segunda-feira, 30 de junho de 2014

Uma garrafa vazia



Engraçado, mas sua vida é como uma garrafa vazia. Tudo o que você precisa fazer é encher essa garrafa com sabedoria. Como? Percebendo sempre a profundidade de sua vida humana. Aceite o fato de que não importa o que faça, onde quer que viva, sob qualquer circunstância, você pode reconhecer a realidade. Com sinceridade, tente perceber a natureza suprema de suas ações: quando se curvar, quando conversar, em qualquer coisa que faça. Quando se inclinar em gassho, apenas faça gassho inteiramente, por completo. Agindo assim você tocará a realidade suprema.  Através do gassho você aprende alguma coisa. Pela prática contínua do gassho você retorna à realidade e ao mesmo tempo o gassho se transforma na realidade de sua vida.

Dainin Katagiri
(em “Each Moment is the Universe”)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Desejos são infinitos

As pessoas estão sempre me perguntando como abandonar a raiva, mas ninguém ainda me perguntou como abandonar o desejo. E nós realmente acreditamos que de alguma forma ou de outra, se todos os nossos desejos forem realizados, teremos uma grande felicidade. Mas o fato é que nossos desejos nunca podem ser todos realizados. Desejos são infinitos.


Tenzin Palmo

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Apenas ouça o som do sino




Momento após momento você cria pensamentos  e se torna apegado a eles. Mas o apego traz sofrimento, porque não há nada que seja permanente a que se possa apegar. 
Apenas ouça o som do sino.
No momento seguinte, deixe-o ir. 

Dainin Katagiri
(em “Each Moment is the Universe”)

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Um praticante não tem o direito de não praticar.

Um praticante é alguém que tem o direito de sofrer, mas que não tem o direito de não praticar. Pessoas que não são praticantes permitem que sua a dor, desgosto e angústia os subjuguem, os pressionem para dizer e fazer coisas que não desejam. Nós, que nos consideramos praticantes, temos o direito de sofrer como todo mundo, mas nós não temos o direito de não praticar. Então, nós temos que fazer algo, buscar coisas positivas dentro de nossos corpos e nossa consciência, tomar controle de nossas situações. É normal sofrer, é normal ficar bravo, mas não é normal se permitir ser engolfado pelo sofrimento. Nós sabemos que em nossos corpos e nossa consciência existem elementos positivos que nós podemos buscar em nosso favor. Nós temos que mobilizar estes elementos positivos para proteger a nós mesmos e cuidar das coisas negativas que estão se manifestando em nós.

Thich Nhat Hanh
(palestra em Plum Village - retirado do blog da Sangha Virtual)


terça-feira, 24 de junho de 2014

Vá para dentro de si mesmo

Quando o Buda tinha oitenta anos de idade e sabia que não ia viver muito mais tempo, ele ofereceu a prática da "ilha de si mesmo" para seus alunos. Ele disse que existe uma ilha segura dentro de si mesmo para onde podemos voltar a cada vez que sentirmos medo, instáveis ou em desespero. Vá para o lar, para a ilha de si mesmo dentro de você, se refugie nessa ilha e estará seguro. A ilha de si mesmo está apenas a uma respiração de distância. Com a prática da respiração consciente ou do andar atento, podemos voltar para o lar, para a nossa ilha, imediatamente.

Antes de me mudar para Plum Village, eu costumava ficar em um eremitério cerca de uma hora de carro de Paris. Um dia eu deixei a minha ermida para ir para uma caminhada. A manhã estava muito bonita, por isso antes de sair, eu abri todas as portas e janelas. Mas por volta das quatro da tarde, o tempo mudou, o vento chegou, as nuvens cobriram o sol, e começou a chover. Eu sabia que deveria ir para casa, então eu pratiquei a caminhada consciente no caminho de volta. Quando cheguei, encontrei minha pequena ermida em um estado muito ruim. Estava escuro, frio e miserável no seu interior, que já não estava mais um lugar agradável para se ficar. Mas eu sabia o que tinha que fazer.

A primeira coisa era fechar todas as portas e janelas. A segunda coisa era fazer um fogo no fogão a lenha. Depois disso, eu acendi uma lâmpada de querosene. Então fui pegar todas as folhas de papel que tinham sido sopradas por todo o eremitério. Quando tudo tinha sido pego e colocado de volta em seu devido lugar, eu me sentei perto da lareira e me aqueci no fogo. Agora, a ermida havia se tornado novamente um lugar agradável, aconchegante para se estar. Eu estava seguro e confortável na minha casa.

