quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Sermos nós mesmos

"Fazer algo é expressar nossa natureza. Não existimos por nenhuma outra razão senão a de sermos nós mesmos."

Shunryu Suzuki
(em "Mente Zen, Mente de Principiante")

terça-feira, 9 de outubro de 2012

As folhas que caem

Não achamos trágica a morte das folhas, vemos a continuidade da vida, da floresta. A achamos linda. No entanto os mesmos fenômenos na existência humana nos perturbam. Não vemos sua beleza. Estão perto demais de nós. Se fossemos capazes de perceber que nascimento e morte em nossas vidas, tem o mesmo significado que nas folhas da floresta, poderíamos viver vendo a beleza. A transitoriedade de todas as coisas é inerente a elas, nosso sofrimento vem do apego, do desejar a estabilidade das coisas instáveis. Queremos que tudo dure para sempre. Por isto os homens inventaram religiões onde há vida eterna, depois da morte, em paraísos, reencarnações, coisas assim. Uma maneira de escapar da transitoriedade.

Monge Genshô
(em seu blog "O Pico da Montanha é onde estão meus pés")

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Um belo livro: O Pico da Montanha é onde estão meus pés


Um belo e inspirador livro. Impregnado de zen. Leveza e profundidade em doses precisas.


Buda - O Tolo

“O tolo sofre, pensando:
            ‘Tenho filhos! Tenho fortuna!’
Pois se nem seu eu é dele,
            Como seriam dele filhos e fortuna?

O tolo consciente de sua tolice
            É, nesse ponto, sábio.
Mas o tolo que se supõe sábio
            Merece bem o nome de tolo.

Enquanto o mal não dá frutos,
            O tolo o toma por mel.
Mas quando o mal dá frutos,
            Então o tolo padece.

Assim como o leite fresco,
            As más ações não coalham imediatamente;
Tal como o fogo coberto por cinzas,
            Seguem o tolo, queimando sem ser vistas."

Buda
(em "O Dhammapada" - Cáp 5, Versos 62, 63, 69 e 71)

Uma vida centrada na realidade

"Vivendo a partir do que somos saímos de uma vida centrada em nós para uma vida centrada na realidade."

Charlotte Joko Beck
(em "Nada Especial - Vivendo Zen")

domingo, 7 de outubro de 2012

Buda - A Mente


"Para aquele que está desperto,
            Que não tem a mente agitada,
            Cujo coração não se aflige
            E renunciou tanto ao mérito quanto ao demérito,
O medo não existe.

Sabendo que este corpo é um vaso de argila,
            Transforma a Mente numa fortaleza,
Combate Mara com a espada da percepção,
            Protegendo o que foi conquistado
                        E a nada se apegando.  

Nem mãe nem pai,
            Nem parente algum pode fazer
Tanto bem a alguém
            Quanto sua própria mente bem orientada."

Buda
(em "O Dhammapada" - Cáp 3 - versos 38, 39 e 43)

Responder com a própria vida

"O homem não é quem pergunta o sentido da vida, mas sim aquele à quem essa pergunta é feita, e a qual ele responde com a própria vida."

Victor Frankl

sábado, 6 de outubro de 2012

Harmonia em cada gesto


"Ao arrumarmos nossos sapatos cuidadosamente, trazemos harmonia a nossas mentes.
Quando nossas mentes estão em harmonia, arrumamos nossos sapatos cuidadosamente.


Se arrumamos nossos sapatos cuidadosamente quando o tiramos, nossas mentes não se perturbarão quando os calçarmos.

Se alguém deixa os sapatos em desordem, silenciosamente devemos arrumá-los.

Tal ato certamente trará harmonia para a mente das pessoas e de todo o mundo."

Dogen

Não existe problema, não existe solução

"Onde houver um problema, estará lá, ocupando o mesmo tempo e espaço, a solução.

Portanto, não existe problema, não existe solução."

Pensamento Zen

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A primavera já está instalada no coração do inverno

"Quem dirige o cosmo? Qual é a ordem cósmica? Todas as estrelas estão em relação de interdependência. A energia dirige todo o universo. Somos quais cogumelos na terra.

O corpo e o cérebro são constituídos de maneira idêntica à do cosmo. Pensamentos levantam vôo para o céu como bolhas de sabão, explodem e retornam ao cosmo. Assim vai a nossa vida. Dominar, observar a nossa vida é muito importante. Conservar o domínio de nós mesmos, ver que a primavera já está instalada no coração do rude inverno.

Quando neva, a flor da ameixeira já está germinando."

Taisen Deshimaru
(em "O Anel do Caminho: Palavras de um Mestre Zen")

Nenhum esforço para libertar-se


Este monge da montanha não compreende nada de nada.
Vive ali onde está e não faz nenhum esforço para libertar-se.

Sekito Kise
(Mestre Zen chinês, Séc 8. Citado por Jorge Bustamante em “Zen, La Eternidad del Relámpago)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Reconhecer a morte para apreciar a vida

"Quando escutei que meu pai estava gravemente doente, simplesmente não conseguia conceber que ele provavelmente morreria. Ele era um grande mestre de meditação e professor budista. Depois que os chineses invadiram o Tibete, ele fugiu a pé, conduzindo trezentas pessoas por sobre as montanhas, rumo à Índia. Passou muitos anos de sua vida plantando a flor do dharma na rocha da América do Norte. Foi um mestre-guerreiro. Se alguém pudesse se esquivar da morte, parece que seria ele. Sua morte deixaria um imenso buraco em minha vida assim como na de muitos outros.


