terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Uma imensa compaixão





Compreender o vazio não é suficiente. Você precisa desenvolver uma grande compaixão por todos os seres que ainda não realizaram esse vazio, sejam eles inimigos, amigos ou estranhos. Você precisa nutrir uma compaixão que não crie distinções entre bons e maus. E precisa compreender que a compaixão surge através da meditação, e não simplesmente esperando, achando que ela surgirá do vazio por conta própria.

Você deve meditar dia e noite sobre a compaixão, uma compaixão centenas de vezes mais forte daquela de uma mãe por seu filho em perigo; uma compaixão intensa, que surja sempre que você refletir sobre o sofrimento dos seres sensíveis.

E uma vez que essa compaixão nasça você deverá comprometer-se, com a máxima energia: “Até atingir a iluminação, farei o possível para beneficiar todos os seres sem omitir um só, não importando o mal que eles tenham feito e não importando as dificuldades que eu possa vir a enfrentar.


Shabkar
(em “On The Path of Enlightenment: Heart Advice from the Great Tibetan Masters”)


segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Ir além do mundo



Tudo o que você diz está claro para mim. Mas quando algum problema físico ou mental acontece, minha mente se torna amarga e sombria, ou busca alívio freneticamente.

Que importância tem isso? É a mente que é amarga e inquieta, não você. Veja, coisas de todos os tipos acontecem nessa sala. Sou em quem as faz acontecer? Elas apenas acontecem. Com você é a mesma coisa – a trama do destino se desenrola e atualiza o inevitável. Você não pode mudar o curso dos acontecimentos, mas você pode mudar sua atitude, e o que realmente importa é a atitude e não o fato nu e cru. O mundo é a morada dos desejos e dos medos. Nele, não se pode encontrar paz. Para ter paz, você tem que ir além do mundo.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo”, pág 78 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)


domingo, 1 de janeiro de 2017

Lições (poema de Mia Couto)



Lições

Não aprendi a colher a flor
sem esfacelar as pétalas.
Falta-me o dedo menino
de quem costura desfiladeiros.

Criança, eu sabia
suspender o tempo,
soterrar abismos
e nomear as estrelas.
Cresci,
perdi pontes,
esqueci sortilégios.

Careço da habilidade da onda,
hei-de aprender a carícia da brisa.

Trémula, a haste
me pede
o adiar da noite.

Em véspera da dádiva,
a faca me recorda, no gume do beijo,
a aresta do adeus.

Não, não aprenderei
nunca a decepar flores.

Quem sabe, um dia,

eu, em mim, colha um jardim?


Mia Couto
(em “poemas escolhidos”)



sábado, 31 de dezembro de 2016

A vida é o nosso maior professor



Muitos de nós estamos usando a nossa espiritualidade como uma forma de evitar a vida, de evitar vermos coisas que realmente precisamos de ver, de evitar sermos confrontados com os nossos próprios enganos e ilusões.

É muito importante saber que a vida em si é muitas vezes o nosso maior professor. A vida é cheia de graça, às vezes é uma graça maravilhosa, bela, momentos de êxtase, felicidade e alegria, e às vezes é uma graça feroz, como a doença, a perda de um emprego, a perda de alguém que amamos, ou um divórcio.

A vida em si tem uma tremenda capacidade para nos mostrar a verdade, para nos despertar. E, ainda assim, muitos de nós evitamos essa coisa chamada vida, mesmo quando ela está tentando nos despertar. O divino em si é a vida em movimento. O divino está usando as situações de nossas vidas para realizar o seu próprio despertar, e muitas vezes ele usa as situações difíceis para nos despertar.


Adyashanti
(retirado do facebook)






sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

O natural em nós



A forma como estreitamos a consciência é através do esforço, através da luta. Aquilo a que todos nós aspiramos, e o que de fato é natural em nós, é a abertura, a paz, o amor e o bem-estar.

Estas são qualidades completamente naturais do espírito. Elas surgem quando nos tornamos conscientes da nossa natureza espiritual, da nossa natureza não-separada, não-alguém. Então o amor flui naturalmente.

Adyashanti
(retirado do facebook)


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Meditação: o espaço no qual tudo é revelado



Agora, só porque nós permitimos que tudo seja tal como é, isso não significa que a nossa meditação irá necessariamente permanecer totalmente tranquila e silenciosa. O objectivo aqui é despertar, certo?

O objectivo não é aprender a suprimir a si mesmo para que você se sinta melhor. É despertar para a realidade do seu ser, e nós despertamos para a realidade do nosso ser ao relacionar-nos com a nossa natureza humana, não ao evita-la. Não ao contorna-la. Não ao tentar afasta-la através da oração, do mantra ou da meditação. Nós despertamos ao deixar que tudo dentro de nós mesmos se revele, seja sentido, seja experimentado, seja conhecido.

Então, e só então, poderemos nos mover para um nível mais profundo. Isto é muito, muito importante e é algo que muita gente não entende. É fácil usar técnicas de meditação para suprimir as nossas experiências humanas, para suprimir as coisas que não queremos sentir. Mas o que é preciso é exatamente o oposto. A verdadeira meditação é o espaço no qual tudo é revelado, tudo é visto, tudo é experimentado.


