quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Reconhecer esse mundo como sendo um sonho





O mundo que você percebe é de fato um mundo reduzido. E ele é inteiramente particular. Reconheça-o como um sonho e deixe de se iludir com ele. Na verdade tudo o que você conhece é seu próprio mundo particular, não importa quão belamente você o tenha mobiliado com suas imaginações e expectativas. Este mundo é pintado por você sobre a tela da consciência, mas é inteiramente seu próprio mundo particular. Reconhecer o filme como sendo um jogo de luz sobre a tela nos livra da ideia de que o filme é real.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “I Am That”)

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Mesmo que o mundo entre em colapso




A qualidade de nossa vida depende de quão intensamente deixamos que os fenômenos sejam tratados por nossa Essência. Por isso, não importa qual seja o problema com o qual você se defronte, não deixe que ele o abale. Mesmo que o mundo entre em colapso, não tema.

Daehaeng Sunim
(em “Touching the Earth”)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Se vos transformardes, transformareis o mundo




Deveis amar a autocompreensão, devotar-lhe vossa vida - devotar vossa vida à compreensão de vossa vida, porque vós sois o mundo, e o mundo é vós; portanto, se vos transformardes, transformareis o mundo. Esta não é uma mera idéia intelectual, porém uma coisa de que deveis compenetrar-vos ardorosa e apaixonadamente. E a meditação liberta tremendas energias.

Jiddu Krishnamurti
(em “O Novo Ente Humano”)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Duas realidades



Assim como o tolo crê que haja diferenças significativas entre a água e o gelo, aqueles que são apegados aos sentidos e ao conhecimento relativo crêem na distinção entre espírito e matéria. Mas essa distinção desaparece quando a realidade absoluta é misticamente revelada.

Segundo o budismo, há dois tipos de realidades. A primeira consiste em nosso corpo psicofísico e o mundo ao redor, e é experimentada através dos sentidos. Esses são sempre mutáveis, insatisfatórios e desprovidos da percepção do espírito. É uma realidade condicionada.

A segunda realidade só é misticamente intuída quando a primeira realidade é integrada nela, o que dissolve seu poder sobre nós. Então, a primeira realidade é reconhecida como uma projeção ilusória. Já a segunda realidade é incondicionada, é o espírito absoluto ou Natureza de Buda. Radiante, feliz e eterna.

Mas apenas ler ou pensar sobre isso é incapaz de nos conduzir a essa segunda realidade. Somos como o tolo que não acredita que a água e o gelo sejam fundamentalmente a mesma coisa. Ainda estamos alheios à Realidade verdadeira, aprisionados por nossas paixões e pelo desejo de encontrar liberdade e significado em meio à realidade condicionada. Mas o alcance desta é relativo e vazio. Não possui espírito.

A não ser que estejamos abertos para a verdade, nem mesmo o maior mestre do mundo poderia levar-nos à intuição mística necessária que nos libertaria dos fenômenos sedutores da primeira realidade. Aceitar essa Realidade é como abrir a cortina que permite a entrada de luz. Em meio à primeira realidade há apenas escuridão.


Ainda que acreditemos ser capazes de perceber a realidade, na verdade estamos nos iludindo. Quanto mais aceitarmos a primeira realidade (que é falsa), mais iremos contra a verdade.

(extraído do blog The Zennist)

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Sem poderes especiais



Todos os monges ficavam curiosos a respeito de sua postura Chan natural, seu perfeito equilíbrio. Mesmo o mestre Shi Tou viu-se impelido a perguntar-lhe qual era o seu segredo: “Todos se maravilham diante de sua prática”, disse Shi Tou. “Conte-me, você possui poderes especiais?”

O praticante laico Pang apenas sorriu e disse, “Não, não possuo poderes especiais. Meu dia é dedicado as atividades simples e eu apenas mantenho minha mente em harmonia com as tarefas que executo. Aceito o que vier sem qualquer desejo ou aversão. Quando encontro alguém, mantenho uma atitude neutra, nunca elogiando, nunca recriminando. Para mim, vermelho é vermelho, e não “carmesim” ou “escarlate”.  Logo, qual método maravilhoso eu utilizo? Bem, quando corto lenha,  eu simplesmente corto lenha; e quando carrego água, simplesmente carrego água.


Mestre Hsu Yun
(em “ Empty Clouds – The Zen Teaching of Master Xu Yun”)



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Mudar para evoluir




A verdade já existia antes do Buda Sakyamuni nascer. Ele a estudou, compreendeu e compartilhou com todos a respeito de como as coisas realmente são. Mesmo assim as pessoas continuam a desperdiçar o tempo com futilidades. Se continuarem a agir assim, morrerão no mesmo nível espiritual no qual nasceram. Não terão evoluído. A semente para a próxima vida não será alterada. A menos que vocês mudem, continuarão a renascer no mesmo nível, vida após vida.