Esta imagem pode ilustrar o que fazer quando nos sentimos por baixo ou aborrecidos em nossas vidas diárias. Nós nos esforçamos duramente, mas quanto mais tentamos, pior nos sentimos. Nós dizemos: "Apenas não é o meu dia." Parece que estamos falhando em tudo que tentamos fazer. Tentamos dizer ou fazer alguma coisa para melhorar a situação, mas não funciona. Este é o momento de voltar para a nossa ermida e fechar todas as portas e janelas. Vá para casa de si mesmo por meio de sua respiração consciente e reconheça os sentimentos dentro de você. Pode haver sentimentos de raiva, de medo, de ansiedade ou de desespero. Seja qual for sentimento que estiver lá, reconheça-o e o abrace com muito carinho.

Thich Nhat Hanh
(em “Work” – traduzido por Leonardo Dobbin; retirado do blog Sangha Virtual )

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O caminho para a felicidade

Somos treinados para pensar que a satisfação de nossos desejos é o caminho para a felicidade. Na verdade, ir além do desejo é o caminho para a felicidade.


Tenzin Palmo

sexta-feira, 20 de junho de 2014

O que quer que se mova na sua mente

O que quer que se mova na sua mente, o que quer que você pense, não tem nenhuma essência, mas é vazio.

Padmsambhava
(em “Ensinamentos do Mestre Que Nasceu do Lótus”)

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Ao mesmo tempo comum e extraordinário



“Aqui” é o reino de Buda. “Agora” é o instante em que Buda nasce, e que abrange todo passado e todo futuro. Este exato instante é o momento de seu nascimento, e é nesse exatamente agora que você deve praticar.

Siga em frente com pegadas que não deixem rastros. Aceite tudo o que encontre com atitude positiva e não tente evitar nada que surja à sua frente. Não se trata de obter algo ou livrar-se de algo. Apenas certifique-se de que não está evitando nada que apareça e nem apegando-se ao que está partindo. Torne-se um bravo, não maculado por nada e não apegado à nada.

Torne-se um ser real, alguém ao mesmo tempo comum e extraordinário.


Daehaeng Sunim
(em “No River to Cross”)


quarta-feira, 18 de junho de 2014

A verdadeira felicidade




A verdadeira felicidade vem do coração. Ela vem de uma mente que se tornou mais estável, mais clara, mais presente no momento; uma mente aberta e que se preocupa com a felicidade dos outros seres. É uma mente que tem segurança, que sabe que pode lidar com o que quer que aconteça. É uma mente que não se agarra mais às coisas com tanta força; uma mente que sustenta as coisas com leveza. Esse tipo de mente é uma mente feliz.


Tenzin Palmo

terça-feira, 17 de junho de 2014

A descoberta do estado desperto

Permaneça sem esforço no estado indescritível e não elaborado!
Neste momento a consumação é descoberta em você sem ser procurada.

Livre do pensar, sem projetar ou dissolver pensamentos,
Permaneça com os sentidos totalmente abertos e deixe o pensamento ceder em si mesmo!
Nesse estado, o pensar se dissolverá espontaneamente
E as sabedorias ocorrerão por si, sem serem buscadas.
A descoberta do estado desperto nada mais é que isso!

Padmsambhava
(em “Ensinamentos do Mestre Que Nasceu do Lótus”)

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Quando o jardim é sempre verde



É possível deixar que algum desconforto ou dor do passado venha à tona sem que com isso você perca a sua paz .

Muitas vezes pensamos que a dor e a paz não são compatíveis, que não podem sentar-se à mesma mesa. Mas há um amplo espaço no infinito do ser para que cada expressão se manifeste, seja vivenciada e depois, retorne ao silêncio. Se um estado de espírito ou uma sensação surgir em seu corpo, por que simplesmente não aceitar sua presença? Deixe, tudo está bem. Esta é a melhor atitude, deixar que as coisas sigam por si mesmas. Mas se lutar contra isso, você apenas perpetuará essa sensação.

Qualquer coisa pode eventualmente acontecer. É como o oceano, no qual qualquer tipo de onda pode brincar. O oceano não diz "Eu aceito as pequenas ondulações, mas as ondas gigantes, eu não posso suportá-las!". Tanto as ondulações como as ondas gigantes são também o mar, por isso permita que se manifestem. Agindo assim você não terá qualquer problema. Você não dirá que algumas coisas não deveriam ocorrer, apenas aceitará o que estiver acontecendo.

