quinta-feira, 22 de maio de 2014

Uma consciência contínua da impermanência

Precisamos incutir em nós mesmos uma consciência contínua da impermanência, que esteja viva momento a momento. Isso porque a vida é uma corrida contra a morte, e a hora da morte é desconhecida. Contemplar a aproximação da morte muda as nossas prioridades e nos ajuda a abrir mão do envolvimento obsessivo com coisas ordinárias. Se permanecermos sempre conscientes de que cada momento pode ser o nosso último, iremos intensificar a nossa prática para não despediçarmos nem fazermos mal uso da nossa preciosa oportunidade humana. À medida que amadurece  contemplação dessa verdade, será fácil aprendermos os mais elevados, os mais profundos ensinamentos budistas. Vamos ter alguma compreensão de como funciona o mundo, como as apaências surgem e se transformam. Vamos passar de um mero entendimento intelectual da impermanência para a compreensão de que todas as coisas sobre as quais baseávamos nossa crença na realidade são apenas um cintilar de mudança. Começaremos a ver que tudo é ilusório, como um sonho ou uma miragem. Embora os fenômenos apareçam, na verdade nada estável está de fato presente.

Chagdud Tulku Rinpoche
(em “Portões da Prática Budista”)
 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Pedir a uma nuvem que interprete o céu.



A Consciência não é um objeto,
Não é uma coisa
Não pode ser estudada
Porque todo o resto ocorre na Consciência
E passa através da Consciência
De fato, seria como pedir a uma nuvem
Que interprete o céu
Ou mesmo que muitas nuvens se reúnam
Para transmitir uma compreensão
Ou expressar a realidade do céu infinito
Não é possível, porque o céu é permanente
E as nuvens não são, vem e vão.
Então, se temos um pensamento ou idéias
Sobre quem somos
São como nuvens
Não são permanentes

Estão mudando constantemente.

Mooji

terça-feira, 20 de maio de 2014

Prazer na espera

Se aprendermos a ter prazer na espera, não precisamos esperar para ter prazer. Se o deleite se torna imediato, a maior parte dos problemas na vida passa.

Kazuaki Tanahashi
(em “O Coração do Pincel”)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Mais simples do que o simples



Assim, meu desafio para você é: e se você não tiver que fazer nada a respeito de nada?
Nada mesmo. Nada a fazer, coisa alguma a fazer sobre nada.
Sim, pode preparar um chá, porque isso não causa nenhum problema.
O que quer que você tenha que fazer.
Responder o telefone, tomar notas, bla, bla, bla…
Mas isso não é seguido pela idéia de que haja algo que eu preciso fazer para tornar-me estável na Pura Consciência.
Porque, eu lhe digo, isso é uma armadilha! Esqueça isso.
Se você tocar nessa idéia você imediatamente a torna real então você tem que acreditar em outra idéia para remover essa.
Então porque não abandonar ambas em primeiro lugar e ficar onde você está?
Você está simplesmente aqui, dentro do qual tudo aparece para você inclusive o sentimento de espiritualidade. Esqueça a espiritualidade!
Esqueça a iluminação. Esqueça tudo. Esqueça você.
E o que permanece aqui?
Aquilo do qual não se pode se livrar permanece.

É só isso. Mais simples do que o simples.

Mooji

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O que significa estar desperto?



O que significa estar desperto?
É simplesmente estar desperto para a nossa natureza eterna,
O nosso ser eterno
Compreender que não somos nossos condicionamentos.
Compreender isto não só intelectualmente ou mentalmente,
Mas ser uno com esta compreensão


Dentro de nosso coração.

