"Decidir ser feliz, nada adicionar à infelicidade da humanidade, nem mesmo uma queixa, um pensamento... Vontade de não perturbar, de não magoar. Não é ainda o amor nem a sabedoria, é o começo da ética. Para muitos, já é o heroísmo..."
Jean-Yves Leloup
(em "O Absurdo e a Graça". Encontrado no maravilhoso - e lamentavelmente desativado - blog Para Ser Zen)
sábado, 11 de agosto de 2012
O Budismo é muito prático
"Em sua essência, o budismo é muito prático. Trata-se de fazer coisas que encorajem a serenidade, a felicidade e a confiança, e evitar coisas que provoquem a ansiedade, a desesperança e o medo. A essência da prática budista não é tanto um esforço para mudar seus pensamentos ou seu comportamento para que você se torne uma pessoa melhor, mas perceber que, independentemente de sua opinião sobre as circunstâncias que definem sua vida, você já é bem, pleno e completo. Trata-se de reconhecer o potencial inerente de sua mente. Em outras palavras, o budismo não se preocupa tanto em ficar bem, mas em reconhecer que você já é, neste exato local e neste exato momento, tão pleno e tão bom e já está essencialmente tão bem quanto jamais poderia esperar um dia estar."
Yongey Mingyur Rinpoche
(em "A Alegria de Viver")
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Sobre rios e nuvens
"Tenho uma boa história para contar. Imagine um riacho descendo do alto da montanha. Ele é muito jovem e quer correr. Seu objetivo é o oceano. Quer chegar lá tão rápido quanto possível. Quando alcança as planícies e o campo, fica mais lento. Se torna um rio. Fluindo lentamente, começa a refletir as nuvens e o céu. Há muitos tipos de nuvens, com diferentes formas e cores, e o rio passa todo o tempo as perseguindo, uma depois da outra. Mas as nuvens não ficam paradas. Elas vêm e vão. O rio chora muito, porque nenhuma das nuvens fica com ele para sempre. As coisas são impermanentes. Ele sofre devido a sua atitude e comportamento.
Um dia um vento forte limpou todas as nuvens e o céu ficou extremamente azul. Não havia absolutamente nuvens. O rio pensou que a vida não valia a pena ser vivida mais. Ele não sabia como desfrutar do céu azul. Ele o via como vazio, e sentia que a vida não tinha significado. Esta noite ele quis se matar. Como pode um rio se matar? De alguém não é possível se tornar ninguém. De algo não é possível se tornar nada. Durante aquela noite ele chorou muito. Este é o som da água batendo nas margens. Esta foi a primeira vez que ele voltou-se para si mesmo.
Até agora, ele tinha apenas corrido para fora de si mesmo. Ele pensava que a felicidade estava fora, não dentro. A primeira vez que voltou a si mesmo e ouviu o som de suas lágrimas, ele descobriu algo. Ele não sabia que um rio era feito de elementos não-rio. Ele estava perseguindo nuvens, pensando que não poderia ser feliz sem elas, e não percebeu que ele era feito de nuvens. O que ele estava procurando já estava dentro dele. Felicidade é assim. Se você sabe como voltar ao aqui e agora e perceber os elementos de sua felicidade que já estão disponíveis, não precisa mais correr.
De repente o rio percebeu que havia algo refletido nele: o céu azul. Ele vê o quão pacífico, sólido, livre e bonito o céu é. Ele não tinha percebido antes. Ele sabe que sua felicidade deveria ser feita de solidez, liberdade e espaço. Ele é preenchido de felicidade porque pela primeira vez soube como refletir o céu. Antes, ele havia somente refletido as nuvens e ignorado completamente o céu. Esta foi uma noite de transformações profundas. Todas as lágrimas e sofrimento foram transformados em alegria, solidez e liberdade.
