terça-feira, 10 de julho de 2012

Problemas




"Os problemas nos ajudam a encontrar uma postura correta perante a vida."

Shundo Aoyama Roshi
(em "Para Uma Pessoa Bonita")


Sermão sem palavras


"Quando as ondas de nossas mentes se acalmam, podemos ouvir o sermão sem palavras da água, das gotas, da erva, das árvores, dos seixos e das montanhas nos ensinando a transitoriedade das coisas, todas.

Quando surgem pensamentos, todas essas coisas se calam. Na verdade elas não deixam de falar; nós é que perdemos a capacidade de ouvi-las."

Shundo Aoyama Roshi
(em "Para Uma Pessoa Bonita")


O verdadeiro esforço

O verdadeiro esforço não é aquele empreendido para fazer com que algo de especial aconteça. É o esforço de estar consciente e alerta a cada momento; é o esforço de superar a indolência e a impureza; o esforço de transformar cada atividade do novo dia em meditação.

Ajahn Chah
(em "Uma Lagoa Tranquila na Floresta")


Repousa a mente no silêncio



"Não és o corpo, não és os sentimentos e não és os pensamentos.
És a consciência silenciosa que observa tudo isso.
Repousa a mente no silêncio e decobrirá quem és."

Aruna


Cansados, com frio e solitários


"Algumas vezes nos sentimos cansados, com frio e solitários no meio da multidão. Podemos desejar nos retirar para sermos nós mesmos e nos aquecermos novamente, como fiz no eremitério, sentando-me perto do fogo, protegido do vento frio e úmido. 

Nossos sentidos são janelas para o mundo exterior, e algumas vezes o vento sopra e nos perturba interiormente. Muitos de nós deixamos a janela aberta o tempo todo, permitindo que as visões e os sons do mundo nos invadam, nos penetrem e exponham nosso eu triste e perturbado. Ficamos com muito frio e nos sentimos solitários e temerosos. Você já deu consigo assistindo a um programa horrível na televisão e incapaz de desligá-la? Os sons estridentes e o estampido de armas de fogo são desagradáveis. No entanto, você não se levanta para desligar a televisão. Por que você se tortura dessa maneira? Você não quer fechar suas janelas? Está com medo de ficar sozinho – do vazio e da solidão que poderá encontrar quando se vir a sós?"

Thich Nhat Hanh
(em "O Sol do Meu Coração")

domingo, 8 de julho de 2012

O Zen ao lavar a louça


"Cada tigela que lavo, cada poema que escrevo, cada vez que convido um sino a tocar é um milagre, e cada um tem exatamente o mesmo valor. Certo dia, quando eu lavava uma tigela, senti que meus movimentos eram tão sagrados e respeitosos como se estivesse banhando um Buda recém-nascido.

Cada pensamento, cada ação debaixo da luz da consciência torna-se sagrada. Nessa luz não existem fronteiras entre o sagrado e o profano. Devo confessar que levo um pouco mais de tempo para lavar a louça, mas vivo plenamente cada momento e sinto-me feliz. Lavar a louça é ao mesmo tempo um meio e um fim - ou seja, não apenas lavamos a louça para termos pratos limpos, como também lavamos a louça apenas para lavar louça, para vivermos plenamente cada momento enquanto a lavamos."

Thich Nhat Hanh
(em "O Sol do Meu Coração, da Atenção à Contemplação Intuitiva")


quinta-feira, 5 de julho de 2012

A surpreendente vida

Em 2011 li um livro fundamental em minha prática, em minha vida: "Nada Fazer, Não Ir a Lugar Algum" de Thich Nhat Hanh, o suave monge zen vietnamita. Eu atravessava um momento difícil, havia passado por acontecimentos dramáticos, sofridos, e buscava um novo sentido e uma nova ordem para minha vida. 

O "nada fazer" aconselhado por Thai (como o autor é chamado por seus seguidores) contrastava profundamente com meus objetivos: eu queria um sentido para minha vida, mas Thai dizia: "não há o que buscar"; eu pretendia "evoluir", ele porém proclamava: "você já é um buda"; eu queria entender, projetar, planejar, almejar... mas Thai insistia: "viva o presente, ele é a única realidade".

Eu pratico o Zen informalmente há quase 30 anos, absorvendo seus ensinamentos através de livros, palestras, filmes. Acordo diariamente de madrugada para meditar, e procuro manter minha mente presente em todos os momentos. Por meio da prática, profundas mudanças ocorreram em mim e estas foram fundamentais em minha vida. A prática solitária, contudo, é extremamente difícil e exige uma disciplina e uma força que, admito, muitas vezes não tive.

Ao ler o livro de Thai experimentei uma consoladora sensação de liberdade e leveza. Encontrar sentido no "sem sentido" deu-me uma indizível sensação de bem estar. Em meio à dor e à confusão, surgiam a luz, o frescor e a leveza...

