domingo, 30 de setembro de 2012

Atenção, Consciência e Sabedoria

"É necessário tentar manter a nossa atenção plena ao longo do dia e da noite. Qualquer coisa que você estiver fazendo, quer seja em pé, sentada, deitada, falando ou o que quer que seja, você deve fazer com atenção plena. Quando você for capaz de estabelecer essa atenção plena, irá descobrir que a plena consciência irá surgir junto com ela, e essas duas condições resultarão em sabedoria. Assim, a atenção plena, a plena consciência e a sabedoria trabalharão juntas e você será como alguém que está desperto tanto de dia como de noite.

Esses Ensinamentos que o Buda nos deixou não são Ensinamentos só para serem escutados ou simplesmente para serem absorvidos num nível intelectual. São Ensinamentos que através da prática podem brotar e permanecer em nossos corações. Onde quer que nós formos, o que quer que façamos, devemos sempre ter esses Ensinamentos presentes. E o que queremos dizer com “ter esses Ensinamentos presentes” ou “ter a Verdade,” é que, qualquer coisa que façamos ou digamos, nós faremos e diremos com sabedoria. Quando pensarmos e contemplarmos, assim o faremos com sabedoria. Dizemos que aquele que tem a atenção plena e a plena consciência, combinadas dessa forma com a sabedoria, é aquele que está próximo do Buda."

Ajahn Chan

(Trecho de uma palestra curta para uma senhora Inglesa que havia passado dois meses no final de 1978, princípio de 1979, sob orientação de Ajaan Chah, e que estava de partida - Retirado do site “Acesso ao Insight”)


sábado, 29 de setembro de 2012

Palavras de Kodo Sawaki Roshi

"Viver o dharma de Buda significa cumprir sua função completamente sem saber que você o está fazendo. Uma montanha não sabe que é alta. O mar não sabe que é vasto e profundo. Cada coisa no universo é ativa sem saber disso.

O canto do pássaro e o riso da flor aparecem naturalmente, completamente independentes da pessoa sentada em zazen no sopé do penhasco.


O pássaro não canta em honra à pessoa em zazen. A flor não floresce para impressionar a pessoa com sua beleza. Exatamente da mesma forma, a pessoa não senta em zazen para obter o satori. Cada ser simplesmente realiza o self, através do self, para o self."

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"Religião significa viver sua própria vida, completamente fresca e nova, sem ser enganado por alguém."

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"Tudo tem sua própria identidade, que é insuperável em todo o universo."

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"Cada um de nós tem uma identidade insuperável. Nós choramingamos sobre ela ao mesmo tempo que a carregamos conosco. Praticar o caminho de buda significa manifestar em si mesmo sua própria identidade, que é insuperável no universo inteiro.

Eu sou o que sou. Nenhuma comparação é possível."

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"Tornar-se buda significa não buscar sem propósito. Quando você para de buscar você pode finalmente comer suas refeições em paz."
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"Buda é alguém que não busca"

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"Cada um de nós nasce junto com o mundo e morre junto com o mundo, pois cada um carrega dentro de si seu próprio mundo, inteiramente pessoal."
 
 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Livrar-se das ilusões

Monge Genshô:

"Se não aprendermos a controlar a mente, se não superarmos nossos hábitos, continuaremos mergulhados na ilusão, cometendo os mesmos erros por vidas e vidas ainda.

Não que exista reencarnação; o budismo não crê nisso. Esse é um erro de tradução que gera muita confusão. Quando a chama de uma vela é usada para acender outra vela, a chama nessa outra vela é a mesma ou não é? É. E não é.

Há uma continuidade, mas não a de um espírito que seguiria reencarnando em diferentes corpos, vida após vida. O que surge é algo novo, que traz consigo porém o karma de vidas anteriores.

(Palestra do Monge Genshô realizada em Niterói em 24.09.2012 no Studio do Movimento Vivo)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A Dimensão Suprema

Monge Genshô:

"Só no presente vivenciamos a Dimensão Suprema. E quando isso ocorre, somos Budas. Mas quando nos perdemos nas lembranças do passado ou nas conjecturas sobre o futuro, entramos na Dimensão Histórica. E aí, não passamos de pessoas comuns."

(Palestra do Monge Genshô realizada em Niterói em 24.09.2012 no Studio do Movimento Vivo)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Oro a Buda para que você sofra!

Eu:
- Como fazer para não esmorecer na prática? Como manter a disciplina?
Monge Genshô:
- Oro a Buda para que você sofra!
Espanto. Silêncio. Depois, rimos.
- Entendo; quando sofremos praticamos com mais força, com mais disciplina.
- Você já sabe a resposta.

