A constante prática de identificar a mente com o infinito.
Kodo Sawaki
Somos com um barco cruzando o oceano. Se o barco encontrar uma
tempestade e todos se apavorarem, ele virará. Se existir uma pessoa no barco
que consiga permanecer calma, está pessoa poderá inspirar outras pessoas a
ficarem calmas. Então haverá esperança para todos no barco. Quem é essa pessoa
que pode se manter calma numa situação angustiante ou de perigo? Cada um de nós
é essa pessoa. Contamos uns com os outros.
Thich
Nhat Hanh
O Buda disse que, se as pessoas entendessem o verdadeiro benefício
futuro da doação, não guardariam uma única refeição apenas para si mesmos. Tentariam
compartilhar todas as refeições. Mas, por não enxergarmos os resultados
futuros, pensamos: “Se eu der isto aqui, vou ficar com o quê? O que sobrará
para mim?”. Esse tipo de mentalidade não apenas suprime os nossos impulsos
generosos, como também cria as causas para não sermos prósperos futuramente.
Doar é uma alegria! É a mente fechada do “Este sou eu, isto é meu, e eu não vou
dar para ninguém” que nos causa tanta dor e nos impede de realmente apreciarmos
o que temos. Veja, não é as coisas que possuímos que são o problema; o problema
é nos agarrarmos a elas, é o nosso apego.
Jetsunma
Tenzin Palmo
Uma das coisas que você nota sobre qualquer verdadeiro mestre Zen é o
incrível peso de sua presença. É como uma gravidade sólida que os mantém
estáveis e é capaz de oferecer
estabilidade a tudo em sua órbita.
Essa solidez se manifesta em todos os seus hábitos de vida e
principalmente, no andar. Sem pressa,
sólido, livre e presente. Não é algo 'encenado' como um show quando em público,
mas uma extensão natural da profundidade de presença que eles desenvolveram em
todas as atividades da vida.
No Ocidente, temos a tendência de andar na ponta dos pés, sempre nos
impulsionando para frente em um esforço sem fim para chegar ao nosso
destino. Para um mestre Zen, a caminhada
é, metaforicamente, sobre os calcanhares. Eles não estão tentando chegar a
lugar nenhum porque já chegaram. Não há ir ou vir, nenhum ponto de origem e
nenhum destino, apenas o eterno AGORA deste próximo passo e o incrível momento
presente que os envolve.
Portanto, da próxima vez que você estiver caminhando para algum lugar,
verifique seu ritmo. Você está na ponta
dos pés, avançando para algo à sua frente, de modo que seu progresso se torne
mais uma queda interrompida do que um passo sólido e deliberado? Se for assim,
pare. Faça três respirações para acalmar e depois caminhe novamente, corpo e
cabeça eretos, lentamente e em seus calcanhares metafóricos (e talvez físicos).
Procure tornar cada passo um passo perfeito, experimentando profundamente a
sensação. Você ficará imediatamente surpreso com o quão difícil é,
especialmente quando a energia do hábito das pessoas ao nosso redor está
voltada para a velocidade.
Mas você também descobrirá que cada momento está repleto de
possibilidades, com cada passo abrindo para você o Reino dos Céus e você se
perguntará como foi capaz de não perceber o nirvana que está sempre disponível
no agora.
Thich
Nhat Hanh
Em cada ser existe a indestrutível natureza de Buda. Como o sol, ela preenche todo o universo. Mas coberta pelas ilusões dos sentidos, é como uma luz dentro de um jarro, oculta e sem ser vista.
Ver e não ser capturado pelo que vê, escutar os sons e não ser aprisionado por eles, isso é libertação.
Não sujeitar-se às aflições é a liberdade real.
Boddhidharma
Quando nos encontramos em situações perigosas ou difíceis, ou quando
nos descontrolamos, podemos praticar tomando refúgio. Ao invés de entrar em
pânico ou nos entregar ao desespero, podemos confiar no poder de autocura, da
autocompreensão e amor dentro de nós. Chamamos isso de "a ilha dentro de
nós", onde podemos nos refugiar. Esta é uma ilha de paz, confiança,
solidez, amor e liberdade. Seja uma ilha dentro de si. Você não precisa
procurá-la em outro lugar.
Thich
Nhat Hanh
O problema é que a maioria das pessoas se sente acolhida o suficiente
no samsara. Elas realmente não têm a aspiração genuína de ir além do samsara, querem apenas que o samsara seja um pouco melhor. A motivação fundamental de
ir além do samsara é muito rara, mesmo nas pessoas que frequentam
centros de Darma. Há muitas pessoas que aprendem a meditar e coisa e tal, mas
basicamente motivadas pela esperança de se sentirem melhor. E, se acabarem se
sentindo pior, em vez de perceberem que isso pode ser um bom sinal, elas acham
que há algo de errado com o Darma. Estamos sempre tentando nos sentir mais
confortáveis na prisão. Podemos até pensar que, se pintarmos as paredes da cela
com um bonito tom de verde pastel e pendurarmos alguns quadros, não será mais
uma prisão.
Jetsunma
Tenzin Palmo
O nirvana verdadeiro é possível no aqui e agora, enquanto somos capazes de entrar em contato com a dimensão suprema da realidade. Assim como uma onda não precisa morrer a fim de viver em sua dimensão suprema de água, nós não temos de nos "extinguir" para atingir o nirvana. Quando entramos em contato com nossa verdadeira natureza, nossa dimensão suprema, estamos libertos dos medos da existência e da não-existência.
Thich Nhat Hanh
É importante perceber que a verdadeira meditação não é um esforço para produzir um dado estado mental — como a felicidade suprema, ou imagens visuais incomuns, ou amor por todos os seres sencientes. Métodos assim também existem, mas servem a uma função mais limitada. O propósito mais profundo da meditação é reconhecer o que é comum a todos os estados da experiência, agradável ou desagradável. O objetivo é perceber as qualidades que são intrínsecas à consciência em cada momento presente, independentemente do que surgir para ser notado. Quando você consegue descansar de modo natural, testemunhando apenas a totalidade da experiência, e deixa que os pensamentos surjam e desapareçam como quiserem, pode reconhecer que a consciência é intrinsecamente indivisa. No momento em que perceber isso, você estará livre por completo do sentimento que chama de “eu”.
Sam
Harris
Queremos nos sentir seguros e protegidos; queremos nos sentir calmos. Então, quando uma situação parece turbulenta, opressiva e cheia de sofrimento, temos que praticar tomando refúgio em Buda, o nosso Buda interior. Cada um de nós tem dentro de si a semente búdica, a capacidade de ser calmo, compreensivo, compassivo e de tomar refúgio na ilha segura dentro de nós, para assim poder manter nossa humanidade, nossa paz, nossa esperança. Praticando assim, nós nos tornamos uma ilha de paz e compaixão, e podemos inspirar os outros a fazer o mesmo.
Thich
Nhat Hanh