Alguns meses depois, já em 2012, outro livro pôs por terra muitas das minhas catedrais, as quais, hoje sei, existiam simplesmente por eu então acreditar na necessidade inquestionável de sua existência. Eu lhes havia conferido um sentido ao qual minha própria identidade e minha história haviam se mesclado. 

"Criação Imperfeita" de Marcelo Gleiser não é apenas mais um livro de astronomia. Nele encontramos reflexões acerca de nossas pseudo-verdades, de nossas convicções. De uma outra maneira, e principalmente, num sentido completamente diferente do livro de Thai, há também ali questionamentos profundos sobre nossa busca por sentido. Não fosse Marcelo Gleiser também membro da Academia Brasileira de Filosofia...

Nesse meio tempo faleceu minha avó, e alguns meses depois, um primo. Nada trágico, nada exatamente dramático. Porém me peguei refletindo sobre a fugacidade da vida e como ela segue seu fluxo, a despeito de nossos planos e desejos, medos e expectativas, sorrisos e lágrimas. E, para os que ficam, a despeito também de nossa ausência.

Há poucos meses passei por um problema de saúde o qual, posteriomente, verificou-se não se tratar de nada mais sério. Porém precisei licenciar-me do trabalho e passar por alguns exames. Enquanto aguardava os resultados, refleti sobre a possibilidade de estar sofrendo alguma doença fatal. Não sentia medo e nem dramatizei minha situação, apenas conjecturei serenamente em cima de uma hipótese bastante plausível: e se eu estivesse com os dias contados? E se me restasse pouco tempo de vida? 

A resposta me veio a seguir. Viva, palpável, cristalina: em realidade e ao fim, não estamos todos com os dias contados? O momento presente e sua verdade única, inigualável, jamais havia sido tão avassaladoramente real. A imponderabilidade, a fortuidade, o curto alcance de nossas vontades sobre os dias, sobre o acaso, atingiram-me como uma forte lufada de vento.

E desde então tudo mudou. 
A morte está presente. E com ela, palpitante, bela e surpreendente, a vida.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Mente clara

"Mantenha sua mente clara
e transparente,
E você nunca estará preso.
Um único pensamento distraído
cria dez mil ilusões.

Ryokan
(monge e poeta zen)


O Guerreiro Espiritual


"Ser um guerreiro espiritual significa desenvolver um tipo especial de coragem que é, desde a sua origem, inteligente, bondosa e destemida. Os guerreiros espirituais podem ainda ter medo, mas mesmo assim eles são corajosos o bastante para experimentar o sofrimento, para relacionar-se de maneira franca com seu medo fundamental e, sem fugir, extrair lições das dificuldades."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")


A descoberta revolucionária do budismo

"A descoberta ainda revolucionária do budismo é que a vida e a morte estão na mente, e em nenhum outro lugar. A mente é revelada como a base universal da experiência - criadora da felicidade e criadora do sofrimento, criadora do que chamamos vida e do que chamamos morte.

Os mestres comparam a mente ordinária à chama de uma vela diante de uma porta aberta, vulnerável  a todos os ventos circunstanciais."

Sogyal Rinpoche
(em"O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")


O céu e as nuvens


"Nossa verdadeira natureza pode ser comparada ao céu, e a confusão da mente ordinária, às nuvens. Alguns dias o céu está totalmente obscurecido por elas; quando estamos no chão, olhando para o alto, é muito difícil acreditar que haja alguma coisa além de nuvens. Mas é só estarmos num avião para descobrir, lá em cima, a extensão ilimitada do límpido céu azul. E, vistas de lá, as nuvens que pensávamos ser tudo parecem tão pequenas e longínquas, lá embaixo...

Devemos sempre procurar nos lembrar: as nuvens não são o céu, e não "pertencem" a ele. Elas apenas pairam ali e passam, ao seu modo aleatório e imprevisível; jamais podem, de modo algum, marcar ou macular o céu."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")



terça-feira, 3 de julho de 2012

Com todo o ser


"Tudo o que faço no meu dia a dia faço-o com todo meu ser, pondo-me de lado e deixando que a vida, sem obstruções, siga seu curso natural."


Hogen Daido
(em "No Caminho Aberto")



Apenas ande


"Um monge perguntou a Saikawa Roshi:
- Qual deve ser meu objetivo?
- Apenas ande. O caminho se mostra a cada momento. Abra os olhos."

Sakawa Roshi


Este instante

"Este instante reúne toda a tua vida."

Jorge Bustamante
(em "Zen, La Eternidad del Relampago")



Estás aí?


"Neste exato instante as aves, a água do rio, a vida toda te pergunta:
- Estás aí?
E você deve responder..."

Jorge Bustamante
(Mestre Zen argentino, em "Zen, La Eternidad del Relámpago")