Mooji

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Deixar de ser



Há quase trinta anos, no Japão, quando eu era um artista iniciante (e ainda sou), tomava chá com um velho mestre zen-budista e um escultor de renome. O escultor disse: “Estou passando por uma crise. Não consigo mais criar. O que fazer?” O velho mestre replicou: “Parece que o problema é você ser um escultor. Por que não abandona a escultura? Se você deixar de ser um escultor, terá chance de se tornar um verdadeiro escultor.” “Roshi”, disse eu ao mestre zen, “o senhor não acha que é tempo de deixar de ser um mestre zen para que possa ser um verdadeiro mestre zen?” “Você me pegou meu jovem”, tornou ele, “mas será que você não sabe que eu já deixei de sê-lo há muito tempo? Ha, há, há, há!” “Puxa”, exclamei, “o senhor se saiu bem.”

Kazuaki Tanahashi
(em “O Coração do Pincel”)

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Quando o "eu" vem primeiro


Em geral, vivemos nossas vidas nos termos do mundo que percebemos. Quando agimos assim, enfatizamos a nós mesmos. Colocamos o “eu” em primeiro lugar. Em outras palavras, rebaixamos tudo aos nível de nossas próprias opiniões e sentimentos. Agindo assim, nunca esquecemos de nós.

É por isso que frequentemente nos sentimos irritados e ansiosos. E quanto mais pusermos o “eu” em primeiro lugar, mais irritação, ansiedade, sofrimento e medo nós sentiremos.

Dainin Katagiri
(em “You Have to Say Something”)


terça-feira, 13 de maio de 2014

Morrer a cada momento



Mudar a cada momento significa morrer a cada momento. E também significa renascer a cada momento. Os tolos se agarram aos momentos que passaram e assim vivem vidas fúteis, ao passo que os sábios, compreendendo que tudo muda a cada instante, aplicam esse princípio em suas vidas e vivem livremente.

Nada no universo permanece o mesmo, nem por um instante. Há apenas mudança e manifestação, portanto não há nada que possa ser carregado por você. Por isso, quando não há pensamentos fixos sobre o “eu”, até mesmo o sofrimento deixa de existir. E mesmo não havendo nada que possa ser carregado, você acredita que sustenta algumas cargas e se compromete com essas ideia fixa.

Mas quando você reconhece que tudo muda a cada instante, que tudo é vazio, então não há nada ao qual se prender. As formas são vazias, os pensamentos são vazios, as palavras são vazias, nome e títulos são vazios – tudo é vazio.


Daehaeng Sunim
(em “No River to Cross – Trusting The Enlightenment That’s Always Right Here”))

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Manifestando o self original


Quando se compreende profundamente a vida humana, não há nada a dizer. Em outras palavras, a natureza original do self não é apenas uma ideia a se ter em mente.

O self verdadeiro se manifesta na vida diária. Como podemos manifestar esse self original? Com plena concentração e desapego. Um outro nome para o desapego é sabedoria – o conhecimento profundo que mantém a vida equilibrada, com paz e harmonia. E plena concentração significa fundir-se ao zazen quando fizer zazen, fundir-se à reverência quando fizer reverência, e assim por diante.

Fundir-se ao zazen não é fácil, requer uma grande determinação. Em outras palavras, você deve entregar-se completamente ao zazen. Dogen Zenji nos diz para abandonar os conceitos de bom e mau, certo e errado – e não ter nem mesmo qualquer desejo de iluminar-se. Quando você se torna inteiramente um com o zazen, não existe apego. Essa é a verdadeira mente pacífica, harmoniosa.

Dainin Katagiri
(em “You Have to Say Something”)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A vida como um rio


A água do rio flui sempre, sem cessar. Flui rápida, não para um só instante e se vai. Seu murmúrio evoca em mim o eco do tempo.

A água do tempo brilha no leito do Universo, sempre correndo, fluindo. Pedras, árvores, casas e cidades também fluem vagarosamente nesta correnteza, assim como os pensamentos, as civilizações, nossas vidas e as vidas de todos os seres. Tudo isso pode parecer imutável, mas na verdade essa ideia não passa de uma ilusão.

Apenas nós, seres humanos, acreditamos que tudo é imutável. Esforçamo-nos para não sermos levados pela correnteza, e lamentamo-nos por tudo que se vai. No entanto, mesmo sofrendo e desdobrando-nos por evitar, caindo sete vezes e nos levantando oito, não há como parar o fluir, que envolve também nossa dor e nossa luta.

