sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Compaixão Inquebrantável




Apenas a compaixão não é suficiente, as pessoas precisam de um auxílio efetivo. Enquanto suas mente continuarem aprisionadas pelo apego, oferecer comida, roupas, dinheiro ou simplesmente afeto, lhes trará somente uma alegria limitada e temporária. Precisamos encontrar um meio de de libertá-las completamente do sofrimento. E isso só pode ser feito se colocarmos em prática os ensinamentos de Buda.

A verdadeira compaixão é dirigida imparcialmente a todos os seres, sem qualquer distinção entre os que são amigos e os que são inimigos. Tendo essa compaixão em mente, devemos fazer com que até mesmo o mais simples gesto - como oferecer uma flor ou o entoar um mantra – seja realizado com o desejo de que todos os seres vivos, sem distinções,  sejam beneficiados.

Os grandes mestres do passado consideravam o reconhecimento da impermanência e a prática da compaixão como o mais precioso entre todos os ensinamentos. Incansavelmente eles cultivaram o amor, a compaixão, a alegria e a equanimidade – os Quatro Pensamentos Incomensuráveis – que são a fonte de onde surge a habilidade em auxiliar aos outros.

Dilgo Khyentse Rinpoche
(citado por Matthieu Ricard em “On The Path of Enlightenment: Heart Advices from The Great Tibetan Masters”)


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Felicidade verdadeira




A felicidade verdadeira está dentro de você, e não fora. E felicidade significa esquecer desse mundo. Deixe que o mundo siga por si, não o combata, porém saiba que ele não é real. Faça o que tiver que fazer, porém desapegadamente, por saber que tudo o que sente, percebe e alcança é ilusão. Tudo isso não existe, e é preciso que você aceite isso.

Sri Ranjit Maharaj
(em “Illusion vs. Reality”)


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Ilusão e Verdade




“Deciframos erradamente o mundo e dizemos que ele nos engana”, escreveu Rabindranath Tagore. Tomamos como permanente o efêmero e consideramos felicidade o que não passa de fonte de sofrimento: o desejo de riqueza, de poder, de fama, de prazeres obsessivos. Segundo Chamfort, “o prazer pode se apoiar na ilusão, mas a felicidade repousa sobre a verdade”.

O mundo da ignorância e do sofrimento – chamado em sânscrito de samsara – não é uma condição fundamental da existência, mas um universo mental, baseado na nossa concepção errônea da realidade.

Matthieu Ricard
(em “Felicidade – A Prática do Bem-Estar”)


terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Vasanas




Vasanas são os hábitos da mente. São as interpretações equivocadas e os padrões de pensamentos que se repetem infindavelmente. São as vasanas que obstruem a percepção da Essência. Elas surgem, prendem sua atenção e o puxam para as distrações do mundo, ao invés de trazê-lo para a Essência. Isso acontece com tanta frequência que a mente nunca tem a chance de repousar e reconhecer sua natureza verdadeira.

Os vasanas parecem-se também com imensas montanhas que surgem em seu caminho, impedindo o seu progresso. Não se intimide com seu tamanho. Não são montanhas feitas de pedra, mas sim montanhas de éter. Se você acender a luz da atenção discriminativa, elas queimarão até que não reste mais nada. Afaste-se das montanhas de problemas, recuse reconhecer que eles são reais, e então elas se dissolverão  e desaparecerão diante de seus olhos.

Seja quem você é. Seja como você é. Aquiete-se. Ignore as vasanas que surgirem na mente e fixe sua atenção na Essência.


Annamalai Swami


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A felicidade do outro





Desde 1989 tenho a honra de servir de intérprete francês ao Dalai Lama, que tem por hábito dizer “Minha religião é a bondade” e cuja quintessência do ensinamento é: “Todo ser, mesmo hostil, teme como eu o sofrimento e busca a felicidade. Esta reflexão leva a nos sentir profundamente mobilizados pela felicidade do outro, amigo ou inimigo. É a base da compaixão autêntica. Buscar a felicidade permanecendo indiferente aos outros é um erro trágico”.

