segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sugestão para a meditação

"Toda vez que começamos a praticar, ajuda se não mergulharmos imediatamente. Em vez disso, separe alguns momentos para interromper sua corrente ordinária de pensamentos. Isso é relevante principalmente se você é muito ocupado e tem apenas cinco minutos para sua prática diária [...].

Suponha que bem antes de praticar você tenha uma briga com seu noivo. Isso provavelmente vai desencadear uma corrente de pensamentos sobre o que você quer dizer para seu parceiro. Se você começar sua prática no meio disso tudo, ela não vai funcionar muito bem. É por isso que ajuda colocar um ponto nessa corrente de pensamentos durante pelo menos algum tempo.

Descobri que isso é muito, muito útil. Há na verdade incontáveis métodos para interromper a corrente de pensamentos, mas para mim, antes de praticar, apenas sento por um tempo. Cada vez que um pensamento vem, tento pará-lo cultivando um sentimento de renúncia, e faço isso de novo e de novo.

Penso que agora tenho 40 anos e, se eu conseguir viver até os 80, resta apenas metade da minha vida. Penso que desses 40 anos, vou dormir o equivalente a 20 anos. Então, agora há apenas 12 horas por dia que podem ser chamadas de vida. Se então contarmos assistir um filme por dia, comer e fofocar, sobram cerca de 5 horas. De 40 anos, isso quer dizer que sobram oito, e a maior parte irá embora ao nos permitirmos a paranóia, ansiedade e tudo mais [...]. Na verdade, há muito pouco tempo para a prática!

Isso deve dar a vocês uma ideia de como interromper a cadeia de pensamentos. Não pule imediatamente para dentro da prática; em vez disso, apenas observe-se, veja sua vida, veja o que está fazendo. Se está praticando dez minutos por dia, você deveria tentar interromper a corrente por pelo menos dois ou três minutos.

Fazemos isso para transformar a mente, invocando um sentimento de renúncia. Quando pensamos “estou morrendo. Estou me aproximando da morte” e outras ideias do tipo, isso realmente ajuda."

Dzongsar Khyentse Rinpoche

domingo, 16 de setembro de 2012

Apenas dois dias de vida

“Quando começamos a compreender, não apenas intelectualmente mas emocionalmente, que todas as coisas compostas são impermanentes, então nosso apego diminui. A convicção de que nossas posses e pensamentos são valiosos, importantes e permanentes começa a se soltar.

Se fossemos avisados de que temos apenas dois dias de vida, nossas ações mudariam. Não ficaríamos preocupados em deixar os sapatos paralelos, em passar ferro na roupa íntima ou colecionar perfumes caros. Poderíamos ainda fazer compras, mas com uma nova atitude.

Se soubermos, mesmo só um pouco, que alguns de nossos conceitos, sentimentos e objetos familiares existem apenas como um sonho, desenvolvemos um senso de humor muito melhor. Reconhecer o humor em nossa situação evita o sofrimento.

Ainda vivenciamos as emoções, mas elas não podem mais nos pregar peças ou nos iludir. Ainda podemos nos apaixonar, mas sem medo de ser rejeitado. Iremos usar nosso melhor perfume e creme facial em vez de guardá-los para uma ocasião especial. Assim, todo dia se torna um dia especial.”

Dzongsar Khyentse Rinpoche
(em "O Que Faz Você Ser Budista?")

sábado, 15 de setembro de 2012

Observar o sofrimento

"Meu treinamento envolve certo sofrimento, porque compreender o sofrimento é o caminho indicado por Buda para atingirmos a iluminação. Ele quer que nós observemos o sofrimento, compreendamos como este se originou, o seu fim e o caminho que conduz a esse fim. Foi esse o método seguido por todos aqueles que se iluminaram. Se você não seguir por esse caminho, na realidade não haverá caminho nenhum."

Ajahn Chah
(em "Everything Arises, verything Falls Away") 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Absolutamente tudo é inconstante

"Quando sua mente estiver calma, não pense, 'ah! alcancei a paz!', porque na verdade nada é tão certo assim.

Entende isso? Você pode vir a ficar doente ou enjoado das coisas que mais gosta. Isso se deve à impermanência de tudo e isso é algo que você deveria lembrar. O prazer é inconstante. A infelicidade é inconstante. O afeiçoar-se é inconstante. A tranquilidade é inconstante. A agitação é inconstante. Absolutamente tudo é inconstante. Portanto, seja o que for que ocorra, devemos sempre lembrarmo-nos disso, pois só assim não seremos pegos por nada. Toda experiência é inconstante porque sua natureza é, na realidade, impermanente. Impermanência significa que as coisas não são fixas ou estáveis. Simplificando, essa é a verdade transmitida por Buda."

