Antes de conseguir ver através do Caminho, você enfrenta inúmeras dificuldades; mas depois que compreende, que facilidade ou dificuldade existe?
Ta Hui
Ao praticar zazen e alcançar a iluminação, você sente a beleza da existência. Tudo o que você vê, você sente essa beleza. É muito difícil expressar isso em palavras, mas através da experiência você pode compreender. A mesma prática se aplica à vida diária. Se quisermos ter relaxamento e segurança em nossa existência diária, precisamos viver de todo o coração dessa maneira. Esta é uma vida simples.
Dainin Katagiri
Doogen afirma que o tempo e a existência são inseparáveis. Não existe um "eu" que caminha através das horas; você é a própria passagem do tempo. Se você remove o tempo, o ser desaparece; se remove o ser, o tempo não existe. Cada momento da sua vida (nascer, sentar, comer, morrer) não acontece no tempo, ele é o tempo.
O tempo não flui apenas do passado para o futuro. Ele "flui" de hoje para amanhã, de hoje para ontem e de ontem para hoje. Tudo o que existiu e existirá está vibrando no seu ser agora
Uma montanha não está apenas parada no tempo; a sua "montanhidade" é uma atividade temporal. Da mesma forma, você não é uma entidade estática que envelhece; você é o próprio processo de transformação contínua.
Estar plenamente presente em uma ação (como o Zazen ou lavar louça) é realizar a totalidade do ser.
A iluminação não é algo que você alcança depois de praticar por muito tempo; a própria prática é o tempo da iluminação manifestado.
Um mestre Zen chamado Gisan pediu a seu jovem aluno que trouxesse um balde de água fria para o banho. O aluno trouxe a água e, após despejá-la na banheira, jogou o pouco que sobrou no fundo do balde no chão.
O mestre o repreendeu: "Por que você desperdiçou aquela gota? Por menor que seja, se você a tivesse dado a uma planta sedenta, ela teria cumprido seu destino. Como você espera alcançar a iluminação se não respeita a vida de uma única gota?"
Nesse momento, o aluno compreendeu a interconexão de todas as coisas e mudou seu nome para Tekisui (Gota de Água).
Gisan Zenrai (1802-1878)
Sendo um monge mendicante, Ryōkan às vezes esquecia o que estava fazendo. Certa vez, ele saiu para pedir esmolas e voltou com a tigela vazia, mas o rosto radiante. Quando perguntaram o que ele havia conseguido, ele mostrou um poema que havia escrito no verso de um papel que encontrou, celebrando o perfume das flores de ameixeira. Para ele, a beleza do mundo era o sustento mais valioso.
Ryokan (1758–1831)
Desapegando-se totalmente você reconhece que tudo é sofrimento. Os seus sentidos são sofrimento. O mundo é sofrimento. Monastérios são sofrimento. A chuva é sofrimento. Estudar é sofrimento. A comida é sofrimento. Tudo que você fizer é sofrimento. Quando você desapega e vai para onde a ilusão não pode te alcançar, há a libertação do sofrimento. É o estado da meditação mais profunda, dhyana: você está desapegado de tudo, até mesmo de dhyana.
Ajahn Brahm
Quando você se despega do sofrimento parando de tentar controlar o mundo, deixando que as coisas apenas sejam, você tem o que mais precisa: paz e felicidade. Somente o desapegar traz à mente a verdadeira felicidade. Você tem então serenidade e paz porque muitas coisas inúteis simplesmente desapareceram.
Ajahn Brahm
Quando estiver meditando, lembre-se que.nada é problema seu; diz respeito apenas a seu corpo. Pensar assim é um meio poderoso de manter seu corpo saudável.
Quando você considera que algo não lhe diz respeito, ela desaparece de seu mundo. A consciência não se apega mais àquilo; ela não mais a vê, ouve, sente. Pois tudo aquilo ao qual se apega, você constrói edifícios em torno. E é muito claro para mim como meditador que nós criamos nosso próprio mundo. Mas quando você se desapega, a coisa desaparece.
Ajahn Brahm
Quando compreendemos, não significa que simplesmente aceitamos as coisas; isso não é é o bastante. Dizer, "deixa ser, a vida é assim mesmo!" não é a reação correta. Isso é resignação.
Nibbidã significa desapego. Nos afastamos dessa coisa chamada vida. Tentar modificar as coisas só o torna mais envolvido com elas e resignar-se também. Desapego é a reação correta e significa deixar que as coisas sejam e não se preocupar com elas. Você apenas permanece presente e não se envolve com o que estiver experimentando.
Ajahn Brahm
Ajahn Brahm
Nibbidã, desapego, vem da compreensão da natureza do corpo, da mente, e do mundo. Você compreende que tudo em algum momento será insatisfatório e que problemas surgirão. Você pára de fugir desses problemas ou forçar-se a resolvê-los, pois compreende que problemas são inerentes ao samsara. Esse foi um dos grandes insights do Buda, e ele a chamou de Primeira Nobre Verdade.
Ajahn Brahm
Quando você estiver trabalhando ou meditando, aceite que as coisas sairão errado erradas de vez em quando. Seu trabalho não é pedir por aquilo que o mundo não pode te dar; seu trabalho é observar. Seu trabalho não é pressionar para que esse mundo faça as coisas da maneira que você julga que elas deveriam ser. Seu trabalho é compreender, aceitar e deixar ir. Quanto mais você lutar, mais dor sentirá.
Ajahn Brahm
Onde quer que você viva - seja em um monastério, numa cidade, ou numa tranquila rua arborizada - você sempre experimentará problemas e dificuldades em sua vida. Por isso, quando tiver algum problema de saúde, você não deve dizer "Doutor, há algo errado comigo. Estou doente." Ao contrário, diga "Há algo correto em mim; estou doente hoje." É da natureza da do corpo humano ficar doente de vez em quando.
Ajahn Brahm
A palestra do dharma acontece durante as 24 horas do dia. Algumas vezes ela está nas palavras do Roshi. Algumas vezes é o som do avião. Outras, é o som do aquecedor. O som do galo cantando ou o som do vento e da chuva no telhado. O som do dharma é contínuo, sem interrupções, estejamos conscientes dele ou não.
Jakusho Kwong
Devemos agir como a chuva. A chuva simplesmente cai. Ela não pergunta: "Estou fazendo um som agradável lá embaixo?" Ou: "As plantas ficarão felizes em me ver? Serão gratas?" A chuva simplesmente cai, gota após gota. Milhões e bilhões de gotas, apenas caindo. Este é o segredo aberto do Zen.
Jakusho Kwong