A mente essencial possui essa incrível e profunda capacidade. Se quiserem evoluir, entreguem seus hábitos, apegos e desejos a essa mente original. Tudo então será absorvido por ela. Esse é o procedimento correto para eliminar os velhos padrões e tornar possível a mudança.

Daehaeng Sunim
(em “Touching the Earth”)

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Aceitando tudo que surgir




Não perca tempo ruminando a respeito das coisas que eventualmente o aborrecem. Se você apenas as deixar passar uma a uma à medida que surgirem, sua essência original as acolherá completamente. Siga em frente aceitando tudo o que surgir como se fosse uma lição do próprio Buda. Aceite tudo que ocorrer dessa maneira. Faça de sua mente um lar onde budas e bodhisattvas habitem em união com os demais seres do universo. Seguiremos em frente como praticantes do dharma pelo puro prazer de estar ali.

Daehaeng Sunim
(em “Touching the Earth”)

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Maturação Cármica



A maturação cármica das boas e más ações não desaparece por éons, portanto tenha cuidado até mesmo com a mais sutil forma de causa e efeito!

Padmasambhava
( em “Ensinamentos do Mestre que Nasceu do Lótus”)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O zazen correto


Tentar eliminar os pensamentos que surgem é como lavar o sangue com sangue; embora o sangue inicial possa ser removido, o sangue com o qual se lava também manchará; não importa o quanto você lave, a mancha não será removida. A mente real é originalmente não-nascida, imortal e sem ilusões; não reconhecendo isso e acreditando que os pensamentos realmente têm substância, você seguirá vagando em meio a rotina de nascimentos e mortes.

Ao reconhecer que os pensamentos são apenas aparências temporárias, você deve deixá-los surgir e desaparecer, ir e vir, sem apegar-se a eles ou rejeitá-los. São como imagens refletidas em um espelho; uma vez que o espelho é claro e brilhante, ele reflete o que estiver à frente, mas não retém as imagens. A mente iluminada é infinitamente mais brilhante e límpida que um espelho e também é radiantemente consciente, para que todos os pensamentos se dissolvam em sua luz sem deixar rastros. Se você pode acreditar e confiar nesta verdade, não importa o quanto os pensamentos surjam – eles não serão obstáculos. 

Bankei 


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Cada aflição mental é a base da sabedoria

“Os pavões comem veneno e o veneno que eles comem é transformado em belas penas.”


Tendo passado a maior parte da minha infância preso em uma pequena bolha de medo e ansiedade, sei como as aflições mentais podem ser fortes. Passei 13 anos pensando que morreria – e algumas vezes desejando morrer só para me livrar do medo que sentia. Depois que entrei no retiro e precisei encarar essas aflições, aprendi que a ignorância, o apego e a aversão constituíam o material que me foi dado trabalhar, que, como o veneno que os pavões comem, acabaram revelando-se fonte de uma grande benção.

Cada aflição mental é, na verdade, a base da sabedoria. Se ficarmos presos a nossas aflições ou tentarmos reprimi-las, acabaremos criando mais problemas para nós mesmos. Se, em vez disso, olharmos diretamente para elas, as coisas que achamos que nos matarão aos poucos se transformam nos suportes mais poderosos para a meditação que jamais poderíamos imaginar.

As aflições mentais não são nossas inimigas. Elas são nossas aliadas.

E esta é uma verdade difícil de aceitar. Mas, a cada vez que você sentir um impulso de fugir delas, pense no pavão. O veneno não tem um sabor muito bom. Mas, se você o engolir, ele se transforma em beleza.

À medida que analisamos essas práticas, passamos a reconhecer que o nível no qual qualquer experiência repele, assusta ou parece nos enfraquecer é igual ao nível no qual as mesmas experiências podem nos tornar mais fortes, confiantes, abertos e capazes de aceitar as infinitas possibilidades de nossa natureza búdica.

Yongey Mingyur Rinpoche
(em “Alegria de Viver”)

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Olhar-nos cada vez como se fosse a primeira vez



Autoconhecimento não significa acumular conhecimentos sobre si próprio; significa observar a si próprio. Se aprendo acumulando conhecimentos, nada aprendo a respeito de mim mesmo.