Ajahn Chah
(em "Everything Arises, Everything Falls Away")

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Tudo é apenas sua criação

"Um escultor pode criar uma linda mulher com mármore, mas ele deve saber bem como não se apaixonar pela criação. Como Pigmalião com sua estátua de Galatéia, nós também criamos nossos amigos e inimigos, mas nos esquecemos que é assim. Devido à ausência do estado desperto em nós, nossas criações são transformadas em algo sólido e real, e vamos ficando cada vez mais enroscados. Quando você compreender por inteiro, não apenas intelectualmente, que tudo é apenas sua criação, você será livre."

Dzongsar Khyentse Rinpoche
(em "Que Faz Você Ser Budista?")

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Apenas obstáculos e nada mais

"Quando pequenos obstáculos surgem no caminho espiritual, um bom praticante não perde a fé e começa a duvidar, mas tem o discernimento para reconhecer as dificuldades, quaisquer que sejam, pelo que elas são: apenas obstáculos e nada mais. É da natureza das coisas: quando você reconhece um obstáculo assim, ele deixa de ser um obstáculo. Igualmente, falhar em reconhecer um obstáculo pelo que ele é — e, dessa forma, levá-lo muito a sério — faz com que ele aumente seu poder e solidez, se tornando uma barreira de verdade.

Sempre que a dúvida surgir, então, veja-a apenas como um obstáculo, reconheça-a como uma compreensão pedindo para ser clarificada ou desbloqueada e saiba que não é um problema fundamental, apenas um estágio no processo de purificação e aprendizado. Permita que o processo continue e se complete e nunca perca sua confiança e determinação. Esse é o caminho seguido por todos os grandes praticantes do passado, que costumavam dizer: “não há armadura como a perseverança”.

Sogyal Rinpoche

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Quando odiamos

"Quando odiamos alguém, detestamos a nós mesmos também."

Thich Nhat Hanh
(em "A Essência dos Ensinamentos de Buda")

Ilusão e Compreensão

"Quando você está iludido, até mil escrituras não são suficientes.
Quando você entende, uma única palavra é demais."

(Mestre Fenyang)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Não estamos aqui para sempre



Buda recomendou que cada pessoa deveria lembrar todos os dias que não estamos aqui para sempre. Somos convidados e essa participação pode ser encerrada a qualquer momento. Não sabemos quando, não temos a menor ideia. Sempre achamos que teremos 75 ou 80 anos, mas quem sabe? Se nos lembrarmos de nossa vulnerabilidade todos os dias, nossas vidas serão preenchidas com o entendimento de que cada momento conta, e não ficaremos tão preocupados com o futuro. Agora é a hora de crescer no caminho espiritual.

Se nos lembrarmos disso, sempre teremos uma relação especial com as pessoas à nossa volta. Elas também podem morrer a qualquer momento e, certamente, não gostaríamos que isso acontecesse quando não estamos dirigindo amor a elas. Quando lembramos isso, nossa prática se conecta com o momento e a meditação progride, porque há uma urgência nela. Precisamos agir agora. Só podemos observar esta única respiração, não a próxima.

 
Ayya Khema,
(em “When the Iron Eagle Flies”)

sábado, 8 de setembro de 2012

Iludidos pelos fenômenos


"As causas pelas quais não temos paz estão em nós. Elas se manifestam quando estamos iludidos pelos fenômenos. O que devemos fazer então é treinar a mente da maneira correta.

O que quer que você experimente está ok, apenas isso. Quando estiver envelhecendo, não pense que há algo errado. Quando suas costas doerem, não creia que há alguma espécie de falha. Quando estiver sofrendo, não pense que a situação é injusta. E quando estiver feliz, também não acredite que há algo errado.


Sofrimento é apenas sofrimento. Felicidade é tão somente felicidade. Quente é apenas quente. Frio é apenas frio. Não há nada além disso. Ganhar alguma coisa é Realidade. Perdê-la também é Realidade. Estar feliz e confortável é Realidade. Sentir-se mal também é Realidade.

Isso não significa sucumbir diante dessas condições, mas reconhecê-las. Se você sente felicidade, reconheça: "Oh! A felicidade não é permanente." Se está sofrendo, perceba: "Oh! O sofrimento não é permanente".
Portanto, não se apegue a nada."

