Onde você busca a espiritualidade? Ela está em cada coisa comum que você faz todos os dias. Varrer o chão, regar os vegetais e lavar a louça tornam-se espirituais e sagrados se a atenção plena estiver presente.
Thich Nhat Hanh
Embora, ordinariamente, pensemos que uma folha nasça na primavera, Gautama podia ver que ela já estava lá por um longo, longo tempo, na luz do sol, nas nuvens, na árvore e nela mesma. Vendo que a folha jamais havia nascido, pôde ver que ele próprio também jamais havia nascido. Ambos, a folha e ele mesmo, tinham apensa se manifestado - nuncam tinham nascido e, assim, eram incapazes de morrer. Ele pôde ver que a presença unica de qualquer fenômeno tornava possível a existência de todos os demais fenômenos. Um incluía todos e todos estavam contidos no um.
Thich Nhat Hanh
Olhando profundamente para a folha, com clareza, Sidarta viu a presença do sol e das estrelas - sem o sol, sem a luz e o calor, ela não existiria. Isso é assim porque aquilo é daquela maneira. Também viu na folha a presença das nuvens - sem nuvens não poderia haver chuva, e sem a chuva, a folha não poderia ser. Ele viu a terra, o tempo, o espaço e a mente - todos estavam ali presentes. Realmente, naquele exato momento, o universo inteiro existia naquela folha. A realidade da folha era um maravilhoso milagre.
Thich Nhat Hanh
No zen, a religião é a sua própria vida, sempre, em cada instante.
Fixar a atenção neste nomento, sem esperar nada dele, sem fazer depender nada dele, sem adicionar ou excluir nada. Simplemente aproveitar este momento.
A sua visão da vida deve ser tão clara que você poderia aproveitar inclusive se tivesse que morrer neste preciso instante.
Kodo Sawaki Roshi
Dōgen não vê o universo como um “cenário” neutro no qual os seres vivem.
Ele afirma que o universo está praticando o Caminho agora mesmo — através de tudo: montanhas, rios, pessoas, tempo, silêncio.
“As montanhas e rios da Terra inteira são o corpo e a mente do Buda.”
(Sansuikyō – Sutra das Montanhas e Rios).
Dōgen dissolve a dicotomia “eu vs. mundo”:
Quando o ego se desfaz, você não está no universo — você é o universo se expressando aqui e agora.
É uma visão não dual:
Você não está separado do cosmos;
Você é parte integrante da dança do Dharma — como o vento, a pedra, o silêncio, a estrela.
A única maneira de ultrapassarmos a roda do samsara é transformar toda a nossa vida em uma prática do Dharma. Há muitas qualidades que precisamos no caminho, incluindo generosidade, paciência, bondade amorosa, compaixão e, especialmente, a capacidade de estar atento, de estar consciente, de estar presente. Toda a nossa vida deve se tornar a nossa prática. Todas as pessoas que encontramos são a nossa prática. Tudo nos ensina algo se estivermos abertos a aprender. Então, quando toda a nossa vida for a nossa prática, não poderemos dizer: "Não tenho tempo.
Jetsunma Tenzin Palmo
Quando algum problema físico ou mental acontece, minha mente se torna amarga e sombria, ou busca alívio freneticamente.
Que importância tem isso? É a mente que é amarga e inquieta, não você. Veja, coisas de todos os tipos acontecem nesta sala. Sou em quem faço acontecer? Elas apenas acontecem. Com você é a mesma coisa - a trama do destino desenrola e atualiza o inevitável. Você não pode mudar o curso dos acontecimentos, mas você pode mudar sua atitude.
O mundo é a morada dos medos e dos desejos. Nele não se pode encontrar paz. Para ter paz, você tem que ir além do mundo.
O tempo acerta todas as contas. A lei do equilíbrio reuna suspensa.
Sri Nisargadatta Maharaj
Ao ler o Shōbōgenzō, ficou claro para mim a visão sobre o ser humano, quando consciente e desperto:
- Somos um espelho do universo, capaz de perceber sua inseparabilidade de tudo;
- Somos ponto de manifestação: quando sentamos em zazen, o universo inteiro senta conosco.
“Sentar-se em zazen é fazer girar a roda do Dharma. Mesmo que o corpo pareça imóvel, as dez direções estão se movendo contigo.”
Isso significa que, quando nos aquietamos verdadeiramente, participamos da respiração cósmica.