(Palestra do Monge Genshô proferida em Niterói em 24.09.2012 no Studio do Movimento Vivo)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ser soberano, ser verdadeiro


Por não terdes a virtude da autoconfiança, estais sempre preocupados, correndo atrás de uma miríade de diferentes objetos fora de vós mesmos, e depois esses objetos vos fazem virar em círculos e vós perdeis toda a vossa liberdade.

Quereis saber que é o Buda? O Buda é vós mesmos, que estais aqui diante de mim. O praticante desprovido de suficiente autoconfiança voltará sempre sua atenção para o que é externo e perambulará à procura de alguma coisa. Se não quereis ser diferentes do Buda, nosso mestre, não corrais atrás de coisas que estão fora de vós.

Todo lugar é um ponto de chegada, todo lugar é um autêntico lar para o praticante. No meu modo de ver não há nada que não seja profundo e maravilhoso, nada que não seja liberto. Deveis viver a vossa de maneira muito natural. Não vos deis ares de grandeza.

Deveis ser soberanos onde vos encontrardes: ser a verdadeira pessoa onde quer que estiverdes, não desejando que o meio circundante vos afaste.

Todos sois a lúcida natureza original, nenhum de vós está obstruído.  É só porque vossa confiança é imatura que vós continuais a procurar incessantemente.


Mestre Linji
(compilação - em "Nada Fazer, Não Ir a Lugar Algum")


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

O verdadeiro destemor

"O verdadeiro destemor é produto da ternura e sobrevém quando deixamos o mundo roçar nosso coração, nosso belo e despido coração. Estamos dispostos a nos abrir, sem resistência ou timidez, e a encarar o mundo. Estamos dispostos a compartilhar nosso coração."

Chogyam Trungpa
(em "Shambhala: A Trilha Sagrada do Guerreiro")

domingo, 23 de setembro de 2012

Uma Parábola de Buda

"Certa vez, disse o Buda uma parábola:

Um homem viajando em um campo encontrou um tigre. Ele correu, o tigre em seu encalço. Aproximando-se de um precipício, tomou as raízes expostas de uma vinha selvagem em suas mãos e pendurou-se precipitadamente abaixo, na beira do abismo.

O tigre o farejava acima. Tremendo, o homem olhou para baixo e viu, no fundo do precipício, outro tigre a esperá-lo. Apenas a vinha o sustinha.Mas ao olhar para a planta, viu dois ratos, um negro e outro branco, roendo aos poucos sua raiz. Neste momento seus olhos perceberam um belo morango vicejando perto.

Segurando a vinha com uma mão, ele pegou o morango com a outra e o comeu.

"Que delícia!", ele disse."

Conto Zen

(Gosto muito dessa parábola. Transmite a prática pura, de viver integralmente o que se apresentar à frente, independentemente da situação na qual nos encontramos)

Desapontamento sem fim

"A prática precisa ser um processo de desapontamento sem fim. Temos que ver que tudo que demandamos (e até obtemos) eventualmente nos desaponta. Essa descoberta é nosso professor."

Charlotte Joko Beck
(em "Nada Especial: Vivendo Zen")

sábado, 22 de setembro de 2012

Temos de efetuar o primeiro movimento

"Nós mesmos temos de efetuar o primeiro movimento em vez de esperar que ele venha do mundo fenomenal ou de outras pessoas. Se estivermos meditando em casa e morarmos no meio da High Street, não podemos parar o tráfego apenas porque desejamos paz e quietude. Podemos, porém, parar a nós mesmos, podemos aceitar o barulho: o barulho também contêm silêncio. Temos de nos concentrar nele e não esperar nada que venha do exterior, exatamente como fez Buddha.

E precisamos aceitar qualquer situação; enquanto enfrentarmos a situação, ela sempre se nos apresentará como um veículo e poderemos fazer uso dela. Como se diz nas Escrituras, "O Dharma é bom no começo, o Dharma é bom no meio e o Dharma é bom no final". Em outras palavras, o Dharma nunca se torna desatualizado, pois fundamentalmente a situação é sempre a mesma."

Chögyam Trungpa Rinpoche
(em "Meditação na Ação")

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Desmascarando o ego

"O ego é a ausência do conhecimento verdadeiro de quem somos, juntamente com o seu resultado: um malfadado apego, mantido não importa a que preço, a uma imagem remendada e improvisada de nós mesmos, um eu inevitavelmente charlatanesco e camaleônico que está sempre mudando e que precisa mudar para manter viva a ficção de sua existência.

(...) Mas seja qual for a força com que o ego tenta sabotar seu caminho espiritual, se você prossegue nele e trabalha profundamente com a prática da meditação, começará a perceber como tem sido enganado pelas promessas do ego: falsas esperanças e falsos medos.

