quarta-feira, 9 de maio de 2018

Serenidade



A serenidade não é feita nem de troça nem de narcisismo, é conhecimento supremo e amor, afirmação da realidade, atenção desperta junto à borda dos grandes fundos e de todos os abismos; é uma virtude dos santos e dos cavaleiros, é indestrutível e cresce com a idade e a aproximação da morte. É o segredo da beleza e a verdadeira substância de toda a arte.


Hermann Hesse
(em “O Jogo das Contas de Vidro”)



terça-feira, 8 de maio de 2018

Lidar com os problemas como um buda



Quando você lida com seus problemas como um buda, abre-se uma passagem para liberdade. Essa passagem não é filosófica ou metafísica; é o caminho concreto no qual você deve percorrer agora, porque ela só abre quando você lida com os problemas como um buda.

Por isso, sob qualquer circunstância, não importa qual sentimento, emoção ou ideia sua consciência humana dualística tenha produzido, apenas aceite. Depois, não se apegue, deixe-a ir, deixe-a retornar à unidade fundamental. Isso não é nada mais que prática em ação. Essa prática é naturalmente pura e limpa.


Dainin Katagiri
(em “Each Moment Is The Universe”)




segunda-feira, 7 de maio de 2018

O único lugar a ir é dentro de si mesmo



O único lugar a ir é dentro de si mesmo. O externo nem ajuda nem atrapalha. Nenhum sistema, nenhum procedimento padronizado o levará a seu objetivo. Desista de trabalhar por um futuro, concentre-se totalmente no agora, ocupe-se apenas de sua reação a cada movimento da vida, à medida em que forem acontecendo.

Perceba que não é você que se move de sonho a sonho, mas é o sonho que flui frente a você, que é a testemunha universal. Acontecimento algum afeta seu ser real, essa é a verdade absoluta.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo” págs 306-307  - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)


domingo, 6 de maio de 2018

No fluxo da impermanência



Quando você está integralmente no fluxo da impermanência, seu corpo e sua mente estão calmos. A ideia de um eu separado, a busca pela verdade, o sofrimento, tudo desaparece nesse momento. Quando entende perfeitamente a impermanência, Você reconhece o universo e você não são separados. Não há você e alguma outra coisa à parte para satisfazer seu desejo. Há somente transformação incessante, o compromisso total do universo com a atividade dinâmica.


Dainin Katagiri
(em “Each Moment Is The Universe”)



sábado, 5 de maio de 2018

Tudo o que você tem a fazer



Para sentir esse vazio revigorante é preciso aceitar e encarar sua vida. Manter sua mente e seu corpo plenamente presentes e praticar com total devoção. Ao invés de tentar conseguir alguma coisa para si próprio, ofereça seu corpo e mente inteiros ao que estiver fazendo, entregue-se a isso. Entregar-se significa abandonar a ideia de que você possui uma existência completamente separada e aceitar que a vida vai além de sua compreensão habitual. Por isso, entregue-se a cada momento, esteja nele. É isso! Isso é tudo o que você tem a fazer. E então você estará exatamente no fluxo da impermanência.


Dainin Katagiri
(em “Each Moment Is The Universe”)





sexta-feira, 4 de maio de 2018

A libertação do sofrimento



Mesmo após alcançar a iluminação, o sofrimento e a dor podem aparecer em sua vida. Mas tudo bem. Assim como tudo o mais que existe no mundo fenomênico, seu sofrimento é um ser que surge da natureza original da existência e, também a cada momento, retorna para essa fonte. Por isso quando estiver sofrendo tudo que você tem a fazer é aceitar e oferecer seu corpo e sua mente à existência verdadeira. Assim você e o sofrimento retornam ao vazio, e então ocorre a libertação do sofrimento.


Dainin Katagiri
(em “Each Moment Is The Universe”)





quinta-feira, 3 de maio de 2018

A mais urgente das tarefas



A maioria das pessoas não sabe que a dor pode ter fim. Mas, assim que elas ouvem as boas novas, é óbvio que ir além de toda luta e de todo o sofrimento se transforma na mais urgente das tarefas. Você já sabe que pode ser livre e, a partir de agora, é com você. Ou você permanece para sempre faminto e sedento, ansiando, buscando, se apossando, se agarrando, sempre perdendo e sofrendo, ou você se lança de todo o coração à procura do estado de perfeição intemporal, ao qual nada pode ser acrescentado, do qual nada pode ser tirado. Nele, todos os desejos e todos os medos estão ausentes, não porque foram repudiados, mas por terem perdido o sentido.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo” pág 304 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)


quarta-feira, 2 de maio de 2018

Autoimagem



Quando você abandona essa falsa proteção, a verdade aparece e leva embora sua autoimagem. É por isso que a autoimagem é sempre acompanhada de um muro, pois sem esse muro o reconhecimento de sua verdadeira natureza surgirá e eliminará a autoimagem que você tinha, boa ou má. Não existe autoimagem sem muro, e toda autoimagem implica em sofrimento.