Na manhã seguinte não havia vento. As nuvens retornaram. Agora ele as reflete sem apego com equanimidade. Ele diz “Oi” cada vez que uma nuvem aparece. Quando a nuvem se vai, ele não fica triste. Ele achou a liberdade. Ele sabe que a liberdade é a fundação da sua felicidade. Ele aprendeu a parar e não correr mais. Naquela noite algo maravilhosos se revelou. A imagem da lua cheia foi refletida. Ele está muito feliz dando as mãos para as nuvens e a lua, praticando meditação caminhando para o oceano. Cada passo, feito em conjunto com as nuvens e a lua traz ao rio muita felicidade.
Cada um de nós é um rio. Começamos como um regato descendo do alto da montanha, querendo correr o mais rápido possível. Então aprendemos como ficar mais lentos um pouco, e começamos a perseguir objetos de nosso desejo. Sofremos. Às vezes sofremos tanto que não queremos nem mais existir. Então temos a chance de voltarmos para nós mesmos e refletir profundamente. Percebemos que o objeto de nosso desejo é a causa de nosso desespero e das nossas aflições. Todos os elementos da felicidade estão disponíveis no aqui e agora. Temos tudo que precisamos. De repente conseguimos o tipo de liberdade que nunca tivemos e somos capazes de viver cada momento de nossa vida diária profundamente. Como nos tornamos um rio feliz, podemos ajudar muitos rios a nossa volta a se tornarem felizes também."
Thich Nhat Hanh
(extraído do blog "Sangha Virtual")
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Dignidade
"Se Deus não existe, tudo é permitido." (Dostoievski)
Dostoievski se engana: mesmo se Deus não existe, não é verdade que tudo é permitido. Porque - invisível ou não - eu não me permito tudo: tudo não seria digno de mim. Minha moral é essa dignidade, essa exigência."
Andre Comte-Sponville
(em "Viver")
Dostoievski se engana: mesmo se Deus não existe, não é verdade que tudo é permitido. Porque - invisível ou não - eu não me permito tudo: tudo não seria digno de mim. Minha moral é essa dignidade, essa exigência."
Andre Comte-Sponville
(em "Viver")
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
A dádiva de meditar
"É a meditação que lentamente purifica a mente ordinária, desmascarando e exaurindo seus hábitos e ilusões, de maneira que possamos, no momento certo, reconhecer quem de fato somos.
A dádiva de aprender a meditar é o maior presente que você pode se dar nessa vida."
Sogyal Rinpoche
A dádiva de aprender a meditar é o maior presente que você pode se dar nessa vida."
Sogyal Rinpoche
terça-feira, 7 de agosto de 2012
A verdade espiritual e o bom senso
"A verdade espiritual não é algo elaborado e esotérico, mas é um profundo bom senso. Quando você tem a realização da natureza da mente, camadas de confusão são removidas. Você de fato não "se torna" um buda, mas simplesmente deixa pouco a pouco de viver no engano e na ilusão. E ser um buda não é ser um onipotente super-homem espiritual, mas tornar-se um verdadeiro ser humano.
Por mais que se diga, não é o bastante: nossa verdadeira natureza e a natureza de todos os seres nada têm de extraordinárias. A ironia é que este mundo que chamamos de ordinário é que é extraordinário, uma alucinação fantástica e complexa da visão enganosa do samsara. É essa visão "extraordinária" que nos deixa cegos para a natureza "ordinária" natural e inerente da nossa mente."
Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")
Por mais que se diga, não é o bastante: nossa verdadeira natureza e a natureza de todos os seres nada têm de extraordinárias. A ironia é que este mundo que chamamos de ordinário é que é extraordinário, uma alucinação fantástica e complexa da visão enganosa do samsara. É essa visão "extraordinária" que nos deixa cegos para a natureza "ordinária" natural e inerente da nossa mente."
Sogyal Rinpoche
(em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer")
sábado, 4 de agosto de 2012
"Agora mesmo acabei de nascer!"
"Podemos fazer agora tudo aquilo que nunca fizemos antes, independentemente de nossos condiocionamentos e preconceitos. Podemos ser agora o que nunca antes fomos.
"Agora mesmo acabei de nascer!", de agora em diante este é nosso novo koan, o mantra ativo que desperta incessantemente no nosso íntimo, de novo."
Hoge Daido
"Agora mesmo acabei de nascer!", de agora em diante este é nosso novo koan, o mantra ativo que desperta incessantemente no nosso íntimo, de novo."
