Viver é um movimento
novo e inocente, cada minuto do dia renovado.
Jiddu Krishnamurti
(1895-1986)
A mente é essencialmente pura. Dentro de si mesma ela já está em paz.
Que a mente não esteja em paz nestes dias é porque ela se deixa levar pelos
humores. Isso não tem nada a ver com a mente, é simplesmente (um aspecto da)
natureza. A mente se torna pacífica ou agitada porque os humores a enganam. A
mente que não é treinada, é tola. As sensações surgem e a ludibriam com a
alegria ou a tristeza, felicidade ou sofrimento, mas a verdadeira natureza da
mente não é nenhuma dessas coisas. Na realidade essa nossa mente já está imóvel
e tranquila, realmente tranquila!
Tal como uma folha que está imóvel até que o vento sopre. Se surge o
vento, a folha se agita. A agitação se deve ao vento – a agitação se deve a
essas sensações; a mente as segue. Se a mente não as seguir, não ficará
agitada. Se conhecermos a verdadeira natureza das sensações, não ficaremos
agitados.
Ajahn
Chah (1918-1992)
A verdade só pode ser encontrada de momento a momento em todo
pensamento, em toda palavra, em todo gesto, em um sorriso, em uma lágrima. Se
conseguirmos encontrar esse momento e vivenciá-lo, vamos ser seres humanos criativos
– não seres humanos perfeitos, mas criativos.
Jiddu
Krishnamurti (1895-1986)
A pergunta do meu pai, dirigida a
cada um de nós, era: o que você vai fazer em meio a sons assustadores? Ou em um
trem lotado e fedorento? Ou em um ataque terrorista, ou em uma guerra, ou,
ou... em qualquer um dos incontáveis eventos indesejáveis da vida: um
diagnóstico de saúde debilitada, um pneu furado, uma percepção de ser
menosprezado, desrespeitado ou rejeitado? O que você vai fazer quando sentir
sua vida sendo interrompida por circunstâncias indesejáveis? Conseguirá manter
uma mente estável capaz de acolher o que não deseja, e ainda ser de benefício a
si mesmo e às outras pessoas? Ou implodirá de medo, raiva ou descontrole? Como
agimos quando não obtemos o que queremos ou quando não queremos o que temos?
Estou no bardo do renascimento agora, entre a morte do velho eu e o nascimento
do que vem a seguir. Vir a ser e renascer, sempre no bardo do desconhecido, o
incerto, o transitório.
Yongey Mingyur Rinpoche
Assim é a vida. Não sabemos de nada. Dizemos que algo é bom, dizemos
que algo é bom mas, na verdade, simplesmente não sabemos.
Quando tudo se desfaz e nos encontramos à beira sabe-se lá de que, o desafio que se apresenta a cada um de nós é o de permanecer nesse limiar, sem buscar alguma ação concreta. O caminho espiritual não tem nada a ver com o paraíso, com chegar finalmente ao céu. Na verdade, esse modo de encarar a vida é que nos mantém infelizes. Pensar que podemos encontrar algum prazer duradouro e evitar a dor é o que o budismo chama de samsara, o ciclo inútil que gira e gira, infinitamente, e nos causa tanto sofrimento. A primeira nobre verdade que o Buda nos apresenta chama nossa atenção para o fato de o sofrimento ser inevitável para nós, seres humanos, enquanto acreditarmos que as coisas permanecem — que não se desintegram e que podemos contar com elas para satisfazer nossa ânsia de segurança.
Pema
Chodron
Em tudo, em todas as
pessoas, existe a totalidade, a completude da vida. Por completude me refiro à
liberdade de consciência, liberdade da individualidade. Essa completude em cada
um não é algo a ser progressivamente conquistado, ela é absoluta. Quando você
não é nada, você é tudo.
Jiddu Krishnamurti
(1895-1986)
No momento em que a
mente consciente está completamente quieta, sem qualquer movimento de prazer,
experiência ou conhecimento, não há inconsciência. Você pergunta como isso pode
ser alcançado. O "como" é a pergunta mais perniciosa porque, ao
perguntar como, você quer um sistema ou método, e no momento em que segue um
sistema, método ou prática, você já está preso nisso e, portanto, nunca
descobre. Mas se você realmente vê que apenas a mente completamente quieta é
capaz de observar, se você entende isso, vê a verdade disso, então não há
inconsciência.
Jiddu Krishnamurti
(1895-1986)
Deixe estar. Se não tivesse confiado
totalmente nas minhas próprias experiências e nos ensinamentos que recebi, de
que a mudança é constante e que nunca estamos separados da mente espaçosa, que
é como o céu, minha coragem para continuar poderia ter fracassado. Agora, mais
do que nunca, sem amigos, sem abrigo, sem atendente, sem alunos, sem o papel de
professor, a minha mente era a minha única proteção.
Yongey Mingyur Rinpoche
Quando tudo se desintegra, somos submetidos a uma espécie de teste, e
também a um certo processo de cura. Achamos que o sentido está em passar no
teste e superar o problema, mas a verdade é que as situações não têm uma
solução definitiva. Elas se compõem e desmoronam. E mais uma vez se compõem e desmoronam.
É simplesmente assim que funciona. O processo de cura ocorre ao deixarmos
existir espaço para que tudo isso aconteça: espaço para o pesar, para o alívio,
para a angústia e a alegria. Pensamos que algo vai nos trazer prazer, mas, na
verdade, não sabemos exatamente o que vai acontecer. Achamos que algo vai nos
trazer infelicidade, mas também não sabemos. Acima de tudo, o mais importante é
deixar espaço para o não saber. Tentamos fazer aquilo que achamos que vai nos
trazer alívio, mas é impossível ter certeza. Nunca sabemos se vamos nos sair
muito bem ou se vamos falhar redondamente. Quando sofremos uma grande decepção,
nem sempre chegamos ao final da história. Esse pode ser, simplesmente, o início
de uma grande aventura.
Pema
Chodron
Em abril de 2020 experimentei (não ‘eu’, pois não havia um ‘eu’ experimentando) a ausência de identificação com o
ego e o corpo como descrita pelos sábios. ‘Eu’ não fazia alguma coisa; havia apenas o fazer. ‘Eu’ não era testemunha dos fatos; havia apenas o testemunhar do que ocorria. Eu e tudo o mais éramos um.
Tudo era curiosamente... cômico. Testemunhando assim, do alto, com
amplitude, havia a percepção da tolice daquilo tudo. Nada, pois mais sério que
parecesse, realmente o era.
Esse estado durou poucos dias (dois? três?) e há uma profunda gratidão
por tê-lo vivido, mas também (o meu ‘eu’ sente) melancolia por não o sentir agora, pelo véu
de ilusões que permiti cobri-lo.
Devo evocar essa lembrança a cada manhã, antes de iniciar o dia. Antes
de meditar. A lembrança do que é ser tudo. E não ser nada. De ver do alto da montanha a relatividade e a
pequenez de tudo aquilo que julgamos achar tão importante. E que não é. Só tem
importância em nossa ilusão.
É preciso trazer essa pérola à lembrança. Sempre.
eu
A mente meditativa é
silenciosa. Não é o silêncio que o pensamento pode imaginar; é o silêncio que
vem quando o pensamento cessa completamente. A mente meditativa é a explosão do
amor – de um amor que não conhece a separação. Um estado de amor no qual toda
divisão desaparece. A mente meditativa só atua a partir do silêncio.
Jiddu Krishnamurti
(1895-1986)