segunda-feira, 20 de junho de 2016

Teu Ser é como o espaço




A mente flutuante não consegue te perturbar. É você quem se perturba com ela. A natureza da mente é ir e vir. Ela é como o vento, necessita de espaço para mover-se. Mas teu Coração, teu Ser, é como o espaço. Está em todas as partes. O espaço pode estar sem vento, mas o vento não consegue mover-se sem espaço.

A mente é esse fluxo semelhante ao vento, e teu Ser real é esse espaço. Não pode jamais ser perturbado pelo vento. Você precisa descobrir este espaço.

Esta vida deve converter-se numa oportunidade para essa descoberta. É a maior oportunidade que um ser humano pode ter nessa vida.


Mooji
(Satsang em Rishikesh, India – março de 2016)




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Fluir de volta para a fonte







Até que o rio alcance o oceano ele é obrigado a continuar fluindo, mas quando chega ao oceano, ele torna-se o oceano e o fluxo pára. Originalmente, a água do rio vem do oceano. Na medida em que flui, ela está simplesmente fazendo o caminho de volta até a sua fonte. Quando você medita ou faz sadhana, está fluindo de volta para a fonte de onde veio. Depois de alcançada essa fonte, você descobre que tudo o que existe – mundo, Guru, mente – é  Um. Diferenças e distinções não surgem lá.

Não-dualidade é sabedoria; dualidade é ilusão. Se você abandona a dualidade, só Brahman (o Eu Real) permanece, e você compreende que você é esse Eu Real. Mas para compreender isso, a meditação contínua é necessária. Não reserve períodos de tempo para isso. Não considere como alguma coisa que se faz somente quando se está sentado com os olhos fechados. Essa meditação tem que ser contínua. Pratique-a enquanto estiver comendo, caminhando, e mesmo conversando. Ela tem que acontecer o tempo todo.

Annamalai Swami
(em “Os Ensinamentos Finais de Annamalai Swami”)

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Onde eu estiver, estarei em casa


Eu nada desejo a mais nesta vida. Não me ajoelho diante de ninguém ao mendigar. Tampouco me apego ao que os outros esperam de mim. Quando tenho o que comer, eu como; quando não há nada para comer, então não como.

Meu ânimo é firme: enquanto a vida me alcançar, viverei, e quando a morte chegar, então morrerei. Neste momento a vida se estende diante de mim até o horizonte, e é tão clara como o céu azul; o que poderia ser mais belo?

Eu não tenho pátria. Em vez disso, onde eu estiver, estarei em casa. Em nenhum lugar eu me sinto como um hóspede. Nos templos para onde sou convidado vivo como se eles fossem o meu próprio. Vivo naturalmente, sem grandes cerimônias. Cada passo que dou, estou em casa.

Em cada passo, se manifesta o universo. Nenhum lugar para ir, nenhum lugar para onde voltar. Não há qualquer lugar onde poderia me esconder, e nenhum lugar me resta para caminhar.


Kodo Sawaki Roshi
(publicado por Leonardo Dobbin no blog "Sangha Virtual", dedicado aos ensinamentos do grande mestre zen vietnamita Thich Nhat Hanh)



quarta-feira, 15 de junho de 2016

Viva como Essência.





Não brinque de ping-pong com sua mente. Aja simplesmente como uma testemunha, sem apegos ou conceitos. Observe que, quando a observamos assim, a mente acalma-se por si.

Mas não espere isso acontecer. Seja uma presença impassível, sem interesse ou identificação. Viva como Essência.

Mooji
(em  “White Fire”)






terça-feira, 14 de junho de 2016

Focar na Essência




Focar em si mesmo o distrai da Realidade.
Focar na Essência não o faz perder-se, ao contrário, o conduz de volta à origem: a consciência absoluta.

Mooji
(em  “White Fire”)


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Manter o entusiasmo na prática





Se você está tendo dificuldades para manter o entusiamos em sua prática, diga para si mesmo: “Eu poderei estar morto daqui a uma semana”. Deixe de lado tudo o que você julga ser importante em seu cotidiano e dirija seu foco para a Essência as vinte e quatro horas do dia. Faça isso e veja o que acontece.


Annamalai Swami


sexta-feira, 10 de junho de 2016

Desfazendo a autoimagem




Você diz que devemos somente permanecermos atentos, focados na consciência em si. Isso significa que devemos abandonar tudo, abandonar até mesmo o desejo de destruir as vasanas, as tendências enraizadas do ego?

Sim, melhor do que focar no aperfeiçoamento pessoal ou lutar contra as tendências enraizadas no ego (as quais parecem inesgotáveis), é perceber quem produz essas tendências e quem é afetado por elas. Ao reconhecer que elas pertencem e atingem a falsa auto-imagem que criamos de nós mesmos, e que a nossa natureza real é a consciência inalterável, essa auto-imagem se desfaz. Nos livramos da ilusão que nos aprisionava e alcançamos a libertação, que é a mente sempre clara e presente. 

Mooji
(em  “White Fire”)


quinta-feira, 9 de junho de 2016

O profundo silêncio da Realidade





Fundamentalmente somente a Realidade existe, o resto é uma questão de nomes e formas. E enquanto se prenderem à ideia de que só o que tiver nome e forma é real, o Supremo parecerá inexistente para vocês. Quando compreenderem que nomes e formas são apenas cascas ocas, sem conteúdo, e que a Realidade não pode ser nomeada e nem definida, pois é a pura energia da vida e a luz da consciência, aí você terá paz, pois estará imerso no profundo silêncio da Realidade.