Há alguns anos, quando me preparava para partir em retiro nas montanhas do Nepal, solicitei ao Dalai Lama alguns conselhos e ele me respondeu: “No início medite sobre a compaixão, no meio medite sobre a compaixão, no fim medite sobre a compaixão.”

Matthieu Ricard
(em “A Revolução do Altruísmo”)


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Viver plenamente cada momento





Alegria e felicidade nascem da concentração. Quando você  bebe uma xícara de chá, o valor dessa experiência depende de sua concentração. Você deve apreciá-lo com 100% do seu ser.

O verdadeiro prazer é experimentado na concentração. Quando você caminha e está 100% concentrado, a alegria que sente a cada passo é muito maior do que se estivesse distraído. Você deve investir 100% do seu corpo e mente no ato de caminhar. Só então você sentirá que estar vivo e caminhar por esse planeta são eventos milagrosos.

A vida é muito preciosa para que nos percamos em meio às nossas ideias e conceitos, a nossa raiva e o nosso desespero.  Precisamos despertar para a maravilhosa realidade da vida. Precisamos começar a viver plenamente e verdadeiramente, a cada momento de nossos dias.

Thich Nhat Hanh
(em “The Pocket Thich Nhat Hanh”)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Honrar a sua Essência





Todos são budas, mas não reconhecem sua natureza búdica por estarem sempre buscando algo além. Você não ama e honra a sua Essência. E a sua Essência é o próprio Buda. Mas você não acredita nisso por estar apegado a algo que é temporário, impermanente e falso.


H. W. L. Poonja (Papaji)


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Encarar nossas vísceras





Temos medo de encarar a nós mesmos, esse é o problema. Conhecer o nível mais profundo de nossa existência é muito embaraçoso para a maioria das pessoas. Muitos se voltam para aquilo que, acreditam, irá libertá-las sem a necessidade de se conhecerem. Mas isso é impossível, não podemos agir assim. Precisamos ser honestos. Precisamos encarar nossas vísceras, nossos excrementos, nossos aspectos mais indesejáveis. Essa é, basicamente, a essência do guerreiro. O que estiver ali precisa ser encarado, analisado, estudado e trabalhado através da meditação.

Chogyam Trungpa Rinpoche
(em “The Pocket Chogyam Trungpa”)


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Abandonar o mundo



A muralha brilhante que nos acorrenta é o egoísmo. Sempre pensamos, “eu faço isso, eu faço aquilo, etc.”. Libertem-se desse mesquinho eu! Matem esse demônio que reside em vocês. Até que abandonemos esse mundo manipulado pelo ego não poderemos entrar no reino dos céus. Ninguém jamais conseguiu e ninguém jamais conseguirá. Abandonar o mundo é livrar-se do ego, esquecê-lo completamente. É viver no corpo mas não pertencer a ele.

Swami Vivekananda
(em “Platicas Inspiradas”)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A Lei da Vida



Dizemos, daqueles que alcançam a Identidade, que vivem em Deus. Odiar significa usar o pequeno eu para matar o Eu Real, pois o amor é a Lei da Vida. Elevar-se a esse ponto é ser perfeito, mas quanto mais nos aproximamos da perfeição menos “trabalho” (por assim dizer) faremos, pois saberemos que o mundo é uma brincadeira de inocentes e não mais nos preocuparemos com nada.