Hoge Daido
Tire as vendas, solte as amarras
"Os únicos limites que existem são aqueles que determinamos para nós mesmos. Tire as vendas, solte as amarras, derrube as paredes da jaula e dê um passo à frente. Quando você tiver dado este passo, perceba-o, solte-o e dê um outro passo. E quando finalmente chegar à iluminação, perceba-a, solte-a e dê um outro passo. Isto é, sempre foi e sempre será a prática incessante dos Budas e Ancestrais. Fazendo isto, você autentica seus próprios seres, suas próprias vidas. Você dá vida a Buda."
John Daido Loori
(Mestre Zen norte-americano)
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Desfazendo equívocos
"Se você quer milagres, não procure o Budismo. O supremo milagre para o Budismo é você lavar seu prato depois de comer.
Se você quer curar seu corpo físico, não procure o Budismo. O Budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.
Se você quiser arranjar emprego ou melhorar sua situação financeira, não procure o Budismo. Você se decepcionará, pois ele vai lhe falar sobre desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.
Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o Budismo. Para o Budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.
Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o Budismo. Para o Budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.
Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o Budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.
Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o Budismo. A casa de Buda não é a casa da inflação dos egos.
Se você quer a proteção divina, não procure o Budismo. Ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.
Se você quer um caminho para Deus, não procure o Budismo. Ele o lançará no vazio.
Se você quer alguém que perdoe suas falhas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o Budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.
Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o Budismo. Ele aumentará suas dúvidas.
Se você quer uma crença cega, não procure o Budismo. Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.
Se você é dos que acham que a verdade está nas escrituras, não procure o Budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no intelecto.
Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a civilização de Atlântida, não procure o Budismo. Ele só revelará a verdade sobre você mesmo.
Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o Budismo. Ele só pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.
Se você quer conhecer suas encarnações passadas, não procure o Budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.
Se você quer conhecer o futuro, não procure o Budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés, enquanto você anda.
Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o Budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.
Se você quer ser sério e austero, não procure o Budismo. Ele vai ensiná-lo a brincar e a se divertir.
Se você quer brincar e se divertir, não procure o Budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.
Se você quer viver, não procure o Budismo, pois ele o ensinará a morrer."
Reverenda Yvonette Silva Gonçalves
(texto encontrado no excelente blog Para Ser Zen e também no site da Monja Coen)
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
A paz está no centro da tempestade
"Onde quer que estejamos, "aqui" é o centro da viagem da nossa vida. Aqui não há limiar, nem exterior, nem mais alto, nem mais baixo, nem princípio e nem fim. Seja o que for que o mundo nos dê agora, nós estamos no centro de nossas vidas, passo a passo no caminho aberto. É isto. A paz última está no centro da tempestade diária.
Permaneça livre de escolhas. Seja eternamente livre para o que te surgir no caminho. O crescimento real começa quando te deres conta da tua realidade, quando conseguires dizer "Está tudo bem", mesmo que a situação seja dura e miserável."
......
"O meu próprio "eu" foi completamente abandonado na minha experiência mais profunda? Ou continuo a ser o senhor soberano de tudo que domino, vivendo na zona de segurança desse "eu", guardando para mim aquilo que minha consciência percebeu? Tais reflexões são importantes formas de auto-exame, que não provém do "próprio eu", mas de Buda. E tudo depende disto; é aí o ponto de mudança.
Auto-examinar-se ajuda a não esquecer de optar sempre por um novo começo, e não importam os anos que se tenha de prática. Esta é uma das advertências fundamentais a se ter todos os dias em mente, seja no cimo da montanha, seja no fundo do mar."
Hogen Daido
(em "No Caminho Aberto")
Nada pode perturbá-lo
"Nada no exterior pode perturbá-lo.
É você mesmo quem cria as ondas da mente.
Se deixar a mente como ela é, ela se tornará calma.
Esta é a chamada mente grande."
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Tudo é bom
"É bom quando o sol está brilhando,
e também é bom quando está nublado:
o Monte Fuji não é afetado por isso."
Tesshu Yamauka
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