sexta-feira, 15 de junho de 2018

Liberação, não liberdade



Eu prefiro o termo liberação do que liberdade. Pois a liberação é o fruto de um processo, de uma ascese interior. Além disso, entendemos a liberdade como o fato de fazer o que queremos. A liberação exige que paremos de viver o cotidiano sob o signo do piloto automático, que cessemos de ser o brinquedo de nossas paixões, a marionete de nossos desejos inconscientes para, passo a passo, crescermos e nos tornarmos menos escravos.


Alexandre Jollien
(filósofo francês)




quinta-feira, 14 de junho de 2018

A alegria de cada instante



O que contraria nosso acesso à felicidade vem precisamente de que fazemos disso uma ideia preconcebida, limitada, rígida. A partir do momento em que nos ­fixamos em algo, numa imagem de nós mesmos e da felicidade, renunciamos, nos privamos da alegria dada a cada instante pelo cotidiano.


Alexandre Jollien
(filósofo francês)



quarta-feira, 13 de junho de 2018

Mesmo agora, já agir como iluminados



Mesmo antes de alcançar o Caminho, os praticantes devem agir como se já fossem iluminados. Ou seja, devem abandonar a mentalidade do “gostar” e “não gostar”.  Se praticarem assim diligentemente, a prática será plena. Pois na verdade o que vocês gostam ou desgostam não são separados um do outro.


Sheng Yen
(em “Faith in Mind: A Commentary on Seng Ts’an’s Classic”)




terça-feira, 12 de junho de 2018



Pare toda atividade e volte-se para a quietude,
E essa quietude será ainda mais ativa.

Tente alcançar o vazio e estará virando as costas para ele.
Falar e pensar muito te afastam da harmonia com o Caminho.
Interrompa o falar e o pensar, e não haverá lugar algum onde você não estará.

Busque a iluminação e irá perdê-la.


Sengcan
(Terceiro Patriarca do Zen)



segunda-feira, 11 de junho de 2018

Paradoxo



Há apenas uma essência, que não pode ser chamada de verdadeira ou falsa. Por isso não é preciso discriminar, pois tudo, em qualquer lugar, é essa essência eterna. O paradoxo é que para ter verdadeira fé nessa essência é preciso antes iluminar-se.


Sheng Yen
(em “Faith in Mind: A Commentary on Seng Ts’an’s Classic”)




domingo, 10 de junho de 2018

Tudo deve ser apreciado


Nada está oculto. A verdade está revelada em todas as coisas. O Buda está revelado em todas as coisas. O Dharma está revelado em todas as coisas. Apenas permita que caiam as vendas que estão sobre seus olhos e você reconhecerá que tudo está pleno de verdade. Tudo deve ser apreciado!


Soko Morinaga
(em “Novice to Master”)




sábado, 9 de junho de 2018

O caminho para as verdades de Buda



O Dharma do Buda não é encontrado em livros. Se você quer realmente ver por si mesmo sobre o que Buda estava falando, não é preciso se preocupar com livros. Observe sua própria mente. Examine para ver como seus sentimentos vêm e vão, como seus pensamentos vêm e vão. Não se apegue a nada, apenas esteja consciente de qualquer coisa que há para ser vista. Esse é o caminho para as verdades de Buda.


Ajahn Chah
(em “Living Dharma”)






sexta-feira, 8 de junho de 2018

Tudo é Dharma



Tudo que você faz na vida é uma chance de praticar. Tudo é Dharma. Ao executar suas tarefas, esteja consciente. Se está esvaziando uma escarradeira ou limpando um banheiro, não veja isso como um favor para alguém. Há Dharma em esvaziar escarradeiras.


Ajahn Chah
(em “Living Dharma”)



quinta-feira, 7 de junho de 2018



Um monge perguntou a Saikawa Roshi:

- Qual deve ser meu objetivo?

- Apenas ande. O caminho se mostra a cada momento. Abra os olhos.


Saikawa Roshi



quarta-feira, 6 de junho de 2018

O verdadeiro esforço



O verdadeiro esforço não é aquele empreendido para fazer com que algo de especial aconteça.

É o esforço de estar consciente e alerta a cada momento; é o esforço de superar a indolência e a impureza; o esforço de transformar cada atividade do novo dia em meditação.


Ajahn Chah
(em "Uma Lagoa Tranquila na Floresta")



terça-feira, 5 de junho de 2018

Inteiro


Falo sempre com força e com todo o coração. Em cada palavra ou frase a minha mente e o meu corpo, a minha carne e o meu sangue revelam-se completamente.


Kodo Sawaki



segunda-feira, 4 de junho de 2018

Paraíso


Na verdade, o paraíso está nas mãos de todos os seres.
É a felicidade de viver plenamente o que a vida nos traz.


Shundo Aoyama Roshi
(em "Para Uma Pessoa Bonita")



domingo, 3 de junho de 2018

Preparado para quando a chuva vier


Enfrentando uma longa estiagem, os habitantes de uma aldeia pediram a um mestre Zen que os ajudasse a levar chuva aos seus campos áridos.

Em resposta, o mestre pediu apenas uma pequena cabana com um jardim onde pudesse plantar.

Dia após dia ele cultivava o pequeno jardim sem praticar nenhuma magia. Após algum tempo, a chuva começou a cair sobre a terra ressecada.

Quando lhe perguntaram como conseguira tamanho milagre, ele respondeu humildemente:

- A cada dia, ao cultivar o jardim, voltava-me mais para dentro de mim mesmo. Quanto à chuva, não sei porque ela caiu agora e não antes ou depois. Mas sei que a terra do meu jardim já está preparada. E a de vocês?


Conto Zen




sábado, 2 de junho de 2018

Bolhas na crista da onda


Os homens vêm e vão. Ás vezes estamos e no momento seguinte desaparecemos. Somos como bolhas na crista da onda.

Se consegues viver plenamente este instante, vivê-lo pleno, com tudo, sem o fantasma do amanhã, então és completamente livre. Livre de tua ambição e de teu medo.

Livre.


Jorge Bustamante



sexta-feira, 1 de junho de 2018

Sem desperdício


Chegaram aos ouvidos do príncipe Takayasu os comentários de que mestre Kendó, uma das maiores figuras espirituais anteriores a era Meiji (1868), deleitava-se com suntuosas ceias após todos terem adormecido.

Na noite seguinte o príncipe, mesmo sendo um profundo admirador de Kendó, escondeu-se no jardim e viu que realmente o mestre comia sozinho em sua cabana. Ingignado, Takayasu pulou de súbito a janela, e o mestre, surpreendido, cobriu com rapidez sua tigeja.

- O que você está escondendo? - perguntou o príncipe.

O mestre pediu para que ele esquecesse o assunto e não insistisse, mas quando o príncipe fez menção de tomar a tigela, Kendó a descobriu e mostrou seu conteúdo, dizendo:

- Me envergonha muito de que isso tenha chegado aos ouvidos de Sua Alteza. Há aqui muitos monjes estudantes vindo dos mais diversos lugares do país, e apesar de eu sempre insistir para que não desperdicem uma gota de água sequer e nem joguem fora sobras de legumes e arroz, continuam jogando os talos e tudo o mais pelo ralo. Para evitar esse desperdício, coloquei uma pequena rede dentro do ralo, e quando todos dormem recolho o que o que ficou retido ali, fervo, e aproveito como ceia. Faço isso há muitos anos. Lamento profundamente que uma história tão sórdida venha a incomodar teus nobres ouvidos.


(Citado por Irmgard Schloegl em "La Sabiduria do Zen")