Swami Vivekananda
(em “Platicas Inspiradas”)

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Desfrutando o nosso verdadeiro lar





Quando paramos de falar e pensar compulsivamente e passamos a apreciar a nossa respiração consciente, começamos a desfrutar o nosso verdadeiro lar. E podemos assim tocar profundamente as maravilhas da vida. Esse é o caminho que Buda ensinou a nós. Quando você inspira, o faz com todo o ser, corpo e mente: você é completamente um. Munido com essa energia de atenção plena e concentração, você dá o primeiro passo. E se você puder dar o próximo passo, você poderá dar o passo seguinte, e o seguinte... Você reconhece então que esse é o seu verdadeiro lar: você está vivo, você está plenamente presente, você está tocando a vida como uma realidade. Seu verdadeiro lar é uma sólida realidade que você pode tocar com seus pés, suas mãos, e com sua mente.

Thich Nhat Hanh
(em “The Pocket Thich Nhat Hanh”)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Perfume





Somente depois de aceso o incenso oferece seu perfume. Da mesma maneira, só após iluminar-se com o reconhecimento da Essência é que a mente revela sua natureza, que é serenidade, alegria, sabedoria e amor. Esse é o perfume da própria Essência.

Mooji
(em “Writing on Water”)


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Seu verdadeiro lar




Seu verdadeiro lar é no aqui e agora. Ele não é limitado por tempo, espaço, nacionalidade ou raça. Seu verdadeiro lar não é uma ideia abstrata, é algo que você pode tocar e viver a cada momento. Com atenção plena e concentração, que são as energias do Buda, você pode encontrar seu verdadeiro lar no relaxamento de sua mente e corpo no momento presente. E isso ninguém pode tirar de você.

Thich Nhat Hanh
(em “The Pocket Thich Nhat Hanh”)


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Não há nenhuma prática a ser seguida





Do silêncio você veio e para o silêncio você retornará, essa é a Realidade Fundamental. A idéia de que há algo a ser feito, de que há uma prática a ser completada, é equivocada. O que há para ser feito? Qual é a prática a ser seguida? Você deve apenas aquietar-se. Se reconhecer isso terá feito tudo o que realmente importa, caso contrário continuará buscando e buscando por milhões de anos, achando sempre que há algo a ser feito.

Não há nenhuma prática a ser seguida. A ideia de que você deve seguir alguma prática, de que você está preso, de que tem que se libertar, tudo isso é apenas conceitual, fruto de sua mente. Você é fundamentalmente livre o tempo todo, e saber disso é tudo o que precisa. A única barreira é achar que não é livre. Esse é o obstáculo. Remova esse obstáculo e terá feito aquilo que chama de “completar a prática”.

H. W. L. Poonja (Papaji)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sua vida é a mensagem





(Nove anos atrás perguntaram a Thay: "Esse ano você faz 80 anos. Você planeja se aposentar?" Essa foi sua resposta)

No budismo, vemos que o ensinamento é dado não só pela fala, mas também vivendo a sua própria vida. Sua vida é o ensinamento, é a mensagem. E enquanto eu continuar a me sentar, caminhar, comer, interagir com a Sangha e as pessoas, eu continuarei a ensinar, mesmo que já esteja incentivando meus alunos mais antigos a começar a substituir-me em dar palestras sobre o Dharma. Nos últimos dois anos, tenho pedido a professores de Dharma, não só no círculo monástico, mas também no círculo leigo, virem para dar palestras sobre o Dharma. Muitos deles têm dado maravilhosas palestras sobre o Dharma. Algumas palestras sobre o Dharma têm sido melhores que as minhas. Eu vejo a minha continuação, e eu não vou me aposentar. Eu vou continuar a ensinar, se não for por palestras de Dharma, será pela minha maneira de sentar, comer, sorrir, e interagir com a Sangha. Eu gosto de estar com a Sangha. Mesmo se eu não der uma palestra de Dharma, eu gostaria de me juntar à meditação andando, à meditação sentada, comer em plena consciência e assim por diante. Então não se preocupe. Quando as pessoas estão expostas à prática, eles ficam inspiradas. Você não precisa falar, a fim de ensinar. Você precisa viver sua vida conscientemente e profundamente. Obrigado.


Thich Nhat Hanh
(retirado do site Sangha Virtual)