Nisargadatta Maharaj
(em “I Am That”)



quarta-feira, 8 de junho de 2016

Recuse todos os pensamentos, exceto Eu Sou




A mente inquieta não é capaz de aquietar a si mesma, pois é da natureza da mente vagar por aí. É necessário mudar o foco da consciência para além de si.

Recuse todos os pensamentos como sendo reais, exceto um: Eu Sou! A mente reagirá no início, mas com paciência e perseverança ela irá se aquietar. E quando sua mente se aquietar, as coisas começarão a acontecer espontânea e naturalmente, sem qualquer interferência sua.

Apenas viva a vida como esta se apresentar, mas de maneira atenta, presente, observando, permitindo que as coisas aconteçam como tiverem que acontecer e agindo de modo natural, sofrendo, alegrando-se – o que a vida lhe der.

Sri Nisargadatta Maharaj
(em “I Am That”)

terça-feira, 7 de junho de 2016

Tudo o que a mente aceitou até agora, é falso




Ego é ignorância. Quando o ego desaparece, resta a compreensão. Mas até mesmo essa compreensão é um estado mental, e precisa também ser dissolvido na Realidade.

Tudo o que a mente acumulou e aceitou como verdade durante todos esses anos, compreenda que tudo isso é falso. Você acredita no que pensa ser verdade, mas está equivocado. Tudo o que você adquiriu através do conhecimento e das percepções são ilusões.  Tudo o que você sente é falso. Compreendendo isso, sua mente estará purificada. A mente toma aquilo que percebe como verdadeiro e na verdade isso é impureza. Mas quando você reconhece que tudo é ilusão, a mente desaparece. Esqueça os pensamentos e conceitos e você será a Essência.

Até agora você tem tomado o falso por verdadeiro e o verdadeiro por falso, esse é o engano.


Sri Ranjit Maharaj
(em “Illusion vs. Reality”)



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Não ser nada




Não ser nada é a maior liberdade de todas.
Na verdade, não há nem mesmo liberdade, pois quando você não é nada, onde está aquele que se libertou?

Reflita sobre isso.

Mooji
(em  “White Fire”)

sábado, 4 de junho de 2016

Sem objetivo





Eu nunca pratiquei com a intenção de tornar-me um Buda ou alcançar a iluminação. Eu só queria saber quem sou, o que sou, e porque nasci. Quando enfim compreendi que meu corpo não sou eu, minha consciência não sou eu e minha vontade não sou eu (...).

Muitas pessoas acreditam que, quando a mente se ilumina, é porque um determinado estágio foi alcançado. Contudo, o que é atingido é a compreensão de que não há nada a ser alcançado! Se alguém diz que obteve, ou alcançou, ou despertou para alguma coisa, então certamente não obteve, não alcançou e não despertou para nada.


Daehaeng Sunim
(em “No River to Cross – Trusting The Enlightenment That’s Always Right Here”)



sexta-feira, 3 de junho de 2016

Chama eterna





Pergunta: Pode-se ter uma experiência temporária do Eu Real, a realidade subjacente, mas então ela desaparece. Você pode dar alguma orientação em como permanecer estável naquele estado?

Annamalai Swami: Uma lampião que está aceso pode apagar se o vento estiver forte. Se você quiser vê-lo novamente, você tem que reacendê-lo. Mas o Ser não é assim. Ele não é uma chama que pode ser apagada pela passagem dos ventos dos pensamentos e desejos. Ele é sempre luminoso, sempre brilhante, está sempre lá. Se você não está consciente dele, isso significa que você colocou uma cortina ou um véu na frente dele que bloqueia sua visão. O Ser não oculta a si mesmo atrás de uma cortina. É você que coloca a cortina lá ao acreditar em ideias que não são verdadeiras. Se a cortina se abre e então se fecha novamente, isso que dizer que você ainda está acreditando em ideias erradas. Se você erradicou-as completamente, elas não reaparecerão. Enquanto essas ideias estiverem cobrindo o Eu Real, você ainda precisa fazer constante sadhana.

Então, voltando à sua questão, o Eu Real não precisa estabilizar-se. Ele é pleno e completo em si mesmo. É a mente que pode ser estabilizada ou desestabilizada, não o Ser.


Annamalai Swami
(em “Os Ensinamentos Finais de Annamalai Swami”)

quinta-feira, 2 de junho de 2016

É o caso de ser




Há alguma prática que devemos adotar?

Não há nada que você possa fazer ou mudar para ser o que você já é. Contudo, há algo que você precisa reconhecer para parar de ser o que você não é. Descubra que você realmente é. Através de auto-investigação o falso sentimento do self, o ego, é exposto e revelado como sendo uma espectral aparência dentro da luz e presença do observador real, que é o Self.

Não é o caso de saber disso ou fazer aquilo. É o caso de ser.


Mooji
(em “Before I Am”)



quarta-feira, 1 de junho de 2016

Vou onde o vento me leva





Hoje de manhã saí muito cedo.
Por ter acordado ainda ainda mais cedo.
E não ter nada que quisesse fazer...

Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte,
E segui o caminho para onde o vento me soprava as costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e assim quero que possa ser sempre
Vou onde o vento me leva e não me deixo pensar.

Fernando Pessoa (Alberto Caeiro)
(em "Poesia Completa de Alberto Caeiro")