Eu estava de pé ao seu lado, no instante em que ele finalmente faleceu. O espaço foi tomado por energia e força, tornou-se quase luminoso. Não ocorreram pensamentos. Foi assim por muitos dias, como se a realidade tivesse mudado. Toda minha vida eu havia escutado falarem sobre a morte, vira pessoas que morriam ou que já tinham morrido. Mas a morte de meu pai afetou-me de um modo diferente. Sua mortalidade fez com que me desse conta de minha própria mortalidade. Fez com que constatasse a mortalidade de todos. Puxou-me para fora de minhas concepções errôneas. Mudou profundamente minha atitude. Por muitos meses pensei em como viveria o resto de minha vida. Compreendi que a morte era real. Não devia perder tempo. Passei a dedicar-me muito mais à prática e aos estudos. Essa experiência íntima da morte ajudou-me a apreciar a vida.

Muitas vezes tocamos a vida como se ela fosse durar para sempre. Com essa atitude, queremos tudo. O fato da morte coloca um limite no que podemos ter, no que podemos fazer. Não precisamos pensar na morte o tempo todo, mas refletir sobre ela, contemplá-la, dá-nos perspectiva e inspiração sobre como viver a vida. Também faz com que nos tornemos menos mimados. Faz-nos olhar para o equilíbrio de nossa vida e determinar o que tem prioridade. O que é importante para mim? Como devo usar minha vida? Depois de termos nos relacionado com a morte, seremos capazes de viver mais abertamente as situações. Isso fortalece ainda mais o nosso amor."

Sakyong Mipham (filho de Chogyam Trungpa)
(em "Fazer da mente uma aliada : como descobrir a força natural da mente através da meditação")

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O lugar onde não há nada especial

"Minhas palestras são criticadas por certas platéias. Elas dizem que as minhas palestras são vazias, que não são santas. Eu concordo com elas, pois eu mesmo não sou santo. O ensinamento do Buda guia as pessoas para o lugar onde não há nada especial."

Kodo Sawaki Roshi
(em "The Zen Teachings of "Homeless" Kodo")

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Simplesmente estar ali


"Quando eu tinha quatro anos de idade, minha mãe costumava me trazer um biscoito...Eu ia então para a frente de casa e levava um bom tempo para comê-lo...Eu dava uma mordidinha e olhava para o céu...Eu simplesmente gostava de estar ali, com o céu, a terra, os bambuzais, o gato, o cachorro, as flores. Não pensava no futuro nem lamentava o passado. Estava inteiramente no momento presente, com o meu biscoito, o cachorro...É possível fazer refeições com tanto vagar e alegria quanto as da minha infância. Talvez você tenha a impressão de ter perdido o biscoito da sua infância...Tudo ainda está aí...Podemos comer de forma tal que recupere para nós o biscoito da nossa infância. O momento presente...Se você prestar atenção..."

Thich Nhat Hanh
(em "Paz a Cada Passo")

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Há apenas surgimento e desaparecimento

Você deve entender que aquilo que está surgindo e desaparecendo é apenas a atividade da mente. Quando alguma coisa surge, ela desaparece e é seguida por um outro surgimento e desaparecimento. No Dhamma chamamos esse surgimento e desaparecimento “nascimento e morte”; e isso é tudo – isso é tudo o que há! Depois que o sofrimento surgiu, ele desaparece, e depois que desapareceu, o sofrimento surge novamente. Tudo o que há é o sofrimento surgindo e desaparecendo. Quando você compreender esse tanto, você será capaz de compreender constantemente esse surgimento e desaparecimento; e, quando a sua compreensão for constante, você verá que isso é, na verdade, tudo o que há. Tudo é apenas nascimento e morte. Não é que existe algo que persista. Há apenas esse surgimento e desparecimento, tal qual – e isso é tudo.

Esse tipo de visão irá dar origem a um sentimento tranqüilo de desapego em relação ao mundo. Esse sentimento surge quando vemos que na verdade não há nada que valha a pena querer; há apenas surgimento e desaparecimento, um ser nascendo seguido de um morrendo. Assim é como a mente chega no “soltar-se das coisas,” permitir que tudo siga de acordo com a sua própria natureza. As coisas surgem e desaparecem na nossa mente, e nós compreendemos isso. Quando a felicidade surge, nós compreendemos; quando a insatisfação surge, nós compreendemos. E esse “compreender a felicidade” significa que não nos identificamos com ela como sendo nossa. Do mesmo modo com a insatisfação e a infelicidade, nós não nos identificamos com elas como sendo nossas. Quando não nos identificamos e não nos apegamos à felicidade e nem ao sofrimento, resta-nos somente o modo natural das coisas.

Ajahn Chan

(Trecho de uma palestra curta para uma senhora Inglesa que havia passado dois meses no final de 1978, princípio de 1979, sob orientação de Ajaan Chah, e que estava de partida - Reirado do site “Acesso ao Insight”)