fato é que quanto menos influenciados formos pela ideia de que o nosso eu é importante, mais fácil será adquirir uma força interior duradoura. A razão para isso é simples: o sentimento de autoimportância é um alvo exposto a todo tipo de projéteis mentais – ciúme, medo, ganância, repulsão – que não cessam de desestabilizá-lo.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)

segunda-feira, 14 de março de 2016

Autoconfiança





Para o budismo, autoconfiança é uma qualidade natural do estado de ausência de ego. Dissipar a ilusão do ego é libertar-se de uma vulnerabilidade fundamental. A verdade é que o sentimento de segurança que deriva dessa ilusão é muito frágil. A confiança autêntica nasce do reconhecimento da verdadeira natureza das coisas, e de uma tomada de consciência da qualidade fundamental da nossa mente, que é também o nosso potencial para transformação e florescimento – chamada, no budismo, de natureza búdica, presente em todos os seres. Esse reconhecimento confere uma força serena que não é ameaçada nem pelas circunstâncias exteriores nem pelos medos internos. Trata-se de uma liberdade que transcende a fascinação e a ansiedade.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)


sexta-feira, 11 de março de 2016

O genuíno destemor



Por medo do mundo e dos outros, por receio de sofrer, por angústia sobre o viver e o morrer, imaginamos que ao nos escondermos dentro de uma bolha – o ego – estamos protegidos. Criamos assim, a ilusão de estarmos separados do mundo, acreditando que dessa forma evitaremos o sofrimento. Na realidade, o que acontece nesse caso é justamente o contrário, uma vez que o apego ao ego e à auto-importância são os melhores imãs para atrair o sofrimento.

O genuíno destemor surge com a confiança de que seremos capazes de reunir os recursos interiores necessários para lidar com qualquer situação que surja à nossa frente. Isso é totalmente diferente de retirar-se na auto-absorção, uma reação de medo que perpetua profundos sentimentos de insegurança.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)


quinta-feira, 10 de março de 2016

Submeter sua vontade à Essência





Os desejos da humanidade são frequentemente movidos pelo ego, mas o sábio prefere submeter sua vontade à Essência. Quando reconhece a Essência e harmoniza-se com seus desígnios, ele desfruta da verdadeira beatitude.

Mooji
(em  “Writing on Water”)


quarta-feira, 9 de março de 2016

Saber nos conectar com as profundezas do nosso ser





A paz interior vem porque a desejamos? É pouco provável. Não ganhamos a vida só por deseja ganhá-la. Da mesma maneira, a paz é um tesouro que exige algum esforço para ser conquistado. Se nos deixarmos afundar em nossos problemas pessoais, por mais trágicos que seja, só aumentaremos as nossa dificuldades e nos tornaremos um peso para aqueles que estão ao nosso redor. Se a nossa mente se acostuma a dar importância à dor que os eventos ou as pessoas nos afligem, um dia o acidente mais trivial nos causará uma dor infinita. Como a intensidade desse sentimento aumenta com o hábito, tudo que nos acontecer acabará por nos afligir, e a paz não mais encontrará lugar dentro de nós. Todas as aparências assumirão um caráter hostil e nos rebelaremos amargamente contra o nosso destino, chegando ao ponto de duvidar do próprio sentido da vida.

É essencial adquirir uma certa paz interior de modo que, sem ferir a nossa sensibilidade, o nosso amor e o nosso altruísmo, possamos saber nos conectar com as profundezas do nosso ser.

Matthieu Ricard

(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)

terça-feira, 8 de março de 2016

Autocentramento excessivo






A insegurança e medos interiores em geral estão ligados a um autocentramento excessivo e a uma compreensão muito limitada do funcionamento da mente. O egoísmo ou, mais precisamente, o sentimento doentio de que somos o centro do mundo  - que chamamos de “sentimento de importância do eu” – está na origem da maior parte dos pensamentos perturbadores.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)

segunda-feira, 7 de março de 2016

Coragem



O que importa não é a magnitude da nossa tarefa, mas a magnitude da nossa coragem.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)

domingo, 6 de março de 2016

Só o ego



Só o ego se preocupa em dar a “resposta correta”.