Ao invés disso, é melhor ver as coisas como são e nos juntarmos a essa correnteza, com suavidade. Apenas assim poderemos encontrar prazer na fugacidade das coisas, uma vez que é justamente essa fugacidade que tece as mais diversas figuras na tapeçaria da vida.

Shundo Aoyama Roshi
(em “Para Uma Pessoa Bonita – Contos de Uma Mestra Zen”)

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Escutar o rio


 
Quando as ondas da nossa mente se acalmam, podemos ouvir o sermão sem palavras da água, das gotas, das ervas das árvores, dos seixos e das montanhas nos ensinando a transitoriedade de todas as coisas.

Quando o olhar da mente é límpido, vemos tudo como realmente é, de modo natural. Mas assim que os olhos se distraem com objetos externos, não vemos mais.

Se escutarmos o rio sem atenção, a água que corre parece ter um ritmo constante e ininterrupto. Entretanto, nenhuma gota d’água passa duas vezes pela mesma pedra.

A vida humana não é diferente. Acreditar que ontem é igual a hoje é resultado de nossa insegurança e insensibilidade. São nossos olhos deludidos que veem o passado igual ao presente. Os olhos iluminados veem claramente a imagem das coisas em eterno movimento e reconhecem que  um instante é diferente de qualquer outro.

Shundo Aoyama Roshi
(em “Para Uma Pessoa Bonita – Contos de Uma Mestra Zen”)

quarta-feira, 7 de maio de 2014

A natureza original

Sua natureza original* é como uma gigantesca fornalha. É essa fornalha que age com o poder espiritual de todos os Budas, englobando todos os reinos visíveis e invisíveis. Ela existe em você. Assim como o ferro numa fornalha, suas lágrimas transformam-se em compaixão, e todas as suas dores renascem como gratidão. Qualquer tipo de desastre ou carma doloroso é um floco de neve diante dela. Essa natureza original é a mente misteriosa e profunda que todos possuem e que detém o incrível poder de Buda.

*em coreano: juingong

Daehaeng Sunim

(em “No River to Cross”)

terça-feira, 6 de maio de 2014

A existência não termina nessa vida


Satisfações temporárias não resolvem o problema fundamental. Você precisa saber que nossa existência não termina ao fim dessa vida. Além do mais, tudo, mesmo a menor coisa que faça em segredo, retornará a você como carma.



Daehaeng Sunim
(em “No River to Cross – Trusting The Enlightenment That’s Always Right Here”)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Tocar o momento

Se você penetrar no fundo do sofrimento, perceberá a ausência de ego e o vazio que está ali. Então reconhecerá a impermanência como sendo a Realidade. Isso se chama sabedoria. A sabedoria é uma compreensão muito profunda. É maravilhosa. Mas você não deve repousar na Realidade que alcançou, pois terá que seguir o fluxo da impermanência, sendo sempre inteiro a cada momento. Se parar, morre, pois sua vida se tornaria água estagnada.
Tocar o momento significa tocar a Realidade.

Dainin Katagiri
(em “Each Moment is the Universe”)
 

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Eterno, sem manchas, precioso

Tudo no universo, os reinos visíveis e invisíveis, estão conectados e se relacionam como um só. Nada existe separado de tudo o mais: a mente de todos os Budas é sua própria mente, e o Dharma de todos os budas é a sua própria vida diária.

Quando o “eu” - a obscurecida ilusão do self - é completamente abandonada, surge algo que é eterno. É a natureza de Buda, o self eterno que nunca nasceu e jamais morrerá. É o self sem manchas e que transcende todo  sofrimento. É o self precioso e bem-aventurado além de qualquer comparação, que jamais surge ou desaparece, que nunca aumenta ou diminui, e nunca é sujo ou limpo. Mas as pessoas comuns não são capazes de perceber esse self eterno porque não conseguem fugir da prisão de seus próprios conceitos.

Daehaeng Sunim
(em “No River to Cross”)