Devagar você consegue compreender que tanto a esperança quanto o medo são inimigos da sua paz de espírito; as esperanças o decepcionam, deixando-o vazio e desapontado, e os temores o paralisam na cela estreita de sua falsa identidade.

Você começa a ver também como foi poderosa a influência do ego sobre sua mente, e no espaço de liberdade aberto pela meditação - em que você está momentaneamente livre da avidez - você vislumbra a estimulante amplitude de sua verdadeira natureza. Entende que seu ego, como um artista louco e trapaceiro, enganou você durante anos com esquemas, planos e promessas que nunca foram reais e só o levaram à falência interior.

Quando você percebe isso na equanimidade da meditação, sem qualquer consolação ou desejo de esconder o que descobriu, todos os planos e esquemas se revelam vazios e começam a desmoronar."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer") 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Enganando a nós mesmos

"Seguir o caminho da sabedoria nunca foi mais urgente e mais difícil. Nossa sociedade está dedicada quase inteiramente à celebração do ego, com todas as suas tristes fantasias sobre sucesso e poder, e celebra exatamente aquelas forças da ganância e da ignorância que estão destruindo o planeta. Nunca foi tão difícil ouvir a voz sem lisonjas da verdade e, uma vez ouvida, nunca foi tão difícil segui-la: porque não há nada no mundo que nos cerca que ampare nossas escolhas, e a sociedade inteira em que vivemos parece negar cada idéia de sacralidade ou significado eterno. Assim, em tempos do mais agudo perigo, quando precisamente nosso futuro está em risco, nós, como seres humanos, nos encontramos aturdidos como nunca, presos num pesadelo que nós mesmos criamos.

(...) Essa ruína dos nossos poderes, essa traição de nossa essência, esse abandono da miraculosa oportunidade que esta vida nos dá de conhecer e corporificar a nossa natureza iluminada, é talvez a coisa mais dolorosa a respeito da vida humana. O que os mestres estão dizendo de fundamental é para pararmos de enganar a nós mesmos."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")

Acarinhar os demais

"O apego ao eu é a causa-raiz de todo seu sofrimento. Você entenderá, finalmente, quanto mal ele fez a você e aos outros e perceberá que a coisa mais nobre e mais sábia a fazer é proteger e acarinhar os demais, em vez de a si próprio. Isso trará cura ao seu coração, cura para sua mente e cura para seu espírito."

Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A trama do ego

"O hábito nos torna fracos contra o “eu”. Mesmo hábitos simples são difíceis de serem eliminados.

Mas o hábito do eu não é um simples vício como fumar cigarros. Estamos viciados no eu desde tempos imemoriais. É como nos identificamos. É o que amamos com mais carinho. Também é o que odiamos mais duramente, às vezes.

Quase tudo que fazemos, pensamos ou temos, incluindo nosso caminho espiritual, é um meio para auto-afirmar sua existência. É o eu que teme o fracasso e deseja o sucesso, teme o inferno e deseja o paraíso.

O eu tem nojo do sofrimento e ama as causas do sofrimento. Ele estupidamente trava guerras em nome da paz. Deseja a iluminação mas detesta o caminho para a iluminação. Deseja trabalhar como socialista mas vive como capitalista. Quando o eu sente-se só, deseja amizade. Sua possessividade em relação a quem ama se manifesta em paixão que pode levar à agressão.

Seus supostos inimigos — como caminhos espirituais arquitetados para derrotar o ego — frequentemente são corrompidos e cooptados como aliados do eu. Sua habilidade em jogar o jogo do engano é quase perfeita. Ele tece um casulo em torno de si como um bicho da seda, mas diferentemente do bicho da seda, não sabe como encontrar a saída."

Dzongsar Khyentse Rinpoche
(em "O Que Faz Você  Ser Budista?")

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Humildade e Confiança

"Jigme Lingpa nos instruiu que, como praticantes, precisamos de duas coisas. Uma é humildade e a outra é confiança.

Quando você perde sua inspiração e pensa que é preguiçoso, que não tem devoção, então você deveria pensar: “O fato de que eu penso assim é bom, isso significa que eu estou considerando isso um problema”. Essa realização é um tipo de renúncia, ou pelo menos alimenta a renúncia. E pensar assim, tendo esse tipo de atitude, isso é confiança.

E então, de novo, às vezes devemos pensar: “O que estou praticando não é suficiente”. Na verdade, não apenas às vezes, na maior parte do tempo devemos pensar que o que estamos fazendo não é suficiente, temos que fazer mais. A purificação na qual estou engajado, a acumulação de mérito que estou praticando, não é suficiente. Nunca é suficiente. Essa é a prática da humildade. Então isso também é realmente importante."

Dzongsar Khyentse Rinpoche