sábado, 15 de agosto de 2020


Livre-se do medo. A ausência de medo é a porta para o Supremo. E essa ausência de medo vem naturalmente quando você vê que não a nada a temer.


Nisargadatta Maharaj

sexta-feira, 14 de agosto de 2020


Emmon: “Por que um verdadeiro homem do Caminho permanece desconhecido; por que ele não é reconhecido pelos outros?”

Mestre Nyuri responde: "Assim como é improvável que o pobre reconheça um tesouro raro, também o homem verdadeiro está além da compreensão do homem comum."

O homem comum não vê as coisas como elas realmente são, por causa de seus próprios julgamentos arbitrários e tendenciosos. Por isso, ele se esforça para separar e distinguir as coisas de modo a compreendê-las - e é justamente por isso que ele é incapaz de ver a verdade.


Soko Morinaga

quinta-feira, 13 de agosto de 2020


Emmon: “Nesse caso, abandonar todas as ilusões é unir-se ao Caminho. Você quer dizer que tudo então se perdeu?

Nyuri: “De maneira alguma. As delusões não são o Caminho, mas abandonar as ilusões também não é o Caminho. Por quê? Por exemplo, quem está bêbado não está sóbrio. E, se está sóbrio, não está bêbado. Embora o estado de estar bêbado e de estar sóbrio não exista sem o outro, estar bêbado não é, ao mesmo tempo, estar sóbrio.

Há quem esteja dormindo e há quem esteja acordado, há bêbados e sóbrios. Mas todos esses estados estão dentro do Caminho. Ainda imerso em aparências efêmeras, Emmon não conhece a verdadeira natureza, não tem consciência da raiz e da origem; consequentemente, ele distingue entre “separado de” e “unificado com” o Caminho.


Soko Morinaga

quarta-feira, 12 de agosto de 2020


Emmon: “Se todas as formas são realmente vazias, então certamente não há necessidade de treinar no Caminho. Isso ocorre porque os seres sencientes já são por natureza vazios?”

Nyuri: “Uma vez que o princípio do vazio é realizado, de fato não há necessidade de treinamento. Ilusões sobre a existência surgem apenas porque o vazio não foi completamente penetrado.”

Como jovem monge, o Mestre Dogen ficou atormentado com a questão de por que sendo a verdadeira natureza inerentemente perfeita e completa, é necessário submeter-se a algum treinamento. Como ninguém no Japão poderia responder a essa pergunta, ele viajou até a China para descobrir. Após a iluminação, ele entendeu que "Embora alguém seja originalmente Buda, sem treinamento, isso não pode ser percebido, pois não se revela sem iluminação". Esse "deixar o Buda se revelar" é a plena realização do vazio.


Soko Morinaga

terça-feira, 11 de agosto de 2020


Formas que surgem de momento a momento a partir da verdadeira natureza e depois retornam a ela, no não-eu, elas não têm nenhum eu individual. Tentativas de compreender a verdadeira natureza através da forma dão origem à falsa suposição de um eu permanente e imutável. Se, por exemplo, alguém perguntar qual é a forma da água, a resposta comum é que a água não tem forma. E, no entanto, de momento a momento, a água se manifesta de alguma forma. Por exemplo ver a água em uma tigela e acreditar que ela é redonda seria um erro causado por não ter consciência da verdadeira natureza da água e de tudo o mais. O que surge pelo erro dessa forma se torna ilusão,  e devido  à ilusão, tem existência aparente. No entanto, uma forma apenas aparentemente existente ainda pode produzir odor, pode doer ou se sujar, enquanto a verdadeira natureza do vazio não.


Soko Morinaga

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

sábado, 8 de agosto de 2020


O “eu sou” que busca o agradável e rejeita o desagradável é falso. O “eu sou” que vê o prazer e dor como inseparáveis vê da forma correta. A testemunha que se deixa enredar no que percebe é a pessoa.


Nisargadatta Maharaj

sexta-feira, 7 de agosto de 2020


Emmon pergunta: "Quanto ao princípio do vazio supremo, como ele pode ser provado e verificado?"

Mestre Nyuri responde: "Busque de todas as formas, confirme com suas próprias palavras".