Adyashanti
(retirado do facebook)


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Rendição silenciosa



A verdadeira meditação não tem direção ou objetivo. É pura rendição silenciosa, pura oração silenciosa. Todos os métodos que visem atingir um certo estado mental são limitados, impermanentes e condicionados. O fascínio com estados mentais leva apenas à escravidão e dependência. A verdadeira meditação é quietude sem esforço, é permanecer como ser primordial.


Adyashanti
(retirado do facebook)


terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Estado natural



Iluminação nada mais do que o estado natural de ser. Se você o despir de toda a terminologia complexa e todo o jargão complexo, a iluminação é simplesmente voltar ao nosso estado natural de ser.

Estado natural significa um estado que não é criado, um estado que não requer nenhum esforço ou disciplina para ser mantido, um estado de ser que não é melhorado por qualquer tipo de manipulação da mente ou do corpo. Em outras palavras, um estado que é completamente natural, completamente espontâneo.


Adyashanti
(retirado do facebook)


segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A paz que já é



Você chega ao estado natural quando abandona o controle, abandona o esforço e descansa num estado de vivacidade. É muito simples. Não poderia ser mais simples. Sente-se; deixe tudo ser como já é. Você pode até fazer a si mesmo uma pergunta muito simples, logo desde o início: "Não é verdade que a paz e a tranquilidade, que eu estou tentando alcançar através da meditação, já está aqui, agora?" Então, veja por si mesmo.

Quando vemos por nós mesmos, passamos a ver que sim, realmente, a paz e a tranquilidade são estados totalmente naturais, e eles já estão acontecendo. Nesse momento, tudo o que você tem a fazer é reconhecer isso e, em seguida, entregar-se a eles. Descubra o que acontece quando você se entrega à paz que já é, à quietude que já é. Esta é a investigação.


Adyashanti

domingo, 25 de dezembro de 2016

A vida como guia


A pessoa precisa mesmo ter objetivos próprios? A vida, da qual ela é uma expressão, irá guiá-la.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo”, pág 31. Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)


sábado, 24 de dezembro de 2016

Abandonando o controle



O que acontece quando nós realmente deixamos ir este controle? O que acontece quando permitimos que tudo seja exatamente como é? Esta questão é o fundamento de toda a espiritualidade. Até que nós consigamos permitir que tudo seja como é, do modo mais profundo possível, da maneira mais profunda, nós ainda estamos envolvidos no controle.

Na verdadeira espiritualidade e na verdadeira meditação nós estamos abandonando este controle desde o início. Não estamos bombeando energia para o ego, para a mente, para o controlador, para o manipulador. Nós estamos abandonando o esforço, o que é uma ideia revolucionária para a maioria das pessoas – a de que podemos meditar de tal forma que não há esforço.


Adyashanti
(retirado do facebook)


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Deixar ir o controle



Mas deixar ir o controle, deixar tudo ser como é, é um meio de deixar ir o esforço. Então, quando eu digo que nós deixamos ir o controle, que nós deixamos tudo ser como é, é o mesmo que dizer que deixamos de fazer esforço.

Nós descobrimos o que acontece em nossa consciência quando deixamos ir o esforço, quando deixamos ir a disciplina. E podemos começar a ver em nossa própria experiência que há uma certa vitalidade que vem à consciência. É como se uma luz se ligasse no interior, simplesmente porque nós deixamos ir o esforço e controle.

Algo que é inocente, belo e não contaminado começa a surgir na consciência; começa a surgir por si mesmo e por si só. E isto é bem diferente do que foi ensinado à maioria de nós. Fomos ensinados que, para entrar num estado natural de consciência, devemos aprender a controlar e disciplinar a nós mesmos; o que eu estou dizendo é que é justamente o oposto.


Adyashanti
(retirado do facebook)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Nada pode libertá-lo




Para que ter um desejo, seja ele qual for? Desejar um estado livre de desejos não irá libertá-lo. Nada pode libertá-lo, porque você já é livre.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo”, pág 65 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)




quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sendo o céu



Quando você sabe que é a Consciência, então não existe repressão e não há apego a nada. É como se você fosse o próprio céu. Você não precisa afastar as nuvens e nem tentar impedi-las de ir embora. O céu permanece sempre inalterado ainda que surjam tempestades, ainda que relâmpagos pareçam rachá-lo e que tudo vire um inferno . Nada importa, desde que o céu lembre-se sempre de que é o céu.


Adyashanti
(retirado do facebook)


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

O que há para ser mudado?



Suponhamos que eu cruze com um mendigo nu e faminto e pergunte a ele: “Quem é você?”, e ele me responda: “Eu sou o Eu Supremo”. “Bem”, digo eu, “já que você é o Eu Supremo, mude seu estado atual”. O que ele fará?

Ele perguntará a você: “Que estado? O que há para ser mudado? O que há de errado comigo?”

E por que ele responderia assim?

Porque ele já não é mais prisioneiro das aparências, ele não se identifica mais com nome e forma. Ele usa a memória, mas a memória não consegue usá-lo.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo”, pág 72 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)