Adyashanti
(em “Emptiness Dancing”)



terça-feira, 1 de maio de 2018

A existência corporal é um estado de mente



Vocês estão tão acostumados a pensar em si mesmos como corpos possuindo consciência que vocês sequer conseguem imaginar a consciência possuindo corpos. Quando vocês se derem conta de que a existência corporal não passa de um estado de mente, de um movimento na consciência, que o oceano da consciência é infinito e eterno, e que, quando em contato com a consciência, vocês são apenas a testemunha, vocês serão capazes de se retirarem totalmente para além da consciência.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo” pág 301 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)




segunda-feira, 30 de abril de 2018

Você é completo aqui e agora



Se você busca a realidade, você tem que se libertar de todos os ambientes de todas as culturas, de todos os padrões de pensamento e sentimento. Até mesmo a ideia de ser homem ou mulher, ou até humano, deve ser descartada. O oceano da vida contém a tudo, e não apenas os humanos. Portanto, antes de mais nada, abandone toda e qualquer identificação, pare de pensar em si mesmo como fulano de tal, isso ou aquilo, tal ou qual. Abandone toda preocupação consigo mesmo, não pense no seu bem-estar, material ou espiritual, deixe de lado todos os desejos, grosseiros ou sutis, pare de pensar em sucesso de qualquer espécie. Você é completo aqui e agora, você não precisa de absolutamente nada.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo” pág 292 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)



domingo, 29 de abril de 2018

Disponibilidade para a Verdade



A disponibilidade para a Verdade não encontra-se em algum lugar específico. Ela está em todos os lugares e abarca a tudo. Nela pode haver pensamento, ou não. Podem ocorrer sentimentos, ou não. Pode haver sons. Pode haver silêncio. Nada perturba essa disponibilidade. Nada perturba a tua natureza verdadeira. Só nos perturbamos quando nos enclausuramos em determinado ponto de vista, em algum conceito sobre quem somos ou no que acreditamos, ou sobre o que sentimos que deveríamos ser. Enfim, quando nos opomos ao que está acontecendo.

Mas quando somos nossa verdadeira natureza, que é abertura plena, vemos que na verdade não estamos em oposição a nada, o que quer que ocorra está perfeitamente certo, e assim somos capazes de responder à vida de forma espontânea e sábia.


Adyashanti
(em “Emptiness Dancing”)


sábado, 28 de abril de 2018

Eternamente desperto



Você não desperta. O já eternamente desperto é que reconhece a si próprio. E esse eternamente desperto é você.


Adyashanti
(em “Emptiness Dancing”)




sexta-feira, 27 de abril de 2018

Uma mente quieta é tudo o que você precisa



Uma mente quieta é tudo o que você precisa. Tudo o mais acontecerá da forma certa, assim que sua mente se aquietar. Assim como nascer do sol torna o mundo ativo, a consciência de si mesmo provoca mudanças na mente. À luz da autoconsciência calma e constante, energias internas despertam e operam milagres, sem qualquer esforço da sua parte.

Entenda que você está destinado à iluminação. Coopere com seu destino, não vá contra ele, não o frustre. Deixe que ele se cumpra. Tudo o que você tem a fazer é dar atenção aos obstáculos criados pela tolice da mente.


Sri Nisargadatta Maharaj
(em “Eu Sou Aquilo” pág 287 - Tradução para o português de Patrícia de Queiroz Carvalho Zimbres. Editora Satsang)




quinta-feira, 26 de abril de 2018

Abrir-se para a Verdade



Quando você dá a si próprio esse  belo presente de não tentar encaixar-se em algum conceito ou sentimento particular, sua abertura para a Verdade expande-se até que sua identidade torna-se cada vez mais a própria abertura em si e não mais um conceito qualquer na mente, ou algum sentimento específico. Não se trata de abandonar seus sentimentos, mas de não mais emaranhar-se neles.


Adyashanti
(em “Emptiness Dancing”)



quarta-feira, 25 de abril de 2018

Denegrindo o presente



Eu me tornei monge 24 anos atrás. Estava com 21 anos. Me sentia incrivelmente atormentado pelo estresse, pela infelicidade, pela dor física e emocional. Por isso vim ao monastério aprender a meditar. Para livrar-me da dor.

E aconteceu que, para livrar-me da dor, comecei a tornar-me uma espécie de viciado em meditação. Participava das sessões mas me sentia cada vez mais deprimido. Sentia um imenso peso no coração, como se estivesse sem ar. Um profundo desânimo, uma imensa tristeza.

Dirigi-me ao instrutor, um lama tibetano, e disse, “Estou me esforçando muito, e no entanto sinto-me ainda mais deprimido”. E ele disse: “A meditação não está te deixando deprimido. É que você está meditando como quem usa drogas. Você quer sentir algum tipo de êxtase, quer sentir experiências agradáveis. Está procurando ansiosamente, forçando, tentando sentir alguma coisa especial.”

Reconheci que ele tinha razão e isso mudou completamente minha atitude em relação à meditação. Compreendi que estamos sempre buscando alguma coisa a mais em nossas vidas, e que nossa cultura incentiva o exagero dos sentidos: sentir-se bem, sentir-se agitado, sentir-se ocupado. Vi que ao ansiar por essas coisas, estamos na verdade dizendo a nós mesmos que não temos nada disso. Ao procurar felicidade e satisfação criamos carência, sensação de incompletude, de que nos faltam essas coisas.  Por acreditar que a felicidade não está aqui, que ela encontra-se em outro lugar, denegrimos o nosso presente.  E é assim que vivemos, acreditando que a felicidade está em algum outro lugar que não aqui. “Se eu for magro, se eu for bonito, se eu for rico... só assim serei feliz!”

Penso que conseguiremos progredir se aprendermos a abandonar esses desejos e descobrirmos que a felicidade e o contentamento estão exatamente aqui e agora.


Lama Gelong Thubten