quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O melhor

O melhor erudito é aquele que realizou o significado da ausência de qualquer existência verdadeira.

O melhor monge é aquele que domou a sua própria mente.

A melhor qualidade é um grande desejo de beneficiar os outros.

A melhor instrução é sempre observar a mente.

O melhor remédio é conhecer que nada tem realidade inerente.

O melhor modo de vida é aquele que não se encaixa nos modos mundanos.

A melhor realização é uma diminuição constante das emoções negativas.

O melhor sinal da prática é uma diminuição constante dos desejos.

A melhor generosidade é o não-apego.


Atisha

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Meditar significa acolher

Às vezes sentimos culpa. Às vezes somos arrogantes. Em outras, nossos pensamentos e lembranças nos aterrorizam e nos tornam muito infelizes. Os pensamentos cruzam nossa mente o tempo todo e, quando sentamos, estamos dando a todos eles muito espaço para que surjam. Como nuvens em um céu amplo ou ondas em um vasto mar, estamos dando a todos os nossos pensamentos espaço para que apareçam. Quando um deles atrai nossa atenção e nos arrebata, quer seja agradável ou desagradável, devemos perceber "estou pensando", com toda a abertura e bondade que pudermos reunir e deixar que ele se dissolva no amplo céu. Não há problema se as nuvens e ondas imediatamente retornam. Simplesmente reconhecemos sua existência mais uma vez, com amizade incondicional, "estou pensando", e deixamos que elas se dissolvam continuamente.

Às vezes as pessoas usam a meditação para tentar evitar mais sentimentos ou pensamentos perturbadores. Tentamos usá-la como uma forma de afastar o que nos incomoda e quando nos conectamos com algo prazeroso ou inspirador, podemos achar que finalmente conseguimos, e tentamos ficar nesse ponto onde há paz, harmonia e onde não temos nada a temer.

Portanto, desde o início, é bom lembrar sempre que meditar relaciona-se com abrir e relaxar, surja o que surgir, sem selecionar ou escolher. Definitivamente não significa reprimir nada e também não tem a finalidade de estimular o apego. Milarepa, um yogui tibetano do século XII, cantava canções  maravilhosas sobre a forma correta de meditar. Uma delas dizia que há mais projeções na mente que partículas de poeira num raio de sol, e que nem mesmo centenas de lanças podem pôr fim a isso. Portanto, como meditadores, podemos parar de lutar contra nossos pensamentos e perceber que a honestidade e o senso de humor são muito inspiradores e úteis (...).

Pema Chodron
(em "When Things Fall Apart")

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Aceitar você


“Ser belo significa ser você. Você não precisa ser aceito pelos outros. Você só precisa aceitar você.”

Thich Nhat Hanh

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Nem apego, nem aversão

Uma pessoa liberta nem se prende ao mundo e nem sente aversão a ele.
Ambos, apego e aversão, são cordas que nos amarram.

Uma pessoa livre transcende a ambos a fim de viver em paz e liberdade.


Buda

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Não espere mais um segundo para praticar

Não espere mais um segundo para praticar. Entre em ação imediatamente, como um covarde que encontra uma cobra no colo ou uma dançarina cujo cabelo acabou de pegar fogo. Abandone totalmente as atividades mundanas e devote-se agora mesmo à prática do Dharma. Caso contrário, você nunca encontrará tempo; uma atividade mundana virá atrás da outra, infindavelmente, como as ondas na água. As atividades só cessarão quando decidirmos pôr-lhes fim de uma vez por todas. Como diz o Onisciente Longchenpa:

As preocupações mundanas não cessam até a morte.
 Mas terminam quando as abandonamos; tal é a natureza delas.

Nossas atividades são como brincadeiras de crianças;
 duram enquanto brincamos e terminam assim que paramos de brincar.

Quando sentir o desejo de praticar o Dharma, não deixe que a preguiça ou a procrastinação o dominem nem por um instante. Comece a praticar imediatamente, estimulado pela ideia da impermanência. É isso que é diligência na ação.