Mas se disser "preciso tolerar ... ", isso é um erro! O aceitar não “tolera” as coisas. Aceitar não é julgar, não é pessoal, não tem preferências. Quando você perceber isso, o seu ambiente, o seu jardim, será sempre verde e não haverá qualquer problema. Você não mais dirá que alguns sentimentos são bem-vindos e outros não, e nem precisará de qualquer segurança para protegê-lo, pois permitirá que tudo se manifeste. Ao agir assim, as coisas que precisam surgir, como os seus sentimentos, se manifestarão rapidamente e não deixarão marcas em sua consciência. Mas se lutar, se insistir em julgar, deixará um registro em sua memória, como "eu não quero ter essa sensação de novo" .

Se você usa sua investigação apenas para livrar-se da dor, como um analgésico, isso poderá funcionar, mas pode ser também que não funcione. Contudo, esse não é o objetivo da investigação. A investigação serve para descobrir quem sofre e reconhecer que esse que sofre não é realmente você. Apenas o conceito que você tem de si próprio é que está sofrendo. Um conceito está sofrendo por outros conceitos.

Mooji



sexta-feira, 13 de junho de 2014

Todos os fenômenos são a sua própria mente


Todos os fenômenos do samsara e do nirvana são a sua própria mente,
E não aparecem separados desta mente.

Não aceite o agradável ou rejeite o ruim,
não firme ou negue, não tenha preferências,
Mas mantenha-se vividamente desperto,
no estado da naturalidade não fabricada!

Ao ficar assim, o sinal de progresso é que seu corpo, fala e mente
Sentir-se-ão livres e soltos, além das fronteiras do prazer e da dor.
Esse é o momento em que se compreende o estado desperto!

Permaneça sem distração na grande ausência de esforço,
No estado natural de vasta igualdade, intrínseco e não elaborado!

Sem pensar e sem formar conceitos, não siga os seus pensamentos!
Portanto, não afirme ou negue, mas permaneça solto em si mesmo!
Nesse estado, o fluxo de pensamento é cortado,
E a sabedoria revela-se, traçando os limites entre o samsara e o nirvana.
A sua mente é a simplicidade livre de “eu” e de “ego”.

Padmsambhava
(em “Ensinamentos do Mestre Que Nasceu do Lótus”)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Simplesmente observar a mente

 Se eu começasse a prestar atenção a meus pensamentos habituais, às minhas percepções e sensações e não me deixasse levar por elas, seu poder sobre mim começaria a enfraquecer. Eu perceberia que suas idas e vindas nada mais são do que a função natural da mente, da mesma maneira que as ondas naturalmente deslizam sobre a superfície de um lago ou oceano. E finalmente, eu hoje sei, foi exatamente isso que aconteceu quando me sentei sozinho em meu quarto no retiro tentando superar a ansiedade que me afetou tanto na infância. Simplesmente observar o que ocorria em minha mente realmente mudou o que acontecia nela.

Yongey Mingyur Rinpoche
(em “The Joy of Living”)

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Quanto tempo mais você levará para perceber a Verdade?




A Essência que você é não é afetada por qualquer atividade da mente ou do corpo. De olhos abertos ou de olhos fechados, isso não afeta a Essência. Companhias “espirituais” não elevam a Essência e nem companhias “mundanas” a diminuem. A Essência não é um sentimento e por isso está além de bons ou maus sentimentos. A Essência não é pessoal  e nem impessoal, extraordinária ou ordinária. A Essência não está estabelecida em um lugar definido, por isso não importa em qual lugar do mundo você está. A Essência não surge ao final de qualquer esforço ou prática. Ela não pode ser fragmentada pelo tempo ou espaço.

Você é uno com a Essência quando o seu “eu” emerge sem história ou bagagem psicológica. Quando isso ocorre, você não é o eu que fala ou o eu que escuta, o eu que duvida ou o que acredita. Você não tem religião. Os papéis que desempenha na vida são plenos de espontaneidade e naturalidade. Você não é mãe de ninguém. Você não é pai de ninguém. Você não é filho ou amigo de alguém. O bem e o mal são meras palavras para você. Os julgamentos não importam. Você sabe que tudo o que vem e vai faz parte do pacote, são apenas expressões humanas. Cada sensação, cada mudança de humor, cada jogo da mente são somente ondas na superfície do oceano.

Quanto tempo mais você levará para perceber a Verdade?

Mooji
(em “Breath of the Absolute”)


terça-feira, 10 de junho de 2014

Deixar que as coisas sigam seu fluxo

Deixar que as coisas sigam seu fluxo produz infinita virtude e mérito. Primeiro, todo tipo de sofrimento se esvai. Depois, hábitos que vêm sendo mantidos há eons pelas afinidades cármicas serão dissolvidos. E ainda, os apegos e ilusões que ocupam a mente desaparecerão gradualmente, não havendo mais nada a descartar ou acrescentar. Nesse momento o seu self original será revelado.

Daehaeng Sunim
(em “No River to Cross”)