Achaan Chah
(em "Everything Arises, Everything Falls Away")

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Liberdade absoluta

"Na meditação tu próprio és o espelho que reflete a solução dos teus problemas. O espírito humano tem liberdade absoluta no interior da sua verdadeira natureza. Podes atingir a liberdade intuitivamente. Não trabalhes para a liberdade, deixa que a prática seja ela mesma libertação. "

Dogen Zenji

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A maravilhosa natureza da mente


A Maravilhosa Natureza da Mente não nasceu e não morre. Não é existente nem não existente. Não é sem forma nem dotada de forma. Não sente dor nem prazer. Mesmo que queiras saber o que é que está a sofrer deste modo, isso é algo que não pode ser conhecido. Se apenas questionares o que é este corpo-mente que sofre, sem pensar em mais nada, sem desejar mais nada, sem perguntar mais nada, como uma nuvem que desaparece no céu, a tua mente esvaziar-se-á - deixarás de transpor o mundo da vida e da morte e serás imediatamente libertado.

Bassui
(em "Mud and Water: The Teachings of Zen Master Bassui")

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Trabalhamos com o que temos


Como encontrar os ingredientes? Simplesmente abrindo os olhos e olhando à volta. Pegamos nos materiais que estão à mão, em frente de nós, e preparamos a melhor refeição possível. Trabalhamos com o que temos em cada e a todo o momento.

Roshi Bernard Glassman
(em "Instructions to the Cook")

A única vida real


A vida é aqui, a vida é agora, onde nos encontramos. Esta é a única vida real, que não existe amanhã, que não podemos meter no bolso ou frigorífico ou nas nossas caixas-cabeças. É sempre fresca e totalmente nova onde quer que a encontremos, seja quando for que nasçamos (Agora), está sempre a chegar fresca Agora a Agora, passo a passo, encontro a encontro. A vida é a criação cósmica espontânea, vinda do abismo desconhecido do universo, este milagre, esta nova descoberta, este nascimento que nunca foi experimentado antes ou depois. Ela não existe, de forma alguma, de antemão! Ela só emerge neste ponto de encontro, agora, uma vez na eternidade.

Quando a flor abre
A borboleta chega,
Quando a borboleta chega,
A flor abre."

Este é o mundo real da vida. Sempre vida nova, muito imprevisível, surgindo inesperadamente, sem qualquer fixação. Encontrar (experimentar) em toda a eternidade o lótus que se abre (Aqui-Agora) é a verdadeira vida, e momento a momento, milagre a milagre, AGORA, é a oportunidade real para despertar, para ter esse encontro, o lótus da Vida.

Hogen Daido
(em "Folhas Caem, Um Novo Rebento")

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Não confundir a mente com os fenômenos

"Na meditação, nós trabalhamos para desenvolver a mente alerta, de forma que essa permaneça sempre desperta. Trabalhando com energia e paciência, a mente pode adquirir firmeza.

Os fenômenos são uma coisa e a mente é outra. São coisas distintas. Quando entramos em contato com algo que nos dá prazer, tentamos retê-la. Quando algo nos desagrada, queremos afastar-nos dela. Essas atitudes não são ver com a mente clara, mas sim perseguir os fenômenos. Fenômenos são fenômenos, mente é mente. Temos que distinguir e reconhecer o que é a mente e o que são os fenômenos. Só então podemos ficar à vontade.

Se nos enfurecemos por alguém falar asperamente conosco, significa que estamos iludidos pelo fenômeno e apegados a ele;  a mente foi capturada pelo objeto e segue seus humores. Por favor, entenda que todas essas coisas experienciadas externamente e internamente não são nada além de decepções. Elas não são certas ou verdadeiras, e ao persegui-las, nos perdemos.

Se não entendemos o Dharma, se não conhecemos a mente e não reconhecemos os fenômenos, confundiremos a mente e os fenômenos. Então, experimentamos sofrimento e sentimos como se nossa mente estivesse sofrendo. Sentimos nossa mente vagando, infeliz, mudando o tempo todo. Mas não é esse realmente o caso: não há mentes diversas, mas sim diversos fenômenos.

As pessoas sentem suas mentes infelizes ou aflitas mas na realidade não há nada mais feliz e confortável do que a mente. Lembre-se disso: quando vocês experimentarem essas coisas no futuro, recordem, "Achaan Chah disse, 'Isso não é a mente.' "

Achaan Chan
(em "Everything Arises, Everything Falls Away")