Patrul Rinpoche
(em “As Palavras do Meu Professor Perfeito”)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Tomando refúgio

Tomar refúgio é uma atitude mental de confiança aberta para o objetivo de despertar, e uma prática diária através do qual encontramos sempre o caminho para essa abertura. Visualisamos todos os seres do universo, humanos e não-humanos, reunidos em tornos de nós,  e que estamos conduzindo-os coletivamente para o refúgio. Reunidos no espaço em torno de nós estão todos os budas e bodhisattvas, assim como todos as outras fontes na qual buscamos refúgio. Focamos nossa atenção neles e desenvolvemos completa confiança em sua capacidade de nos libertar do sofrimento da existência cíclica e nos proteger do medo causado por esse sofrimento.

Com essa convicção, e acompanhados por todos os seres do universo, recitamos a oração de refúgio. Sentimos que ela preenche o espaço com sua vibração, e que em resposta a essa confiança, luzes irradiam dos seres nos quais buscamos refúgio até nós. Essa luz nos preenche com as bençãos do corpo, da fala e da mente de todos os budas, e evoca em nós grande devoção para com eles. Impregnados dessa devoção e de confiança, iniciamos nossas diversas práticas, as quais desenvolverão ainda mais nossa compreensão e nossa apreciação do refúgio.  

Lama Gendun Rinpoche
(em “Heart Advice of a Mahamudra Master”)

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Ser a verdadeira pessoa


Diz o Mestre Linji: “Deves ser soberano de acordo com o lugar onde te encontres, ser a verdadeira pessoa onde quer que estejas, não permitindo que as condições te arrastem”.

Onde quer que nós estejamos, nosso verdadeiro eu está presente. Não ficamos diante de uma multidão fingindo-nos de dignos para depois tornar-nos desatentos quando estamos sozinhos. Na verdade, quer sozinho, quer com outros, cada um de nós ainda é seu verdadeiro ser. Quer defecando, quer ministrando uma preleção sobre o Darma, nós somos a mesma pessoa.

Thich Nhat Hanh
(em “Nada Fazer, Não Ir a Lugar Algum”) 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Olhar profundamente e descobrir a realidade

Os quatro alicerces do ser – forma, sentimentos, formações mentais e percepções – todas estão relacionadas entre si; elas intersão. Não podemos separar qualquer uma das outras três. Se soubermos a arte de olhar profundamente, descobriremos a realidade como ela verdadeiramente é. Assim nós removemos os erros e as percepções errôneas. Essa é a libertação através da compreensão e a salvação pelo conhecimento.  Se quisermos  usar o termo graça, ela é compreendida aqui como sabedoria, conhecimento e compreensão.

Muitas vezes sofremos devido a nossa ignorância, ciúme e raiva. E na origem desses sentimentos está a ignorância - não sabemos porque sofremos. No momento em que começamos a entender nossos sentimentos, eles se dissolvem. A compreensão é o que liberta, meditamos para obter essa visão libertadora. É por isso que nossas percepções são tão importantes. Devemos sempre nos voltar para elas e indagar sobre sua verdadeira natureza.

Thich Nhat Hanh
(em “Awakening of  the Heart: Essential Buddhist Sutras and Commentaries”)

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

As dores como auxílio

Quando doença, miséria, inimigos, espíritos malignos e todo mal do tipo surgir, se você não cair sob o poder deles, eles se tornam um auxílio no caminho para a iluminação. São como o vento, que pode tanto apagar uma chama quanto espalhar um incêndio pela floresta.

Kunzang Pelden

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Todas as formações são impermanentes


Uma flor é composta de vários elementos. Quando esses elementos se reúnem, uma flor se manifesta.

Entre esses elementos podemos ver o sol.  Se tocarmos a flor profundamente, tocaremos também o sol. Não podemos tirar o sol da flor. Se o fizermos, a flor não mais existirá. Por isso, a flor e o sol intersão.  Ao tocarmos a flor profundamente podemos tocar também um nuvem. Há uma nuvem no coração da flor, e não podemos tirá-la dali. Por isso, a flor e a nuvem intersão.