Mooji
(em  “Writing on Water”)

sábado, 5 de março de 2016

Dança de nomes e formas





Aquilo no qual você crê
torna-se sua realidade.
Enquanto permanecer identificado ao ego,
seguirá apreciando e sofrendo por suas projeções.

O sábio, reconhecendo essa cadeia,
rapidamente livra-se dela,
e mantém-se como um mero espectador
dessa dança de nomes e formas.

Mooji
(em “Writing on Water”)

sexta-feira, 4 de março de 2016

Uma transformação interior efetiva





A fim de fazer uma transformação interior efetiva, uma mudança interna, temos que perceber que, se fizermos tudo o que fazemos – cada encontro que temos, cada respiração que tomamos – com consciência e compreensão genuínas, tudo isso constituirá a prática do Dharma.

Fundindo ou integrando nossa vida diária com o caminho espiritual, podemos perceber que os dois são uma mesma coisa se feitos com consciência e apreciação suficientes.

Jetsunma Tenzin Palmo
(em “No Coração da Vida”)


quinta-feira, 3 de março de 2016

Pausa para a contemplação





Quando eu trabalhava no Instituto Pasteur e estava mergulhado na vida parisiense, os poucos momentos que reservava todos os dias para a contemplação traziam-me benefícios enormes. Eles se prolongavam como um perfume nas atividades do dia e lhes devam um valor inteiramente novo. Por contemplação, aqui, quero dizer não um mero momento de relaxamento, mas voltar o olhar para dentro.

É muito fecundo observar como os pensamentos surgem, e contemplar o estado de serenidade e simplicidade que está sempre presente por trás da trama que tecem, sejam eles sombrios, sejam otimistas. Isso não é tão complicado quanto parece à primeira vista. Basta que você dedique um pouco de seu tempo a esse exercício para sentir seu impacto e apreciar sua fertilidade. Adquirindo gradualmente, por meio da experiência introspectiva, uma compreensão melhor de como nascem os pensamentos, aprendemos a nos proteger dos venenos mentais. Uma vez que encontremos um pouco mais de paz interior, é muito mais fácil assistir ao desabrochar da vida emocional e profissional. De forma semelhante, à medida que nos libertamos de inseguranças e medos interiores (que em geral estão ligados a um autocentramento excessivo e a uma compreensão muito limitada do funcionamento da mente), tendo menos a recear, tornamo-nos mais abertos aos outros e melhor instrumentalizados para enfrentar os altos e baixos da vida.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)

quarta-feira, 2 de março de 2016

O potencial de cada ser humano





A crença de que a natureza humana é essencialmente corrupta envenena com o pessimismo a nossa visão da existência, nos fazendo duvidar do próprio fundamento da busca da felicidade, ou seja, do potencial que cada ser humano tem para a perfeição. O desabrochar desse potencial é a própria realização espiritual. Não se trata, portanto, de tentar purificar algo que é fundamentalmente mal – isso seria tão sem sentido quanto a tentativa de embranquecer um pedaço de carvão – mas sim de polir uma pepita de ouro até que seu brilho se revele.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)

terça-feira, 1 de março de 2016

Desfazer-se dos véus que obscurecem a mente





Os atributos da iluminação são inerentes à consciência, mas podem ficar invisíveis por um longo tempo. A natureza fundamental da mente - que é o vazio pleno dos atributos da suprema iluminação - está sempre presente, mas mantém-se latente até que a reconheçamos e ela se torne familiar para nós. Ter uma compreensão intelectual da natureza da mente não é suficiente. Precisamos nos desfazer dos véus que a obscurecem e o melhor caminho para isso é a geração de bodhichitta, a “mente da iluminação”, que é a intenção suprema de atingir a iluminação para o benefício de todos os seres. Essa é a única maneira de alcançar a verdadeira iluminação, ou em outras palavras, tornar-se um buda.

Shechen Gyaltsap
(citado por Matthieu Ricard em “On The Path of Enlightenment: Heart Advices from The Great Tibetan Masters”)