Temos, pois, de "aprender o que somos", observando-nos sem condenação, sem justificação, observando simplesmente nossa maneira de andar, de falar, as palavras que empregamos, os diferentes "motivos", propósitos, intenções: estando totalmente vigilantes, sem escolha. E esse percebimento não significa acumulação, mas, sim, estar vigilante de instante em instante. Se, em qualquer momento, deixardes de estar vigilante, não vos preocupeis: começai de novo. Vossa mente está, assim, sempre nova. A auto-observação, pois, não se limita ao nível superficial, mas penetra o nível mais profundo, o chamado "nível inconsciente", "oculto". Como observar uma coisa que se acha mui profundamente radicada, oculta, fechada? Nossa consciência é tanto superficial como oculta; e temos de conhecer todo o conteúdo dessa consciência, uma vez que o conteúdo integra a consciência. Não são coisas separadas: o conteúdo é a consciência.

Por conseguinte, para se compreender o conteúdo deve haver observação sem o "observador". Esta é uma das coisas mais fascinantes: descobrir como olhar a vida de maneira nova. Para observarmos o "oculto", precisamos de olhos não condicionados pelo passado; não devemos ser hinduístas, cristãos, etc. Devemos olhar-nos cada vez como se fosse a primeira vez e, por conseguinte, sem acumular. Se puderdes observar-vos dessa maneira, observar vossas ações, seja no trabalho, seja no lar; observar vossos apetites sexuais, vossa ambição - observar sem condenar, sem justificar, observar simplesmente - vereis que nessa observação não há conflito de nenhuma espécie.

Jiddu Krishnamurti
(em “O Novo Ente Humano”)

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Espalhando o Dharma



Ao refletir sobre os nove dias que passamos com Thay no hospital, foi uma experiência única para todos nós. Foi maravilhoso ver quantas vidas foram tocadas por Thay enquanto ele estava hospitalizado. Durante sua estada ali, Thay usou seu tempo de forma efetiva e eficiente. Muito amor e compaixão foram transmitidas através de suas atitudes. Sua sabedoria estava sempre fluindo como uma cascata. O Dharma estava presente onde quer que Thay estivesse, não somente através de suas palavras mas também, silenciosamente, por meio de seus pensamentos e gestos.

Thay estava sempre muito equilibrado, repousando no momento presente e profundamente capaz de viver com alegria, pacificamente, e feliz no aqui e agora. Isso ficou muito claro ao longo desses nove dias. E  ao viver essa experiência, pudemos constatar os benefícios em se viver e ver a vida de maneira otimista. A chave para isso, como Thay sempre nos diz, é viver com a mente atenta em cada momento, repousando pacificamente no aqui e agora.

Brother Phap Nguyen
(em “One Buda is Enough” – sobre um retiro organizado pela comunidade de monges de Plum Village, do mestre Thich Nhat Hanh)

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quando nos protegemos do sofrimento





Quando nos protegemos do sofrimento, achamos que estamos sendo bondosos conosco mesmo. A verdade é que apenas nos tornamos mais amedrontados, endurecidos e alienados. Percebemos a nós mesmos como separados do todo. Essa separação transforma-se em uma espécie de prisão- uma prisão que nos encerra em nossas próprias esperanças e medos, que nos leva a nos importarmos apenas com aqueles que estão mais próximos. O curioso é que, antes de mais nada, estamos tentando nos proteger do desconforto e, com isso, sofremos. Já quando não nos fechamos e permitimos que a dor toque nosso coração, descobrimos nossa afinidade com todos os seres. Sua Santidade, o Dalai Lama, descreve dois tipos de pessoas egoístas: as sábias e as tolas. As tolas pensam apenas em si mesmas, o que resulta em confusão e dor. As sábias acreditam que estar ali, apoiando os outros, é a melhor coisas que podem fazer por si mesmas. Como resultado, sentem alegria.

Pema Chodron
(em”Quando Tudo se Desfaz”)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Manter a perseverança




Nós somos encorajados a meditar todos os dias, mesmo que seja por pouco tempo, para manter a perseverança em nós. Sentamos sob quaisquer circunstâncias – seja quando nos sentimos saudáveis ou doentes, seja com bom ânimo ou depressivos, seja quando achamos a meditação boa ou dispersiva. À medida em que sentamos veremos que meditar não diz respeito a fazer corretamente ou atingir algum estado especial. Refere-se a ser capaz de estar inteiramente presente consigo próprio. É incrivelmente claro que não nos libertaremos de nossos padrões autodestrutivos a menos que desenvolvamos uma compreensão amorosa a respeito deles.

Pema Chödrön
(em “A Beginner’s Guide to Meditation”)

sábado, 19 de setembro de 2015

Sobre escrever a própria vida

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

Fernando Teixeira de Andrade


Criar o sentido de sua própria vida não é fácil, mas ainda é permitido, e eu acredito que você será mais feliz se se der o trabalho de tentar.


Bill Watterson (criador de "Calvin e Haroldo")