Se continuarmos olhando profundamente veremos a terra, os minerais, o ar e tudo mais em uma flor. Todos esses elementos se reúnem para criar aquilo que chamamos “flor”. Todas as formações são impermanentes. Se uma das condições não é suficientemente adequada, a formação se desfaz. Não haverá mais flor.

O medo é uma formação mental; é composto de vários elementos, incluindo a ignorância. Desespero, angústia, apego, amor e atenção plena são formações mentais. A respiração consciente nos aproxima de nossas formações mentais quando estas se manifestam.  Quando o medo se manifesta, a respiração consciente nos aproxima de nosso medo para que possamos abraçá-lo. Então, olhamos profundamente dentro de sua natureza para nos reconciliarmos com ele. Ao fazê-lo podemos acalmar nosso medo, reconhecendo-o e descobrindo sua verdadeira natureza. Ver a natureza de nosso medo ajuda a transformá-lo.

Thich Nhat Hanh
(em “Awakening of  the Heart: Essential Buddhist Sutras and Commentaries”)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Sermos nós mesmos



Se não somos plenamente nós mesmos, 
  verdadeiramente no momento presente, 
         nós perdemos tudo.

Thich Nhat Hanh

Plenamente presentes

Estarmos plenamente presentes é o bastante para preencher nossas vidas por inteiro.

Thich Nhat Hanh
(em “Nada Fazer, Não Ir a Lugar Algum”) 

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Praticando seriamente


No Dharma, não podemos nos limitar a uma mera compreensão intelectual. A prática séria e dedicada é indispensável. Para progredir, precisamos realmente praticar.

Os grandes praticantes do passado alcançaram rapidamente a iluminação porque abandonaram completamente os interesses mundanos. A prática do Dharma era a única coisa que importava em suas vidas, e eles estavam completamente convencidos da futilidade dos atrativos mundanos. Por isso, alguns deles alcançaram o estado de buda numa só vida. Eles não praticavam somente para atingir algum estado de calma ou para sentir-se melhor. Estavam comprometidos com algo muito mais importante: a libertação total do ciclo da existência.

Após refletir profundamente sobre a a natureza das experiências nesse mundo condicionado, eles tornaram-se profundamente convencidos de que ela é impregnada de sofrimento. Por isso, libertaram-se completamente da busca por prazeres mundanos. Para eles, o que está além dessa vida tornou-se mais importante. Reconhecendo a natureza condicionada e impermanente da chamada felicidade mundana, tomaram a irreversível decisão de concentrar-se sobre o que está além de todas as mudanças: a natureza real e imutável da mente, que é a fonte da verdadeira felicidade.

Lama Gendun Rinpoche
(em “Heart Advice of a Mahamudra Master”)

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Agradecendo a cada dor


Assolados por aflições, descobrimos o Dharma
E encontramos o caminho da liberação.
Obrigado, forças malignas!

Quando tristezas invadem a mente, descobrimos o Dharma
E encontramos felicidade duradoura.
Obrigado, tristezas!

Através do dano causado por espíritos, descobrimos o Dharma
E encontramos destemor.
Obrigado, fantasmas e demônios!

Através do ódio das pessoas, descobrimos o Dharma
E encontramos benefício e felicidade.
Obrigado, aqueles que nos odeiam!

Através da adversidade cruel, descobrimos o Dharma
E encontramos aquilo que não muda.
Obrigado, adversidades!

Através daqueles que nos forçam, descobrimos o Dharma
E encontramos o significado essencial.
Obrigado a todos que nos impelem!

Dedicamos o mérito a todos vocês, para retribuir sua gentileza. 


Longchenpa

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Lidar com o sofrimento

A causa da felicidade vem raramente,
E muitas são as sementes do sofrimento!
Mas se eu não tiver dor, jamais ansiarei por liberdade.
Então, ó mente, seja firme!

Não há nada que não
Fique fácil através do hábito.
Saber lidar com pequenos problemas
Irá me preparar para tristezas maiores.

Calor e frio, vento e chuva,
Doença, prisão, espancamento –
Não irei me irritar com essas coisas,
Pois fazer isso agravaria meu problema.

Shantideva
(em “O Caminho do Bodisatva” cáp. 6 – versos 12, 14 e 16)