Certa vez, um clínico geral de mais idade veio consultar-me por causa de uma depressão muito profunda. Ele não conseguia superar a perda de sua mulher, que falecera fazia dois anos e a qual ele amara acima de tudo. Bem, como poderia eu ajudá-lo? O que deveria dizer-lhe?
Pois bem, abstive-me de lhe dizer fosse o que fosse, confrontando-o, antes, com uma questão:
— Diga-me, doutor, o que teria acontecido se tivesse sido o senhor a morrer primeiro e a sua esposa a sobreviver-lhe?
— Oh — disse ele —, para ela teria sido terrível; teria sofrido imenso!
Ao que repliquei:
— Pois bem, doutor, esse sofrimento foi-lhe poupado, e foi o senhor que a poupou a esse sofrimento; mas agora tem que pagar por isso, sobrevivendo-lhe e chorando a sua falta.
Ele não disse uma palavra, limitou-se a apertar-me a mão e retirou-se calmamente.
Viktor Frankl
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