Emmon gostaria de ter alguma prova de vazio. Mas, assim como só se pode conhecer o calor e o frio quando se sente calor e frio, também só se pode conhecer o vazio quando se o experimenta. Essa é a própria prova ou autenticação.


Soko Morinaga

quinta-feira, 6 de agosto de 2020


As ervas, árvores, homens, todas as formas manifestadas revelam a verdade ou são a aparência da verdade. Mas os homens não percebem a verdade como tal, exatamente como é, e a buscam em outro lugar. Portanto, tornar-se consciente novamente de que tudo, assim como é, em sua essência, é a verdade é despertar para o estado de Buda. Isso não significa que homens maus são convertidos para se tornarem bons e só depois se tornarem Buda. Também se diz na Bíblia: “Busque e você encontrará, bata e ele será aberto para você.” Somente se alguém procurar com todo o coração e bater com toda a força, será possível perceber que o portão sempre esteve aberto e que tudo sempre foi exatamente como é. Essa realização é chamada iluminação.


Soko Morinaga

quarta-feira, 5 de agosto de 2020


Emmon: “Se desde o início as árvores e as ervas estão de acordo com o Caminho, por que os sutras se referem apenas aos homens e não também às árvores e ervas?”

Nyuri: “Mas eles não se referem apenas aos homens. A iluminação de árvores e das ervas também é mencionada. Um sutra diz: 'O menor grão de poeira contém todos os dharmas'. E, novamente, 'todos os dharmas são O Que É e todos os seres sencientes também são O Que É. Não há dois; nem existem diferenças n’Aquilo Que É."


Nyuri

terça-feira, 4 de agosto de 2020


Os julgamentos subjetivos de valor são criados pelo homem e preocupam-se com os padrões morais. “Aqueles que estão sem um eu e assim são um com o Caminho" é uma expressão da verdade. A verdade tem sua fonte na vida sem fim, e como tal, sem nascimento e morte. A Grande Vida. Formas ou fenômenos individuais vêm e vão. Em sua momentaneidade, eles revelam a Grande Vida, e assim cada uma delas, enquanto dura, é significativa e preciosa.


Soko Morinaga

segunda-feira, 3 de agosto de 2020


Aqueles sem um eu, e assim em harmonia com o Caminho, consideram seus corpos como considerariam a própria grama e árvores. Mesmo se forem perfurados por uma espada, são como uma árvore na floresta. Portanto, quando Manjushri ergueu a espada contra Gautama Buda, ou quando Angulimala levantou uma adaga contra Shakyamuni, isso também está de acordo com o Caminho. Ambos perceberam o princípio do não-nascido, o não-originado e perceberam que todos os fenômenos são vazios. Por isso, sob a visão do vazio, da natureza original, não existe argumento válido sobre ofensa ou não-ofensa.


Soko Morinaga

domingo, 2 de agosto de 2020


Emmon: “Se o Caminho permeia tudo, por que então matar é agir contra os preceitos, enquanto que cortar a grama ou derrubar árvores não é ofensivo?”

Nyuri: “Falar sobre ofensa e preceitos é estabelecer julgamentos subjetivos de valor - portanto, é tendencioso e não é o verdadeiro caminho. Como os mundanos comuns não têm entendimento do Caminho, eles se dão por garantidos e, assim, matar se torna uma intenção consciente e, consequentemente, o coração fica atado e resulta em carma, e aí se fala em  falhas. Mas as gramíneas e as árvores não têm essa visão preconceituosa e, portanto, são inerentemente unificadas com o Caminho. E como a verdade é sem um eu, quem as mata é livre de assassinatos intencionais. Portanto, argumentos sobre ofensa ou não- ofensa estão fora de questão.


Nyuri

sábado, 1 de agosto de 2020


Emmon pergunta: "O caminho é apenas os seres sencientes ou as ervas e as árvores também o têm?"

Mestre Nyuri responde: "O Caminho permeia tudo, sem exceção."


O maior erro de Emmon é crer que a iluminação produz a verdade e que, para que isso ocorra, é necessário um produtor ou criador - um eu distinto e individual. Isso, sua visão de si, causa sua pergunta sobre os seres sencientes. A iluminação, no entanto, não significa produzir a verdade, mas é a descoberta da verdade.


Soko Morinaga